Pessoa de sexo não identificado, com cabelo roxo e pele azul, segurando uma xícara de café com vários ícones em alusão ao Manual do Usuário na fumaça e um celular na outra mão. Embaixo, o texto: “Apoie o Manual pelo preço de um cafezinho”.

É hora de dar uma segunda chance ao Linux em computadores pessoais

Nos anos 1990, havia a expectativa de que o Linux tomaria conta do mundo e desbancaria o Windows, da Microsoft. Era o comunitário contra o proprietário, o aberto contra o fechado, o livre contra o corporativo.

Nos bastidores, o Linux venceu. Hoje, ao acessar este Manual do Usuário você está se comunicando com uma máquina Linux, e provavelmente usando um celular que roda o software básico do Linux (caso do Android).

Mas no palco principal, nos computadores pessoais e nos celulares, o Linux ficou para trás. O “ano do Linux” nunca chegou.

Poderíamos teorizar o porquê disso. Dentre as várias estratégias agressivas da Microsoft para dominar o mercado, passaríamos pelos games para PCs e os softwares profissionais com versões somente para Windows — e, quando muito, para macOS também. São, ambos os casos, aplicações de nicho, o que torna a escassez do Linux em computadores comuns ainda mais intrigante.

No final do século passado, era comum que computadores travassem e tivessem erros catastróficos. Acontecia com o Windows, com os vários sabores Linux e com o Mac OS clássico. Por algum motivo (talvez a falta de opções nas lojas?), a pecha colou mais no Linux, que até hoje tem fama de sistema difícil e fácil de quebrar.

Mas… será? Vendo o que a Microsoft tem feito com o Windows, com mudanças hostis, requisitos artificiais que dificultam a atualização para o Windows 11 e uma infinidade de inconsistências, o momento é propício para olhar a grama do vizinho, que talvez não apenas pareça mais verde.

A Valve, que detém um império nos games para PCs, uma das fortalezas históricas do Windows, tem se esforçado um bocado na última década para diminuir essa dependência da Microsoft. Algumas das suas apostas foram frustradas, mas outras, como o Proton e o Steam Deck, deram um bem-vindo gás à plataforma do pinguim. Talvez 2022 seja, afinal, o ano do Linux — ao menos nos video games.

Dia desses, apareceu em casa um notebook antigo, de ~2012, com o teclado quebrado e um Windows 7 letárgico instalado. Troquei o teclado por um novo e o velho HD lento por um SSD básico e, depois, instalei o Fedora 35, uma boa distribuição que equilibra novidades e estabilidade.

Foto de um notebook preto, sobre uma mesa, com painel de atividades do Gnome aberto. Ao fundo, plantas e um teclado de notebook removido.
Foto: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.

Fiquei impressionado com o que vi. O Gnome 41, ambiente gráfico dessa versão, é bonito, rápido e vem com uma ótima seleção de aplicativos pré-instalados. E está prestes a ficar ainda melhor no Fedora 36, prestes a sair (foi adiado) e que trará o Gnome 42 e seus inúmeros avanços.

A loja de aplicativos não fica devendo às do Windows e do macOS, com exceção de ser composta apenas por aplicativos livres e de código aberto.

O Fedora/Gnome me lembra mais o macOS que o Windows, o que significa que alguém vindo do Windows teria que passar por uma curva de adaptação que pode ser intimidadora. É uma barreira, sim, mas não uma intransponível, o que se comprova com os incontáveis casos bem sucedidos de migração do Windows para o macOS. (Aconteceu comigo em 2015!)

Além disso, uma das belezas do Linux é a fartura de opções. Outros ambientes gráficos, como o KDE Plasma e o XFCE, são mais próximos do modo Windows de se usar o computador.

De vários ângulos, o Linux para pessoas comuns parece estar passando por um bom momento. Isso não se reflete em números, porém. Em março de 2022, segundo dados da StatCounter, essa configuração representava apenas 2,36% do total de computadores conectados, atrás do Chrome OS (2,79%) e dos “desconhecidos” (3,83%). No Brasil, o cenário é ainda pior, com a fatia do Linux de apenas 2,22%. Enquanto isso, Windows e macOS detêm 75,7% e 15,32% dos computadores no mundo e 90,59% e 3,91% no país.

