“Tá pegando fogo, bicho!” dublado por IA e outros links legais

Não sei muito bem o que está acontecendo aqui, só que a Nissan anunciou um carro conceito feio (em inglês) com painel interior desenhado pelo estúdio que produz o jogo Gran Turismo.

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O ano da destruição do Twitter

exatamente um ano, Elon Musk tornava-se o dono do Twitter. Literalmente. O empresário pagou US$ 44 bilhões pela empresa inteira e prometeu transformar a rede em uma espécie de “super app”, ou — como ele diz — um “everything app”.

Um ano é pouco tempo, é verdade, mas a essa altura era de se esperar pelo menos sinais de que uma virada positiva está em curso ou é possível. Os sinais existem, mas no sentido contrário.

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Infelizmente, novos óculos inteligentes da Meta parecem ótimos

O fracasso da primeira colaboração entre Meta e EssilorLuxottica (a dona da marca Ray-Ban) na criação de um par de “óculos inteligentes”, em setembro de 2021, baixou muito as expectativas com uma eventual segunda versão.

Anunciado em um evento em setembro, espremido entre o mais badalado Meta Quest 3 e a nova inteligência artificial da Meta, o Ray-Ban Meta não chamou muita atenção de primeira.

Com o produto nas lojas — e nos rostos de repórteres de sites especializados norte-americanos —, porém, veio a surpresa: é um negócio… bem bom?

Os novos Ray-Ban Meta corrigem os pontos fracos do antecessor: a câmera é de boa qualidade (os microfones, excepcionais) e a bateria é ok (e tem uma caixa que se desdobra em bateria portátil com várias recargas).

E eles mantêm a característica mais importante de um produto do tipo: são bonitos, parecem óculos comuns.

Todos os que relataram suas experiências com o Ray-Ban Meta afirmam que os óculos não chamam a atenção, a ponto de ninguém perceber que são óculos especiais, inteligentes.

Bem diferente do Google Glass, por exemplo, que chegou a ganhar algum capital social em 2013, antes de Robert Scoble sepultá-lo com aquela foto medonha debaixo do chuveiro (não vou linkar; de nada).

O mundo é outro, também. Em 2013, a ideia de termos câmeras apontadas para nós o tempo todo, de todos os lados, estava restrita às distopias. Não à toa, o Google Glass foi rejeitado — e não apenas por causa do Scoble.

Óculos insuspeitos com câmeras e microfones de alta qualidade tão discretas que parecem camufladas não são uma ideia radical nem ultrajante em 2023. São, de qualquer forma, um passo extra no caminho da devassa da privacidade e da espetacularização da vida. (O Ray-Ban Meta faz streaming ao vivo no Instagram.)

Por US$ 299, uns trocados a mais que as versões “dumb” dos óculos de sol da EssilorLuxottica, os “smart glasses” se aproximam perigosamente do trivial.


Dos muitos vídeos que vi, recomendo a análise/ensaio da Victoria Song, do The Verge. Ela define a chegada do Ray-Ban Meta como “um ponto de virada”.

Cadê a integração do Tumblr com o ActivityPub/fediverso?

Quando o Twitter trocou de mãos e o Mastodon teve os seus 15 minutos de fama, no final de outubro de 2022, parecia que estávamos à beira de uma revolução digital baseada no ActivityPub, o protocolo aberto que faz o Mastodon e outras aplicações se comunicarem.

Muita gente se empolgou. Entre elas, Matt Mullenweg, CEO da Automattic. Em uma conversa no Twitter, Matt anunciou que o Tumblr, uma marca do grupo, ganharia compatibilidade com o ActivityPub.

Quase um ano depois, o assunto sumiu da agenda e parece ter sucumbido a dificuldades de projeto e falta de interesse.

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Importador do Obsidian liberta notas de aplicativos fechados

Um dos critérios que avalio antes de adotar um aplicativo é se consigo sair fácil dele. No caso de apps de anotações, se os textos são exportáveis ou — melhor ainda — ficam expostos no sistema de arquivos.

O Obsidian é um que trabalha com arquivos soltos, guardados em um diretório. Isso já seria bem legal por si só, pois apps assim são raros, mas existe um plugin que importa anotações de vários outros aplicativos.

O último que pintou no importador do Obsidian foi o Apple Notas. Além desse, ele também lida com Notion, Evernote, Google Keep, Microsoft OneNote e vários outros.

O plugin é de código aberto, o que explica a variedade de aplicativos compatíveis e a rapidez com que eles foram integrados — o plugin foi lançado há dois meses.

Mesmo quem não tem intenção de usar o Obsidian pode se beneficiar desse plugin. O resultado, como dito, são arquivos soltos no diretório apontado pelo usuário.

