Não foram uma nem duas vezes que ouvi/li alguém se referindo a uma newsletter como “um Substack”. Em seu blog, Anil Dash pede para que não façamos isso:

O e-mail existe há anos, mas a razão pela qual o Substack quer que você chame seu trabalho criativo pelo nome da marca é porque eles controlam seu público e distribuição, e também querem possuir seu conteúdo e sua voz. / anildash.com (em inglês)

Além do “branding” em cima das newsletters, tenho a impressão de que a centralização que o Substack — com o processo de inscrição que se resume a um clique e o gerenciamento de todas elas na mesma tela — fomenta uma sensação de que sistemas alternativos são arcaicos, estranhos ou até perigosos.

“Por que este site quer que eu coloque meu e-mail aqui?”

A cartilha do Substack é a mesma do Spotify com os podcasts, do Medium e do Twitter para os blogs. Não à toa defini o Substack como “a maior ameaça às newsletters que já existiu” em abril de 2023.

Pode parecer que sim, mas eu não gosto de ser profeta do apocalipse, menos ainda de intimidar quem usa o Substack para disparar newsletters por qualquer motivo que seja. É gratuito e funciona! É, também, um campo minado, e se pudesse pedir alguma coisa, pediria cuidado para não cair na armadilha e se prender dentro de uma plataforma que, ao que tudo indica, cedo ou tarde se fechará para a “portabilidade” que é característica das newsletters.

IMG_0001

Câmeras digitais, incluindo as de celulares, nomeiam os arquivos das imagens seguindo um padrão simples, do tipo IMG_XXXX, onde XXXX é um número sequencial.

Entre 2009 e 2012, o iOS tinha um sistema nativo de envio de vídeos ao YouTube. Isso resultou em uma infinidade de vídeos sem edição de momentos mundanos salvos no serviço do Google. (É provável que muita gente nem tenha se dado conta dos envios.) / ben-mini.github.io (em inglês)

Inspirado no post acima, Riley Walz criou um robô que encontrou +5 milhões de vídeos do tipo e um site simples que permite vê-los aleatoriamente. Clique/toque no controle remoto para começar a sessão. / walzr.com

A ideia não é nova, mas sempre interessante de se revisitar. O projeto ao lado é de 2012 e ainda funciona. / astronaut.io (sem https mesmo)

O padrão do nome dos arquivos muda de câmera para câmera. No link ao lado tem uma lista de algumas marcas mais populares — no caso das fotos, o Flickr é um bom lugar para buscá-las por esses nomes de arquivos. / news.ycombinator.com

O resultado das eleições estadunidenses criou um pequeno êxodo do X. O maior beneficiado tem sido o Bluesky, que bateu 20 milhões de usuários cadastrados na terça (19). / @samuel.bsky.team/Bluesky

O crescimento do fediverso sofre com as dores inerentes à descentralização. Ainda assim, serviços como o Mastodon também se beneficiaram da radicalização do dono do X. Segundo Eugen Rochko, criador do Mastodon, os downloads do app oficial aumentaram 47% no iOS e 17% no Android, as inscrições subiram 27% em comparação ao mês anterior (embora isso signifique ~90 mil novas contas) e o total de usuários ativos (MAU) nos vários servidores de Mastodon bateu 894 mil. / @Gargron@mastodon.social (em inglês)

Não parece pouco. É pouco. E… tudo bem? Nas palavras de Eugen:

O Mastodon (e o fediverso) provou ser uma plataforma de comunicação eficaz e confiável ao longo dos últimos 8 anos, e sem depender do capital de risco para sobreviver. O #fediverso é o futuro.

Sintoniza, o novo serviço do PC do Manual para sincronizar inscrições em podcasts

Se o seu aplicativo de podcasts não sincroniza as inscrições com outros dispositivos, o Sintoniza, novo serviço do PC do Manual, é para você.

O problema que o Sintoniza resolve pode parecer estranho a quem usa os apps mais populares — Apple Podcasts, Spotify, Pocket Casts —, que têm um sistema de sincronia embutido.

Não são todos, porém. AntennaPod e Kasts, por exemplo, carecem da sincronia, o que significa que as suas inscrições ficam restritas a um dispositivo e não podem ser restauradas da nuvem quando são reinstalados ou a pessoa troca de celular.

Desenvolvido pelo Renan Altendorf, o Sintoniza supre tal lacuna desses apps alternativos. A animação na página inicial mostra como configurá-lo usando o AntennaPod de exemplo.

