Prepare-se para perder (ainda) mais tempo no TikTok. A rede social de vídeos curtos liberou o envio de vídeos de até 10 minutos. É o segundo incremento no limite de tempo da plataforma — em julho de 2021 o teto subiu de 60 segundos para 3 minutos.

Em nota não relacionada, a Meta anunciou que encerrará agora em março o aplicativo próprio do IGTV, a investida do Instagram em vídeos longos que nunca colou. O alvo, em ambos os casos, é o YouTube. Será que o TikTok terá melhor sorte que o IGTV? Via @stokel/Twitter e Android Central (ambos em inglês), Instagram para Creators.

O que as redes sociais já fizeram para conter a desinformação russa

As sanções do Ocidente contra a Rússia em resposta à invasão injustificada da Ucrânia alcançaram também as grandes empresas de tecnologia norte-americanas.

Na terça-feira (1º), a Apple anunciou uma série de medidas, da suspensão de vendas de produtos no país à remoção de aplicativos de empresas de mídia estatais russas (RT e Sputinik) fora do país. Via MacRumors.

Antes disso, redes sociais já tinham se movimentado:

  • No domingo (27), a Meta derrubou uma “rede de comportamento coordenado inautêntico”, com ramificações na Rússia e na própria Ucrânia, que estava espalhando desinformação entre ucranianos. Via Meta (em inglês).
  • Em outra frente, a Meta restringiu o acesso a empresas de mídia estatais russas na União Europeia e limitou o alcance de links para seus sites no Facebook e no Instagram.
  • Na terça (1º), a empresa ampliou as restrições ao resto do mundo e, embora páginas e links das empresas de mídia estejam acessíveis, seus conteúdos e links tiveram o alcance reduzido, ficaram mais difíceis de serem achados e, quando encontrados, recebem etiquetas de alerta. Via Meta (em inglês).
  • O Twitter anunciou um pacote de medidas na sexta (25). Entre as mais incisivas, está a suspensão de anúncios na Rússia e Ucrânia e de posts recomendados na timeline de pessoas que o usuário não segue “para reduzir o alcance de conteúdo abusivo”. Via @TwitterSafety/Twitter (em inglês).
  • O YouTube desmonetizou os canais do RT e Sputinik e bloqueou ambos na Europa. Eles também não podem veicular anúncios nas plataformas da empresa. A empresa também “reduziu significativamente” as recomendações de empresas de mídia financiadas pela Rússia no mundo inteiro e já derrubou “centenas de canais e milhares de vídeos” por violações às diretrizes da comunidade, incluindo práticas coordenadas inautênticas. Via Google (em inglês).
  • O TikTok confirmou na segunda (28) ter bloqueado os perfis do RT e Sputinik na Europa. Via Washington Post (em inglês).

A Rússia tem pressionado essas mesmas empresas e limitado o uso delas.

O Kremlin pediu à Meta para que parasse de checar conteúdo oficial no Facebook, mas não foi atendido. Em retaliação, o governo russo limitou o acesso às redes da empresa no país. O Facebook tem 70 milhões de usuários na Rússia. O Twitter também entrou na mira de Vladimir Putin.

Pelo Twitter, o presidente de assuntos globais da Meta, Nick Clegg, disse que a empresa está trabalhando para manter seus serviços funcionando na Rússia:

“Cidadãos russos estão usando nossos aplicativos para se expressarem e se articularem. Queremos que continuem se fazendo ouvir, compartilhando o que está acontecendo e se organizando pelo Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger.” Via @nickclegg/Twitter (em inglês).

Especialistas e líderes mundiais concordam que o acesso a redes sociais fora do controle do governo de Putin são importantes nesse momento para a articulação anti-guerra no país.

Ao Recode, Margrethe Vestager, vice-presidente da Comissão Europeia, disse que “é sempre um equilíbrio garantir que os russos que querem a história real — ou, no mínimo, a história como a vemos — tenham acesso [às redes sociais], mas não deve haver espaço para propaganda”. Via Recode (em inglês).

A guerra cibernética paralela entre Rússia e Ucrânia

A guerra cibernética paralela entre Rússia e Ucrânia, por Shin Suzuki na BBC Brasil:

A ideia militar de desnortear o adversário vem servindo de base para ofensivas hackers nessa guerra. Derrubar a rede de celular e internet tem como objetivo instaurar pânico ao impedir que a população de um país sob ataque se comunique.

“O objetivo é criar confusão, é fazer com que as pessoas se sintam perdidas. Disparar em massa desinformação é parte de uma guerra psicológica, para minimizar as chances de os ucranianos terem uma reação”, afirma Luca Belli.

