O YouTube vai reduzir drasticamente o Originals, programa criado em 2016 para produzir séries originais exclusivas da plataforma. Em comunicado publicado no Twitter, o diretor de negócios Robert Kyncl explicou que honrará os contratos vigentes e manterá apenas os originais dos fundos para o YouTube Kids e Black Voices.

Ainda segundo o texto, o YouTube enxerga em outras iniciativas, como os fundos de fomento aos Shorts e às lives de e-commerce, oportunidades melhores para investir com mais impacto.

O Originals desembarcou no Brasil em 2019, com seis séries estreladas por criadores como Whindersson Nunes, Nathalia Arcuri, Porta dos Fundos, Desimpedidos e Manual do Mundo.

Em nota relacionada, Susanne Daniels, que criou e liderava o YouTube Originals até então, deixará a empresa em março. Via @rkyncl/YouTube (em inglês).

Na última sexta (14), a Justiça dos Estados Unidos tirou o sigilo de mais trechos do processo que procuradores norte-americanos, liderados pelo texano Ken Paxton, movem contra o Google por práticas anticompetitivas no mercado de publicidade digital.

Em outubro de 2021, trechos chocantes já haviam sido liberados pela Justiça. Não era tudo. Desta vez, soubemos que durante anos o Google enganou anunciantes e parceiros (ou publishers, sites que veiculam anúncios).

Três programas internos do Google manipulavam as negociações automatizadas. Em um deles, o Google cobrava um valor do anunciante, repassava menos que o de direito ao parceiro e guardava a diferença em um fundo que era usado em outras oportunidades para competir por espaços publicitários com outras empresas.

No mercado de publicidade, o Google participa em todas as etapas do processo de compra e venda de anúncios. A empresa promove os leilões ao mesmo tempo em que representa compradores e vendedores de anúncios nesses leilões. Um óbvio conflito de interesses que, enfim, está sendo questionado judicialmente.

Outra revelação bombástica dos novos trechos divulgados é que o programa Jedi Blue, um conluio entre Google e Facebook, as duas maiores empresas de publicidade dos Estados Unidos, teve o aval dos principais executivos de ambas — Sundar Pichai, CEO do Google; Sheryl Sandberg, COO do Facebook; e Mark Zuckerberg, CEO do Facebook. Via Wall Street Journal, Wired, Politico (todos em inglês).

A Microsoft informou nesta terça (18) que adquiriu a Activision Blizzard, uma das maiores empresas de games do mundo, dona de franquias populares como Call of Duty, Overwatch e Candy Crush, e de diversos estúdios de desenvolvimento de jogos em todo mundo que empregam 10 mil pessoas.

A Microsoft pagará US$ 68,7 bilhões, em dinheiro, um prêmio de ~37% sobre a cotação atual da Activision Blizzard (~US$ 50 bilhões). Na nova estrutura, o contestado CEO da empresa adquirida, Bobby Kotick, sob forte pressão por uma série de denúncias de assédio e abusos entre funcionários, seguirá no cargo.

A aquisição posiciona a Microsoft como a terceira maior empresa do setor de games, atrás apenas da Tencent e da Sony, e ainda precisa ser aprovada por órgãos antitruste. Via Microsoft (em inglês).

Nove perfis ativistas no Twitter, como o Sleeping Giants Brasil (@slpng_giants_pt) e o Tesoureiros do Jair (@tesoureiros), lançaram no domingo (16) a campanha #FakeNewsMata, que pretende angariar assinaturas de usuários insatisfeitos com o Twitter e enviar o abaixo-assinado a executivos da empresa na sede, nos Estados Unidos, e no Brasil.

À BBC Brasil, o Twitter afirmou que, em 2021, removeu 63.876 posts amparado pelas regras contra desinformação da covid-19, cerca de 7 por hora. Segundo estimativas de terceiros (a empresa não libera números oficiais), o Twitter veicula cerca de 20 milhões de posts por hora. Via BBC Brasil.

Uma funcionalidade do WhatsApp ainda em desenvolvimento, com o potencial de expandir o alcance de grupos na plataforma, foi apresentada a seis representantes de setores estratégicos no Brasil em 9 de dezembro e causou apreensão, relata O Globo. São as “comunidades”, flagradas pelo XDA-Developers e WABetaInfo no segundo semestre do ano passado, uma espécie de “grupo de grupos”. Pouco se sabe, por ora, do que as comunidades serão capazes, nem quando (ou se) serão lançadas. Via O Globo, XDA-Developers (em inglês), WABetaInfo (em inglês).

