Dez 2.0, a nova versão do leiaute do Manual

Há cerca de duas semanas, abri o código do leiaute do Manual para padronizar os tamanhos das fontes.

Aquele trabalho virou uma bola de neve que, na sexta (27/10), culminou no que chamei de “versão 2.0” do leiaute.

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E acho que, com o tempo, talvez até cheguemos ao ponto em que possamos gerar conteúdo [por inteligência artificial, em feeds] diretamente para as pessoas com base no que elas possam estar interessadas.

— Mark Zuckerberg, CEO da Meta.

Compartilhei um texto fantástico no Órbita em que o autor argumenta que os avanços tecnológicos não facilitam a nossa vida, mas sim a torna mais rápida. A IA é um belo exemplo (mencionado lá) dessa percepção equivocada que se tem da tecnologia.

Talvez seja menos um problema da tecnologia, mais dos negócios. O tempo ganho costuma ser apropriado por gente como Zuckerberg, executivos de modo geral, ávidos por mais, mais e mais. Sempre mais.

Não é preciso ir muito longe, nem imaginar cenários futuristas, para medir o impacto que a IA terá na economia.

A brasileira Wine, um clube de assinaturas de vinhos, já usa e abusa de IA gerativa em seu marketing:

“Normalmente [a campanha] é com influenciador e, neste ano, em vez de influenciador usamos a IA”, apontou [Paulo Boesso, head de e-commerce]. “Tivemos um ganho de produtividade de 80% dentro do universo tangível; diminuímos um trabalho de dez horas para duas horas para esta campanha do Sr. Desconto em junho.”

Via The Verge (em inglês), Convergência Digital.

LookAway

Ícone do aplicativo LookAway.

O LookAway é um pequeno aplicativo para a menubar que te lembra de se afastar do monitor a intervalos regulares para cuidar dos olhos.

Existem vários do tipo; o que me chamou a atenção neste é a elegância e o cuidado evidente do desenvolvedor Kushagra Agarwal. Os alertas são suaves, com avisos prévios e a possibilidade de adiá-los ou ignorá-los. O LookAway fica atento a períodos de inatividade e a videochamadas, e adapta o timer nessas circunstâncias.

A descrição do site oficial faz todo sentido: “É sutil, esperto e totalmente personalizável.”

  • Site oficial.
  • Plataforma: macOS.
  • Licença: Proprietário.
  • Preço: US$ 6,99 (1 licença), US$ 11,99 (2) ou US$ 19,99 (5), com 7 dias de teste gratuito.

YouTube, bloqueadores de anúncios e o bloqueador de bloqueadores de anúncios

Nas últimas semanas, aumentou o número de usuários do YouTube e de extensões que bloqueiam anúncios se deparando com uma mensagem do YouTube/Google, na plataforma de vídeos, pedindo ou exigindo a liberação de anúncios para continuar sendo usada.

A imagem varia de acordo com quatro estágios. Na mais branda, há um “X” para dispensar a mensagem e continuar assistindo aos vídeos como se nada tivesse acontecido. Na mais severa, o YouTube impede a visualização a menos que o bloqueador de anúncios seja desativado ou o YouTube Premium — o plano pago da plataforma (R$ 24,90/mês) — seja assinado.

Hmmm… obrigado, mas acho que não.

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Vez ou outra reclamo, digo, comento aqui do receio que tenho com grande atualizações de software. Desde que atualizei para o macOS 14 Sonoma, o Command + `, que alterna entre janelas do mesmo aplicativo, está quebrado no Safari 17. Parece bobo, mas uso bastante. Já saiu o macOS 14.1 e… nada de correção. Via r/MacOS (em inglês).

Na sexta (27), o ex-Twitter anunciou um plano “Premium+” de R$ 84/mês que remove anúncios. Nesta segunda (30) foi a vez da Meta revelar seus planos pagos para Facebook e Instagram na Europa, por € 9,99/mês. As duas plataformas se juntam ao YouTube, que remove anúncios por R$ 24,90/mês.

É bom que exista a alternativa paga e sem anúncios, mas isso não soluciona o problema. Poucos podem ou querem pagar. A oferta de serviços suportados por publicidade não é, a princípio, nociva. As práticas invasivas das big techs, que devassam a privacidade dos usuários para exibir anúncios segmentados, é que são.

“Tá pegando fogo, bicho!” dublado por IA e outros links legais

Não sei muito bem o que está acontecendo aqui, só que a Nissan anunciou um carro conceito feio (em inglês) com painel interior desenhado pelo estúdio que produz o jogo Gran Turismo.

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O ano da destruição do Twitter

exatamente um ano, Elon Musk tornava-se o dono do Twitter. Literalmente. O empresário pagou US$ 44 bilhões pela empresa inteira e prometeu transformar a rede em uma espécie de “super app”, ou — como ele diz — um “everything app”.

