Twitter não serve mais como fonte de informação confiável
Na manhã do último domingo (8), Elon Musk indicou dois “bons” perfis de notícias de guerra para seus 150 milhões de seguidores no Twitter se informarem do conflito entre Israel e o Hamas.
As duas recomendações do bilionário são notórias fontes de desinformação. Em maio, elas espalharam o boato de que a Casa Branca havia sido bombardeada, por exemplo.
Ao se dar conta da gafe, Musk apagou o post. Antes disso, ele havia acumulado +11 milhões de visualizações.
Era apenas questão de tempo — e um evento dramático — para que a decadência do Twitter se revelasse da pior maneira possível. Ao longo de quase um ano, incentivos errados e decisões desastrosas em série de Musk transformaram a rede em um dos piores lugares para obter informações confiáveis.
Ativistas e especialistas em inteligência coletiva têm perdido um tempo precioso desmentindo imagens de video game e vídeos antigos, repostados no Twitter para direcionar narrativas e/ou gerar dinheiro com o programa de divisão de receita publicitária (mal) implementado por Musk.
Não é que a desinformação digital tenha surgido agora nem seja exclusividade do Twitter. É que, ali, ela está fora de controle.
Em quase um ano, Musk demitiu ~75% dos funcionários do Twitter, dispensou todos os milhares de terceirizados que moderavam conteúdo, desdenhou da imprensa, potencializou discursos extremistas, criou os piores incentivos para que a desinformação florescesse na plataforma.
A situação é tão grave e peculiar que Thierry Breton, comissário da União Europeia, enviou uma “carta urgente”, em tom duro, apontando infrações do Twitter ao Digital Services Act e exigindo providências de Musk em um prazo de 24 horas.
O Twitter, hoje, é o que todas as redes extremistas/alternativas — Gab, Truth Social, Parler — sempre sonharam em ser: um espaço frequentado por milhões de pessoas, controlado por um extremista e onde dinheiro e truculência falam mais alto em uma suposta “guerra cultural” que estaria em curso.
Muita gente boa continua no Twitter, entre outros (poucos) motivos, “para se informar”. Sinto dizer, mas o antigo Twitter não existe mais e o que sobrou em seu lugar não serve para isso.
Com informações da Associated Press e Wired (ambos em inglês).
Notícias para começar o dia
Nota do editor: Nas notinhas publicadas no início da manhã, pensei em fazer esse apanhado do dia anterior. Quando houver uma conversa correspondente no Órbita, incluirei um link direto para lá.
A partir de 1º de novembro, alguns serviços da Receita Federal só serão acessíveis por uma conta prata ou ouro do gov.br. [Receita Federal]
A Sony anunciou uma versão menor do PlayStation 5. Lá fora, chega em novembro. [Blog do PlayStation, comente no Órbita]
O Google vai estimular o uso de chaves-senha (passkeys) quando alguém fizer login em contas pessoais. [Google]
A Microsoft voltou atrás e não vai mais contar em dobro o espaço usado por imagens colocadas em álbuns no OneDrive. (É cada ideia…). [Microsoft]
O dono do Twitter me ajudou a sair. Achei que era bug, ao entrar em um fio ou perfil para ver postagens, tudo em branco. Lembrei do limite diário.
Existe a teoria que depois das eleições dos EUA ele deve vender o Twitter.
E acho incrível nenhuma outra rede ter tomado esse espaço, mesmo nos bilhões colocados pela Meta no Threads.
Se o Zuck não tivesse nascido de 7 meses e lançado o Threads completamente capado, hoje era capaz do Twitter (que mané “X”, o que) ter tanta relevância e audiência quanto um programa de televendas da madrugada na RedeTV.
“How a Social Network Fails”
https://www.theatlantic.com/technology/archive/2023/10/twitter-x-decline-negative-user-experience/675570/
Sobre o Twitter/X, essa thread aqui tem o mínimo do mínimo de checagem de fatos sobre o que rolou em pouco tempo na rede. Eu acho que podemos multiplicar isso por milhões para termos uma ideia do que é o Twitter/X hoje em dia.
Meu resumo, tal qual fiz no BSKY, é que a rede virou o /pol.
Para quem não sabe o que é passkey (para a Google):
“Passkeys are a new way to sign in to apps and websites. They’re both easier to use and more secure than passwords, so users no longer need to rely on the names of pets, birthdays or the infamous “password123.” Instead, passkeys let users sign in to apps and sites the same way they unlock their devices: with a fingerprint, a face scan or a screen lock PIN. And, unlike passwords, passkeys are resistant to online attacks like phishing, making them more secure than things like SMS one-time codes.”
Parece uma boa medida.
Triste o que o Elon Musk fez com o Twitter.
Ainda continuo com meu perfil ativo por lá mais pra não perder o contato com meus mutuals (que são amigos virtuais de longa data já) e continuar acompanhando alguns perfis específicos (como os das Vtubers da Hololive e de ilustradores/artistas japoneses).
Já ando postando com mais frequência no Bluesky, mas ainda sigo tankando o Twitter até que seja viável pra mim abandoná-lo em definitivo.