Até dias atrás, IPTV era assunto das páginas policiais dos jornais. Agora, repetindo um movimento comum na história de institucionalizar inovações criadas à margem da lei, opções legalizadas de IPTV começam a aparecer.

Primeiro veio a Claro Box TV. Nesta terça (1), a Directv Go chegou ao país — um serviço da Vrio, que já operava aqui com a marca Sky. O preço-base do Directv Go é de R$ 59,90/mês, e dá direito a 90 canais, incluindo os de TV aberta, ao vivo (Globo, SBT, Record), canais de esportes (ESPN, Sportv, Fox Sports), de filmes e vários daqueles que, até então, só estavam disponíveis na TV a cabo, além de alguns conteúdos sob demanda. E ainda dá para acrescentar pacotes, como HBO (com promoção de lançamento que dá cinco anos de gratuidade enquanto a assinatura for mantida), Brasileirão (Premiere) e Telecine, entre outros. Via Gizmodo Brasil.

A Qualcomm anunciou nesta terça (1) o Snapdragon 888, seu novo SoC topo de linha que deve equipar os principais celulares Android de 2021. A maior novidade este ano é a inclusão do modem 5G no chip (especificamente, o Snapdragon X60), elemento que seu antecessor, o Snapdragon 865, não tinha, a despeito de chips menos potentes da mesma leva contarem com o recurso, caso do 765G.

Neste ano a Qualcomm mudou o padrão no nome do seu melhor chip. Pela lógica, deveríamos estar falando do Snapdragon 875, certo? David Ruddock, editor-chefe do site Android Police, tem uma teoria do porquê disso: a China. “Oito é um número da sorte na cultura chinesa e o oito repetido três vezes é considerado um número de boa sorte,” explicou no Twitter. “Eles [Qualcomm] acreditam que isso ajudará a vender mais celulares.” A cerimônia de abertura da Olimpíada de 2008, por exemplo, aconteceu no dia 8/8, às 20h08 (ou 8h08 PM).

Outros detalhes do Snapdragon 888 — e talvez a confirmação ou não da teoria do oito — serão revelados amanhã. Via QualcommEngadget (em inglês).

Início de dezembro sempre nos traz as listas dos mais populares nos serviços de streaming. Nesta terça (1), Spotify e YouTube divulgaram as suas, e é sempre curioso ver como o Brasil sai na foto quando ela é ampla assim, colocando todo mundo no enquadramento.

No Spotify, o top 10 de artistas mais ouvidos só tem brasileiros, sete deles do sertanejo — 1º: Marília Mendonça; 2º: Henrique & Juliano; e 3º: Gusttavo Lima. O podcast mais ouvido do ano na plataforma foi Horóscopo Hoje (do qual eu nunca tinha ouvido falar), seguido pelo Café da Manhã da Folha e, em terceiro, o Primocast, da má-influência financeira Thiago Nigro.

Na lista de “vídeos em alta” do YouTube tem Fla-Flu, youtubers manjados, e-sports e humoristas. E um daqueles canais de vídeos “faça-você-mesmo” de algum país aleatório do leste europeu traduzido automaticamente para o português. Neste ano, devido à pandemia, o YouTube não produziu o Rewind, aquele vídeo-retrospectiva que desde 2010 constrange a todos quando vai ao ar.

A moeda do Facebook ainda não foi lançada, embora haja rumores de que isso possa acontecer em janeiro de 2021. Hoje, ela ganhou um novo nome: diem, em substituição ao libra. A troca é uma tentativa de desvincular a moeda do Facebook e, com isso, apaziguar reguladores, preocupados com os impactos negativos que uma moeda controlada pelo Facebook poderia causar. Via Reuters.

Chocante a história relevada pelo Canaltech, nesta terça (1), de brasileiros que baixaram filmes piratas por torrent e receberam cartas extrajudiciais cobrando R$ 3 mil pelo ato.

Os filmes que motivaram a cobrança foram Hellboy, Invasão ao serviço secreto e Rambo: Até o fim, todos da Millenium Media, baixados entre o final de 2019 e começo de 2020. O escritório de advocacia responsável é o Kasznar Leonardos Advogados, do Rio de Janeiro, que representa a empresa britânica Copyright Management Services.

É grave porque não há qualquer previsão legal para esse tipo de cobrança. E, como mostrado recentemente nesta matéria aqui no Manual, esse tipo de pirataria para consumo próprio, sem intenção de lucro, não é criminalizada no Brasil.

Chama a atenção, também, o papel do Tribunal de Justiça de São Paulo, que determinou à Claro que repassasse uma lista com dados detalhados de +70 mil clientes que baixaram cópias piratas do filme, lista essa compartilhada em uma planilha do Google Drive sem qualquer tipo de proteção.

O advogado Rafael Lacaz Amaral, do Kasznar Leonardos Advogados e um dos responsáveis pela ação, disse ao Canaltech que a indenização de R$ 3 mil tem caráter educativo: “O objetivo é conscientizar as pessoas de que existe um investimento sendo feito na produção e, também, na proteção destas obras, o que acaba levando à responsabilização de quem violou os direitos de autor,” disse. Um assédio flagrante desse tipo parece mais uma tentativa de lucrar com base em intimidação — seria desnecessário dizer, em qualquer outro contexto, que é desproporcional cobrar R$ 3 mil por um filme pirateado que, se muito, custa R$ 15 para alugar.