O Sintoniza é aberto a todos, independentemente de assinatura no Manual. Inscreva-se aqui.

O código-fonte está em nossa página no GitHub.

Para os curiosos, Renan criou uma página pública de estatísticas agregadas, com o total de pessoas usando o serviço, de dispositivos sincronizados e uma lista dos podcasts mais populares. O líder não chega a ser surpresa :)

Inteligência artificial generativa chegou no limite

O rápido avanço da inteligência artificial generativa nos últimos dois anos convenceu investidores de que o crescimento da tecnologia seria exponencial. / pt.wikipedia.org

Nada garante isso. Pelo contrário: Bloomberg e Reuters reportaram que, dentro das empresas mais quentes do setor (OpenAI, Google, Anthropic), novos modelos maiores e mais caros de treinar apresentaram melhorias tímidas em relação aos que já estão no mercado — em alguns casos, pioraram. / ndtv.com, reuters.com (ambos em inglês)

Em vez de crescimento exponencial (o “taco de hóquei”), a IA generativa parece ter chegado a um platô e vislumbra uma nova era de crescimento logarítmico — ou, em termos corporativos, já chegou no topo da “curva em S”. / pt.wikipedia.org

(Fiquei um bom tempo pesquisando essas metáforas e termos da biologia e da matemática. Se escrevi alguma bobagem, corrija-me, por favor.)

Dario Amodei, fundador e CEO da Anthropic, disse em um podcast que a IA generativa seguirá crescendo linearmente, o que é uma espécie de meio termo entre o exponencial e o logarítmico. / lexfridman.com

Por óbvio, Dario disse também que a “inteligência artificial geral” (AGI, na sigla em inglês), que excederia a capacidade cognitiva humana, chegará em 2026 ou 2027, baseado “na taxa em que essas habilidades estão crescendo”.

A AGI é a utopia que empresas vendem ao mercado para seguir captando a quantidade absurda de dinheiro necessária para rodar modelos de IA generativa. Se realizada, seria uma espécie de deus capaz de nos levar a uma escala de trabalho 0×7 ou de subjugar a humanidade — ninguém arrisca dizer qual dos dois destinos nos aguarda.

(Na realidade, porém, tudo o que temos até o momento são geradores de lero-lero, resumos errados e imagens cafonas, ou seja, nenhum indicativo de que estejamos perto do surgimento de uma AGI.)

Por isso não é estranho que Sam Altman, da OpenAI, esteja se manifestando como se fosse um profeta. A OpenAI não comentou a reportagem da Bloomberg, mas Sam o fez em seu perfil no X, dizendo apenas que “não existe barreira”. Como em toda religião, é preciso ter fé. / x.com/sama (em inglês)

A Casio vai lançar um relógio de dedo — ou anel-relógio — funcional

Para celebrar os 50 anos do seu negócio de relógios, a Casio vai lançar um relógio de dedo — ou anel-relógio — funcional. (Juro que, a princípio, achei que se tratasse de uma piada.) O acessório, batizado Casio Ring Watch CRW-001, lembra relógios clássicos da marca, com mostrador digital e funções tais como cronômetro, fuso-horário alternativo e luz de fundo. Segundo o MacMagazine, a edição limitada sai em dezembro no Japão pelo preço sugerido de ¥ 19,8 mil (~R$ 750). / casio.com (em japonês), youtube.com/@CasioJapanOfficial

Apps novos e atualizados

Debian 12.8: As atualizações “ponto” do Debian são do jeito que eu gosto: apenas “correções para problemas de segurança, além de pequenos ajustes para problemas mais sérios”. / Linux / debian.org

Final Cut Pro 11: O editor de vídeo profissional da Apple ganhou novos poderes baseados em IA e a edição de “vídeos espaciais” (aqueles para serem vistos no Vision Pro, caso já tenha esquecido). Outros dois apps profissionais, Logic Pro e Final Cut Camera, também têm novidades. / iOS, iPadOS, macOS / apple.com (em inglês)

Google Gemini: O novo assistente de IA do Google agora tem um aplicativo exclusivo no iOS. (Já existia no Android.) / iOS / apps.apple.com

IronCalc: Um rival (e de código aberto!) para o Google Planilhas? No mínimo, vale uma olhada. Dica da Clarissa. / Web / ironcalc.com

Signal: As ligações e videochamadas do Signal ganharam links e podem ser organizadas independentemente de grupos no app. / Android, iOS, Linux, macOS, Windows / signal.org

