A Amazon atualizou uma página de suporte do Kindle que, agora, informa que o serviço de documentos pessoais consegue lidar com e-books em EPUB, o formato mais popular do mundo, até então sem compatibilidade com o e-reader mais popular do mundo.

Há relatos de que o serviço de documentos pessoais do Kindle já conseguia lidar com EPUB antes da alteração na página de suporte. (No último registro válido do Archive.org, de setembro de 2021, ainda não exibia a menção ao EPUB.)

Na página de suporte, a informação de que “[a] partir do final de 2022, os aplicativos do Serviço de documentos pessoais do Kindle serão compatíveis com o formato EPUB (*.epub)” aparece no tópico dos aplicativos, ou seja, não diz respeito ao envio por e-mail, que já traz o EPUB no rol de formatos compatíveis.

De qualquer maneira, não é como se a Amazon estivesse abraçando o EPUB. O serviço de documentos pessoais consiste em enviar um documento/arquivo à Amazon ou passá-lo via aplicativo para tê-lo disponível no Kindle. Nesse caminho, a Amazon converte o EPUB para um formato próprio. Se você conectar o Kindle com um cabo USB e arrastar arquivos EPUB, por exemplo, o Kindle não conseguirá abri-lo.

Outra mudança prevista para o final do ano é o fim do suporte a arquivos MOBI (*.azw, *.mobi) no serviço de documentos pessoais e a menção, da Amazon, de que ele “não é mais compatível com os recursos mais recentes do Kindle”. Via Amazon.

Após três meses de debate, a Wikimedia Foundation, que cuida da Wikipédia, decidiu interromper o recebimento de doações em criptomoedas. A fundação usava o serviço Bitpay e recebia doações em bitcoin, bitcoin cash e ether. A votação foi vencida com folga — 71,17% votaram a favor da proposta feita por Molly White, do (ótimo) Web3 os going great.

Na decisão, a Wikimedia Foundation deixou aberta a possibilidade de voltar ao assunto no futuro. Em janeiro, a Fundação Mozilla parou de receber doações do tipo. Leia-a na íntegra:

A Wikimedia Foundation decidiu descontinuar a aceitação direta de criptomoedas como meio de doação. Começamos a aceitar criptomoedas em 2014 a partir de pedidos dos nossos voluntários e comunidades de doadores. Estamos tomando esta decisão com base no recente feedback dessas mesmas comunidades. Especificamente, encerraremos a nossa conta no Bitpay, o que eliminará a nossa capacidade de receber diretamente crioptomoedas como método de doação.

Continuaremos monitorando esta questão, e agradecemos o feedback e a consideração destinada a este assunto em evolução por pessoas de todo o movimento Wikimedia. Manteremo-nos flexíveis e receptivos às necessidades dos voluntários e doadores. Mais uma vez, obrigado a todos os que deram contribuições valiosas a este tema cada vez mais complexo e mutável.

Via Coindesk, Wikimedia Foundation (ambos em inglês).

O Edge, navegador da Microsoft e padrão do Windows, ganhará uma VPN gratuita. O recurso, batizado Rede Segura do Microsoft Edge, será oferecido em parceria com a Cloudflare e integrado ao navegador. Por ora, está em testes.

A Apple oferece algo similar com Retransmissão Privada do iCloud (que poderá virar padrão no iOS 16) e a Mozilla tem um serviço pago de VPN, oferecido em parceria com a Mullvad e ainda indisponível no Brasil.

A oferta da Microsoft/Cloudflare é meio limitada, porém. Segundo a documentação do navegador, os usuários só contam com 1 GB de tráfego por mês. Via XDA-Developers (em inglês), Microsoft.

Uma pequena polêmica emergiu na App Store semana passada. Aplicativos há muito não atualizados passaram a ser removidos da loja da Apple a menos que o desenvolvedor atualizasse-o, uma medida, segundo a Apple, para manter o nível de qualidade dos aplicativos oferecidos a seus usuários.

