Prestes a completar um ano, o Clubhouse finalmente permitirá convidar pessoas para o aplicativo sem que seja necessário ceder toda a agenda de contatos. Outras novidades incluem links compartilháveis para perfil ou clube, filtros de idiomas e o lançamento de um fundo de apoio para 20 “criadores”. Via @joinClubhouse/Twiter (em inglês).

Na última quinta-feira (11), uma arte digital na forma de uma NFT (token não-fungível) do artista Beeple foi vendida em um leilão organizado pela Christie’s por US$ 69,3 milhões, sendo US$ 60 milhões pagos da obra e US$ 9,3 milhões em taxas à casa de leilões. Muito se repercutiu sobre a venda, como se ela fosse um atestado da validade e viabilidade das NFTs, mas a história tem bases bastante questionáveis.

A jornalista independente Amy Castor descobriu a identidade do comprador e revelou as relações espúrias entre ele, Beeple e criptomoedas em geral. A compra, incluindo a comissão à Christie’s, foi paga na criptomoeda ETH. A Metapurse, uma empresa de investimentos em NFTs, é propriedade de Metakovan, pseudônimo que Amy acredita ser de Vignesh Sundaresan, que atualmente vive em Singapura. (A Bloomberg confirmou a ligação entre Metakovan e Metapurse.) A empresa oferece um fundo de NFTs de artes do Beeple, acessível mediante a compra da sua própria criptomoeda, a B20, da qual detém 59% do total. Beeple tem uma reserva de 2% da B20.

A B20 se valorizou quase 6.300% entre 23 de janeiro, quando foi lançada (US$ 0,36), até o pico (US$ 23). Eu não entendo muito de contabilidade e finanças, mas a impressão é de que fizeram todo esse circo para vender uma arte por US$ 69 milhões, porém pagos com dinheiro de Banco Imobiliário a fim de levantar alguns milhões em dólares. Sem entrar no mérito artístico (veja a obra, intitulada “The First 5000 Days”), todo esse esquema tem cara, cheiro e forma de picaretagem. Será que é? Via Amy Castor (em inglês), Bloomberg (em inglês).

Achados e perdidos #7

Todo sábado, pego uns links que acumulei ao longo da semana e que, embora curiosos e/ou interessantes, não renderam nem notinhas, e os publico num compilado que chamo de “achados e perdidos”. É um conteúdo mais leve, curto, quase lúdico — a cara do fim de semana.

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— O vídeo tem apenas 76 segundos, mas eu poderia passar muito mais tempo vendo este cara tocar músicas do Super Mario Bros. em uma marimba usando quatro baquetas.

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A próxima versão do Telegram (7.6) virá com muitos recursos para equipará-lo ao Clubhouse em seu recurso Chat de Voz: levantar a mão para falar, gravação das conversas, Chat de Voz em canais, nomes personalizados e links de convite direto para os Chats de Voz. Via @DicasTelegram/Telegram.

Nesta quinta (11), o blog da equipe do Chromium publicou um post detalhando avanços na economia de memória e outros recursos do computador rodando o Chrome 89. Faz alguns anos que não uso o Chrome e, quando o usava, não tinha problemas com uso excessivo de memória. Tenho a sensação de que todo mês/toda nova versão do navegador do Google traz “melhorias de gerenciamento de memória e de desempenho”. A quem o usa, tem surtido efeito? Via Chromium Blog (em inglês).

Em breve, a Netflix poderá acabar com o compartilhamento indiscriminado de senhas do serviço. Lá fora, alguns usuários reportaram que, ao tentarem logar no serviço, receberam uma mensagem dizendo que é preciso viver na mesma casa do dono da conta para usá-la e o pedido por um código temporário. Os termos de uso da Netflix preveem que o compartilhamento só pode ser feito com pessoas da mesma família (item 4.2), mas a empresa nunca aplicou essa regra, ao contrário do Spotify. Estima-se que 1/3 dos +200 milhões de assinantes da Netflix compartilhem suas senhas. À CNBC, a empresa informou que “o teste foi projetado para ajudar a garantir que as pessoas usando contas da Netflix estão têm autorização para isso”. Via The Streamable (em inglês), CNBC (em inglês).

O Cade proibiu o iFood de fechar novos contratos de exclusividade com restaurantes. A reclamação foi feita em outubro de 2020 pela Abrasel, e contou com o apoio das rivais Rappi e Uber. Contratos já assinados continuam valendo. Via LABS.

Post livre #259

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha no domingo por volta das 16h.

Um ano olhando para janelas

Há um ano, no dia 11 de março de 2020, eu estava numa das belas salas do Cine Passeio, no centro de Curitiba, assistindo ao filme mais recente do Ken Loach, Você não estava aqui. Naquele mesmo dia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou a crise do coronavírus ao status de pandemia. Nossas vidas nunca mais foram as mesmas.

