1 ano com Dvorak e reflexão sobre sistemas racionais  danielysilva.com.br

A Daniely está aprendendo a digitar em um teclado padrão Dvorak, que se supõe mais racional, embora — como ela aponta — decisões racionais sempre carreguem um quê de emoção:

É muito difícil testar uma proposta alternativa e racional, justamente por não ter sido largamente adotada. A escolha de uma alternativa sempre envolve um novo padrão que prevalece sobre outras propostas; a exemplo, alternativamente ao Dvorak, há o Colemark e o Nativo, que se propõem ainda mais racionais, ao passo que ao Esperanto há o Ido e a Interlingua. Portanto, escolher uma alternativa racional é também uma decisão emocional, que pode envolver a coesão, a disponibilidade e a narrativa contada pela proposta.

Costumo resistir a mudanças drásticas. Aproveito o tema para compartilhar como fiz as pazes com o teclado do notebook, em QWERTY mesmo (“como nossos pais”).

Durante muito tempo tive aquela pira de digitar mais rápido, de usar (ou sonhar acordado) com teclados mecânicos, toda aquela paranoia induzida por sites e canais de “produtividade”.

Desesncanei quando me dei conta que o que eu faço não é digitar, é divulgar ideias. A digitação é apenas o meio que tenho à disposição para tal. Não há vantagem em digitar rápido e eu nem digito tanto a ponto de justificar investimentos de tempo, dinheiro ou esforço nisso.

Foi aí que aposentei o teclado mecânico e voltei ao do notebook — mesmo quando estou usando o monitor externo.

Até toparia brincar com um Dvorak, mas com a mesma despretensão com que aprenderia um novo idioma: não para substituir o português, mas sim pela curiosidade e eventuais acidentes felizes no desenvolvimento de uma nova habilidade.

A newsletter do Manual. Gratuita. Cancele quando quiser:

Quais edições extras deseja receber?


Siga no Bluesky, Mastodon e Telegram. Inscreva-se nas notificações push e no Feed RSS.

Deixe um comentário

Por favor, leia as regras antes de comentar.

Tags HTML permitidas: <b> <strong> <i> <em> <a> <ul> <ol> <li> <code> <cite> <blockquote> Markdown *não* funciona.

7 comentários

  1. Nem imaginava que tinha um porque de usar teclado mecânico que não fosse o barulho e o conforto das teclas. Foi prometido produtividade? Eu apenas gosto do téc téc téc gostoso…

    1. Na minha experiência, o “travelling” maior torna a digitação nos mecânicos mais confortável. (“Travelling” é a distância entre o repouso e o fundo de uma tecla ao ser apertada.) Em teclados de notebook, sinto que minhas mãos cansam mais rápido, o que soa paradoxal, mas… sei lá, só sei que é assim.

      1. Acredito que esse cansaço se deve ao fato do teclado absorver menos a energia dos dedos na movimentação e mais no impacto, gerando o desgaste energético por isso

      2. Mas se é mais confortável para ti, por que voltou para as teclas do notebook?
        Eu uso um quando estou de homeoffice também pelo conforto e os “toc tocs” e… bem, esses são os únicos motivos. Minha parceira até acha os sons relaxantes

        1. Porque é um trambolho e perco várias comodidades ao abdicar do teclado do notebook, como a webcam, o sensor de impressão digital e o trackpad. Achei que, no saldo final, valeu a pena o leve “downgrade” no teclado. (Que nem é tão grande; o teclado do MacBook Air é agradável de digitar também.)

      3. Reparei que batia com força, praticamente espancava o teclado, passei a me policiar e com o tempo aprendi a teclar com suavidade, as dores no pulso sumiram e a velocidade aumentou, tenho um mecânico mas ainda não coloquei à prova.

      4. Deve ter algum estudo, sempre tem afinal, sobre a tendinite e os teclados. Eu fiquei 2 semanas usando o touchpad e o teclado do Macbook do trabalho e ali pelo décimo segundo dia eu não mexia mais o pulso. Voltei ao teclado mecanido e ao mouse e as dores pararam.

        Teve um colega que me sugeriu na época que eu usava o teclado e o touchpad de forma errada … pode até ser, mas não quero ter que reaprender a usar coisas básicas depois dos 40 anos.