Uma década depois do último tablet que lançou no Brasil, o péssimo Xoom, a Motorola vai tentar outra vez. O novo modelo é o Moto Tab G70, com preço sugerido de R$ 2,4 mil (ou R$ 2,6 mil, com conexão móvel). Curiosa a escolha da marca (alusão ao Moto G). O espírito do tablet é de experimentação, tentando surfar a pandemia. “Não temos vergonha de não lançar mais nenhum modelo se esse não der certo, mas queremos experimentar esse mercado”, disse Thiago Masuchette, gerente de produtos da Motorola no Brasil. Via Estadão.

Demorei para experimentar o jogo sensação do momento, Wordle (ou sua versão em português do Brasil, Termo). É fascinante. Trata-se de uma nova abordagem ao velho jogo da forca. “Acho que as pessoas meio que gostam que exista essa coisa na internet que só é divertida”, disse Josh Wardle, criador do jogo, ao New York Times. Wardle criou o joguinho em seu tempo livre para divertir-se com sua esposa, Palak Shah.

Wordle e Termo me lembraram muito o manifesto da web lenta, ou slow web. O jogo não tem anúncios anúncios, criação de contas, notificações, nem mesmo tem app — você joga no navegador —, e só pode jogar uma vez por dia, porque só tem uma palavra/jogo disponível por dia. Até o compartilhamento dos resultados do jogo segue essa lógica, sem link ou qualquer chamada. Por mais coisas do tipo.

Enquanto o mundo contava os minutos para a virada de ano, o Telegram liberou a 12ª e última grande atualização de 2021, que trouxe como destaque elas: as reações. Em um ano cheio de novidades, as reações talvez tenham sido a mais legal.

O Telegram explica que as reações servem para “compartilhar sentimentos e feedback — sem a necessidade de escrever novas mensagens”. Desde que o recurso foi disponibilizado, passei a usá-lo todo dia e o ativei no canal do Manual e no grupo de apoiadores. As reações, de fato, cumprem bem essa função.

Aquelas mensagens curtas de concordância — “ok”, “blz”, “tá bom” — e de reações — “amei”, “que horrível” — podem ser substituídas pelos emojis. Já estava acostumado às reações no Signal, onde existem desde fevereiro de 2020, então não chegou a ser uma novidade, no sentido estrito do termo. Mas foi uma bem-vinda. Algumas estatísticas iniciais do Telegram evidenciam a popularidade das reações, a saber:

  • São 11 reações possíveis.
  • Em sete dias (30/12–5/1), +33 mil canais ganharam reações e +25 milhões de reações foram deixadas por leitores.
  • Canal com mais reações é o do blogueiro Nekoglai (@nekogla1). Algumas de suas postagens têm +60 mil reações.

Ao contrário do Signal, que permite escolher qualquer emoji como reação, no Telegram eles são limitados a 11, todos animados. Cabe aos administradores de canais e grupos ativarem o recurso e escolherem quais podem ser usados.

O joinha (?) tem um apelo extra por ser ativável com dois toques rápidos na mensagem, mas o usuário pode alterar a sua reação rápida nas configurações do app.

E o WhatsApp? Desde agosto o Facebook/Meta vem testando reações no WhatsApp. (A ironia é que o Facebook foi quem popularizou as reações ao lançá-las na rede social homônima, em 2016.) A julgar pelo sucesso que fazem no Telegram, deve ser questão de tempo até as reações estarem em todos os lugares. Via @DicasTelegram/Telegram.

Moxie Marlinspike não é mais CEO do Signal. No anúncio, Moxie explicou que após uma década à frente do aplicativo, acha que chegou a hora de passar o bastão a outra pessoa — e que a estrutura atual da Fundação Signal, com 30 pessoas trabalhando, agora lhe permite isso. Enquanto buscam por um substituto, Brian Acton, que co-fundou o WhatsApp, será o CEO interino. Os dois, Moxie e Brian, seguem no conselho administrativo da fundação. Via Signal (em inglês).

Lembra aquela máscara de proteção gamer da Razer, a Zephyr (anteriormente Project Hazel), anunciada na CES 2021? Ela foi lançada em agosto, por US$ 100, mas teve uma mudança importante no meio do caminho: seus filtros deixaram de ser referenciados pela empresa como “padrão N95/PFF2”. Agora, são apenas “filtros purificadores de ar”. Embora a Razer garanta que os filtros atingem o mesmo nível de proteção das PFF2, para receber a certificação toda a máscara precisa ser assim, o que não é o caso.

