Morre Aleksandar Mandic, pioneiro da internet no Brasil

Foto de Mandic, de moletom preto, óculos e cabelos grisalhos. Na legenda da foto, seu nome e a inscrição "O primeiro empreendedor digital".

Morreu nesta quinta (6) Aleksandar Mandic, a primeira pessoa a ganhar dinheiro com a internet no Brasil — antes mesmo de a internet oficial estrear por aqui.

Em 22 de abril de 1990, o Mandic BBS nasceu em um quarto vago na casa de Mandic graças a uma linha telefônica extra que sua mulher tinha. Executivo da Siemens havia 18 anos, ele abandonou um salário pago em dólar por acreditar que aquela história de conexões digitais viraria um negócio gigante.

Virou.

Quando a internet comercial chega ao Brasil, em 1995, com o primeiro pacote de acesso da Embratel, Mandic já estava estabelecido. A Mandic levantou capital com a GP Investimentos em 1996, o primeiro fundo a investir pesado em internet no Brasil, e transformou-se na Mandic Internet.

Aleksandar Mandic enriqueceu e a Mandic cresceu mais ainda, até que ele saiu da empresa que criou. Anos depois, em 2000, co-fundou o iG e deu início à onda do acesso gratuito à internet no país. Dois anos depois, saiu e reabriu a empresa que levava seu nome, onde ficou até 2012, quando a vendeu ao fundo de investimento Riverwood Capital.

Centenas de pessoas se conheceram pelos serviços do Mandic. Ele brincava que era o pastor da Igreja do Mandic, de tanta gente que ajudou a casar. Fora ser inovador, Mandic era uma grande figura. Seu email na Mandic era dono@mandic.com.br. Tinha um humor finísismo.

Se hoje milhões de brasileiros ganham dinheiro na internet, é porque uma galera maluca na década de 1990 abriu os caminhos. Mandic era um dos líderes daquele grupo. Vai fazer uma falta enorme.

Descansa em paz, Mandic.

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4 comentários

  1. Cara… Tem umas perdas que a gente sente sem esperar por isso. Conectava na Mandic BBS pela extensão que ficava no quarto da minha mãe, atravessando um fio daqueles pretos por cima da cama dela, até chegar no meu Compaq Presario. Isso foi entre 1994 e 1995, se não me engano, e eu tinha 12 pra 13 anos.

    Ele foi um visionário. Deixa um legado importantíssimo, e muita gente que o admirava muito. Me incluo nisso.

  2. Eu o conheci rapidamente nos primeiros tempos do portal O Site, onde eu cuidava do canal de Aventura & Meio Ambiente, antes do IG. Sobre o “humor finíssimo” há controvérsia – ele ficava numa sala envidraçada, falando ao telefone o tempo todo. Nas paredes, vários sulfites impressos com pensamentos e frases “finíssimos”, como “Comer minha mãe todo mundo quer, mas dar pra mim ninguém quer”, e outras sutilezas.
    RIP

  3. Uma grande perda. Li sobre ele e tem um ou dois episódios do podcast Retrocomputaria que são com ele, excelentes.

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