A Apple mira “apps que deixaram de funcionar conforme o esperado, que não seguem as orientações atuais de análise ou que estão desatualizados”, mas a nova política acabou afetando aplicativos perfeitamente funcionais, mesmo sem atualizações há anos, o que gerou algumas reclamações em redes sociais.

Em resposta, a Apple esclareceu que a política só se aplica a aplicativos que não foram baixados ou “baixados pouquíssimas vezes” nos últimos 12 meses, e estendeu o prazo para contestação de 30 para 90 dias. Via Macrumors, Apple (ambos em inglês).

Marte em 8K e outros links legais

Todo sábado, um amontoado de links curiosos e/ou interessantes. Leia as edições anteriores.

(mais…)

É hora de dar uma segunda chance ao Linux em computadores pessoais

Nos anos 1990, havia a expectativa de que o Linux tomaria conta do mundo e desbancaria o Windows, da Microsoft. Era o comunitário contra o proprietário, o aberto contra o fechado, o livre contra o corporativo.

Nos bastidores, o Linux venceu. Hoje, ao acessar este Manual do Usuário você está se comunicando com uma máquina Linux, e provavelmente usando um celular que roda o software básico do Linux (caso do Android).

Mas no palco principal, nos computadores pessoais e nos celulares, o Linux ficou para trás. O “ano do Linux” nunca chegou.

(mais…)

Enquanto certas empresas parecem ter batido no teto, outras dão a impressão de que o céu é o limite. Nesta quinta (28), a Apple divulgou seus resultados do segundo trimestre fiscal de 2022. Foi um recorde para o período e o terceiro melhor trimestre da história, com receita de US$ 97,3 bilhões, alta de 9%.

Dois dados se destacam. Primeiro, a quantidade de “assinantes”, ou consumidores que geram receita recorrente. Já são 825 milhões, crescimento de 25% em um ano. Analistas estimam que daqui a 15~16 meses a empresa chegará ao bilhão de clientes pagantes.

O outro é a renascença do Mac, impulsionada pelos chips M1, desenvolvidos pela própria Apple, que começou a substituir os Intel em novembro de 2020.

A Apple faturou US$ 10,4 bilhões em computadores no período. Tim Cook, CEO da empresa, disse que “os últimos sete trimestre do Mac estão no ranking dos sete melhores trimestres da história do Mac”.

E parece haver potencial para mais. Na conferência com acionistas, Luca Maestri, CFO da Apple, disse que metade dos Macs vendidos no período foram comprados por gente que não usava computadores Apple anteriormente.

Outro dado: de acordo com a consultoria Counterpoint Research, o mercado global de computadores encolheu 4,3% no primeiro trimestre do ano. A Apple foi uma das poucas exceções, com crescimento de 8% no período. Via 9to5Mac, @asymco/Twitter (2), Macrumors, Counterpoint Research (todos em inglês).

Por que estas TVs da Samsung dão defeito logo após a garantia expirar?

A newsletter do Manual. Gratuita. Cancele quando quiser:

Quais edições extras deseja receber?


Siga no Bluesky, Mastodon e Telegram. Inscreva-se nas notificações push e no Feed RSS.

No geral, uma TV dentro dos parâmetros, tudo que ela tem é bom, o preço dela está ok. Gostei.

Acredito que a Samsung está com um dos melhores televisores de entrada, um dos mais consistentes.

Acho que essa linha atende a grande maioria das pessoas. A imagem é legal, é bacana; o som também não decepciona, acho que é legal.

Em junho de 2020, muitos sites e canais de YouTube dedicados à análise de produtos falaram da linha de TVs Samsung Crystal, modelo TU8000, a então nova aposta da fabricante sul-coreana no segmento de TVs de entrada com resolução 4K/UHD. (Os trechos acima são falas reais de análises da TV em canais de YouTube brasileiros.)

As análises concluíram que era uma boa TV, com qualidade de imagem e som na média do mercado e cheia de mimos, como múltiplos assistentes de voz e aplicativos de streaming. Para a maioria das pessoas, disseram os especialistas, era uma TV que valia a pena, um ótimo custo-benefício.

Nenhum desses canais e sites voltou a falar da TU8000 da Samsung quando, pouco mais de um ano depois, as TVs compradas por consumidores começaram a dar defeito num volume aparentemente maior que o normal.

