Achados e perdidos #34

Todo sábado, pego uns links que acumulei ao longo da semana e que, embora curiosos e/ou interessantes, não renderam nem notinhas, e os publico num compilado que chamo de “achados e perdidos”. É um conteúdo mais leve, curto, quase lúdico — a cara do fim de semana.

Os Arquivos do Facebook do Wall Street Journal

O Wall Street Journal teve acesso a documentos, pesquisas e mensagens trocadas entre funcionários do Facebook. Fez uma série de reportagens devastadora — “The Facebook Files” —, publicando uma por dia ao longo da semana. Graças a esse material, soubemos que o Facebook:

  • Tem regras à parte para uma elite de pouco menos de 6 milhões de usuários;
  • Sabe, por pesquisas científicas internas, ser a causa de distúrbios psicológicos graves em 1/3 das meninas adolescentes que usam o Instagram;
  • Tentou tornar o feed mais saudável em 2018, mas fracassou e quando as mexidas no algoritmo ameaçaram o engajamento, priorizou o engajamento;
  • Deu respostas fracas a alertas de funcionários de que a rede estava sendo usada para tráfico de seres humanos, recrutamento em cartéis de drogas, incitação à violência contra minorias e outros crimes graves, em especial no hemisfério Sul;
  • Serviu de plataforma para negacionistas da pandemia de Covid-19.

No Twitter, Andy Stone, porta-voz do Facebook, afirmou que o Facebook “tem mais especialistas e recursos dedicados a este trabalho [de moderação] que qualquer outra empresa de tecnologia do mundo”.

É bem provável que isso seja verdade, e que o próprio Andy e muitos desses especialistas que ele cita tenham as melhores intenções do mundo. Só que esse povo não apita nada lá dentro. A diretoria do Facebook, em especial o CEO, Mark Zuckerberg, já demonstrou em inúmeras situações quais as prioridades da empresa — não é o bem-estar dos usuários. E, vale o questionamento, se nem com todos esses recursos o Facebook consegue criar ambientes digitais saudáveis, talvez seu modelo seja inerentemente quebrado. Via Wall Street Journal (em inglês, com paywall).

Os aplicativos de VPN da Kape, uma “ex-empresa” de publicidade

A empresa britânica Kape Technologies comprou o aplicativo ExpressVPN por US$ 936 milhões no início da semana. No comunicado à imprensa, a Kape alardeia que a aquisição dobrou a sua base de usuários para 6 milhões.

A Kape, sediada no Reino Unido, já era dona de outras VPNs — CyberGhost VPN, ZenMate e Private Internet Access (PIA) —, o que a credita como uma empresa de segurança. Só que nem sempre foi assim. A empresa foi fundada em 2011 com o nome Crossrider. Era especializada em fornecer extensões de navegador e aplicativos para Windows e macOS que serviam de ponte para a injeção de anúncios. Em 2018, mudou de nome e passou a renegar o passado.

O ExpressVPN tem uma boa reputação, bem como o PIA (os outros dois, desconheço), mas em um mercado tão sensível como o de VPN, em que a confiança é tudo, será o bastante? Via The Register (em inglês).

Ferramenta para exportar dados do Skoob

Alguns usuários do Skoob não gostaram muito da notícia de que a rede social de livros foi comprada pela Americanas. Para piorar, o Skoob não oferece uma ferramenta de exportação de dados. (Antes de inscrever-se em qualquer serviço em que você acrescenta dados, sempre verifique se esse recurso é oferecido.)

De forma extraoficial, porém, é possível libertar seus dados do Skoob. O desenvolvedor Artur Prado criou uma ferramenta que exporta os dados de um perfil do Skoob para um arquivo *.csv, a SkoobCrawler. Ela pede nome de usuário e senha, um método não muito convidativo, mas provavelmente não poderia ser de outra forma porque o Skoob não tem uma API pública. (Em todo caso, o código-fonte da ferramenta é aberto e Artur está no Twitter para trocar uma ideia.) Dica do Guilherme Teixeira.

Uma web mais acessível

A régua da acessibilidade na internet é tão baixa que um trabalho simples, quase trivial, feito por este Manual do Usuário — a descrição das imagens veiculadas no site e na newsletter —, suscitou elogios do leitor Gustavo Torniero. Por que, em um país com 17,9 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, esse […]

Post livre #286

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha no domingo à noite.

Americanas compra Skoob

Na corrida das varejistas brasileiras (e argentina) para se tornarem a Amazon no Brasil antes da Amazon dominar o nosso mercado, a Americanas deu mais um passo ao comprar a rede social de livros Skoob nesta quarta (15). Lá fora, há muito anos, a Amazon é dona da Goodreads. O valor do negócio não foi divulgado. O Skoob, criado em 2009 no Rio de Janeiro, tem 8 milhões de usuários e 45 milhões de avaliações de livros. Via Neofeed.