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44 comentários

  1. Sem intuitividade e marketing, não adianta. É muito complicado o Linux funcionar, sem qualquer tipo de barganha, e o usuário comum só quer ligar e usar o computador.

  2. Até queria usar o Linux como S.O principal mas alguns problemas me impedem.

    Usando o Fedora o teclado não funcionava assentos , e olha que fuçei nas configurações.

    Usando o Ubuntu o áudio no teams simplesmente fica uma merda , não dá nem pra entender também fuçei bastante sobre isso.

    1. Esse problema no Teams eu não tenho nenhuma ideia de como te ajudar porque não uso, nunca usei e, se tudo der certo, jamais usarei. :)
      Mas há uma chance de que o problema seja do software da Microsoft.
      Uma amiga usa o Microsoft Teams no Ubuntu (não sei a versão do sistema dela) e nunca comentou sobre qualidade do áudio. Ela nunca teve problemas? Ela não sabe que pode ser melhor? Ela já usou áudio? Não tenho agora a resposta pra nenhuma destas perguntas.

      Agora, o teclado no Fedora acho bem estranho ter te dado problemas.
      A menos que seu teclado seja “exótico” demais, usualmente basta escolher o layout de teclado correto pra disposição e dimensão física de teclas que, em combinação com a escolha do idioma, os esquemas de acentuação ficam os mesmos de outros sistemas.
      Eventualmente é preciso escolher variantes como “Intl” (internacional) ou “dead keys” (teclas mortas) quando se está usando um teclado pensado pra outra língua pra que ele funcione corretamente com a língua portuguesa.

      1. Uma outra pergunta pra sua amiga seria se ela consegue compartilhar a tela seja com o Wayland ou o Xorg(Não é ironia realmente preciso dessa resposta rs)

        Infelizmente é pela empresa que preciso usar o Teams(baita programa bugadão bicho).

        Pior que tive problemas com um Logitech K120 não é lá um teclado chinês obscuro do Aliexpress =(, o que é uma pena gostei bastante do Fedora, configurei o layout de tudo quanto é jeito sem sucesso.

        Hoje o ssd do linux tá com o Ubuntu 20.04 LTS, vou tentar dar mais uma chance pro Fedora quanto tiver um tempo, mas também queria testar o Kubuntu 22.04 ou o Ubuntu Budgie 22.04(achei ele bonitão).

        1. Teams: minha amiga me disse que o áudio dela é ok mas também não consegue compartilhar tela. O Ubuntu dela é o 21.10.

          Teclado: ehehehe quando eu falei de exótico não me referia às origens dele mas de ser feito pra outra língua mais distante da nossa como japonês ou hebreu.
          Pelo que vi o Logitech K120 tem pra várias línguas. O seu é português do brasil, espanhol, americano, francês, alemão, italiano, russo…?
          Se for o bom e velho pt-br então tudo que vc precisa é escolher algo como “Português (Brasil)” nas configurações do seu ambiente gráfico (Gnome, KDE, XFCE, Bungie etc).
          Outro que é bem comum é teclado americano, se for seu caso então vc escolhe algo como “Inglês (EUA, internacional alternativo)”.

          Ubuntu para Kubuntu: Pra ir do Ubuntu pro Kubuntu basta instalar um pacote chamado kubuntu-desktop. Eu não sei se no aplicativo da loja da Canonical dá pra instalar ele mas usando o Synaptic ou pela linha de comando sudo apt install kubuntu-desktop dá pra fazer.
          Da mesma forma, pra instalar o Ubuntu Budgie o nome do pacote é ubuntu-budgie-desktop.
          Só acho que vai ser mais legal atualizar pra versão mais nova primeiro pra depois instalar o ambiente que quiser experimentar.
          Pra voltar a usar o desktop padrão do Ubuntu o pacote a ser instalado é o ubuntu-desktop

          O Fedora, se quiser, vc pode só rodar pelo pendrive pra experimentar ou instalar sobre o Ubuntu ou ainda, instalar lado a lado do Ubuntu.