(Para quem estiver querendo sair do Apple Notes, o aplicativo Exporter também faz o serviço.)

Notícias para começar o dia

A velocidade mínima para o 4G, proposta pelo Ministério das Comunicações à Anatel via programa ConectaBR, é de 10 Mbps. Segundo a OpenSignal, 20% das conexões móveis no país não chegam a esse piso. Via G1Convergência Digital.

Gentes das exatas e quem mexe com Excel, regozijai-vos: chegou a opção para desativar a conversão automática de números em datas. Via Microsoft (em inglês) / No Órbita.

O Tinder lançou um recurso para que amigos ajudem alguém a encontrar um bom “match”. Via Tinder (em inglês).

Nintendo 64 em 4K, desfragmentação satisfatória e outros links legais

A startup Analogue está desenvolvendo um novo video game, com gráficos em 4K, compatível com jogos do Nintendo 64. Em 2024.

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Contra o tecno-otimismo

Nos anos 1990, Marc Andreessen criou o Netscape, primeiro navegador web comercial de sucesso, pivô da disputa que levou a Microsoft ao banco dos réus em um dos maiores julgamentos antitruste dos Estados Unidos.

Hoje, Andreessen é mais conhecido por ser sócio da Andreessen Horowitz, ou a16z, uma das firmas de capital de risco mais badaladas do Vale do Silício. Ele viu antes da maioria o potencial de crescimento de startups como Facebook, Skype, Airbnb e Stripe, e lucrou horrores com essas sacadas.

Andreessen também gosta de escrever. Bastante. Foi um dos que popularizam os detestáveis fios no Twitter (outra empresa em que investiu). Seus longos textos em tom de manifesto são populares no meio tecnológico, frutos da fama adquirida em uma tão rara quanto feliz previsão acertada feita em 2011, no artigo seminal “O software está devorando o mundo”. O que não significa que ele seja ou deva ser encarado como um oráculo.

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O pedágio do Twitter

A última grande ideia de Elon Musk é cobrar um valor simbólico dos usuários do Twitter.

Por enquanto, é um teste limitado a novas contas criadas nas Filipinas e Nova Zelândia. Objetivo alardeado? Conter robôs que publicam spam na plataforma.

O fim é nobre, mas a solução proposta é ruim — e não só por barrar também (muitas) pessoas legítimas. A barreira financeira só afasta pessoas mal intencionadas se for maior que o retorno esperado. No caso das campanhas de desinformação do Twitter, às vezes o retorno imediato nem é financeiro.

E, mesmo que a motivação dos spammers seja dinheiro, estamos falando de US$ 1 por ano, valor da assinatura em testes que transforma o básico — postar e interagir — em benefício de assinantes.

Matt Mullenweg, co-fundador e CEO da Automattic, empresa por trás do WordPress, criticou a iniciativa. Ele lembrou que domínios e hospedagem de sites custam bem mais que US$ 1/ano e, ainda assim, a web é dominada por sites de spam:

Cobrar [pelo acesso] pode causar uma queda de curto prazo nos robôs enquanto os criminosos atualizam seus scripts, mas o valor de manipular o X/Twitter é tão alto que imagino que já haja milhões de dólares sendo gastos nisso.

O executivo sabe do que fala: a Automattic mantém o Akismet, um dos filtros anti-spam mais usados e eficientes para comentários em sites e blogs.

Para Mullenweg, o sucesso duradouro no combate ao spam passa por ter um “olhar sutil sobre o comportamento e o conteúdo […] e ter uma operação de trust & safety muito sofisticada, com ótimos engenheiros”.

Musk demitiu +75% dos funcionários. Mandou embora ótimos engenheiros e desmantelou a equipe de trust & safety (algo como “confiança & segurança”) do Twitter.

Cobrar não vai resolver esse problema, mas talvez solucione outro mais urgente para Musk: obter acesso aos cartões de crédito da base de usuários do Twitter.

Transparência: O Manual do Usuário está hospedado nos servidores da Automattic.

Como destruir um pequeno negócio digital

Em março de 2022, tomei a liberdade de publicar uma notícia no Manual de uma empresa que não opera no Brasil e nem deve ter muitos usuários por aqui. Era o Bandcamp, uma pequena plataforma de venda direta de música digital, adorada por músicos e fãs.

Na ocasião, ela havia sido adquirida pela Epic Games, a poderosa dona da máquina de fazer dinheiro Fortnite, àquela altura em uma disputa ferrenha contra a Apple nos tribunais norte-americanos devido ao “pedágio” de 15–30% que esta cobra de itens digitais na App Store.

Na época, o discurso pós-aquisição foi o de sempre, de que o CEO do Bandcamp continuaria à frente da operação, que continuaria independente, nada muda.