(mais…)

Lançado em 2020, os Shorts são a resposta do Google/YouTube ao fenômeno TikTok. Os vídeos curtos não tinham anúncios até agora, mas isso está prestes a mudar.

Philipp Schindler, diretor de negócios, disse a investidores que os primeiros testes com o formato têm sido bem sucedidos: “Ainda estamos no começo, mas encorajados com os primeiros feedbacks e resultados dos anunciantes.”

Em outro momento, Sundar Pichai, CEO do Google, disse que os Shorts têm em média 30 bilhões de visualizações por dia, número quatro vezes maior que o de um ano atrás. Via Bloomberg, TechCrunch (ambos em inglês).

As saídas de Neil Young e Joni Mitchell do Spotify, em protesto ao discurso negacionista do podcaster Joe Rogan, exclusivo da plataforma, não abalaram o crescimento da base de usuários pagantes do serviço de streaming.

O Spotify fechou o primeiro trimestre com 182 milhões de assinantes premium, ou seja, pagantes, aumento de 15% em relação ao ano anterior.

O número já considera as perdas com a saída da empresa da Rússia.

Ao todo, a empresa contabiliza 422 milhões de usuários, entre pagantes e gratuitos, no mundo todo. Via Spotify (em inglês).

Ao aceitar a proposta de aquisição hostil de Elon Musk, na segunda (25), o Twitter colocou uma cláusula que impede o bilionário de achincalhar a empresa e seus representantes durante o processo.

Um dia depois, na terça (26), Musk fez exatamente isso. E aumentou a dose no dia seguinte (27).

O alvo dos tuítes de Musk é a executiva de políticas públicas do Twitter, Vijaya Gadde. Como era de se imaginar, ela entrou na mira de hordas de ataques de seguidores de Musk.

A cláusula do acordo entre Twitter e Musk, e o fato de as ações da Tesla terem derretido em 1/5 do seu valor desde que o executivo tornou público seu interesse pelo Twitter, levaram alguns analistas, como Lauren Silva Laughlin e Gina Chon, da Reuters, a ponderarem que talvez ele esteja tentando desistir do negócio. Via Engadget@elonmusk/Twitter (2), Reuters (todos em inglês).

Como a Uber se blinda na justiça contra vínculo trabalhista de motoristas

Como a Uber se blinda na justiça contra vínculo trabalhista de motoristas, por Paulo Victor Ribeiro no The Intercept:

Com uso de jurimetria, uma sofisticada análise de dados de tribunais do trabalho brasileiros, a Uber criou uma estratégia para evitar perder processos de motoristas. O método utilizado é complexo, mas a ideia é simples. Ainda não existe uma decisão consolidada sobre o vínculo de trabalho entre motoristas e aplicativos de transporte, abrindo espaço para interpretações dos magistrados, que recorrem às decisões judiciais anteriores para balizar sua decisão atual. Isto é: na hora de julgar um processo do tipo, o responsável olha o que outros juízes na mesma situação fizeram. Isso não determina sua escolha, mas serve como um parâmetro. A Uber, então, analisa a propensão de um determinado magistrado ou tribunal específico julgar casos em favor do motorista – e não da empresa.

Se existe chance de a empresa perder, um acordo é oferecido ao motorista, evitando o registro de uma derrota no tribunal. Se a possibilidade maior é de a plataforma sair vitoriosa, a empresa não se mexe e espera o julgamento. Com isso, sentenças contrárias ao reconhecimento de vínculo de trabalho são sempre registradas, enquanto possíveis sentenças a favor do vínculo são antecipadas por um acordo, evitando a formação de jurisprudência.

Post livre #314

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

Caí no golpe do trabalho de meio período que rende R$ 5 mil por dia para tentar entendê-lo — e falhei

Se você caiu neste golpe, leia também esta outra matéria que escrevi. Nela, um especialista e a Stone orientam o que as vítimas devem fazer.

Nos últimos dias, eu, pessoas próximas e leitores do Manual, todos usuários de iPhone, começamos a receber mensagens pelo iMessage com ofertas de trabalho inacreditáveis.