  3. Acho que o grande problema das versões Linux em relação ao Windows é a instalação de softwares dentro do sistema,Ubuntu e derivados ainda pecam no simples “clica e instala”.

    Precisar de um tutorial para instalar alguns programas básicos é muito surreal,sem contar no mau-humor da comunidade Linux que acha plausível falar para o usuário leigo que é mais fácil instalar pelo terminal,não é.

    Entrar em um fórum e ler um monte de
    “se vira aí,quer tudo de mão beijada”,
    só mostra que parte da comunidade não entende ou prefere ignorar os hábitos/costumes do usuário médio.

    1. Hmmm será? Todas as distribuições voltadas a usuário final têm lojas de aplicativos tão intuitivas quanto a App Store, e aplicativos “por fora” (comerciais) costumam ter instaladores similares aos do Windows. É muito, muito difícil hoje você se encontrar na situação de ter que compilar um aplicativo para poder usá-lo.

      1. Concordo em alguns pontos com o Lázaro, tinha o Ubuntu 18.04 LTS que por algum motivo a loja bugou (dizem que no 22.04 a loja continua bugada), e se baixasse o arquivo .deb ou instalasse algum app por lá não funcionava.

        Certa vez baixei o programa do Raspberry Pi imager, seja rodando o apt-get ou baixando o .deb e instalando por comando dava erro, pesquisando nos fóruns para o mesmo problema sabe qual a solução que deram? Seu Ubuntu tá velho baixa o LTS mais recente, na época o 20.04, sorte que uma alma caridosa disponibilizou o .deb pro 18.04, mas pra um usuário leigo isso daí seria traumatizante.

        1. Uma experiência ruim, sem a menor dúvida.

          Há aí algumas coisas que precisam ser melhor esclarecidas pra quem usa uma aplicação que não faz parte dos repositórios oficiais da distribuição.
          A primeira é que tudo que não está nos repositórios oficiais da distribuição precisam ser analisados com muito cuidado. Do ponto de vista de segurança essa é uma via de comprometimento de sistemas facílima de ser explorada. Baixa um pacote de origem externa, instala no sistema dando permissões de administrador e aquele software, se for malicioso, pode fazer o que quiser na máquina. Muito, muito cuidado com isso. E isso vale pra *qualquer* sistema operacional!

          A segunda é que, vindo de fora, é preciso entender que uma falha na instalação é responsabilidade de quem oferece o pacote e não da distribuição. Nesse caso, é a Raspberry Pi Foundation que deveria orientar melhor como instalar.
          Num exemplo anedótico, um outro software que usava a alguns anos atrás e não vinha nos repositórios das distros que eu costumava usar com ele, tinha em sua página seletores pra escolher qual distro e qual versão eu usava pra ele me indicar o download adequado ou dar orientações extras de como obter e instalar com detalhes, e ainda me dizia se a versão disponível do software para o SO era inferior a mais recente. O que já me indicaria que uma atualização do meu SO deveria ser considerada se eu quisessem alguma função que estava disponível apenas nas versões mais recentes do software.

          Há uma concepção de que versões LTS são mais estáveis mas há aí um equívoco de comunicação. Esse estável significa estabilidade de funcionalidade, de ferramentas de desenvolvimento, de protocolos. Não se trata de não travar.
          Eu costumo dizer que não travar é o obrigatório, é o mínimo, é o que se espera de qualquer sistema.

          Compreender isso traz uma série de implicações e desdobramentos importantes.
          Ubuntu tem 2 tipos de lançamentos: LTS e “não-LTS”. O primeiro tem ciclos de *lançamento* de 2 anos (suporte de 5 anos) e o segundo tem ciclos de lançamento de 6 meses (suporte de 18 meses).
          Pessoalmente eu acho atualizar de 2 em 2 anos muito tempo pra computadores pessoais e de 6 em 6 meses estressante para usuários domésticos. Prefiro ficar em ciclos de 1 ano. Também não vejo vantagens em ficar usando por 2 anos softwares com quase nenhuma atualização de suas funcionalidades (atualizações de segurança ou críticos acontecem). Então numa distro como Ubuntu eu recomendaria usar a versão “não-LTS” e atualizar de 12 em 12 meses. Lembra que o suporte é de 18 meses? Então esses 12 meses podem dar uma escapadinha pra até 18 se tiver muita coisa acontecendo no período.
          Um Fedora tem sido minha recomendação nos últimos tempos. Mais foco no usuário comum, ciclo de 12 meses (mas que atrasa se não tá pronto, ou seja, prioriza qualidade e não tempo), usa o Gnome como desktop mas pode substituir por muitos outros se o desejo for de mudança.