Pensei alto: “Quando foi a última vez que esse arranjo deu certo? É, também não me recordo.”

A Epic se desfez do Bandcamp no final de setembro, em meio a uma onda de demissões. Essa foi rápida — a promessa durou menos de dois anos.

A nova dona do Bandcamp, Songtradr, especializada em licenciamento de músicas, deixou os 118 funcionários da aquisição no escuro, por duas semanas. Na segunda (16), confirmou a demissão da metade deles.

No e-mail aos que sobraram, o CEO da Songtradr, Paul Wiltshire, disse que as mudanças seriam necessárias devido à situação financeira do Bandcamp. O que é curioso, porque até 2021 o Bandcamp era lucrativo havia mais de uma década, crescendo lenta e consistentemente desde a sua fundação, em 2008.

Mudam os personagens e as circunstâncias, mas o desfecho é sempre igual. A ganância do grande capital segue fazendo vítimas, destruindo pequenos negócios saudáveis que de outra forma poderiam existir por muito tempo.

Inteligência artificial: a que custo?

Muita gente acha que a inteligência artificial gerativa mudará o mundo. É provável que sim, de diversas maneiras. Entre outras — uma que as empresas do setor não gostam de abordar —, piorando ainda mais a emergência climática.

Quase um ano depois do ChatGPT dar o ar da graça, começam a pipocar estudos que dimensionam o impacto ambiental da tecnologia.

O consumo de água da Microsoft, principal financiadora da OpenAI e que fornece os potentes servidores em nuvem usados pela dona do ChatGPT, saltou 34% entre 2021 e 2022, segundo um relatório ambiental da própria empresa.

No Google, o aumento no consumo de água no mesmo período foi de 20%.

Pesquisadores independentes atribuem o aumento ao uso intenso necessário para treinar os grandes modelos de linguagem (LLMs) e processar os comandos dos usuários de IAs.

Uma pesquisa ainda não publicada, de pesquisadores da Universidade da Califórnia, estimou que cada sessão de 5 a 50 perguntas e/ou mensagens para o ChatGPT consome cerca de 500 mililitros de água. Uma garrafinha d’água para escrever um e-mail robótico ou fazer uma “pesquisa” com resultados imprecisos e/ou inventados, ou — no eufemismo do Vale do Silício — em que a IA “alucina”.

Outra, esta de um doutorando da Universidade de Amsterdã, prevê que até 2027 o consumo energético de serviços de IA poderá ser o equivalente ao dos Países Baixos, um país inteiro.

As empresas de tecnologia estão em uma nova corrida do ouro, sim, mas até agora só conseguiram garimpar prejuízo.

O GitHub Copilot, assistente para programação da Microsoft baseado no ChatGPT, custa US$ 10 por mês e dá US$ 20 de prejuízo, em média, segundo informações de uma fonte próxima à empresa dada ao Wall Street Journal (sem paywall).

Tanto Microsoft quanto Google cobram US$ 30 mensais para liberar os poderes da IA gerativa em suas aplicações de escritório. Esse valor é somado ao valor padrão da assinatura básica, sem IA.

No início do ano, Satya Nadella, CEO da Microsoft, dizia que a IA “tirava o Google para dançar”, como se a nova tecnologia tivesse potencial para acabar com a hegemonia do rival nas buscas na web.

Nadella foi ouvido como testemunha no julgamento antitruste contra o Google, movido pelo Departamento de Justiça dos EUA, ainda em andamento. O executivo se retratou: “Chame [aqueles comentários] de a exuberância de alguém que tem 3% de participação [de mercado].”

De que outras maneiras a IA gerativa mudará o mundo? Na real, ninguém sabe. Nadella teme que as mudanças trazidas ajudem a manter as coisas como elas são, ou seja, que a IA sedimente a liderança monopolista do Google no setor.

O Google, por sua vez, parece meio perdido.

A Bloomberg obteve mensagens de um grupo no Discord, criado por funcionários do Google, para colher feedback de usuários entusiastas do Bard, rival do ChatGPT.

“O maior desafio em que ainda estou pensando”, escreveu Cathy Pearl (sem paywall), líder de experiência do usuário do Bard, “[é] para que LLMs [grandes modelos de linguagem, base das IAs] são realmente úteis? Digo, que façam a diferença mesmo. A ser descoberto.”

/ano dez

Nesta data querida, 15 de outubro de 2023, o Manual do Usuário completa dez anos no ar. Viva!

Eu não imaginava que fosse durar tanto. Agora, espero que dure para sempre, a despeito das ameaças constantes — que não são poucas e continuam aparecendo.