Digo, inacreditáveis no sentido mais preciso do termo. Uma delas promete uma remuneração de R$ 5 mil por dia, ou melhor, por meio dia de trabalho — é uma vaga de meio período.

A cereja do pudim é o “bônus” por inscrever-se, de R$ 12. Isso, doze reais.

Por que alguém iria se sentir instigado por R$ 12 ante a perspectiva de ganhar R$ 5 mil por dia?

Parece legítimo.

Intrigado, resolvi cair no golpe. Que é cascata, acho que é evidente, mas me joguei nele mesmo assim para tentar entender o que está por trás disso.

(mais…)

Bolsonaristas celebram mudança inexistente no Twitter e usam robôs para inflar número de seguidores

O sinal verde dado pelo conselho do Twitter para a venda da empresa ao bilionário Elon Musk foi comemorado pela extrema-direita de vários países.

No Brasil, além da celebração em grupos de Telegram e WhatsApp, conforme relatado no blog da Malu Gaspar, no jornal O Globo, o evento serviu de base para que políticos bolsonaristas espalhassem mais uma mentira nas redes.

Os perfis de Jair Bolsonaro (PL), seus filhos, ministros e ex-ministros e deputados ligados ao clã, como Carla Zambelli (PL-SP) e Hélio Lopes (PL-RJ), vêm ganhando mais seguidores que o normal desde segunda-feira (24).

O presidente Bolsonaro, que costuma ganhar 4,2 mil novos seguidores por dia no Twitter, chegou a receber 65 mil em 24h.

Christopher Bouzy, que em 2018 lançou o Bot Sentinel, uma ferramenta que analisa perfis no Twitter para distinguir pessoas de robôs, a fim de “lutar contra a desinformação e ódio direcionado”, revelou que ~93% dos novos seguidores de Bolsonaro é formada por robôs.

O indício mais forte é a data de criação dessas ~61 mil contas: a véspera do salto exponencial no volume de novos seguidores. Christopher disse, no Twitter:

Estão me perguntando via DM se acho que as novas contas seguindo Jair Bolsonaro são orgânicas, e a resposta curta é não. Não acredito que dezenas de milhares de brasileiros decidiram criar novas contas ao mesmo tempo e seguir Bolsonaro porque Elon Musk está comprando o Twitter.

Nada disso impediu os bolsonaristas de comprarem e turbinarem essa narrativa. Também no Twitter, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) escreveu:

Em poucas horas, após o anúncio da compra do Twitter por @elonmusk, ganhei mais da metade de seguidores que normalmente ganho em 1 mês.  Algumas mudanças no engajamento já são perceptíveis. Era fato que o algoritmo anterior sabotava as contas. Entenderam?

E a deputada Carla Zambelli seguiu na mesma linha:

Quase 40 mil seguidores a mais aqui de ontem para hoje. O Brasil é conservador, só faltava transparência e liberdade.
Bem vindo, @elonmusk ??

Elon Musk ainda não é dono do Twitter. O que ocorreu na segunda (24) foi a recomendação (unânime) do conselho da empresa para que a venda se realize.

Os acionistas ainda precisam aprovar a compra por Musk e este, por sua vez, fará a chamada “due dilligence”, uma verificação das contas do Twitter para saber se está tudo em ordem. São procedimentos formais, quase de rotina, mas que podem, em casos excepcionais, inviabilizar o negócio. De qualquer modo, esse processo deverá durar, no mínimo, seis meses.

Além disso, segundo a Bloomberg, desde sexta (22) a direção do Twitter congelou a implementação de novos recursos para “dificultar que funcionários façam alterações não autorizadas” enquanto a negociação com Musk se desenrolava.

A medida foi tomada, ainda segundo a publicação, que ouviu fontes internas da empresa, para impedir que funcionários insatisfeitos com a perspectiva da venda a Elon Musk se rebelassem e fizessem alterações danosas ao produto. Via Folha de S.Paulo, O Globo, @cbouzy/Twitter (2), Bloomberg (em inglês).