Os banimentos perpétuos de Donald Trump, Jordan Peterson e Kanye West no Twitter foram revertidos por Elon Musk. Trump, o caso mais notório, como resultado de uma enquete feita por Musk na própria plataforma — a mesma que meses atrás ele acusava de estar repleta de robôs e perfis automatizados. A promessa de só tomar decisões de moderação depois de instituir um conselho? Quem se importa? O Twitter de Musk é uma grande e cara piada de mau gosto. Via @elonmusk/Twitter, Semafor (ambos em inglês).
2022
A InfoMoney foi atrás de investidores que perderam tudo com a quebra da FTX, ex-segunda maior corretora de criptoativos do mundo.
Um engenheiro civil de Passo Fundo (RS) fez dois empréstimos bancários que somou às suas economias para investir no negócio. Perdeu R$ 700 mil. Longe de mim culpar a vítima, mas é difícil pensar em ideia pior que fazer um empréstimo junto ao banco (quiçá dois!) para investir num negócio extremamente volátil.
As chances de recuperar o prejuízo são baixas, como explica o advogado consultado na matéria. Primeiro porque há peixes mais graúdos na fila — a FTX deve US$ 3,1 bilhões aos 50 maiores credores.
Segundo porque a FTX era uma bagunça. John J. Ray III, CEO que assumiu o lugar do fundador Sam Bankman-Fried, classificou a situação da empresa como “sem precedentes”. A fala tem maior peso vindo de quem vem — Ray III esteve à frente da reconstrução de outra empresa envolvida em um mega-escândalo de fraude, o da Enron no início dos anos 2000. Via InfoMoney, Bloomberg, Coindesk (os dois últimos em inglês).
A tradicional blusa feia de Natal da Microsoft e outros links legais
Todo sábado, um amontoado de links curiosos e/ou interessantes. Leia as edições anteriores.
O que já se sabe da Koo, rede social indiana aonde usuários do Twitter estão indo
Elon Musk deu um ultimato aos funcionários que sobraram no Twitter: comprometa-se com jornadas extenuantes de trabalho ou caiam fora. Mais gente que o esperado optou por cair fora.
O Twitter está na UTI e seus sistemas podem quebrar a qualquer momento, em grande parte porque falta gente para manter as coisas funcionando.
Musk é tão tóxico que, por comparação, conseguiu a proeza de fazer Mark Zuckerberg/Meta e a Amazon ganharem confete por demitirem dezenas de milhares de pessoas de forma ~humanizada — leia-se com o mínimo de dignidade. (Foram 11 mil demissões na Meta e 10 mil na Amazon.) Via The Verge (2) (em inglês).
O Evernote, aplicativo de anotações pioneiro, foi vendido por valor não divulgado à Bending Spoons, empresa italiana especializada em aplicativos móveis.
No comunicado oficial, Ian Small, CEO do Evernote, diz que com a venda, o Evernote “aproveitará a comprovada experiência e as amplas tecnologias proprietárias” da Bending Spoons para melhorar o aplicativo — que, não faz muito tempo, em 2020, passou por uma reformulação profunda em todas as plataformas, adotando o framework Electron.
Um “case” de pioneirismo que não se converteu em domínio, o Evernote parecia inescapável em algum momento do início dos anos 2010, com seus aplicativos onipresentes e, até então, funcionais.
A startup levantou US$ 290 milhões entre 2007 e 2014 e, em algum momento depois disso, meio que se perdeu: funcionalidades básicas passaram a falhar, aplicativos diversos foram lançados e até produtos físicos, como cadernos Moleskine e meias (!), passaram a ser vendidos com a marca Evernote.
Em paralelo, algumas decisões de negócio, em especial a imposição de limitações rígidas ao plano gratuito (sincronia apenas entre dois dispositivos) somada a um forte aumento dos planos pagos e uma tentativa desastrosa de atualizar a política de privacidade em 2016, afugentaram muitos usuários. Via Evernote (em inglês).
Post livre #343
Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.
Não é fácil manter uma operação editorial de pé. Duas más notícias vindas de fora:
- O Protocol, site derivado do Politico que cobria tecnologia, fechou as portas após três anos de operação deixando 60 pessoas sem emprego.
- O Buzzfeed, que por algum tempo deu as cartas do setor ao surfar o algoritmo do Facebook com compilações de memes, está numa espiral decadente desde que abriu capital via SPAC em 2021. Os números são ruins: prejuízo de US$ 27 milhões no último trimestre, queda de 32% no tempo gasto na página pelos leitores e uma queda brutal no engajamento no Facebook, de 91,2%, entre 2018 e 2021 — e este ano deve ser ainda pior.