          Por fim, gente grossa e antipática existe em qualquer lugar, qualquer comunidade; e eu me aventuro a dizer que apesar de vocal esses são uma minoria, os que não sabem como ajudar mas querem responder logo com uma não-resposta.
          Aquela “alma caridosa” é o comum. Aquela pessoa que sabe como te responder e teve o tempo pra te orientar.

          1. “Nesse caso, é a Raspberry Pi Foundation que deveria orientar melhor como instalar.”

            Concordo nesse caso, eu sempre instalo direto via linha de comando, faltou um tutorial da Raspberry, mas percebe que justamente isso é um problema pro usuario comum, o cara do Windão vai baixar o .exe e ser feliz, o leigo do Linux vai bugar na hora de instalar.

          2. (cabou os níveis de resposta… ehehehe respondendo aqui, tomara que vc veja @RookieNA)

            Esse ponto da conversa ressalta uma diferença importantíssima de como funciona o mundo Gnu/Linux e o Windows.
            Enquanto no segundo se baixa coisas de qualquer site e clica-clica e (se nada der errado!) instala; no primeiro se dá prioridade pra instalações via gerenciador de pacotes. Se o pacote/aplicação não estará no repositório oficial da distribuição então adiciona um repositório daquela empresa à lista dos repositórios. Daí em diante as atualizações do aplicativo se darão automaticamente junto com todo o sistema.
            Docker, Oracle, IBM, Google, Dell etc usam esse método pra manter seus softwares atualizados. E, novamente, quem precisa comunicar o que será feito e promover esse manejo é o distribuidor do software.

      2. Boa Tarde

        Concordo em partes…
        Geralmente uso Ubuntu ou Lubuntu,este último por utilizar um laptop mais fraquinho.

        Não consegui instalar o Chrome pela loja,fui na página de download do Chrome,o clica e instala não funcionou.

        Precisei ler um “tutorial” para instalar pelo terminal.

        Na minha opinião são essas pequenas coisas que acabam pesando na hora de continuar no Linux ou voltar para o Windows

        1. Mas,acho que tem espaço para crescimento,o termo “livre” precisa se descolar da pecha de “gratuito”

  4. Acho que o “segunda chance” não fez muito sentido. O Linux ainda não teve sua chance, de fato, continua garimpando um lugar ao sol. Ou perdi uma parte da história? Também acho importante guardar as devidas proporções/diferenças quando comparado aos impérios da maçã e das janelas. Eu não trocarei o Linux por Windows nunca mais, mas devo admitir que ainda não é totalmente amigável para leigos, considerando o excesso de comodidade que viciou/mal educou grande parte dos usuários (é isso que Microsoft explora).

  5. Há décadas eu alterno o meu uso pessoal entre Windows e Linux. Quando compro um computador mantenho o Windows nele até me deparar com algum problema e/ou dificuldade. Aí vou pro Linux e fico nele até trocar de computador, quando então o ciclo de repete.

    O tempo em que o Windows se mantém nos meus computadores varia, mas o recorde negativo foi cerca de 1 dia, quando vi que o Windows não reconhecia a memória total do meu novo notebook porque o fabricante do mesmo teve a desonestidade de colocar um versão do Windows “de entrada” que não tinha suporte para aquela quantidade de memória. Para poder usar toda a memória teria que pagar para fazer o upgrade do Windows para uma versão superior.

    Nem sequer perdi tempo pra fazer uma reclamação com o fabricante, já coloquei o Linux e toquei a vida.

  6. Eu amo o GNU-Linux e me apaixonei pelo sistema em 2002. De lá para cá passei por Kurumin, Slackware, Debian por muitos anos, fui da galera que recebia os cds oficiais e adesivos do Ubuntu, Manjaro, Slax na época para usar no pendrive, Arch e hoje estou no Debian e Zorin OS.

