Ser meio sovina me ajudou a usar menos o celular em situações sociais
Existem atitudes que todos dizem reprovar e, ainda assim, sempre se repetem. Usar o celular em situações sociais, por exemplo. O assunto à mesa pode ser exatamente esse, “oh, estamos todos viciados em celulares”, mas basta alguém sacar o celular para que todos os demais peguem os seus também.
Não apenas por esse motivo, há uns dois meses criei um arranjo para resistir à tentação do celular em contextos em que seu uso é desagradável ou indesejado/ (Leia-se: quase sempre.) Outra parte da minha motivação, a princípio a maior, era economizar os preciosos giga bytes que comprei do Vivo Easy antes do falecimento do plano. (Se você migrou para ele motivado(a) pelo meu relato, peço desculpas.)
Eu trabalho em casa, saio pouco e não uso redes sociais no celular. Mesmo assim, tinha dias em que o app da Vivo acusava… sei lá, quase 100 MB de dados consumidos. Culpa de quem? Da web, do e-mail e do leitor de feeds RSS. Pode parecer que não, mas imagens, vídeos que tocam sozinhos e outros recursos multimídia pesam na conexão (e no bolso).
É um gasto enorme? Longe disso. Não sou (tão) sovina. Embora a motivação tenha sido dupla — social e financeira —, no fim gostei do hábito adquirido, que consiste em ficar encarando paredes, o céu e dos vislumbres de outras vidas acontecendo ao meu redor.
Noutro dia vi um rapaz, num café, sem celular, sem tablet, sem smartphone… estava sozinho tomando café. Como um psicopata.
— Rogério Skylab
Bônus: a bateriazinha do meu celular, que já tinha pouca autonomia quando nova e só encolheu nos últimos anos, ganha um bem-vindo alívio.
Uso iPhone e *acho* que o Android da Samsung tem os mesmos recursos que mencionarei a seguir. Para outros sabores de Android, conto com a ajuda de leitores nos comentários.
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Embora o iOS não permita cortar o acesso de aplicativos à internet, é possível limitar o acesso à internet móvel, da operadora.

Dado que ninguém se lembra da existência dessa área do iOS, é provável que você nunca tenha redefinido as estatísticas de uso de dados. Esse histórico ajuda a decidir para quais apps desativar a internet móvel. Aqui, eu deixei apenas dois tipos de apps ligados:
- Os que uso quando estou fora do alcance de uma rede Wi-Fi, como apps de mensagens, caronas e mapas.
- Os que, embora não use com frequência, consomem poucos dados.
Nos primeiros dias, o bloqueio serve mais como lembrete quando, por instinto, abria o app do e-mail ou o agregador de feeds. Hoje,, talvez eu nem precise mais disso. (E ainda dizem que o behaviorismo saiu de moda.)
Levo em conta um fator extra para deixar apps pouco usados que não são gastões de dados conectados à internet: o “Modo Pouca Energia”, acessível pela Central de Controle. Quando ativado, ele instrui o sistema a uma série de medidas para economizar bateria. Entre elas, desativar as atualizações em segundo plano dos aplicativos.
A cereja do pudim é uma automação, com o aplicativo Atalhos, que ativa e desativa o Modo Pouca Energia dependendo da conexão — se Wi-Fi ou móvel.
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Acho muito difícil e inconveniente bloquear o acesso à internet do Safari, o navegador web. Por vezes quero conferir uma informação e, às vezes, preciso. Não quero correr o risco de ter que mergulhar nas configurações do iOS numa situação que demande rapidez, mesmo que rara.
Para amortizar o impacto que o Safari pode ter (e tem!) no consumo de dados, lanço mão de algumas ferramentas. Ou melhor, de algumas extensões.
O bloqueador de anúncios/conteúdo é básico. (Até parece que vou consumir meus preciosos dados baixando scripts que me rastreiam e anúncios invasivos!) Tenho usado o Wipr 2 desde que foi lançado e estou satisfeito. A Kaylee é muito detalhista, o app atualiza toda semana com melhorias e correções em sites populares, é um bloqueador leve e de compra única (e barata) e, talvez o mais importante para mim, não tem configurações, o que evita que eu perca tempo tentando bloquear mais coisas.
Também mantenho o NextDNS como revolvedor de DNS no sistema. É uma primeira linha de defesa, que, somada à extensão do navegador, já altera radicalmente a experiência de navegar pelo lixo radioativo em que transformaram a web.
A mais recente adição ao meu Safari é uma extensão chamada Pacific Block. Sim, é outro bloqueador, mas com uma proposta mais simples: bloquear todas as imagens e todas as mídias (áudio e vídeo).
No iPhone, mantenho os dois interruptores ativados o tempo todo. Se preciso ver um vídeo ou se uma imagem é necessária para completar alguma tarefa no Safari, abro o app do Pacific Block e libero o tipo de mídia temporariamente. Terminou? Volta o bloqueio.

