O dia que a EFF elogiou uma ação do Google

por Cesar Cardoso

Não é zueira, não, é sério: 14 de janeiro de 2022, o dia que a Electronic Frontier Foundation (EFF) elogiou uma ação do Google. Motivo? O Android 12 permite desligar completamente o acesso a redes 2G.

A EFF tem feito campanha pelo desligamento das veneráveis redes GSM porque é um padrão de 1991, e em 1991 ninguém estava preocupado com coisas como torres falsas pra roubar informações dos usuários ou atacantes colocando sniffers na rede pra capturar informação de incautos (ou, sei lá, alvos).

Além disso, como notou o Xataka, ao desligar o suporte a 2G, ganha-se um pouco de bateria, já que o telefone não tentará se conectar a estas redes — e, dependendo do país, você poupa o telefone de procurar por redes que não existem.

O problema, como se sabe, é que nada que não dependa do Play Services é fácil no mundo Android. Se você tem um Pixel, tudo bem, mas se tem de outro OEM depende do OEM achar uma boa ideia colocar o botão de desligamento e, claro, em países onde as operadoras ainda vendem telefones bloqueados, a operadora tem que querer colocar o botão.

Bom, eu acho que… er… já não tem lá os padrões LTE pra M2M e IoT? Então, vamos usá-los e dar um enterro digno ao GSM clássico.


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Nesta quinta (20), o Twitter liberou suporte a NFTs como imagens de exibição aos assinantes pagantes do Twitter Blue – o produto digital da rede social que dá mais recursos aos assinantes. Por ora, só no iOS. Horas depois, o Financial Times reportou que o Facebook estuda abraçar NFTs também.

Neymar, o jogador de futebol, foi um dos primeiros a adotar um NFT como imagem de exibição no Twitter. Escolheu um dos dois desenhos de macacos, recém-comprados por quase R$ 6 milhões.

Não por coincidência, também na quinta o Financial Times publicou um rumor de que o Facebook/Meta está trabalhando para suportar NFTs nas suas duas redes, Facebook e Instagram. Fontes do jornal disseram que estão nos planos suporte a imagens de exibição, como ocorre no Twitter, e talvez a criação de um marketplace para a compra e venda de NFTs.

Não sabe o que é NFT? Esta imagem resume, este textão explica em profundidade.

Via @TwitterBlue/Twitter, Financial Times (ambos em inglês).

Melodrama de Kwai: app rival do TikTok espalha vídeos caseiros com reviravoltas e lições de moral

Melodrama de Kwai: app rival do TikTok espalha vídeos caseiros com reviravoltas e lições de moral, por Rodrigo Ortega no G1.

Produções amadoras como essa, com dois minutos em que cabem reviravoltas, atuações carregadas e sempre uma lição de moral, fazem sucesso no app de vídeos curtos Kwai. A empresa ficou gigante na China com estes conteúdos populares e exagerados, e replica a estratégia no Brasil.

[…]

À primeira vista, a chave parece ser o gosto latino pelo melodrama. Mas a estratégia é chinesa. O Kwai cresceu em cidades menores e rurais da China. Nas metrópoles ele é considerado pouco refinado. Em vez de celebridades, mirou pessoas comuns. Hoje a empresa vale US$ 220 bilhões.

Eles vão pelo mundo atrás de criadores menos visados, passam o modelo de vídeos chineses, dão apoio, pagam por resultado de audiência e buscam um retorno massivo. A mecânica do app é bem parecida à do rival chinês TikTok, mas o público é diferente.

O Kwai já tem 45,4 milhões de usuários no Brasil. Esta página reúne os vídeos do Telekwai, o projeto citado acima de tropicalização dos vídeos melosos chineses para o mercado brasileiro. São surreais.

Depois de YouTube, Twitter e Facebook, agora é a vez do Instagram oferecer assinaturas mensais pagas diretamente a criadores. O recurso estreou nesta quarta-feira (19) nos Estados Unidos, ainda em caráter de teste. Caso seja bem sucedido, o Facebook/Meta disse que o recurso será estendido a outros países.

