A quem ainda está no Twitter, ou X, a nova política de privacidade do serviço começou a valer nesta sexta (29). Ela prevê a coleta de dados biométricos, histórico profissional e de formação dos usuários, além do uso de mensagens diretas (DMs) não criptografadas. Todo o conteúdo passa a poder ser usado para treinar modelos de inteligência artificial.

Excesso de inteligência

A chegada do ChatGPT, da OpenAI, em novembro de 2022, foi a largada de uma nova corrida do ouro.

Empresas na vanguarda do que se convencionou chamar “inteligência artificial” (IA), como Google e Meta, até então não arriscavam colocar chatbots não confiáveis e recursos de edição super poderosos nas mãos de qualquer pessoa.

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Um dos receios dos especialistas acerca da inteligência artificial (IA) é o antropomorfismo: a tendência que temos de “humanizar” o que não é humano.

Daí que, nesta quarta (27), na abertura do evento Connect, da Meta, Mark Zuckerberg anunciou 28 IAs com rostos de celebridades norte-americanas, como Snoop Dogg, Tom Brady e Paris Hilton, que “interpretam” personagens especialistas em certos domínios, como esportes, RPG e moda, e podem ser invocadas nos apps de mensagens da empresa. Eles têm até perfis no Facebook e Instagram! Via Meta (em inglês).

[A inteligência artificial] Requer o modelo de negócios de vigilância; é uma exacerbação do que vemos desde o final dos anos 1990 e o desenvolvimento da publicidade de vigilância. A IA é uma maneira, acho eu, de consolidar e expandir o modelo de negócios de vigilância. O diagrama de Venn é um círculo.

— Meredith Whittaker, presidente do Signal, no palco do evento de startups TechCrunch Disrupt, em São Francisco, Califórnia.

Via TechCrunch, @TechCrunch/YouTube (em inglês).

O Spotify vai “dublar” podcasts, com a ajuda de inteligência artificial para manter a voz dos apresentadores, em outros idiomas. O projeto começa com episódios de três podcasts em inglês, dublados para o espanhol e, depois, francês e alemão. Não deve demorar muito para estar ao alcance de qualquer pessoa interessada. Via Spotify (em inglês).

Em nova fase, Matrix quer fazer frente a WhatsApp e afins

O Matrix, padrão para troca de mensagens de maneira descentralizada e com criptografia de ponta a ponta, deu início a uma nova fase.

De acordo com um (longo) post no blog dos desenvolvedores, até então o objetivo era demonstrar a viabilidade do projeto. Agora, eles querem jogar pra valer e fazer frente a aplicativos comerciais centralizados, como iMessage, WhatsApp e Telegram.

Para isso, estão focando em quatro grandes áreas, com destaque para uma nova API, chamada Sliding Sync, que agiliza algumas ações básicas e triviais em soluções centralizadas, porém desafiadoras no modelo descentralizado.

Coisas como sincronizar o estado das conversas ao abrir o app e manter as conversas atualizadas de modo transparente ao usuário final, por exemplo.

Embora a nova abordagem do Matrix 2.0 ainda esteja longe de estar finalizada, já é possível usufruir do trabalho sob algumas condições:

  • Estar em um servidor que tenha a API Sliding Sync, como o dos desenvolvedores do protocolo (matrix.org); e
  • Usar o novo aplicativo Element X (Android, iOS), que usa exclusivamente a API Sliding Sync.

Tenho feito isso, e o resultado é digno de nota. O Element X ainda carece de alguns recursos, mas é bonito, tem uma interface limpa e está bem rápido.

Desde que abordei o Matrix neste Manual, temos migrado aos poucos os grupos do site para lá.

No último fim de semana, criei um “espaço” para nosso site. Funciona como uma espécie de “servidor” do Discord, com salas temáticas.

Se você já usa o Matrix ou quer dar uma olhada, conheça o nosso espaço (#manualdousuario:matrix.org).

AirTag para gatos, organizar fotos no celular e outros links legais

A mesma galera do app Halide, para iOS, lançou o Orion, um monitor de câmeras para iPad com USB-C. Destaque para a apresentação do app (em inglês), toda oitentista (e de muito bom gosto!).

Diz a Meta que mudou o logo do Facebook (em inglês). Eu vi, vi de novo e não notei nada de diferente.

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WhatsApp está virando uma mistura de shopping com SAC

O marketing do WhatsApp é todo voltado às relações próximas, pessoais.

No site do aplicativo da Meta, uma mensagem grande diz que “com mensagens e chamadas privadas, você pode ser quem realmente é, conversar com liberdade e se aproximar das pessoas mais importantes da sua vida, não importa onde estejam”.

Quase escapou uma lágrima aqui.

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Sempre é um bom dia para experimentar o Mastodon, mas hoje é um especial: foi lançada nesta quinta (21) a versão 4.2, com busca textual completa, melhorias no fluxo de cadastro e em outros detalhes que costumam afugentar curiosos. Via Mastodon (em inglês).