(A web sem mídia lembra muito o protocolo Gemini — isso quando o site visitado não quebra ou se torna ilegível. O mundo pode ser bom, é a gente que insiste em estragá-lo.)
Fui além. Por que, em vez de bloquear anúncios e rastreadores, não cortar o mal pela raiz? O nome da raiz é “JavaScript” e vem ativado por padrão no Safari. Para desativá-lo, entre em Ajustes, Apps, encontre o Safari, role a página de opções do navegador até o final, toque em Avançado e, enfim, desative o seletor de JavaScript.
Problema é que o JavaScript costuma ser mais requisitado que imagens para que os sites funcionem e o caminho da opção é muito maior que o das do Pacific Block.
Sugeri ao Jeremy, criador da extensão, um terceiro botão para ligar/desligar o JavaScript. Enquanto ou se não vier, vou me virando com um atalho do Atalhos, um botão com a ação Abrir URL apontando para este endereço:
prefs:root=SAFARI&path=ADVANCED
Ao ser executado, ele te leva direto às opções avançadas do Safari, encurtando a distância para ligar/desligar o JavaScript à mesma dos botões do Pacific Block (dois toques).
Agora, por padrão, meu Safari não executa imagens, áudios, vídeos e JavaScript. Fascinante como a web é rápida sem esses recursos.
Bônus: a maioria (todos?) os scripts de rastreamento e publicidade invasiva são ativados pelo JavaScript. Nem precisaria do bloqueador de anúncios, mas deixo-o ativado de qualquer maneira.
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É perceptível o menor consumo de dados nesses dois meses desde que mudei meus hábitos:

O início de outubro foi quando me dei conta do mau hábito. Desde então, o que antes passava fácil de 1 GB de dados por mês caiu pela metade. E, importante, sem muita cobrança da minha parte. Se preciso ou mesmo se quero usar a conexão móvel por qualquer motivo que não seja passar o tempo, uso-a sem cerimônia. Afinal, comprei esses dados para usá-los.
O mais importante, porém, foi conseguir me desligar da tela por mais tempo ao longo do dia. Acho que já passamos do ponto de lutar contra isso. Telas estão em toda parte, gostemos ou não, e o excesso delas (se considerarmos que ainda há espaço para excessos nesse admirável mundo novo) é normalizado.
Dito isso, usar o pouco de autonomia que me resta para negar essa realidade faz bem. É meio anacrônico, o que acho que combina com a personagem — um cara com seu iPhone de botão que escreve um blog.
Meu foco atualmente é desconectar. Só usar o celular em casos extremos.
Não levo muita fé nessas ferramentas para usar menos celular. O que tem funcionado pra mim são as regras abaixo:
1- Ver/Ligar celular somente 3 horas após acordar 2-Não escutar podcasts, musica ao caminhar 3-Desligar celular entre 1h-3h antes de dormir 4-Não levar celular quando for almocar 5-Desinstalei varios apps: Hoje tenho do meu banco, maps,Uber,whatsapp e apps de governo 6-Não ler livro no celular. Uso livro fisico 7- Trocar smartwatch por relogio analogico
É um processo
interessante
Muito bom! Já fiz algumas alterações assim também, tanto pra economizar bateria de celular já cansado e plano de dados hahaha. E no fim parece que o que consome sempre são as redes sociais.
Troquei de celular essa semana, depois de longos seis anos com meu moto g8 power, e assim que comecei a configurar ele, lembrei desse post. Só não achei essa opção no Android, a versão que está instalada é o 14, consegui apenas configurar para alguns não rodarem em segundo plano.
Já aproveitando pra agradecer o post Destaques da F-Droid , troquei muita coisa padrão pelos apps comentados.
Sempre usei pré-pago, primeiro porque isso me gera sempre a ideia que "preciso pagar geralmente antes de acabar o período/os dados". Então consigo economizar razoável assim. Meu único temor é que já ouvi falar que se fica algum curto tempo sem por créditos no Correios Celular, perde a conta e não recupera.
Meu celular é um Xiaomi Redmi Note 11, a política de redução de dados pratico assim:
Fora isso, é raro usar YouTube ou similar no celular, no máximo tenho um app de rádio online (URL Radio) que de vez em nunca ponho para tocar - só nunca avaliei quanto de dados ele consome. E o VIVI, um app alternativo ao YouTube Music.
O único "pecado" que cometo é mandar vídeo no Status do Whatsapp. Isso sei que consome dados.
Adorei a dica do atalho Abrir URL direcionado pras configurações do Safari, já copiei aqui