Pessoa de sexo não identificado, com cabelo roxo e pele azul, segurando uma xícara de café com vários ícones em alusão ao Manual do Usuário na fumaça e um celular na outra mão. Embaixo, o texto: “Apoie o Manual pelo preço de um cafezinho”.

Achados e perdidos #40

Todo sábado, pego uns links que acumulei ao longo da semana e que, embora curiosos e/ou interessantes, não renderam nem notinhas, e os publico num compilado que chamo de “achados e perdidos”. É um conteúdo mais leve, curto, quase lúdico — a cara do fim de semana.

A sustentabilidade dos fones de ouvido sem fio da Fairphone

Causou estranheza, no anúncio do Fairphone 4 5G, a ausência do conector de 3,5 mm para áudio. Afinal, a (empresa) Fairphone quer ser referência em sustentabilidade. Para complicar um pouco mais, a Fairphone anunciou na mesma ocasião um par de fones de ouvido sem fio, uma categoria que se tornou muito popular desde o lançamento dos AirPods originais da Apple, ainda que sejam um desastre ambiental por não ter baterias substituíveis. A bateria não segura mais carga? Joga fora e compra outro.

A Fairphone alega que seus fones de ouvido são mais sustentáveis que os outros. Em comunicado enviado à imprensa, afirmou que usa 30% de plástico reciclado nos próprios fones e na caixa e que o ouro usado no produto vem de fornecedores certificados. O texto reconhece que a baixa longevidade das baterias é “o maior problema” em fones sem fio, e o ataca “aumentando significativamente a vida útil da bateria”, a um nível sem paralelo na indústria.

Quanto mais? O texto não dizia, então perguntei. Em resposta ao Manual do Usuário, a Fairphone afirmou que “espera que a longevidade da bateria aumente em mais de 100%”, observando, porém, que esse número está diretamente relacionado à frequência de uso e de recargas feitas pelo usuário.

Aproveitei a oportunidade para perguntar das baterias, se elas são substituíveis ou se, após desgastarem, a única saída é jogar os fones fora. A resposta:

Esses fones de ouvido podem ser encarados como o primeiro passo em uma jornada para aumentar o nível de sustentabilidade neste popular segmento de áudio. Por isso, no momento, elas [as baterias] não são reparáveis, mas isso é algo em que estamos atentos para o futuro.

Continua estranho. Os fones de ouvido sem fio da Fairphone serão lançados na próxima segunda-feira (1º), por € 99,95 (~R$ 620).

O caminho para o Basecamp 4

Em agosto, o Basecamp anunciou que a sua próxima grande versão, o Basecamp 4, seria disponibilizada de modo diferente do tradicional. Em vez de prepararem todos os recursos e entregá-los de uma vez só, as novidades seriam implementadas aos poucos e, quando chegassem a um volume satisfatório, trocariam o “3” pelo “4” e boa.

Já foram duas rodadas de atualizações. A última, desta quarta-feira (27), trouxe dois recursos muito legais: tarefas recorrentes (uma omissão inexplicável até então) e lembretes (“Don’t forget”), que cria uma lista de notificações à parte e persistente.

A primeira safra, no início de setembro, trouxe uma renovada sutil no visual, duplicação dos componentes dos projetos e uma série de pequenas alterações e melhorias.

O Manual do Usuário usa a versão gratuita do Basecamp para se organizar.

Meta é o novo nome do Facebook

Logo do Meta, nova marca da empresa Facebook, contra fundo branco.
Imagem: Facebook/Divulgação.

Confirmando os rumores, Mark Zuckerberg acabou de anunciar o novo nome da empresa Facebook: Meta. De “metaverso”, sacou? É, pois é, muuuuito criativo.

O novo nome reflete a aposta de Zuckerberg de que o futuro da humanidade será ainda mais digitalizado e, em vez de perdermos tempo em celulares, usaremos capacetes de realidade virtual. Parece distópico porque é. Boa sorte com isso.

No que importa, o Facebook informou que não mexeu em sua estrutura corporativa, mas que a partir do próximo trimestre divulgará seus resultados financeiros divididos em dois segmentos: Família de Aplicativos (Facebook rede social, Instagram, WhatsApp) e Reality Labs (Oculus, realidades aumentada e virtual).