Assinantes de perfis terão direito a lives e stories exclusivos e poderão ostentar um distintivo (badge) identificando-os como tais. O Facebook/Meta se comprometeu em não cobrar qualquer taxa dos criadores que aderirem ao programa até pelo menos 2023. Via Instagram (em inglês)

1Password recebe investimento de US$ 620 milhões para focar em clientes corporativos

O 1Password anunciou nesta quarta (19) uma rodada de investimento série C de US$ 620 milhões, avaliando a empresa em US$ 6,8 bilhões. Parte da base de usuários, porém, está preocupada com o novo direcionamento da empresa, que até pouco tempo atrás nunca havia recebido investimento externo e, mesmo assim, sempre fora lucrativa. Via 1Password (em inglês).

Com os novos investimentos, o 1Password parece estar mudando o foco para clientes corporativos com o objetivo de tornar-se um unicórnio e/ou abrir capital em algum momento futuro. (Esta página do “futuro” do 1Password dá uma boa ideia.)

Duas decisões controversas nos últimos meses abalaram a reputação até então imaculada do 1Password, ao menos entre clientes individuais:

  1. Trocar a base do aplicativo para macOS, plataforma onde o 1Password surgiu, de código nativo para Electron — a mesma usada nas versões para Linux e Windows.
  2. Ocultar e desincentivar a compra única e o uso de cofres no formato de arquivos acessíveis localmente em favor do modelo de assinatura baseado em nuvem.

Note que o 1Password sempre foi um negócio lucrativo, mas a julgar pelo comunicado assinado pelo CEO Jeff Shiner, isso não é mais suficiente:

É verdade que parece peculiar para uma empresa consistentemente lucrativa aceitar financiamento externo. Mas, assim como da última vez [US$ 100 milhões em julho de 2021], estas parcerias nos permitem desenvolver e dimensionar soluções de segurança centradas no ser humano para todos.

O caminho que o 1Password pretende seguir lembra o do Dropbox, que nasceu como um aplicativo simples, rápido e eficiente para pessoas comuns sincronizarem arquivos entre múltiplos dispositivos, e hoje oferece uma série de serviços, com um aplicativo pesado e invasivo (também feito em Electron), com foco em clientes corporativos.

Os insatisfeitos com o novo rumo do 1Password têm migrado para soluções de código aberto — Bitwarden e KeePassXC.

Post livre #301

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

Até 2012, o Google oferecia uma versão gratuita da G Suite, antigo nome do Google Workspace — os aplicativos da empresa usados com domínio próprio. Mesmo sem serem oferecidas desde então, as antigas contas legadas continuaram gratuitas. Não mais. O Google começou a avisar esses usuários de que a partir de 1º de julho eles terão que pagar para continuarem usando os serviços. No Brasil, o plano básico do Workspace custa R$ 24,30 por mês. Via Google, 9to5Mac (em inglês).

Não está fora de cogitação, segundo o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, bloquear o Telegram no Brasil. O aplicativo ignorou pedidos da corte para firmarem uma parceria a fim de evitar o espalhamento de desinformação nas eleições deste ano. Segundo o Valor, Barroso tem conversado com os ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes, próximos a comandarem o TSE, para decidirem o que fazer com o Telegram. No início do mês, ele disse ao mesmo jornal que o Congresso deveria banir o app no Brasil caso continue sem representação oficial no país. Via Valor.

A partir desta quarta (19), anunciantes do Facebook e do Instagram não poderão mais direcionar anúncios com base em categorias “relacionadas a tópicos que as pessoas possam considerar sensíveis”, como saúde, raça ou etnia, filiação política, religião ou orientação sexual. Campanhas que já estão rodando poderão continuar no ar até 27 de março. O Facebook/Meta também removeu categorias pouco usadas, redundantes ou muito granulares, sem especificar quais. Via Search Engine Land (em inglês), Meta para Negócios.

O YouTube vai reduzir drasticamente o Originals, programa criado em 2016 para produzir séries originais exclusivas da plataforma. Em comunicado publicado no Twitter, o diretor de negócios Robert Kyncl explicou que honrará os contratos vigentes e manterá apenas os originais dos fundos para o YouTube Kids e Black Voices.

Ainda segundo o texto, o YouTube enxerga em outras iniciativas, como os fundos de fomento aos Shorts e às lives de e-commerce, oportunidades melhores para investir com mais impacto.