    O que eu mais gosto de usar GNU-Linux é a praticidade, a liberdade e sobretudo a comunidade que o sistema e as distros foram. O sentimento de pertencimento, ajudar e ser ajudado é algo fantástico.

    No passado era um terror que configurar internet e placa de vídeo “na mão”, mas hoje em dia é mamão com açúcar.

    Antes de perguntem, eu não trabalho com TI, sou publicitário e sempre busquei me adequar aos programas gráficos que tenho disponíveis como Inkscape, GIMP, Photopea e etc…

    Não acredito que o GNU-Linux se popularize um dia, justamente pela diversidade de distribuições que apesar de bom para o ecossistema, vira uma barreira para padronização e popularização entre os usuários comuns.

  7. Uso Linux desde 2003 e hoje não tenho do que reclamar. O que mais gosto no Linux é a sobre vida que consigo ter nos equipamentos, no Windows sempre que lança uma versão nova é exigido muito mais do computador. E quando uma versão perde suporte fica simplesmente impossível de usar. MacOS idem.

  8. Ano do Linux: n+1

    Uso Ubuntu no notebook das palestras e ainda tenho Raspberry.
    Mas o suporte ao Linux ainda é deficiente. Se roda bem, pk. Qualquer problema é um parto pra resolver…

  9. São, ambos os casos, aplicações de nicho, o que torna a escassez do Linux em computadores comuns ainda mais intrigante.

    Acredito que o Office foi a maior barreira, porque basicamente era o motivo para se ter computadores em casa. Ao menos, era assim que eu enxergava na época em que o browser não era o centro de tudo.

    Por algum motivo (talvez a falta de opções nas lojas?), a pecha colou mais no Linux, que até hoje tem fama de sistema difícil e fácil de quebrar.

    Há sempre o argumento que Windows/MacOS também tem problemas, mas a questão é a proporção. Nunca vi alguma pesquisa (mesmo subjetiva) entre os sistemas. O mais próximo disso foi um estudo sobre a adoção de Macs ironicamente dentro da IBM.

    Anedoticamente, o Linux é terrível para mim por suporte a hardware: tive que adicionar comando (inseguro) no boot para controlar meus fans, preciso subir um systemd para o teclado funcionar que vira e mexe não funciona, meu mouse tem menos recurso, etc…

    Isso nem entrando no mérito de que todas as soluções envolveram linha de comando e arquivos de configuração.

    É uma barreira, sim, mas não uma intransponível, o que se comprova com os incontáveis casos bem sucedidos de migração do Windows para o macOS.

    Eu imagino se o MacOS fosse uma DE de Linux, quantas críticas ela receberia da comunidade: não personalizável, atalhos diferentes, sem window snapping, maximizar/minizar/fechar contra-intuitivo, Finder péssimo, etc…

    A despeito de infinitas discussões sobre como o Gnome é terrível, não imagino que seja uma barreira se as pessoas tivessem alguma motivação para usar Linux. Nenhuma DE no estágio atual aliás.

    O problema é que 99% das pessoas não tem motivos para usar Linux, mas entre programadores e afins é bem disseminado pelos reports do Stack Overflow e JetBrains.

    Mas para não ficar no pessimismo, na empresa apresentaram um projeto de pessoas testando Linux nas estações de trabalho. No encontro, começaram discutindo o porquê do Teams não compartilhar a tela e se era por causa do Wayland hahaha

    Pode parecer irrelevante, mas quem trabalha em banco grande, sabe que esse cenário era inimaginável tanto por cultura como por motivos técnicos.

  10. Inclusive o novo Ubuntu 22.04 está excelente, se meu computador não sofresse tanto eu até me colocaria pra usar ele como sistema principal…. No momento estou no Kubuntu 22.04. Incrivel como o KDE está otimizado.

  11. “No final do século passado, era comum que computadores travassem e tivessem erros catastróficos. Acontecia com o Windows, com os vários sabores Linux e com o Mac OS clássico.”