De todas as empresas ocidentais que tentam recriar aqui o modelo chinês do WeChat, de “super app”, o WhatsApp é o melhor posicionado para tornar isso realidade.

Nesta quarta (20), a Meta anunciou o “Flows”, uma ferramenta para grandes empresas — clientes da API Business do WhatsApp — que permite criar formulários personalizados para transações das mais diversas, de escolher o assento ao comprar uma passagem de avião a fazer reservas em restaurantes, sem contar o bom e velho varejo. Será que vinga?

Ganhei acesso aos canais do WhatsApp e, para minha surpresa, a criação já está liberada. Subi o canal do Manual no WhatsApp e… bem, vamos ver como isso funciona. (Se flopar, nunca aconteceu.)

A Apple liberou a versão final do iOS 17 nesta segunda (18). Entre os recursos, há uma nova imagem em tela cheia para ligações (espero que o pessoal do telemarketing curta a minha) e um modo “Em Espera” que transforma o celular em um monitor bonitão que não verei, pois estarei dormindo quando (se?) ele for ativado. De todos os recursos, o que mais gostei é dos mais simples: finalmente é possível ativar dois ou mais timers ao mesmo tempo. Via Apple.

Revelações no julgamento que acusa o Google de monopolizar o mercado de buscas

Começou, nos Estados Unidos, o julgamento antitruste mais importante desde o da Microsoft, no final dos anos 1990.

O Departamento de Justiça (DoJ) acusa o Google de práticas abusivas para estabelecer e manter o monopólio do seu buscador web. (Um bom resumo no The Verge, em inglês.) O julgamento deve durar 10 semanas.

O foco do DoJ está nos acordos que o Google mantém, desde pelo menos 2010, com empresas como Apple, Mozilla e fabricantes de celulares Android, a fim de garantir que seu buscador seja a opção padrão em navegadores web.

É um caso difícil. A lei antitruste norte-americana prioriza o não prejuízo ao consumidor, em especial o financeiro. E o Google é, para esse público, gratuito.

Além disso, em pendengas recentes que chegaram aos tribunais norte-americanos envolvendo big techs, como o caso Apple vs. Epic Games (de Fortnite) e a compra da Activision Blizzard pela Microsoft, as grandes saíram vitoriosas.

Ainda que não dê em nada, o caso importa por colocar o Google sob os holofotes e na defensiva, o que ajuda a desnudar detalhes suculentos de como a empresa age de má-fé.

O DoJ trouxe conversas internas do Google em que executivos orientam e são orientados a evitarem termos que sugiram o monopólio nas buscas online. Em outra conversa, foi solicitado que o histórico de mensagens fosse desativado para tratarem do assunto.

Atitudes normais de negócios, nada suspeito… né.

Por coincidência, o Wall Street Journal divulgou, na mesma semana em que teve início o julgamento do Google, documentos internos da ExxonMobil, a petroleira norte-americana que descobriu e negou, por décadas, a emergência climática decorrente, em grande parte, da queima de combustíveis fósseis.

Neles, Rex Tillerson, ex-CEO que em 2006 que reconheceu o papel da empresa e das petroleiras no aquecimento, parece outra pessoa, muito diferente da sua persona pública. Ele conspira para desacreditar e atrasar pesquisas contrárias aos interesses da Exxon.

E ainda tem gente que acha que corrupção é uma mazela exclusiva do setor público…

A guerra dos chips

No final de agosto, a Huawei apresentou um novo celular para o mercado chinês, o Mate 60 Pro.

Seria só mais um típico topo de linha chinês para o mercado interno, com números enormes e uma versão do Android sem coisas do Google, não fosse por um detalhe: o Mate 60 Pro tem conectividade 5G.

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Melhorias e novo visual do Órbita

O Órbita ganhou diversas melhorias, resultado do trabalho do Renan Altendorf:

  • Agora, links publicados de sites que adotam paywall ganham, automaticamente, um link à parte que remove o paywall (exemplo).
  • Conversas com links “puxam” a imagem de compartilhamento do link original, salvam ela no servidor do Manual e usam-na no link do Órbita (exemplo no Mastodon).
  • Links de conversas agora exibem uma imagem de compartilhamento própria, com a marca do Órbita.
  • Além dos comentários, agora é possível usar Markdown para criar posts/conversas no Órbita.

O visual da listagem de posts passou por um refinamento. Trocamos o emoji de votar (seta para cima) por um ícone decente, puxamos o contador de votos para baixo do ícone e simplificamos a exibição dos meta dados (autor, data e comentários). Código e várias ideias do Renan também.

Recorte da listagem de conversas no Órbita, mostrando três delas, com o novo visual.
Ficou bonitão!

Por fim, aumentei o peso dos votos na listagem de conversas populares.

O poder de votar é um dos poucos recursos exclusivos para leitores cadastrados. O cadastro é rápido e gratuito, ou seja, não tem desculpa para não fazer o seu. O caminho é por aqui