VMware Fusion/Workstation: A Broadcom tornou essas duas versões do VMware totalmente gratuitas. / Linux, macOS, Windows / blogs.vmware.com (em inglês)

Half-Life 2 ganhou um tratamento de primeira da Valve em celebração dos 20 anos de seu lançamento, incluindo correções de falhas, melhorias gráficas, comentários dos desenvolvedores e até um documentário. / store.steampowered.com

O jogo, que custa ~R$ 32, está sendo distribuído de graça até terça (18). Difícil encontrar alguém que se interessa pelo tema que não o tenha ainda; se for o seu caso, aproveite. / store.steampowered.com

É o mesmo tratamento que a Valve deu ao Half-Life original, em 2023, na ocasião dos seus 25 anos. / half-life.com

Só é uma pena que o título não foi recompilado para sistemas de 64 bits, o que o torna incompatível com versões modernas do macOS.

Sill é um “Nuzzel do Bluesky e/ou Mastodon”

Em outra vida, existiu um serviço chamado Nuzzel que fazia uma varredura dos links compartilhados por quem você seguia no Twitter e entregava um e-mail bonitinho, todo dia, com os mais populares.

Em 2021, o então Twitter comprou e encerrou o Nuzzel. / daringfireball.net (em inglês)

O Sill, criado por Tyler Fisher, ressuscita a proposta do Nuzzel, só que usando o Bluesky e o Mastodon como motores. (Dá para combinar duas contas nos dois serviços.) Por enquanto, é gratuito. / sill.social (em inglês)

Incompreensível que o Bluesky, que se apresenta como plataforma descentralizada, tenha sofrido com instabilidades e indisponibilidade nesta quinta (14) diante do dia de maior tráfego da sua história, graças a uma nova leva de refugiados do X. / theverge.com, @dholms.xyz/Bluesky (ambos em inglês)

Se fosse no Mastodon/ActivityPub, isso não teria acontecido.

O jornal britânico The Guardian e o espanhol La Vanguardia anunciaram, nesta semana, que deixarão de interagir no X, a rede social do bilionário, troll e futuro secretário de “eficiência governamental” (rs) dos EUA, Elon Musk. theguardian.com (em inglês), lavanguardia.com (em espanhol)

Os motivos, você deve imaginar, giram em torno dos níveis elevados de teorias da conspiração, desinformação e conteúdo perturbador na plataforma, parte do chorume disseminada pelo próprio Musk.

Este Manual abandonou o então Twitter em dezembro de 2022.

Passo por uma fase menos ~ativista, priorizando a sanidade mental no lugar de comprar qualquer briga. Sinal mais forte disso foi a mudança recente do grupo de assinantes do Manual do Signal para o WhatsApp, plataforma de outro sociopata do Vale do Silício.

(Relato do front: o pessoal está curtindo o Zap. O lance de comunidades é confuso, mas funciona. As conversas estão frenéticas.)

O que me leva à reflexão do permanecer fora do X. Para além do meu desprezo por Musk, não é como se estivesse perdendo alguma coisa ao ignorar o X. Deixar aquela plataforma, hoje, é uma decisão muito mais pragmática que ideológica.

Quando a plataforma voltou ao ar no Brasil, após um mês suspensa por determinação do STF, loguei no meu perfil pessoal para… sentir o clima. Pareceu-me terra arrasada: virais apelativos, anúncios de golpes dos mais variados tipos a cada dois posts, maluquices para todos os gostos.

Ignorar é a melhor arma de que dispomos na guerra por atenção. Dito isso, vale o registro de que até mesmo jornalistas, os últimos crackudos de Twitter, estão abandonando o barco. Já não era sem tempo.

E fica a pergunta: qual será o primeiro grande jornal brasileiro que fará tal movimento?

O egoísmo na inteligência artificial

Neste comercial da Apple Intelligence1, a inteligência artificial generativa da Apple, vemos um pai recebendo presentes mambembes das duas filhas, e a mãe, na cozinha, alarmada por ter esquecido do aniversário e/ou do presente do marido.

A mãe pega o seu iPhone com Apple Intelligence e pede à IA para gerar um vídeo de memórias do pai com as filhas. Por fim, deixa celular com os três no sofá, hipnotizados e/ou emocionados com a obra artificial, enquanto ela caminha triunfante de volta ao que quer que estivesse fazendo, nos encarando como se fôssemos cúmplices da trapaça.

