Apenas três aplicativos estão na tela inicial de +30% dos celulares brasileiros — os três do Facebook. Este dado vem da edição 2020 da pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box, realizada com 2.003 participantes no final de novembro. Os resultados refletem 2020: Uber caiu bastante (5 pontos percentuais), TikTok foi o que mais cresceu, Telegram também ganhou posições e Among Us apareceu no radar de popularidade (entre 2 e 4% dos celulares).

Chama a atenção a presença do Snaptube, primeiro app não distribuído pela Play Store que entra no radar da pesquisa. Não à toa: ao longo do ano, a Shenzhen DYWX Tech Co., empresa dona do aplicativo, despejou dinheiro em posts patrocinados de sites de tecnologia. O Snaptube baixa vídeos do YouTube. Via Mobile Time.

O Telegram lançou um recurso interessante para grupos chamado “chats de voz”. É um meio termo entre ligações de áudio e as tradicionais mensagens de áudio, como as do WhatsApp. No grupo que tem o chat de voz ativado, uma sala à parte é criada para as pessoas ouvirem e falarem, uma de cada vez, de modo contínuo. As animações do post-anúncio passam uma ideia melhor do funcionamento.

Regra geral, é difícil tomar partido em briga de gigantes, mas em batalhas como a que ocorre entre Facebook e Apple, nem tanto. O iOS 14 trouxe um recurso de privacidade chamado App Tracking Transparency (ATT), que faz com que apps só possam rastrear a atividade do usuário em outros apps e sites com a anuência expressa dele. Por ora, é opcional (só vi um app se antecipar), mas em 2021 o ATT será obrigatório.

Isso afeta diretamente os negócios do Facebook, calcados na devassa da privacidade. (Outra novidade da Apple, as “tabelas nutricionais” de apps do iOS 14.3, revela o tanto de dados que os do Facebook coletam dos usuários.) Diz muito o fato de que transparência seja uma ameaça existencial ao negócio do Facebook. Oficialmente, o argumento é de que o ATT prejudica as pequenas empresas que usam sua plataforma para anunciar e fazerem negócios.

A Electronic Frontier Foundation publicou um ótimo artigo explicando as falhas do ataque do Facebook à Apple, que incluiu até anúncios de página inteira em jornais de papel.

Pequenos negócios são, se muito, reféns do Facebook, que mantém um oligopólio da publicidade digital com o Google, dita regras e valores, e viabiliza a existência de incontáveis intermediários estranhos que abocanham parte do dinheiro investido pelos pequenos e coleta mais dados dos usuários sem devolver qualquer vantagem aparente. Sem surpresa, o único prejudicado pelo ATT é, na real, o Facebook.

A finlandesa polonesa CD Projekt Red levou sete anos para finalizar Cyberpunk 2077, seu ambicioso jogo futurista, e… parece que faltou tempo. Tanta gente reclamou de falhas no jogo que a Microsoft incluiu um alerta em sua loja dizendo que “os usuários podem ter problemas de desempenho quando jogarem este jogo no Xbox One até ele ser atualizado” e a Sony simplesmente o removeu da do PlayStation até uma correção substancial seja lançada. Ambas estão oferecendo reembolsos completos para quem se arrependeu da compra. Via The Verge (2) (em inglês).

O Zoom removerá o limite de 40 minutos nas chamadas gratuitas para as festas de fim de ano — nos últimos dias do Chanucá e Kwanzaa, e na véspera e nos dias de Natal e ano novo. Para usufruir da benesse, não é preciso fazer nada; basta ligar e conversar. Via Zoom.

No anúncio da retomada da verificação de perfis, o Twitter disse também que pretende identificar robôs, ou bots, perfis que postam automaticamente. Desde o ano passado, também segundo o anúncio, desenvolvedores têm que identificar contas do tipo; em 2021, o Twitter explorará “um novo tipo de conta opcional que tornará mais fácil para os donos desses perfis divulgarem essas informações.” Aparentemente, a identificação não será compulsória, mas dependerá da boa vontade dos criadores dos robôs, o que deve limitar a identificação àqueles criados de boa-fé. O ideal, como sugerido aqui há dois anos, seria uma identificação automática baseada em padrões de uso e postagem. Via Twitter.

Na ação antitruste dos dez estados contra o Google, um trecho faz referência ao WhatsApp. Lê-se nele: “O Google também violou a privacidade dos usuários de outras maneiras flagrantes quando era conveniente ao Google. Por exemplo, logo após o Facebook adquirir o WhatsApp, em 2015, o Facebook assinou um acordo exclusivo com o Google, garantindo ao Google acesso a milhões de mensagens de WhatsApp criptografadas, fotos, vídeos e áudios de norte-americanos.”

O parágrafo contém várias partes omitidas, o que dificulta entender os detalhes. Uma hipótese é que esse acordo se refira ao backup de mensagens do WhatsApp em celulares Android, feito no Google Drive e que, ao contrário das mensagens que ficam nos aparelhos, não é criptografado de ponta a ponta. (O mesmo problema ocorre no iOS/iCloud.) Se o Google realmente estiver bisbilhotando backups do WhatsApp para extrair informações de consumo dos usuários Android, temos um grande escândalo aqui.