Um ano é pouco tempo, é verdade, mas a essa altura era de se esperar pelo menos sinais de que uma virada positiva está em curso ou é possível. Os sinais existem, mas no sentido contrário.

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Infelizmente, novos óculos inteligentes da Meta parecem ótimos

O fracasso da primeira colaboração entre Meta e EssilorLuxottica (a dona da marca Ray-Ban) na criação de um par de “óculos inteligentes”, em setembro de 2021, baixou muito as expectativas com uma eventual segunda versão.

Anunciado em um evento em setembro, espremido entre o mais badalado Meta Quest 3 e a nova inteligência artificial da Meta, o Ray-Ban Meta não chamou muita atenção de primeira.

Com o produto nas lojas — e nos rostos de repórteres de sites especializados norte-americanos —, porém, veio a surpresa: é um negócio… bem bom?

Os novos Ray-Ban Meta corrigem os pontos fracos do antecessor: a câmera é de boa qualidade (os microfones, excepcionais) e a bateria é ok (e tem uma caixa que se desdobra em bateria portátil com várias recargas).

E eles mantêm a característica mais importante de um produto do tipo: são bonitos, parecem óculos comuns.

Todos os que relataram suas experiências com o Ray-Ban Meta afirmam que os óculos não chamam a atenção, a ponto de ninguém perceber que são óculos especiais, inteligentes.

Bem diferente do Google Glass, por exemplo, que chegou a ganhar algum capital social em 2013, antes de Robert Scoble sepultá-lo com aquela foto medonha debaixo do chuveiro (não vou linkar; de nada).

O mundo é outro, também. Em 2013, a ideia de termos câmeras apontadas para nós o tempo todo, de todos os lados, estava restrita às distopias. Não à toa, o Google Glass foi rejeitado — e não apenas por causa do Scoble.

Óculos insuspeitos com câmeras e microfones de alta qualidade tão discretas que parecem camufladas não são uma ideia radical nem ultrajante em 2023. São, de qualquer forma, um passo extra no caminho da devassa da privacidade e da espetacularização da vida. (O Ray-Ban Meta faz streaming ao vivo no Instagram.)

Por US$ 299, uns trocados a mais que as versões “dumb” dos óculos de sol da EssilorLuxottica, os “smart glasses” se aproximam perigosamente do trivial.


Dos muitos vídeos que vi, recomendo a análise/ensaio da Victoria Song, do The Verge. Ela define a chegada do Ray-Ban Meta como “um ponto de virada”.

Cadê a integração do Tumblr com o ActivityPub/fediverso?

Quando o Twitter trocou de mãos e o Mastodon teve os seus 15 minutos de fama, no final de outubro de 2022, parecia que estávamos à beira de uma revolução digital baseada no ActivityPub, o protocolo aberto que faz o Mastodon e outras aplicações se comunicarem.

Muita gente se empolgou. Entre elas, Matt Mullenweg, CEO da Automattic. Em uma conversa no Twitter, Matt anunciou que o Tumblr, uma marca do grupo, ganharia compatibilidade com o ActivityPub.

Quase um ano depois, o assunto sumiu da agenda e parece ter sucumbido a dificuldades de projeto e falta de interesse.

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Importador do Obsidian liberta notas de aplicativos fechados

Um dos critérios que avalio antes de adotar um aplicativo é se consigo sair fácil dele. No caso de apps de anotações, se os textos são exportáveis ou — melhor ainda — ficam expostos no sistema de arquivos.

O Obsidian é um que trabalha com arquivos soltos, guardados em um diretório. Isso já seria bem legal por si só, pois apps assim são raros, mas existe um plugin que importa anotações de vários outros aplicativos.

O último que pintou no importador do Obsidian foi o Apple Notas. Além desse, ele também lida com Notion, Evernote, Google Keep, Microsoft OneNote e vários outros.

O plugin é de código aberto, o que explica a variedade de aplicativos compatíveis e a rapidez com que eles foram integrados — o plugin foi lançado há dois meses.

Mesmo quem não tem intenção de usar o Obsidian pode se beneficiar desse plugin. O resultado, como dito, são arquivos soltos no diretório apontado pelo usuário.

(Para quem estiver querendo sair do Apple Notes, o aplicativo Exporter também faz o serviço.)

Notícias para começar o dia

A velocidade mínima para o 4G, proposta pelo Ministério das Comunicações à Anatel via programa ConectaBR, é de 10 Mbps. Segundo a OpenSignal, 20% das conexões móveis no país não chegam a esse piso. Via G1Convergência Digital.

Gentes das exatas e quem mexe com Excel, regozijai-vos: chegou a opção para desativar a conversão automática de números em datas. Via Microsoft (em inglês) / No Órbita.

O Tinder lançou um recurso para que amigos ajudem alguém a encontrar um bom “match”. Via Tinder (em inglês).

Nintendo 64 em 4K, desfragmentação satisfatória e outros links legais

A startup Analogue está desenvolvendo um novo video game, com gráficos em 4K, compatível com jogos do Nintendo 64. Em 2024.