    Na verdade o Linux era o que tinha menos travamentos. A primeira versão para consumidores relativamente estável do Windows foi o XP (lançado em 2001), já que foi a primeira que incorporou o kernel NT. Dito isso, configurar o Linux era desafiador dependendo do hardware.

    1. Supostamente dá pra rodar no Wine, mas não tem versão oficial (o que é uma pena).

      aliás, não me entra na cabeça a Adobe ser membro da Linux Foundation e… não ter versão para Linux dos seus produtos.

      1. Cara, é um lance totalmente comercial. Não existe demanda para suite adobe em um ecossistema que trabalha pela utilização e evolução de ferramentas livres.

    2. Não funciona. Aderir ao linux também é um caminho para a troca por outras ferramentas. Algumas delas são excelentes ou até melhores, mas muitos nichos ainda são dependentes de software proprietário.

    3. Não funciona 100%. O Photoshop até roda, mas para trabalhar profissionalmente é impossível.

      Inkscape e GIMP são excelentes alternativas hoje em dia.

  12. Eu uso Linux desde o Kurumin, mas já passei por Ubuntu, Fedora e openSUSE.
    Atualmente uso o Linux Mint Cinnamon em um notebook de 2014 e roda de boa, pois uso alguns apps em nuvem como o Google Docs e Canva.
    Trabalho com Windows e em casa uso Mac e Linux.
    Não tenho grandes problemas com nenhum deles.

  13. Eu tento migrar pro Linux desde os tempos de faculdade (2004). Para mim o mais complicado são os programas cad. Até tem alguns mas estão a anos-luz dos que rodam no Windows. Existem comunidades imensas (como a osarch.org) tentando reunir informações sobre software livre para arquitetura e engenharia, mas ainda é muito difícil implementar isso comercialmente.

    As desenvolvedoras preferem desenvolver para Windows pq a maioria do seu público alvo está no Windows e ao mesmo tempo o público alvo nunca muda de SO pois seus programas estão todos ali. Acho que esta é a grande força do Windows, não SO em si.

    Agora para o restante, edição de texto, planilhas, navegar na internet, está tudo resolvido desde as distros dos anos 90… acho que no ano 2000 a gente já tinha distros como o Kurumin, que rodava em live-cd, instalavam sem dor de cabeça e já vinham com office e Firefox. E já eram mais fáceis de instalar que o próprio windows desde essa época.

    Edição de imagens, de vetores, de vídeo, pintura, modelagem 3d, essas coisas do pacote adobe também possuem alternativas desde os anos 90, 2000. Aliás pouca coisa mudou neste cenário. Podem não ter os últimos recursos da Adobe, mas para o usuário médio não fazem muita diferença.

    Tem também a questão de que se o usuário comum levar o pc para algum “técnico” o cara não quer nem saber, vai formatar e instalar o cd “padrão” deles do Windows customizado que vem com tudo, desde o pacote office até os pacotes adobe e corel (tudo pirata, óbvio).

    Parece que o que manda mesmo é o dinheiro que roda por trás. O Chrome OS, o Steam Deck, por exemplo, só começam a impulsionar o marketshare do Linux por estarem atrelados a um hardware que é vendido por uma big tech cheia dos acordos com fabricantes, desenvolvedores e distribuidores.

    Mas eu nunca desisto hehe, estou sempre testando uma distro e avaliando se finalmente poderei me livrar definitivamente do Windows. Quando posso visto a camisa de “técnico” e boto Ubuntu nos PCs da família.

  14. A única reclamação que tenho quanto ao Fedora é a sua instalação: tentaram enxugar tanto o número de passos que o negócio ficou confuso.

    O que pouca gente fala é sobre o quão bem ele roda jogos. Instalei um jogo que é lançamento e lancei o mesmo na Steam através do Proton. É incrível como de cara ele já rodou perfeitamente bem.

    Lá fora o Fedora tem começado a crescer entre Youtubers Linux. Aqui o pessoal ainda tá preso naquele horrível Pop_OS que eu nunca entendi a hype de tao ruim.

    O Fedora é limpo, enxuto, estável, veloz e usa o melhor do Gnome!

    1. o hype do pop_OS está na instalação de drivers nVidia…(?). Fora isso também não achei nada de mais.