Em outra atualização, de dezembro, a Razer parou de se referir à Zephyr como um equipamento de proteção individual (EPI). Pelo Twitter, a empresa postou no último sábado (8) que “a Zephyr e a Zephyr Pro [com amplificadores de áudio] não são dispositivos médicos, respiradores, máscaras cirúrgicas ou equipamentos de proteção individual (EPI) e não são feitas para uso em ambientes clínicos ou hospitalares”.

É muito brilho (RGB) e pouca substância. Lamentável que uma empresa que não tem nada a ver com saúde e segurança individual tenha tentado surfar a onda da pandemia de maneira tão irresponsável. Via The Verge (em inglês).

O Ministério da Economia, por meio da Secretaria de Governo Digital (SGD), firmou um acordo de cooperação com a Associação Brasileira de Bancos (ABBC), que representa 109 bancos, para dar acesso a esses “em caráter de degustação experimental”, por 12 meses, à base de dados da identificação civil nacional para fins de validação biométrica e biográfica, “bem como a conexão da plataforma de autenticação gov.br e os bancos, permitindo assim a autenticação de cidadãos cadastrados nos bancos”.

Especialistas ouvidos pela Carta Capital criticaram a falta de clareza no texto do acordo. O receio é que o governo federal esteja concedendo acesso gratuito aos dados brutos dos cidadãos. Embora falte mesmo clareza, o objeto informa que a parceria visa ao “uso das APIs de Identidade Digital pelos Bancos”, descrição que lembra um bocado o DataValid, do Serpro, usado pela iniciativa privada com a mesma finalidade — e também alvo de críticas de alguns especialistas. Via Carta Capital.

O LinkedIn liberará, ainda este mês, um novo recurso para hospedar eventos interativos apenas em áudio — em outras palavras, seu clone do Clubhouse. A ideia da rede social profissional da Microsoft é oferecer uma plataforma para que criadores e empresas hospedem eventos ao vivo. Uma versão baseada em vídeo deve pintar ainda no primeiro semestre, bem como a opção de cobrar pelos eventos, esta ainda sem data para ser liberada.

Praticamente todas as outras redes comerciais de grande alcance já lançaram o recurso consolidado pelo Clubhouse, que por um breve período de duas semanas, no início de 2021, parecia a nova super rede social onde todo mundo estava. Tarde demais? Via TechCrunch (em inglês).

A Mozilla suspendeu o recebimento de doações em criptomoedas nesta quinta (6) após receber críticas de membros pioneiros da fundação. Em resposta a um tuíte de 31 de dezembro em que a Mozilla pedia doações a detentores de criptomoedas como bitcoin e dogecoin, Jamie “jwz” Zawinski, co-fundador da Mozilla, disse que “todos envolvidos no projeto deveriam estar super envergonhados dessa decisão de se juntarem a vigaristas de pirâmides que incendeiam o planeta”. Peter Lins, que desenvolveu o Gecko, motor de renderização do Firefox, disse em seguida que concordava 100% com Jamie e que “vocês [a Mozilla] deveriam ser melhores que isso”.

Em resposta, a Mozilla suspendeu o recebimento de doações em criptomoedas, opção que existia desde 2014, e afirmou que fará uma revisão de “se e como nossas atuais políticas de doações de criptomoedas se encaixam com nossos objetivos climáticos”. A retratação não abordou as acusações de Jamie e Peter de que criptomoedas seriam esquemas de pirâmide. Via Insider (em inglês).

O serviço de entregas de restaurantes do Uber Eats será desativado no Brasil em 8 de março. A saída da Uber deverá consolidar ainda mais o segmento nos dois líderes, iFood e Rappi. No Brasil, restará o serviço de entregas de mercado e outros estabelecimentos, feito pela Uber em parceria com a startup chilena Cornershop. Outra mudança no app do Uber Eats é que a partir desta quinta (6) a modalidade de pagamento com dinheiro em espécie deixa de ser oferecida. A Uber ressaltou que o serviço de caronas segue funcionando e que o volume de viagens já é maior que no período anterior à pandemia. Via CNN, LABS News.

Em 2022, o Google focará suas energias em integrar o Android a outros sistemas e dispositivos conectados, algo parecido com a integração vertical que a Apple oferece em seu ecossistema há anos. Além de avançar as integrações entre Android e Chrome/ChromeOS e outros sistemas próprios, pela primeira vez o Google estenderá isso a plataformas rivais. A empresa fechou parcerias com Intel, Acer e HP para expandir tais integrações ao Windows. É uma enxurrada de promessas. Veja todas, com GIFs animados exemplificativos, no link ao lado. Via Google (em inglês).