O Google tem uma votação popular, feita todo ano, para eleger o melhor app para Android. No Brasil, o app escolhido pelo povo foi o Resso. Não conhece? É o streaming de músicas da ByteDance, a dona do TikTok, lançado oficialmente em março. Vai vendo…

O Spotify está testando stories em algumas das suas playlists especiais, como a de Natal. Ainda tem app sem stories? Via Engadget (em inglês).

As operadoras de telefonia brasileiras estavam tranquilas com a guerra ideológica quixotesca do governo federal contra a participação da Huawei no 5G do Brasil. Cometeram o mesmo erro de muitos: o de acreditar que a loucura cessaria quando a conta ficasse cara. Mas aí não seria loucura, certo?

Acendeu-se o alerta nas operadoras após a famigerada reunião entre diretores da Anatel e membros do Ministério da Comunicação com o presidente Jair Bolsonaro, na última terça (24), aquela que antecedeu o disparate de Eduardo Bolsonaro no Twitter que gerou uma crise diplomática com a China. Agora, o governo prepara um decreto com base em normas recentes do Gabinete de Segurança Institucional que exclua a Huawei sem citá-la, um esquema manjado em fraudes de licitações.

Com a realidade batendo à porta, as operadoras se manifestaram publicamente em defesa da Huawei. E não sem justificativa: algumas estimativas calculam em US$ 200 bilhões o custo de trocar toda a infraestrutura da Huawei em uso no Brasil por equipamentos de outras empresas, sem falar que exclui-la do 5G encareceria e atrasaria ainda mais a chegada da tecnologia. E ninguém, com exceção da ala ideológica do governo federal, quer isso.

Dia desses, por coincidência, li uma bela definição de ideologia escrita por Judith Williamson no livro Decoding Advertisements, de 1978 (tradução livre):

Só é ideologia enquanto não a percebemos como tal. E como ela se torna “invisível”, o que a mantém oculta de nós? O fato de que estamos ativos nela, de que não a recebemos de cima: nós constantemente a recriamos. Ela opera através de nós, não em nós. Não somos enganados por alguém “enfiando” falsas ideias: a ideologia funciona de maneira mais sutil. Ela é baseada em falsas suposições.

Isso ajuda a entender o raciocínio do atual governo, aquele que se elegeu prometendo governar “sem ideologia”.

Os Estados Unidos, a quem o governo federal do Brasil tenta agradar com a oposição à China e outros movimentos de vassalagem, não mede esforços para prejudicar a Huawei sob a alegação — ainda não provada — de espionagem. Que os mesmos Estados Unidos espionavam a presidente do Brasil há menos de uma década, ninguém diz nada. Via Telesíntese (2).

Alguns sites usam cabeçalhos e/ou rodapés fixos, ou seja, que permanecem visíveis quando o usuário rola a página. Ainda não encontrei uma aplicação boa desse recurso — sempre me incomoda, em parte porque raramente funciona bem.

Para páginas longas, que demandam muitos minutos a serem lidas, tenho à mão o bookmarklet Kill Sticky. Com um clique, ele remove todas as partes fixas de uma página naquela sessão. A instalação é simples — basta arrastar o botão/atalho para a barra de favoritos do navegador — e ele funciona em qualquer navegador. Quando precisar, basta um clique e problema resolvido. Veja o vídeo acima para entender melhor.

A primeira fase do open banking, sistema que promete dar ao usuário poder sobre seus dados em bancos e instituições financeiras para levá-los a concorrentes a fim de obter condições mais vantajosas, deveria começar nesta segunda (30). A pedido do setor, porém, a estreia foi adiada para 1º de fevereiro de 2021. A principal justificativa é que faltou tempo, devido à pandemia e outras regulações, como a do Pix, para adaptar a infraestrutura ao open banking. Via Folha.

“realidade aumentada” meu amigo eu gostaria que a realidade DIMINUÍSSE

A Anatel abriu uma consulta pública para a revisão do Regulamento Geral de Direitos do Consumidor de Serviços de Telecomunicações (RGC). O objetivo é atualizá-lo às práticas de consumo modernas, como o foco no digital. O conselheiro Emmanoel Campelo destacou a garantia do “downgrade do plano” na revisão, ou seja, facilitar a migração para ofertas com valores mais baixos, algo que algumas operadoras dificultam. Via Anatel.

É uma boa. Em março, a Justiça obrigou a Telefônica (Vivo) a oferecer o downgrade de plano por atendimento eletrônico (app ou site). Já está funcionando. Há pouco mais de um mês, consegui migrar meu plano para um mais simples. A ironia: liguei à central de atendimento e, lá, fui orientado pela atendente a fazer o downgrade pelo app Meu Vivo.

Dia desses, a Beth Veloso entrou em contato pedindo a nossa ajuda em sua pesquisa de doutorado pela Universidade do Minho, em Portugal. Ela está pesquisando a influência do lobby das grandes empresas de tecnologia nos processos de regulação da internet no Brasil.

Se o poder econômico se sobrepor ao interesse público”, diz ela, referindo-se à hipótese da pesquisa, “o Brasil e o mundo terão perdido uma chance de transformar muitas sociedades em espaços com maior igualdade social, justiça, trabalho e educação para todos”.

As perguntas não têm questões certas ou erradas, são de múltipla escolha e é rapidinho responder o questionário. Para isso, clique aqui. A Beth receberá respostas até 20 de dezembro, mas, quanto antes ajudá-la, melhor. Se ficar alguma dúvida, mande um e-mail para ela.