Para saber mais: o site meta.com, o comunicado à imprensa, uma carta de Zuckerberg e o making of da nova marca (todos em inglês). Fala sério: isso tem um ranço de empresa do mal de ficção científica de qualidade questionável, não? Tipo aquela do livro/filme O Círculo. Eu, hein…

Post livre #292

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha na segunda-feira ao meio-dia à noite.

Bradesco força a barra em app de cartões no iOS para monitorar clientes

Print recortado do Bradesco Cartões, em que se lê: “Para receber mensagens de notificação, é necessário que você habilite o rastreamento nos ajustes do seu celular. Ajustes > Bradesco Cartões > Permitir rastreamento.”
Imagem: Bradesco Cartões/Reprodução.

O aplicativo Bradesco Cartões para iOS, do Bradesco, inaugurou uma nova estratégia, uma espécie de chantagem, para obter a permissão dos clientes para que sejam rastreados.

Ao negar ao app o direito de rastrear seus passos em outros apps e na web com aquele recurso de Transparência no Rastreamento em Apps (ATT, na sigla em inglês), obrigatório desde o iOS 14.5, o Bradesco Cartões impõe uma série de restrições, como “ver só um extrato por mês e não ver as transações recentes”, segundo o leitor do Manual do Usuário, dono de um cartão Bradesco, que fez a denúncia.

Ao ser aberto, o app Bradesco Cartões exibe um popup com o seguinte pedido:

Para receber mensagens de notificação, é necessário que você habilite o rastreamento nos ajustes do seu celular. Ajustes > Bradesco Cartões > Permitir rastreamento.

Não há qualquer tipo de vinculação ou justificativa técnica para tal “necessidade”. A Apple, aliás, proíbe esse tipo de condicionamento na cláusula 3.2.2, alínea VI das diretrizes da App Store. Tradução livre e grifo meu:

[…] Aplicativos não devem exigir que os usuários avaliem o aplicativo, escrevam reviews do aplicativo, assistam a vídeos, façam o download de outros aplicativos, toquem em anúncios, permitam rastreamento ou tomem outras ações similares para acessar funcionalidades, conteúdo, usem o aplicativo ou recebam compensação financeira ou outra, incluindo, mas não se limitando a, cartões-presente e códigos.

Questionei o Bradesco sobre essa prática. O banco enviou a seguinte resposta:

Para a segurança dos clientes Bradesco, usuários do aplicativo de cartões, são utilizadas algumas informações do aparelho no processo de onboarding para evitar invasões e cadastros fraudulentos. Por motivos de segurança, não são divulgados os campos que são utilizados para não expor informações que fazem parte dos motores antifraude do Banco. A palavra “rastreamento” é utilizada no sentido de executar testes com objetivo de garantir a segurança do usuário e não o ato de rastrear sua mobilidade.

Sobre a menção ao regulamento da loja, vale ressaltar que todas as versões dos aplicativos Bradesco são submetidos a etapas de testes e qualidade, além do processo rigoroso de aprovação das lojas. Importante reforçar que o Bradesco tem claro em seu propósito a geração de valor para seus clientes, através de melhorias contínuas em seus produtos e serviços, partindo da centralidade do cliente.

Também pedi um posicionamento à Apple, mas até a publicação desta nota a empresa não havia retornado. Se e quando recebê-lo, acrescentarei aqui mesmo.

Era só o que faltava. Obrigado, leitor!

O que você leu de bom?

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

Os estudos do Facebook com feed cronológico e “reação” de raiva

Em 2018, um pesquisador do Facebook desativou o algoritmo que monta o feed de notícias para 0,05% da base de usuários. Os sujeitos do estudo aumentaram em 50% a quantidade de posts ocultados e, com isso, a quantidade de posts de grupos, uma das poucas áreas ainda bem ativas no Facebook, aumentou no topo do feed. As Interações Sociais Significativas (MSI, na sigla em inglês) despencaram 20%. Há anos as MSI são a principal métrica que do Facebook usa para tomar decisões que afetam engajamento e o feed de notícias.

O pequeno grupo também passou mais tempo rolando o feed, o que poderia ser uma boa notícia ao Facebook — mais rolagem significa mais anúncios que significam mais dinheiro —, mas visto que todos os outros indicadores caíram, esse tempo extra não era do tipo que interessa à empresa. “As coisas estão piorando”, escreveu o pesquisador durante o experimento.