  15. “No final do século passado, era comum que computadores travassem e tivessem erros catastróficos. Acontecia com o Windows, com os vários sabores Linux e com o Mac OS clássico.”

    Comecei a experimentar com Linux logo no início de 1999, num Pentium 133MHz com 32MB de RAM, que era o meu único computador. Instalado ao lado do Windows 98, havia o Conectiva Linux 2.qualquer coisa e depois uma versão do Red Hat que eu não lembro mais qual era, conseguida com um colega de escola que tinha acesso a alguém com um gravador de CD para copiar um disco a partir de um original que alguém conseguiu emprestado da empresa.

    Uma coisa que me chamou a atenção logo de cara, além das vantagens da multitarefa preemptiva (fazer outra coisa no computador enquanto um disquete era formatado? Como assim isso era possível?!), era justamente a estabilidade do sistema.

    Falhas catastróficas no Windows 98 eram rotina e aconteciam ao menos uma vez ao dia. No MacOS 8.6 e mais pra frente naquele ano, no 9, também aconteciam, com muito menos frequência que no Windows, mas aconteciam. A famigerada bombinha que aparecia na tela… ao menos era mais engraçadinho que a ininteligível Tela Azul da Morte.

    No Linux, no entanto, isso não acontecia! A única vez em que quebrei meu sistema foi por um erro completamente idiota da minha parte, não por falha do sistema, que se portava incrivelmente bem num hardware ruim.

    O que faltava para o sistema naquela época era ser um pouco mais amigável ao usuário que não entendia bulhufas de computares e sistemas. Confesso que a curva de aprendizado foi bem íngreme. Conseguir instalar a versão que eu tinha do Conectiva foi um calvário que durou vários dias. Primeiro a instalação era em modo texto; não era linha de comando, havia uma mínima abstração, mas não era amigável.

    O primeiro obstáculo veio logo com o particionamento do disco, que era feito pelo fdisk, onde era necessário criar uma partição de swap e outra para o sistema, sendo que não dava para especificar os tamanhos. Era preciso informar o cilindro onde a partição começaria e o que ela terminaria. Que tamanho ia dar isso? Se vire para calcular!

    O segundo obstáculo que tive era que o HD que eu tinha para usar com Linux não era grande (nem o que estava o Windows era, na verdade). Naquela versão do Conectiva, o instalador não verificava se o espaço disponível em disco era suficiente para instalar todos os pacotes e era preciso selecioná-los um a um e sem indicação muito clara das dependências. Por algumas vezes a instalação terminou com o famigerado aviso de Disk is Full!

    O último entrave para conseguir instalar o sistema era entender o conceito e aprender a configurar o bootloader, na época ainda era o LILO. Foi mais algumas tentativas até eu entender que, se não instalasse e configurasse o LILO, eu não conseguiria dar boot em nenhum dos dois sistemas operacionais.

    Depois disso me habituar ao bash e aprender a editar aquivos .conf para praticamente toda e qualquer mudança que eu quisesse fazer nas configurações do sistema.

    Naquela época, de tempos pré internet, eu tinha tempo e paciência sobrando e era empolgado com essas coisas para martelar por dias a fio até conseguir fazer funcionar.

    Hoje um nível muito grande de polimento foi alcançado. Os instaladores são gráficos, é possível usar o sistema antes de instalar, o particionamento é guiado e até automático se o usuário assim desejar, há gerenciadores de pacotes, “painéis de controle” para configurar vários aspectos do sistema e das interfaces, etc. O estranho slogan do Ubuntu em seus primórdios “Linux for Human Beings” faz tanto sentido que, para alguém que não soube de como era antes, é até difícil de entender.

  16. Em 2020 eu ressuscitei esse mesmo modelo de notebook com um ZorinOS Lite, e uma memória de 4GB que estava esquecida nas gavetas, fazendo dele um 8GB. Só falta uma bateria nova (e talvez um SSD), mas como era somente para as aulas online do meu filho só isso foi o suficiente. Talvez siga pra doação.

    1. Sendo bem cara de pau: Se for para doação, me candidato a dar um novo lar pra ele! rs…

      Meu único portátil é um Sony “Veio” C2D ganhado da sucata, recuperado e sofrendo com a impossibilidade de receber mais do que 4GB de RAM por usar pentes DDR2.