WhatsApp ganha diretório de estabelecimentos comerciais em São Paulo

Quatro telas do WhatsApp, lado a lado, mostrando a jornada do usuário no novo recurso de diretório de estabelecimentos comerciais no WhatsApp.
Imagem: @wcathcart/Twitter.

O WhatsApp lançou um diretório de estabelecimentos comerciais embutido no próprio app — quase como um “páginas amarelas” digital. Ainda em testes, a empresa escolheu São Paulo para lançar a iniciativa. Os estabelecimentos são divididos por categorias e o WhatsApp informa a distância do usuário em relação a cada um deles. Segundo Will Cathcart, líder do WhatsApp dentro do Facebook, o WhatsApp não registrar a localização do usuário nem por quais estabelecimentos ele “navega”. Via @wcathcart/Twitter (em inglês), LABS News.

Microsoft elimina senhas

A Microsoft expandiu para todos os usuários o recurso que elimina a senha de uma Conta Microsoft. Ao ativar essa opção, o acesso passa a ser feito via aplicativo Microsoft Authenticator, Windows Hello, chave de segurança ou um código de verificação enviado por e-mail ou SMS.

Na prática, a Microsoft está dando a opção de transformar o segundo fator de autenticação (2FA, “o que você tem”) em fator único, eliminando o primeiro (“o que você sabe”, a senha). Não sei até que ponto isso é vantajoso do ponto de vista da segurança, embora evidente que seja mais cômodo. No anúncio da novidade, Vasu Jakkal, vice-presidente de segurança, compliance e identidade da Microsoft, reafirma a insegurança das senhas, o dilema entre criar uma fácil de lembrar e que seja segura, e que a cada segundo são feitas 579 tentativas de invasão por quebra de senha. Estranhamente, o texto não menciona em momento algum os gerenciadores de senhas, que meio que resolvem todos esses transtornos e, usados em conjunto com um método de 2FA, garantem uma camada extra de segurança. Via Microsoft (em inglês).

O que você leu de bom?

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

Congresso e STF barram MP das fake news de Bolsonaro

Quase ao mesmo tempo, na noite desta terça (14), Judiciário e Legislativo barraram a medida provisória nº 1.068, a chamada “MP das fake news” ou “MP do Marco Civil”, que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) publicou na véspera do 7 de setembro para regular a maneira como as redes sociais moderam conteúdo e penalizam perfis. (Ouça o Guia Prático do assunto.) O presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), devolveu a MP, e a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a MP atendendo a pedidos feitos à corte. Via Uol.

600 toneladas de plástico por ano

A embalagem do iPhone 13 não virá protegida por plástico. Com essa singela mudança, a Apple deixará de consumir 600 toneladas (!) de plástico por ano cuja única utilidade era criar um efeito sonoro ~satisfatório em consumidores deslumbrados e youtubers de unboxing. Via Apple (em inglês).

Apple anuncia iPhone 13, novo iPad mini e Apple Watch Series 7

A Apple anunciou um monte de novos produtos na tarde desta terça-feira (14):

  • iPhone 13, com entalhe menor, bateria maior, novo chip A15 Bionic, armazenamento mínimo de 128 GB e posicionamento de câmeras diferente apenas porque sim.
  • iPhone 13 Pro, com as mesmas novidades da linha “simples”, mas câmeras melhores (e uma extra) e opção de 1 TB. É o primeiro iPhone com tela de 120 Hz.
  • iPad mini, com novo design similar ao do iPad Pro, tela de 8,3 polegadas e porta USB-C.
  • iPad de 9ª geração, com visual antigo, Touch ID, agora com o chip A13 Bionic e o mesmo preço do anterior (lá fora).
  • Apple Watch Series 7, que visual novo que não tem nada a ver com os dos “vazamentos”.
  • Apple Fitness+ chega ao Brasil, mas os vídeos não serão dublados, só terão legendas. Mindfulness com legenda, baita conceito.

Fotos bonitas e mais detalhes na sala de imprensa, link ao lado. Via Apple (em inglês).

GearBest some da internet

A GearBest, loja de eletrônicos chinesa que exportava para o mundo inteiro e mantinha acordos com youtubers brasileiros, sumiu. O site está inacessível e há indícios de que a empresa dona da marca/loja, a Global Top E-Commerce, está tentando uma recuperação judicial. Via Xataka (em espanhol).

Há poucos anos, a GearBest era popular entre consumidores brasileiros dispostos a importar celulares de marcas chinesas, como Xiaomi e Huawei, devido aos preços baixos provenientes do não pagamento de impostos. A empresa foi pivô do escândalo de youtubers brasileiros que recomendavam esses aparelhos sem mencionar que recebiam dinheiro — da própria GearBest — pelo endosso.

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