⭐️ Sh*ft Festival volta ao presencial — e leitores do Manual têm 30% de desconto
No mundo pós-pandemia e cada vez mais conectado, como podemos nos manter criativos, inovadores e mentalmente saudáveis? Novas tendências de lazer e trabalho, do metaverso à semana de quatro dias, vieram para ficar?
Temas que estão diante de nós no dia a dia, mas que muitas vezes não paramos para pensar e questionar, estão no centro dos debates que o festival de inovação e criatividade Sh*ft Festival vai compartilhar no dia 3 de dezembro, no Ágora Tech Park, em Joinville (SC), com a presença de especialistas, profissionais e influenciadores de destaque.
A ideia de que livros digitais (e-books) “não desgastam” e, por isso, teriam uma vida útil maior que a do livro de papel é… bem, uma espécie de falácia. Quem diz é o pessoal do Internet Archive, que sabe uma coisa ou outra de preservação digital:
Nossos livros de papel têm durado centenas de anos em nossas estantes e ainda são legíveis. Sem manutenção ativa, teremos sorte se nossos livros digitais durarem uma década.
A constante evolução dos meios digitais, somada à sanha capitalista das editoras, tornam o trabalho de preservação bastante difícil. O Internet Archive pede que esse trabalho seja reconhecido e que sejam dadas as devidas condições para instituições interessadas consigam desempenhá-lo. Via Internet Archive (em inglês).
A Conferência Mundial da Internet, evento organizado anualmente pela China para promover seu modelo de governança da web, foi realizada na semana passada em Wuzhen, na província de Zhejiang.
Apesar do clima adverso devido às sanções estadunidenses, compareceram centenas de representantes da indústria de tecnologia, dos quais se destacam os CEOs de IBM, Intel e Cisco.
Na abertura do evento, Xi Jinping divulgou uma carta pedindo por maior cooperação tecnológica global. A Conferência também serviu para a estreia de Li Shulei como chefe de propaganda do PCCh, cargo que assumiu no 20º Congresso Nacional do partido.
Li criticou as atuais regras internacionais para a internet e citou o recém-publicado white paper sobre o ciberespaço como uma tentativa de aprimorar a rede. O documento pode ser lido na íntegra aqui.
A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.
Uma falha crítica no OpenSSL descoberta no final de outubro atrasou o lançamento do Fedora 37 em algumas semanas. A versão final da nova versão do sistema chegou nesta terça (15).
Os principais destaques do Fedora 37 são o ambiente Gnome 43, kernel Linux 6.0 e suporte oficial ao Raspberry Pi 4. Há novas edições também (CoreOS e Cloud). Mais detalhes nos links ao lado. Via Fedora Magazine (2) (em inglês).
Vez ou outra temos a sensação de que a história humana está condenada ao mesmo roteiro repetido eternamente, apenas com personagens e contextos um pouco diferentes.
Há alguns anos, o Substack despontou como destino principal para escritores de fim de semana e gente que quer levar a sério o radical ato de escrever textões na internet. Não por acaso: é uma ferramenta fácil de usar, bem apresentável e em constante evolução. Mais importante, é totalmente gratuito a menos que você cobre pelas sua newsletter, e não há qualquer pressão para que ela seja cobrada.
Não surpreende, pois, que uma centralização no Substack esteja em curso. Além de ver cada vez mais newsletters com endereços terminados em substack.com, fui chamado à atenção para o fenômeno por este texto do Erik Hoel (no Substack!). Nele, Hoel exalta algumas características descentralizadas do Substack, seus efeitos de rede e o potencial de crescimento (“growth”) que desencadeia em newsletters de todos os tamanhos.
Não é algo muito diferente do que aconteceu no Facebook, Twitter, Instagram, do que acontece em paralelo no TikTok. Produza seu conteúdo ali, em uma plataforma de terceiros cheia de facilidades e gratuita, em troca da atenção das pessoas.
Isso funciona bem até o dia em que a plataforma passa a querer capitalizar, a realizar sua promessa (de lucro). Aí o alcance do Facebook/Instagram desaba e, caso você queira se comunicar com as pessoas que seguiram/curtiram sua página em algum momento do passado, precisa tirar o escorpião do bolso.
O Substack ainda está na fase de crescimento e tem uma aura descolada, anti-redes sociais. No fundo, é uma startup clássica, com +US$ 80 milhões levantados em quatro rodadas de investimento feita por firmas como a16z, Y Combinator e Quiet Capital — as de sempre.
Por tudo que o Substack faz de bom (e é bastante coisa), o saldo de concentrarmos a escrita ativa na web e no e-mail em uma startup só tende ao negativo. Porque é questão de tempo (ainda que seja bastante tempo) para que o arrocho dos escritores comece. Quando isso acontecer, é bom que o próximo Substack esteja pronto. Essas viradas costumam ser abruptas e destrutivas.
Robô entregador atropelado por trem, iPhone dobrável e outros links legais
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