  17. Tenho um inspiron 5557 e em novembro do ano passado resolvi dar uma chance para o Linux. Escolhi usar a distro Zorin (https://zorin.com/) , que segundo minhas pesquisas é indicada para usuários novos vindos do Windows e sinceramente não tenho do que reclamar. Sinto que meu note, que já vai para 6 anos de idade, ficou mais rápido. Inclusive uso ele para plugar na TV e assistir algum streaming, e devido o Zorin connect (baseado no KDE connect) consigo usar meu celular como um controle remoto.
    Os poucos problemas que tive (principalmente relacionado a bendita placa de vídeo da NVIDIA), fui muito bem auxiliado pelo forum oficial do sistema (https://forum.zorin.com/) e tenho conseguido jogar todos os jogos da minha biblioteca da steam sem nenhum problema.

    Com essas vantagens, somado ao fato de estar usando um sistema FOSS e diminuído minha dependência de uma das gigantes da tecnologia, acredito que usar Linux seja um caminho sem volta para mim.

  18. IMHO: o sistema operacional se tornou irrelevante. Tudo é feito no browser, dentro do Chrome/do Firefox, a maioria das coisas é na nuvem, e o Windows se torna um mero lançador.

    Assim, o Windows se torna ‘bom o suficiente’ e não tem muita motivação para trocar.

    E o suporte a hardware no Linux ainda tem alguns pontos fracos. Já melhorou bastante, mas ainda não é raro pessoas reclamando que “a bateria dura menos no Linux” ou que “a wireless não funciona direito”.

    1. Concordo, o SO se tornou irrelevante. Hoje um computador (e até um aparelho de celular) sem uma boa conexão de internet é um equipamento quase inútil. O Windows ainda tem o pacote Office como seu principal braço e, talvez isso seja o seu grande diferencial em termos de uso doméstico ou escritórios. Difficilmente existirá algo que substitua o pacote Office. Ah! Sem falar da Adobe que só roda no Windows e até a Linux Foundation usa… hehehehehehe.

      1. Se bem que para o Linux tem o WPS Office, que é basicamente um clone (de certa forma, bem feitinho) do MS Office.

    2. Esse foi o grande erro da Microsoft para esse século: O Windows sempre foi o carro chefe e os produtos dela que rodavam em outros sistemas, tipo o Office, eram sempre piores que as versões pro sistema da casa.

      Ao perder o bonde do mobile, que em última análise é o que permite conexão constante com a grande rede, a empresa viu o Windows se tornar irrelevante no cenário doméstico.

      Conheço muita gente que, no desenrolar desse processo todo, viu seus computadores ficarem ultrapassados e inutilizáveis sem se dar conta disso, justamente porque as tarefas que antes eram desempenhadas no Windows, migraram para a nuvem e podem ser realizadas apenas com o celular. E a grande maioria dessas pessoas não substituíram esses computadores, porque não havia mais necessidade.

      1. Esse foi o grande erro da Microsoft para esse século

        Acho que seria mais correto descrever como grande acerto: o Nadella percebeu que eles perderam o bonde de SO, mudou a estratégia para “cloud first, mobile first”. Eles desapegaram do Windows Mobile e começaram a migrar para produtos multiplataforma e serviços cloud,

        É uma estratégia bem mais promissora hoje, de focar em prestação no Office 365 e Azure. O Windows é um produto importante e sempre será, mas com muitas poucas perspectivas e estão ativamente tornando os produtos mais promissores independentes dele.

        1. Ah sim, o maior erro do século foi em relação ao Windows, que perdeu a relevância de outrora.

          A estratégia do Nadela foi acertada pra caramba, garantindo a relevância e o futuro da empresa. E foi o que sobrou a ser depois das cagadas da era Ballmer.

    3. Eu sempre achei o suporte de hardware no linux melhor…. Sabe a facilidade atual de intalar Win10 e ter tudo funcionando? Isso já existe no linux faz anos! Bastava plugar impressora, até mesmo uma Samsung, pro Ubuntu instalar ela sozinho.

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