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À luz da polêmica recente na Austrália, o Uol Tilt recuperou o processo movido pelo Cade contra o Google, aqui no Brasil, relacionado aos “snippets”, trechos de notícias que são exibidos no Google Notícias. As partes envolvidas — Google, Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e veículos jornalísticos — foram ouvidas até dezembro. Ainda não há previsão para o órgão decidir o caso.

Muitos membros da ANJ estão naquele programa de “Destaques” do Google, que distribui migalhas, digo, remunera jornais parceiros. A ANJ diz que o dinheiro recebido por ali “tem valor meramente simbólico”. Pode ser, mas é uma arma poderosa que o Google dispõe para se defender nesse caso. Se é “simbólico”, por que aceitá-lo? Pesa a favor do Google, ainda, o fato de que a adesão ao Google Notícias não é compulsória, ao contrário do buscador web. Um jornal ou site precisa realizar tomar a iniciativa e se submeter à aprovação para aparecer no Notícias — e é um processo complexo; o Google faz uma série de exigências.

Em 2014, jornais da Espanha se revoltaram contra o Google Notícias. Queriam, a exemplo dos jornais brasileiros, que o Google pagasse para veicular links e “snippets” no serviço. O Google fechou o Notícias no país e nunca mais voltou.

O Senado aprovou nesta terça (9) um projeto de lei que tipifica o “stalking”, ou a perseguição presencial ou virtual de mulheres. A pena para o criminoso é de reclusão de seis meses a dois anos e pagamento de multa para quem for condenado. Ainda precisa passar pela sanção do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Via O Globo.

A XP lançou seu cartão de crédito oficialmente nesta quarta (10). Ele estava em testes desde junho de 2020. O cartão não tem anuidade e oferece um programa de “investback”, que devolve um percentual dos gastos na forma de créditos para investir. Mas a empresa deverá focar mesmo é na promoção das taxas de juros menores (5,9% no rotativo, em média), o que seria ótimo se não fosse um cartão restrito a clientes com +R$ 50 mil investidos.

O cartão de plástico tem um detalhe curioso: ele não traz números impressos. A cada nova compra, o aplicativo gerará um número novo. Via Neofeed.

Google, privacidade e mais do mesmo

por Rob Horning

“A publicidade é essencial para manter a web aberta para todos, mas o ecossistema web corre riscos se as práticas de privacidade não acompanharem as mudanças de expectativas”. Esta é a frase inicial de uma atualização recente do Google do seu projeto de substituir os cookies de terceiros nos navegadores — que nos rastreiam individualmente — por algo que a empresa chama de FLoCs: grupos de interesse ad hoc aos quais indivíduos seriam designados com base em seus históricos de navegação. Como Shoshana Wodinsky explica no Gizmodo, “Qualquer dado gerado individualmente seria mantido no navegador e a única coisa que os anunciantes poderiam rastrear e segmentar seria um ‘rebanho’1 contendo um grupo agregado de pessoas semi-anonimizadas”.

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Uma das poucas limitações para atividades do dia a dia que persistem no iOS é a de gravar ligações. Não dá. Os muitos apps disponíveis na App Store para esse fim usam uma gambiarra e envolvem um terceiro — a ligação passa por um servidor remoto e/ou inclui outro número, e é nesse ambiente externo que a gravação é feita.

Até funciona, mas o risco é enorme. Nesta semana, por exemplo, o popular app gravador de chamadas, de Arun Nair, expôs 130 mil áudios de chamadas telefônicas armazenados em um servidor exposto na Amazon. Via MacMagazine.

Como fazer, então? Compre um Android Quem tem um iPhone e um Mac pode “transferir” a ligação para o computador, graças ao recurso Continuidade. Aí, com um aplicativo do macOS como o Piezo, que grava todo o áudio que entra e sai no computador, dá para gravar a chamada. É assim que faço aqui e funciona muito bem.

Da importância do texto em interfaces: no iOS 14.5, que deve ser lançado agora em março, o botão para acompanhar um podcast no app homônimo da Apple trocará o rótulo “Assinar” por “Seguir”. Via Podnews (em inglês).

Algumas pessoas especulam que o motivo seria dissipar dúvidas de uma parcela significativa dos usuários que acredita que “Assinar” implica em pagar. Em pesquisas da Edison Research de 2018 e 2019, nos Estados Unidos, 47% e 38% das pessoas que não ouvem deram essa justificativa. E, entre seus pares, o Apple Podcasts é um dos poucos que ainda não havia adotado o verbo “Seguir”. Outra possível explicação é a Apple estar preparando terreno para podcasts pagos/exclusivos, rumor que surgiu em maio 2020.