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Contra o tecno-otimismo

Nos anos 1990, Marc Andreessen criou o Netscape, primeiro navegador web comercial de sucesso, pivô da disputa que levou a Microsoft ao banco dos réus em um dos maiores julgamentos antitruste dos Estados Unidos.

Hoje, Andreessen é mais conhecido por ser sócio da Andreessen Horowitz, ou a16z, uma das firmas de capital de risco mais badaladas do Vale do Silício. Ele viu antes da maioria o potencial de crescimento de startups como Facebook, Skype, Airbnb e Stripe, e lucrou horrores com essas sacadas.

Andreessen também gosta de escrever. Bastante. Foi um dos que popularizam os detestáveis fios no Twitter (outra empresa em que investiu). Seus longos textos em tom de manifesto são populares no meio tecnológico, frutos da fama adquirida em uma tão rara quanto feliz previsão acertada feita em 2011, no artigo seminal “O software está devorando o mundo”. O que não significa que ele seja ou deva ser encarado como um oráculo.

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O pedágio do Twitter

A última grande ideia de Elon Musk é cobrar um valor simbólico dos usuários do Twitter.

Por enquanto, é um teste limitado a novas contas criadas nas Filipinas e Nova Zelândia. Objetivo alardeado? Conter robôs que publicam spam na plataforma.

O fim é nobre, mas a solução proposta é ruim — e não só por barrar também (muitas) pessoas legítimas. A barreira financeira só afasta pessoas mal intencionadas se for maior que o retorno esperado. No caso das campanhas de desinformação do Twitter, às vezes o retorno imediato nem é financeiro.

E, mesmo que a motivação dos spammers seja dinheiro, estamos falando de US$ 1 por ano, valor da assinatura em testes que transforma o básico — postar e interagir — em benefício de assinantes.

Matt Mullenweg, co-fundador e CEO da Automattic, empresa por trás do WordPress, criticou a iniciativa. Ele lembrou que domínios e hospedagem de sites custam bem mais que US$ 1/ano e, ainda assim, a web é dominada por sites de spam:

Cobrar [pelo acesso] pode causar uma queda de curto prazo nos robôs enquanto os criminosos atualizam seus scripts, mas o valor de manipular o X/Twitter é tão alto que imagino que já haja milhões de dólares sendo gastos nisso.

O executivo sabe do que fala: a Automattic mantém o Akismet, um dos filtros anti-spam mais usados e eficientes para comentários em sites e blogs.

Para Mullenweg, o sucesso duradouro no combate ao spam passa por ter um “olhar sutil sobre o comportamento e o conteúdo […] e ter uma operação de trust & safety muito sofisticada, com ótimos engenheiros”.

Musk demitiu +75% dos funcionários. Mandou embora ótimos engenheiros e desmantelou a equipe de trust & safety (algo como “confiança & segurança”) do Twitter.

Cobrar não vai resolver esse problema, mas talvez solucione outro mais urgente para Musk: obter acesso aos cartões de crédito da base de usuários do Twitter.

Transparência: O Manual do Usuário está hospedado nos servidores da Automattic.

Como destruir um pequeno negócio digital

Em março de 2022, tomei a liberdade de publicar uma notícia no Manual de uma empresa que não opera no Brasil e nem deve ter muitos usuários por aqui. Era o Bandcamp, uma pequena plataforma de venda direta de música digital, adorada por músicos e fãs.

Na ocasião, ela havia sido adquirida pela Epic Games, a poderosa dona da máquina de fazer dinheiro Fortnite, àquela altura em uma disputa ferrenha contra a Apple nos tribunais norte-americanos devido ao “pedágio” de 15–30% que esta cobra de itens digitais na App Store.

Na época, o discurso pós-aquisição foi o de sempre, de que o CEO do Bandcamp continuaria à frente da operação, que continuaria independente, nada muda.

Pensei alto: “Quando foi a última vez que esse arranjo deu certo? É, também não me recordo.”

A Epic se desfez do Bandcamp no final de setembro, em meio a uma onda de demissões. Essa foi rápida — a promessa durou menos de dois anos.

A nova dona do Bandcamp, Songtradr, especializada em licenciamento de músicas, deixou os 118 funcionários da aquisição no escuro, por duas semanas. Na segunda (16), confirmou a demissão da metade deles.

No e-mail aos que sobraram, o CEO da Songtradr, Paul Wiltshire, disse que as mudanças seriam necessárias devido à situação financeira do Bandcamp. O que é curioso, porque até 2021 o Bandcamp era lucrativo havia mais de uma década, crescendo lenta e consistentemente desde a sua fundação, em 2008.

Mudam os personagens e as circunstâncias, mas o desfecho é sempre igual. A ganância do grande capital segue fazendo vítimas, destruindo pequenos negócios saudáveis que de outra forma poderiam existir por muito tempo.