O Originals desembarcou no Brasil em 2019, com seis séries estreladas por criadores como Whindersson Nunes, Nathalia Arcuri, Porta dos Fundos, Desimpedidos e Manual do Mundo.

Em nota relacionada, Susanne Daniels, que criou e liderava o YouTube Originals até então, deixará a empresa em março. Via @rkyncl/YouTube (em inglês).

Na última sexta (14), a Justiça dos Estados Unidos tirou o sigilo de mais trechos do processo que procuradores norte-americanos, liderados pelo texano Ken Paxton, movem contra o Google por práticas anticompetitivas no mercado de publicidade digital.

Em outubro de 2021, trechos chocantes já haviam sido liberados pela Justiça. Não era tudo. Desta vez, soubemos que durante anos o Google enganou anunciantes e parceiros (ou publishers, sites que veiculam anúncios).

Três programas internos do Google manipulavam as negociações automatizadas. Em um deles, o Google cobrava um valor do anunciante, repassava menos que o de direito ao parceiro e guardava a diferença em um fundo que era usado em outras oportunidades para competir por espaços publicitários com outras empresas.

No mercado de publicidade, o Google participa em todas as etapas do processo de compra e venda de anúncios. A empresa promove os leilões ao mesmo tempo em que representa compradores e vendedores de anúncios nesses leilões. Um óbvio conflito de interesses que, enfim, está sendo questionado judicialmente.

Outra revelação bombástica dos novos trechos divulgados é que o programa Jedi Blue, um conluio entre Google e Facebook, as duas maiores empresas de publicidade dos Estados Unidos, teve o aval dos principais executivos de ambas — Sundar Pichai, CEO do Google; Sheryl Sandberg, COO do Facebook; e Mark Zuckerberg, CEO do Facebook. Via Wall Street Journal, Wired, Politico (todos em inglês).

O escritório em casa da designer de UI/UX Camila

Nesta seção, leitores do Manual gentilmente abrem um pedacinho da sua intimidade para nos mostrar seus escritórios domésticos, onde trabalham, estudam e/ou se divertem, e explicam os produtos e fluxos de trabalho que usam. Veja outros escritórios e, se puder, envie o seu também. O texto abaixo é de autoria da Camila.

(mais…)

A Microsoft informou nesta terça (18) que adquiriu a Activision Blizzard, uma das maiores empresas de games do mundo, dona de franquias populares como Call of Duty, Overwatch e Candy Crush, e de diversos estúdios de desenvolvimento de jogos em todo mundo que empregam 10 mil pessoas.

A Microsoft pagará US$ 68,7 bilhões, em dinheiro, um prêmio de ~37% sobre a cotação atual da Activision Blizzard (~US$ 50 bilhões). Na nova estrutura, o contestado CEO da empresa adquirida, Bobby Kotick, sob forte pressão por uma série de denúncias de assédio e abusos entre funcionários, seguirá no cargo.

A aquisição posiciona a Microsoft como a terceira maior empresa do setor de games, atrás apenas da Tencent e da Sony, e ainda precisa ser aprovada por órgãos antitruste. Via Microsoft (em inglês).

O plano da China para desenvolver sua economia digital

por Shūmiàn 书面

O Conselho de Estado chinês lançou na quinta passada (13) uma circular sobre o lançamento do plano de promoção de desenvolvimento da economia digital. O foco é em oito áreas (incluindo melhorar a digitalização de serviços públicos e o uso efetivo de dados) e mira em 2025, quando o setor deverá compor 10% do PIB. O plano está no escopo de atuação do 14º Plano Quinquenal (que saiu em março, como contamos aqui). Mas o governo municipal de Pequim parecia estar por dentro e queimou a largada, pois em agosto de 2021, durante uma conferência mundial sobre economia digital que ocorria na cidade, já lançou uma série de planos para crescer no setor.

Enquanto estávamos em recesso, saiu o plano nacional de informatização. Também parte dos esforços do 14º Plano Quinquenal, ele deve guiar as políticas digitais do país nos próximos cinco anos. Por enquanto, o documento está disponível apenas em mandarim, mas dá para ver pelo release que é de valor estratégico, com frases afirmando que o avanço digital é essencial para um desenvolvimento de qualidade.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.