Nesta segunda (17), o Twitter expandiu para o Brasil, Filipinas e Espanha o teste de um mecanismo de denúncia de posts enganosos. Agora, ao clicar/tocar no link Denunciar Tweet, aparece a opção As informações são enganosas e, ao clicar nesta, uma lista de categorias — Política, Saúde e Outra coisa.

O teste de denúncias de posts enganosos começou em agosto do ano passado, limitado à Austrália, Coreia do Sul e Estados Unidos.

Nos últimos dias, à luz de posts mentirosos relacionados à vacinação de crianças contra a covid-19 promovidos por negacionistas populares no Twitter, iniciou-se uma campanha para que esse mecanismo de denúncia fosse disponibilizado para usuários brasileiros. Via @TwitterSafety/Twitter (em inglês).

A Apple permitirá que aplicativos de namoro (Tinder, Bumble, Happn etc.) na Holanda sejam oferecidos na App Store do iOS/iPadOS com sistemas de pagamentos de terceiros. A medida foi imposta pela Autoridade Holandesa para Consumidores e Mercados. Embora esteja adequando a App Store à decisão, a Apple recorreu da decisão e espera revertê-la.

A exceção é bem complicada. Quem quiser oferecer meios de pagamento alternativos em seus aplicativos de namoro terá que submeter um novo app à App Store, exclusivo para o mercado holandês, e, segundo a Apple, ainda assim ficará devendo uma taxa à empresa.

A Apple também está sendo obrigada a permitir meios de pagamento de terceiros na App Store da Coreia do Sul. Por lá, a regra deverá valer para todas as categorias de aplicativos e jogos. Não se sabe quando nem qual será o percentual da comissão da Apple, que ela pretende cobrar também no mercado sul-coreano. Via Apple, The Korea Herald (ambos em inglês).

Quem joga xadrez online conhece e provavelmente usa o Lichess, uma das maiores plataformas de jogos de xadrez do mundo. O Lichess foi lançado em 2010 pelo francês Thibault Duplessis, não tem fins lucrativos, é e sempre será gratuito e sem anúncios e não vende dados dos usuários. Atualmente hospeda ~5,2 milhões de partidas por dia, entre duas pessoas e contra o computador.

Dia desses, Thibault comentou que a operação do Lichess custa US$ 420 mil por ano e postou a tabela de custos detalhada. O valor, ridiculamente baixo, já inclui sua remuneração. Em 2021, seu salário mensal foi de US$ 4.705,88, nada de outro mundo, considerando o alcance e a popularidade do Lichess.

Todas as despesas do Lichess são cobertas por doações dos jogadores/usuários, que só recebem em troca uma figurinha em seus perfis.

Em uma seção de perguntas e respostas no Reddit, em abril de 2021, Thibault foi questionado sobre seu salário. Sua resposta:

Eu poderia ganhar mais vendendo minhas habilidades a quem pagasse melhor? Provavelmente.

Eu seria mais feliz? De jeito algum.

Da maneira como encaro, aquilo [salário] é bastante dinheiro para um trabalho que eu posso fazer no meu ritmo, do conforto da minha casa. E em vez de chefes ou clientes, trabalho para uma comunidade incrível.

Por mais coisas do tipo.

O Manual do Usuário também abre sua contabilidade todo trimestre aos apoiadores do projeto.

O escândalo do Facebook Papers não foi capaz de abalar a maioria das métricas importantes do Facebook/Meta, como geração de receita, lucro e tamanho da base de usuários. Mas teve uma métrica em específico que, ao que parece, sofreu: o moral dos funcionários. Na última edição da pesquisa de satisfação dos funcionários, realizada todo ano pela Glassdoor, o Facebook/Meta despencou para a 47ª posição. Foi a pior classificação da empresa em todas as edições da pesquisa.

A título de contexto, em 2020 o Facebook/Meta havia ficado em 11º lugar. E em três edições, foi eleito o melhor lugar para se trabalhar nos Estados Unidos. Via Bloomberg (em inglês).

A App Annie, consultoria especializada no mercado de aplicativos, divulgou um relatório que apontou o Brasil como o país que mais usa apps do mundo. Em 2021, passamos em média 5,4 horas por dia grudados na tela do celular. O número é 12,5% maior que a média global do período (4,8h) e representa um salto de 31,7% em relação à nossa média em 2019 (4,1h), salto que provavelmente se explica pela pandemia — dos 17 países que lideram o ranking, apenas em dois o tempo gasto em apps diminuiu de 2020 para 2021 (Argentina e China).