A Apple — que não é de hoje vem perdendo a mão com comerciais — apresenta a IA como um passe-livre de toda e qualquer demanda externa, incluindo as afetivas. Uma tecnologia tão poderosa que é capaz de distrair pessoas queridas com um conteúdo pasteurizado que você nem se dá ao trabalho de revisar.

Não é à toa que a IA generativa fascina tanto executivos e funcionários de grandes empresas, público que lida com toneladas de textos ruins, do tipo que ninguém lê porque quer — isso, quando lê.

O chamariz da Apple Intelligence extrapola essa dinâmica amalucada para os afetos mais profundos — no caso, o seio de uma família. Os presentes toscos das filhas, mas feitos de coração, passam a ser apenas toscos. A intenção não importa. O cliente ideal da Apple não tem coração.

(mais…)

Já pensou em fazer download das suas ideias e transformá-las em textos poderosos?

por Jacqueline Lafloufa

Olás, olás!

Se essa saudação soa familiar, talvez você se lembre de mim. Sou a Jacqueline Lafloufa, do podcast Guia Prático, apresentado junto do Ghedin.

Voltei aqui — agora como anunciante! — para contar sobre a nova função que assumi desde então: me tornei ghostwriter, uma profissional da escrita especializada em ajudar pessoas e empresas a transformarem suas ideias em textos impactantes.

Já se perguntou como alguns especialistas conseguem fazer colunas e artigos de opinião tão bem escritos e convincentes? Pois bem, muitas vezes eles têm a ajuda de ghostwriters como eu.

Meu trabalho é captar suas ideias e conhecimentos e transformá-los em textos fluidos e de leitura fácil. Seja para artigos, colunas, relatórios, ebooks ou livros, organizo as ideias e transformo tudo em conteúdo que prende a atenção do leitor.

E o melhor: o texto continua com a cara e a voz da pessoa autora. Afinal, minha função é valorizar a expertise dos clientes, potencializando suas ideias e lapidando a forma como se expressam.

“Então você está fazendo colunas, relatórios e livros, é isso?”

Sim, mas não só! Costumo dizer que se tem letrinhas, eu posso ajudar a desenvolver. Vale para muita coisa:

  • Colunas e artigos que consolidam a visão de especialistas;
  • Roteiros para moderação de painéis, para conversas bacana diante de audiências qualificadas;
  • Narrativas de apresentações, ajudando a criar os famosos PPTs;
  • Relatórios que transformam dados e estudos em informações acessíveis e impactantes;
  • Livros que apresentam métodos ou histórias relevantes de forma agradável.

Se você ou alguém que conhece quiser experimentar, que tal a gente conversar? Agende um horário ou mande uma mensagem por WhatsApp ou email.
Vamos juntos pensar em como fazer você brilhar com seus textos!

Até a próxima!

Comentário do Filipe Saraiva ao meu pensamento alto sobre o modelo de desenvolvimento do KDE Plasma:

Respondendo ao teu post utilizando meu chapéu de dev/ex-dev do KDE.

Acho que a diferença do KDE Plasma para outros projetos e essa sensação de “reforma eterna” é porque:

  1. O KDE é transparente mesmo;
  2. O KDE escuta e atende a sua base de usuários; e
  3. O Nate é um cara que quer mostrar o tanto de serviço que é feito e dar crédito pra todo mundo.

Quando fazemos um software, no geral ele atende a uma demanda nossa bem básica. Após a disponibilização vão chegando relatos de bugs, inconsistências, pedidos de novas funcionalidades… essa dinâmica no mundo do software livre é frenética em projetos com muitos usuários e desenvolvedores, portanto as vezes aquela coisinha minúscula que ninguém dá atenção alguém foi lá e corrigiu/modificou/adicionou, e isso gera conteúdo.

Outro ponto da “reforma eterna” é que o Plasma 6 é recente (fev/2024), então ele ainda está em uma fase de muitas mudanças, com muitos ports de coisas do KDE 5/Qt 5 para o Qt 6. Soma-se a isso o atual estado do desktop Linux que está desenvolvendo e implementando toda uma pilha nova de protocolos de vídeo (wayland), áudio (Pipewire), integração com o kernel (systemd) e outros, então sempre tem muito o que mover.

Resumindo, essa sensação é apenas o acompanhamento de um projeto grande, sadio, e que está em contínuo desenvolvimento. É a dinâmica de uma comunidade Linux funcionando em pleno vapor e carga máxima! :)