Este site nasceu em 2013, quando as redes sociais ainda eram o futuro, e provavelmente sobreviverá à decadência delas. Viu o “renascimento” das newsletters e o “surgimento” dos podcasts quando os dois formatos já eram parte da programação daqui. Embarcou nos vídeos tarde, é verdade, mas tudo bem — pressa nunca foi uma obsessão.

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10 conteúdos que marcaram os 10 anos do Manual do Usuário

Quando lancei o Manual do Usuário, há exatamente dez anos, gastei quase 400 palavras no tópico em que justificava a criação de mais um blog de tecnologia.

Apesar disso, não consta ali o aspecto que daria o tom nos anos seguintes: fazer diferente, fazer o que ninguém está fazendo, de um jeito incompatível com rabos presos e/ou modelos de negócio dominantes e hostis aos leitores.

O Manual mudou bastante em uma década, período em que publiquei +4,5 mil posts, centenas de podcasts e fiz muitos testes com formatos e estilos de cobertura.

Muito desse conteúdo passa longe de ser memorável, mas houve momentos em que um ou outro material fez jus àquela missão, ainda presente tanto tempo depois. Coisas que marcaram.

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Todos os leiautes que o Manual já teve

Em dez anos no ar, o site do Manual do Usuário já teve alguns leiautes. Foram menos de dez, se não me falhe a memória, o que acho um bom número.

Com a ajuda da Wayback Machine, consegui resgatar todos (?) os leiautes da nossa história. Ao menos, as versões para computadores — que são sempre mais legais, pois oferecem mais espaço para trabalhar.

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Da relevância (ou não) do Google Pixel

por Cesar Cardoso

Quem acompanha o Pinguins Móveis sabe que cada vez menos presto atenção aos lançamentos de novos Google Pixel. Acho que nunca expliquei o porquê, certo? Vamos lá.

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Twitter não serve mais como fonte de informação confiável

Na manhã do último domingo (8), Elon Musk indicou dois “bons” perfis de notícias de guerra para seus 150 milhões de seguidores no Twitter se informarem do conflito entre Israel e o Hamas.

As duas recomendações do bilionário são notórias fontes de desinformação. Em maio, elas espalharam o boato de que a Casa Branca havia sido bombardeada, por exemplo.

Ao se dar conta da gafe, Musk apagou o post. Antes disso, ele havia acumulado +11 milhões de visualizações.

Era apenas questão de tempo — e um evento dramático — para que a decadência do Twitter se revelasse da pior maneira possível. Ao longo de quase um ano, incentivos errados e decisões desastrosas em série de Musk transformaram a rede em um dos piores lugares para obter informações confiáveis.

Ativistas e especialistas em inteligência coletiva têm perdido um tempo precioso desmentindo imagens de video game e vídeos antigos, repostados no Twitter para direcionar narrativas e/ou gerar dinheiro com o programa de divisão de receita publicitária (mal) implementado por Musk.

Não é que a desinformação digital tenha surgido agora nem seja exclusividade do Twitter. É que, ali, ela está fora de controle.

Em quase um ano, Musk demitiu ~75% dos funcionários do Twitter, dispensou todos os milhares de terceirizados que moderavam conteúdo, desdenhou da imprensa, potencializou discursos extremistas, criou os piores incentivos para que a desinformação florescesse na plataforma.

A situação é tão grave e peculiar que Thierry Breton, comissário da União Europeia, enviou uma “carta urgente”, em tom duro, apontando infrações do Twitter ao Digital Services Act e exigindo providências de Musk em um prazo de 24 horas.

O Twitter, hoje, é o que todas as redes extremistas/alternativas — Gab, Truth Social, Parler — sempre sonharam em ser: um espaço frequentado por milhões de pessoas, controlado por um extremista e onde dinheiro e truculência falam mais alto em uma suposta “guerra cultural” que estaria em curso.

Muita gente boa continua no Twitter, entre outros (poucos) motivos, “para se informar”. Sinto dizer, mas o antigo Twitter não existe mais e o que sobrou em seu lugar não serve para isso.

Com informações da Associated Press e Wired (ambos em inglês).

Notícias para começar o dia

Nota do editor: Nas notinhas publicadas no início da manhã, pensei em fazer esse apanhado do dia anterior. Quando houver uma conversa correspondente no Órbita, incluirei um link direto para lá.

A partir de 1º de novembro, alguns serviços da Receita Federal só serão acessíveis por uma conta prata ou ouro do gov.br. [Receita Federal]

A Sony anunciou uma versão menor do PlayStation 5. Lá fora, chega em novembro. [Blog do PlayStation, comente no Órbita]

O Google vai estimular o uso de chaves-senha (passkeys) quando alguém fizer login em contas pessoais. [Google]

A Microsoft voltou atrás e não vai mais contar em dobro o espaço usado por imagens colocadas em álbuns no OneDrive. (É cada ideia…). [Microsoft]