A ideia foi descartada, e não é muito difícil encontrar problemas na execução do estudo. O principal, creio, é que embora a organização fosse diferente, essa fatia minúscula da base de usuários recebeu um feed de notícias criado pelos outros 99,95% que continuaram usando o Facebook sob os mesmos incentivos perniciosos. Talvez sejam necessários mais estudos para mensurar direito os impactos de um feed cronológico no Facebook ou em qualquer rede social. Via Big Technology (em inglês).

Outros documentos do vazamento mostram como as reações, que se somaram ao botão “Curtir” em 2016, foram instrumentalizadas pelo Facebook para manipular as emoções dos usuários e, com isso, aumentar o engajamento na plataforma. Em 2017, os emojis de reações eram cinco vezes mais potentes que o “Curtir” para rankear conteúdos no feed de notícias.

Em 2019, cientistas de dados do Facebook confirmaram que posts com muitas reações de “raiva” eram desproporcionalmente mais suscetíveis a conter desinformação, conteúdo tóxico e notícias de baixa qualidade.

A matéria do Washington Post revela todo o caminho das reações — hoje, elas não têm peso algum no rankeamento de posts — e outros artifícios que o Facebook emprega no algoritmo do feed para manter os usuários engajados, mesmo que — literalmente — pela força do ódio.

Como resumiu Frances Haugen, ex-funcionária que vazou os documentos internos do Facebook Papers, falando ao parlamento britânico nesta segunda (25.out), “Raiva e ódio é a maneira mais fácil de crescer no Facebook”. Via Washington Post (em inglês).

Para Zuckerberg, futuro do Facebook está em jovens adultos e no metaverso

No mesmo dia em que uma torrente de reportagens baseadas em documentos vazados revelou histórias ainda mais comprometedoras do Facebook, a empresa divulgou seus resultados no terceiro trimestre fiscal e Mark Zuckerberg e outros executivos bateram um papo com investidores.

Dois destaques da conversa (PDF, em inglês):

  1. O foco da empresa Facebook passa a ser jovens adultos. “Estamos reformulando nossas equipes para tornar jovens adultos sua prioridade, em vez de otimizar para um maior número de pessoas mais velhas”, disse Zuckerberg. Os documentos vazados revelaram que o envelhecimento da base de usuários e a perda das novas gerações para rivais como TikTok e Snapchat são questões prioritárias para o Facebook. Espere ver ainda mais vídeos/reels no Instagram e o Facebook copiando os rivais como se não houvesse amanhã.
  2. Zuckerberg disse também que o Facebook investirá US$ 10 bilhões em metaverso — leia-se aplicações e ferramentas de realidade aumentada e virtual — e alertou os investidores de que esse negócio não será lucrativo pelo menos até o fim da década. A promessa, porém, é grandiosa: “O metaverso será um sucessor da internet móvel. Ele desbloqueará uma economia criativa incrivelmente maior que a que existe hoje.”

O Facebook faturou US$ 29,01 bilhões, sendo que 97,5% desse valor veio de anúncios. O lucro foi de US$ 9,2 bilhões, aumento de 17% em relação ao ano passado. Apesar dos bons números, eles ficaram levemente abaixo das expectativas dos analistas. Culpa do iOS da Apple, segundo a empresa.

O metaverso é a primeira tentativa do Facebook de criar algo desde o próprio Facebook, no longínquo ano de 2004. Seus outros grandes sucessos — Instagram e WhatsApp — foram aquisições de rivais em ascensão. Será que Zuckerberg é tipo aquelas bandas que ficam conhecidas por uma música só, as “one hit wonder”? Descobriremos em breve. Ou melhor, no final da década. Via New York Times (em inglês), Protocol (em inglês).

Adobe leva Photoshop e Illustrator à web

Começou nesta terça (26) a Adobe MAX, evento anual em que a Adobe anuncia novidades na sua vasta linha de produtos. Um dos destaques deste primeiro dia são as versões web do Photoshop e Illustrator. A ideia, porém, não é levar todo o poder desses editores ao navegador. Em vez disso, a Adobe quer facilitar o compartilhamento e a colaboração em arquivos. Com as versões web, um cliente ou colaborador não precisa dos aplicativos para abrir arquivos, fazer apontamentos, comentários e edições básicas. O Photoshop na web já está disponível, em beta; o Illustrator chega mais tarde. Via Adobe (em inglês).

Se você queria um verdadeiro Photoshop na web, o Photopea talvez seja a coisa mais próxima disso. E é gratuito (com anúncios).

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