A ação pode ser lida neste link (em inglês).

O Google enfrenta mais uma ação antitruste nos Estados Unidos, desta vez apresentada por procuradores-gerais de dez estados. Além da acusação óbvia, de que a empresa controla todas as etapas do mercado e abusa desse poder para conseguir condições vantajosas, chama a atenção o conluio com o Facebook, apresentado via documentos internos das duas empresas. Juntas, Alphabet/Google e Facebook dominam o mercado de publicidade online nos EUA (54%). Via New York Times (em inglês).

O Substack Reader, aplicativo para ler newsletters do Substack, está disponível em beta. Em essência, é um leitor de feeds RSS — vários serviços de newsletters também publicam as mensagens nesse formato. A aparência simples é temporária, porém. Chris Best, CEO da startup, disse que espera usar o app para recomendar newsletters que o usuário não acompanha. Via The Verge (em inglês).

Se todas as Big Tech tivessem o histórico desastroso de aquisições do Twitter, não estariam hoje tão enroladas com os órgãos antitruste. Nesta terça (15), o Twitter anunciou que encerrará o Periscope em março de 2021, app para transmissões em vídeo ao vivo que comprou em 2015 e deixou à míngua desde então, no mesmo período em que outros contemporâneos, como o Twitch, deslancharam. O Twitter já havia falhado com outra aquisição promissora, o Vine, que era basicamente o que o TikTok é hoje. Via Periscope (em inglês).

O Facebook avisará os usuários, via notificações, de posts equivocados a respeito da COVID-19 que eles tenham curtido, comentado ou compartilhado. No texto da notificação, lê-se: “Removemos um post que você curtiu com informações falsas e potencialmente danosas a respeito da COVID-19.” Ao tocar nela, o usuário é levado a uma tela que aponta onde o post foi publicado (um grupo ou página, por exemplo) e dá a opção de deixar de seguir a fonte da desinformação. Para não constranger os usuários, o Facebook não recupera detalhes do post falso, nem explica o que havia de errado com ele. Medida tardia e incompleta, para variar. Via FastCompany (em inglês).

Aos poucos, o Signal vai diminuindo a distância em recursos para outros apps do gênero. Nesta semana, o aplicativo ganhou suporte a videochamadas em grupo para até cinco pessoas — gratuitas, privadas e criptografadas de ponta a ponta. A novidade só funciona no novo formato de grupos do Signal, lançado em outubro, com permissões granulares, menções e outros recursos; grupos antigos serão convertidos para o novo estilo nas próximas semanas. Via Signal (em inglês).

TIM, Telefônica (Vivo) e Claro levaram a operação de telefonia móvel da Oi por R$ 16,5 bilhões. Os clientes da Oi serão divididos proporcionalmente entre as três vencedoras do leilão, de acordo com seus DDDs, e terão seus contratos respeitados. Via Folha.

O Pornhub, popular site ponô com 3,5 bilhões de acessos mensais, apagou todos os vídeos de contas não verificadas da sua plataforma. Na noite de domingo (13), antes de dar início à remoção dos vídeos, a barra de pesquisa do site indicava a existência de 13,5 milhões de vídeos; no início da tarde desta segunda, o número exibido é de 2,9 milhões, uma diminuição de ~78,5%.

A ação do Pornhub não derivou de uma epifania ou um lapso de consciência dos donos do site, que tem sede no Canadá. Dias atrás, Nicholas Kristof publicou um relato chocante no New York Times (tradução na Folha) denunciando a existência de vídeos não consentidos e de menores de idade. Em seguida, Visa e Mastercard pararam de processar pagamentos no site.

No comunicado da nova política, o Pornhub acusa duas organizações anti-pornografia de perseguir o site por ele ser de conteúdo adulto — National Center on Sexual Exploitation (antiga Morality in Media) e Exodus Cry/TraffickingHub —, e outras redes sociais de uso generalista, como o Facebook, de hospedarem muito mais vídeos problemáticos sem que gerem o mesmo escrutínio. Via Vice, Pornhub (em inglês).

O Estadão conseguiu acesso ao GPT-3, um tipo de inteligência artificial (IA) desenvolvida pelo OpenAI e tida como o que há de melhor na redação autônoma de textos. O jornal colocou a IA para escrever o review do iPhone 11 Pro e… ok, é legível, mas parece ter sido escrito por alguém embriagado, além de conter erros factuais como dizer que o celular tem uma entrada USB-C (não tem) e que ele tem apenas uma câmera (tem quatro, três traseiras e uma frontal).

Review de celular é um tipo de texto que pode ser adaptado para modelos automáticos, porque os dados elementares, que guiam a redação, podem ser estruturados. A brincadeira de 1º de abril deste ano aqui no Manual é um rascunho rudimentar nesse sentido, embora não tenha nada de IA. O desafio do Estadão/GPT-3 é de outra natureza, e talvez a melhor saída esteja num meio termo entre as duas coisas — por exemplo, imagino que se incluirmos as tabelas de especificações do GSMArena na “receita”, os erros factuais básicos teriam sido evitados. Nas eleições municipais deste ano, o G1 adotou um modelo do tipo para produzir notícias de cada um dos 5.568 municípios brasileiros.