Dos arquivos: Mergulhado no ecossistema Apple: As vantagens de se usar iPhone e Mac juntos (mar/2016).

O projeto de lei (PL) que estabelece medidas protetivas aos entregadores durante a pandemia de covid-19 foi apresentado em 4 de abril de 2020 e só agora, 5 de janeiro de 2022, sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), ou seja, 1 ano e 8 meses de tramitação de uma lei sensível ao tempo. (O enrosco foi na Câmara, que só aprovou o PL em 1º de dezembro de 2021.) Na sanção, Bolsonaro vetou a distribuição de vale-refeição pelos aplicativos por meio dos programas de alimentação do trabalhador, segundo o governo porque isso acarretaria renúncia de receita sem estimativa do impacto no orçamento federal e de medidas compensatórias. Via G1.

O processo de atualização do Basecamp 4 continua. Na nova rodada, a tela inicial reformulada é o destaque. Há outras boas novidades, em especial o recurso de prazos/linha do tempo dos projetos (será liberado amanhã, 6/1) e criptografia de ponta a ponta. Via Basecamp, blog do Jorge Manrubia (ambos em inglês).

O TikTok está testando um botão de compartilhamento similar, mas diferente, ao do retuíte do Twitter. O botão tem o rótulo “Repost” e só aparece em vídeos vistos na aba “Para Você”. Quando um vídeo é repostado, ele não fica no perfil do usuário que o repostou; ele aparece na aba “Para Você” de contatos mútuos, ou seja, aqueles a quem o usuário segue e é seguido de volta. Essa dinâmica é uma tentativa do TikTok de evitar abusos, como esquemas de recomendação cruzada, muito comuns no Instagram.

O Repost ainda está em testes e é uma rara exceção no modelo de recomendação de conteúdo da plataforma, quase que totalmente baseado em algoritmos. Via TechCrunch (em inglês).

Defensores de criptomoedas, NFTs e Web3 têm na descentralização e na não necessidade de confiança talvez os melhores argumentos para justificar a existência dessas aberrações. Ambas têm problemas intrínsecos, mas, não bastasse isso, a prática tem demonstrado que tais características não são absolutas e, portanto, falaciosas.

Um estudo publicado em outubro de 2021 por pesquisadores da Universidade de Londres e de Copenhague analisou quatro anos de transações de NFTs. Descobriu uma forte centralização nas negociações: 10% dos compradores e vendedores de NFTs responderam pelo mesmo volume de transações feito pelos outros 90%. Outra descoberta curiosa deu-se nos preços: o valor médio de 3/4 das transações de NFTs foi de US$ 15, e apenas 1% delas ultrapassou US$ 1.594. Via Hyperallergic (em inglês).

Já a ausência de confiança, que seria garantira pelo código/blockchain, é relativa. Na sexta (31), a OpenSea, um dos maiores marketplaces de criptoativos, congelou as negociações de 16 NFTs de desenhos de macacos avaliados em US$ 2,2 milhões do colecionador Todd Kramer, depois que ele comunicou (e pediu ajuda à OpenSea) pelo Twitter uma invasão e o roubo dos seus NFTs.

Todd foi vítima de um ataque de “phishing”: ele recebeu um e-mail fraudulento e clicou em um link que deu acesso ao atacante à sua “hot wallet”, um tipo de carteira de criptoativos conectada constantemente à internet.

Do ponto de vista do código/da blockchain, a transferência dos 16 NFTs foi feita com sucesso e de maneira legítima, mas a interferência da OpenSea torna os NFTs (mais) inúteis, já que agora eles não podem ser revendidos. Via Cointelegraph (em inglês).

Do arquivo do Manual:

A CES, maior evento de negócios do setor de tecnologia do mundo, começa nesta quarta (5) em Las Vegas, EUA, no formato presencial. O avanço da variante ômicron do coronavírus fez cerca de 200 empresas desistirem do evento, incluindo algumas gigantes como Amazon, Google e Microsoft. A Consumer Technology Association (CTA), que organiza a CES, foi duramente criticada pela manutenção do formato presencial. Em sua defesa, afirma que impôs protocolos de segurança e que a feira é vital para pequenas empresas, que têm ali a chance de negociar com parceiros do mundo inteiro. Via Estadão.