O levantamento da App Annie traz outros dados curiosos e números enormes para 2021 (dados globais):

  • Baixamos 230 bilhões de aplicativos;
  • Gastamos US$ 170 bilhões com eles;
  • Dispensamos 3,8 trilhões de horas somadas.

Há ainda dados e insights separados por categorias — e o Brasil se destaca em várias delas, como finanças e games. Via App Annie (em inglês).

A Comissão Federal de Comércio (FTC na sigla em inglês, espécie de Cade dos Estados Unidos) conseguiu convencer a Justiça norte-americana de que a acusação antitruste contra o Facebook, devido às aquisições do Instagram (2012) e WhatsApp (2014), tem fundamento e, assim, seguirá adiante.

É a segunda vez que a FTC tenta emplacar a acusação. Na primeira tentativa, no final de 2020, o juiz federal James Boasberg não se convenceu, mas deu à agência uma segunda chance. Desta vez, ele classificou a nova argumentação “muito mais robusta e mais bem detalhada”. O processo deverá se estender por um bom tempo. A FTC alega que o Facebook detém um monopólio em “redes sociais pessoais” e demanda que a empresa se desfaça do Instagram e do WhatsApp. Via O Globo, Platformer (em inglês).

O Twitter suspendeu a conta de Luciano Hang, empresário dono da Havan e negacionista da pandemia. No lugar do seu perfil aparece a mensagem de que ele foi suspensa por violar os termos de uso da rede social. Ao G1, porém, o Twitter informou que a suspensão se deu por ordem judicial. Em meados de 2021, outro perfil de Luciano no Twitter havia sido bloqueada, esta a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do inquérito das fake news.Em nota ao G1, a assessoria do empresário disse que a nova suspensão foi motivada pelo compartilhamento de um vídeo do neurocientista José Augusto Nasser falando sobre a vacinação de crianças. Via G1.

A Apple passou o rodo nas cópias do Wordle que infestaram a App Store do iOS nos últimos dias — nenhuma delas do criador original do simpático joguinho. Embora, juridicamente, cópias de jogos sejam difíceis de se proteger, as diretrizes da App Store proíbem cópias descaradas na loja. Uma delas em especial, a de Zach Shakked, causou revolta por ele ficar se gabando do crescimento meteórico do jogo e da sua conta bancária — o clone cobrava uma assinatura anual de US$ 30. Via Ars Technica, Bloomberg (ambos em inglês).

Wordle, o original, não é aplicativo, é jogado no navegador. Acesse-o aqui.

Não é a primeira vez que um jogo sensação é seguido por um exército de cópias, mas é raro a Apple interferir de maneira tão rápida e ampla em casos do tipo. O mais infame talvez tenha sido o de Threes, de 2014, que apesar do pioneirismo, acabou desbancado em popularidade por incontáveis clones do tipo 2048 — a única diferença, uso de múltiplos de dois em vez de três.

É só o primeiro passo, mas um importante. A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 2270/21, do deputado André Figueiredo (PDT-CE), que impede a inclusão do Serpro e do Dataprev no Programa Nacional de Desestatização (PND), ou seja, de serem privatizados. O PL tramita em caráter conclusivo, ou seja, com deliberações apenas nas comissões, sem passar pelo plenário da Câmara. Via Telesíntese, Agência Câmara de Notícias.

Cerca de 80 agências de checagem de fatos do mundo inteiro — incluindo duas brasileiras, Aos Fatos e Lupa — enviaram uma carta aberta a Susan Wojcicki, CEO do YouTube, cobrando medidas mais assertivas no combate à desinformação na plataforma de vídeos do Google. (Leia a carta na íntegra.) O pedido se desdobra em quatro demandas:

  1. Exercer a transparência sobre como a desinformação trafega na plataforma e divulgar publicamente suas políticas para abordá-la;
  2. Concentrar-se em fornecer contexto em vez de excluir vídeos. Isto pode ser feito estabelecendo uma colaboração significativa e estruturada com organizações de verificação de fatos e investindo no trabalho delas;
  3. Agir contra infratores reincidentes que produzem conteúdo constantemente sinalizado como desinformação e impedir que seus vídeos sejam recomendados ou promovidos pelos algoritmos da empresa;
  4. Ampliar esses esforços a idiomas diferentes do inglês, e fornecer dados específicos de cada país e idioma, bem como serviços de transcrição eficazes.

As agências rejeitam o modo de atuação vigente, que gira em torno da exclusão ou não de vídeos, e esperam reunir-se com Susan em algum momento para debater o problema. Via Aos Fatos, Folha de S.Paulo, Lupa.