China criminaliza captação de recursos via criptomoedas

por Shūmiàn 书面

Na sequência do aperto do cerco contra as criptomoedas, a Suprema Corte chinesa definiu na última quinta (24) que usar criptomoedas para captação de recursos agora é crime. Esta é mais uma medida oficial no sentido de coibir o uso de criptomoedas no país, somando-se a proibições anteriores como o banimento de mineração e transações nessas moedas no país, como escrevemos aqui em setembro. Nos casos mais graves, quem for pego usando esse tipo de moeda para captar fundos pode ficar até dez anos na prisão. Conforme a interpretação da corte, a medida incluirá também atividades financeiras que possuem outros nomes, mas que forem consideradas similares à captação de fundos, como alguns empréstimos online. A decisão tomada pela corte passa a ter efeito a partir deste mês.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

O Telegram finalmente deu sinal de vida às autoridades brasileiras. No sábado (27), atendeu a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes emitida na véspera, do Supremo Tribunal Federal (STF) e tirou do ar três canais do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, foragido da Justiça brasileira. Caso descumprisse a decisão, o Telegram seria multado em R$ 100 mil por dia e bloqueado no Brasil por pelo menos 48 horas.

Apesar do cumprimento, Allan continua ativo no Telegram graças a um “perfil reserva” com 22 mil seguidores. Por ele, vem compartilhando tutoriais de VPN para permitir o acesso aos canais — o bloqueio só está valendo para acessos a partir do Brasil. O uso de perfis reservas foi previsto pela decisão do ministro Alexandre, “comportamento que deve ser restringido”. Via Poder360 (2) (3) (4).

Você quer anúncios maiores no seu e-mail? e outros links legais

Facebook/Meta, Google, Mercado Livre e Twitter divulgaram, nesta quarta (24), uma carta aberta criticando o projeto de lei 2630/2020, o chamado PL das Fake News. No texto, as quatro empresas dizem que o PL deixou de tratar de fake news e que “passou a representar uma potencial ameaça para a Internet livre, democrática e aberta que conhecemos hoje”.

O PL das fake news deve ser votado em breve na Câmara dos Deputados, no que depender da vontade do presidente da casa, Arthur Lira (PP-AL). No dia 15 de fevereiro, ele afirmou que o Plenário poderá votar o requerimento de urgência a qualquer momento. Via G1, Propmark, Câmara dos Deputados/YouTube.

Facebook/Meta usa pequenas empresas para lavar sua reputação

É difícil emplacar a tese de que uma empresa que faturou quase US$ 118 bilhões e lucrou quase US$ 40 bilhões no último ano fiscal esteja em crise, mas talvez seja o caso do Facebook/Meta.

(mais…)

Agora vai: Steam está chegando ao Chrome OS

por Cesar Cardoso

Já faz uns dois anos que o Steam está chegando no Chrome OS. Precisava estabilizar o Crostini, precisava suporte gráfico melhorado, precisava de um monte de coisas… que foram feitas.

Chegou a hora de — isso mesmo — aparecer código. Mais especificamente, aqui.

// The special borealis variants distinguish internal developer-only boards
// used by the borealis team for testing. They are not publicly available.
constexpr char kOverrideHardwareChecksBoardSuffix[] = "-borealis";

constexpr const char* kAllowedModelNames[] = {
    "delbin", "voxel", "volta", "lindar", "elemi", "volet", "drobit"};

constexpr int64_t kGibi = 1024 * 1024 * 1024;
constexpr int64_t kMinimumMemoryBytes = 7 * kGibi;

// Matches i5 and i7 of the 11th generation and up.
constexpr char kMinimumCpuRegex[] = "[1-9][1-9].. Gen.*i[57]-";

Eu sei que C++ é uma linguagem de programação quase alienígena. Por sorte, alguém no 9to5Google, que descobriu o commit, traduziu isso para os meros mortais. O Steam só rodará em dispositivos Chrome OS com Core i5 ou i7 de 11ª geração com pelo menos 8 GB de RAM, e ainda assim a placa-mãe terá que ser liberada pelo Google para rodar o programa.

(Lembrança eterna: todo o desenvolvimento do Chrome OS é orientado a placas-mãe, já que o Google certifica e suporta as placas-mãe que os OEMs podem usar.)

A lista de aparelhos elegíveis neste primeiro momento é bem curta (três Acer, dois Asus, um HP e um futuro Lenovo, todos topo de linha etc.), e que não deve se expandir muito já que a exigência da 11ª geração garante que somente Chromebooks lançados a partir de 2020 têm chance de serem suportados (embora, ao que parece, tem testes internos no Google com Intel Core de 10ª geração e chips AMD).

Agora só falta mesmo o anúncio oficial do lançamento. Talvez com um Chromebook com teclado RGB junto, porque afinal parece existir uma lei obrigando tudo gamer a ter RGB.


Pinguins Móveis é uma newsletter semanal documentando e analisando a marcha do Linux por todos os cantos da eletrônica de consumo — e, portanto, das nossas vidas. Inscreva-se aqui.

Grandes empresas de mídia norte-americanas planejam desativar as versões AMP de seus sites, a plataforma de sites rápidos imposta pelo Google em 2015. O Washington Post já deu esse passo. Depois que o Google abriu o carrossel de destaques a páginas não-AMP e tornou-se público que a empresa sabotava páginas não-AMP para proteger seu negócio de anúncios, faltam motivos para justificar essa venda de alma ao Google. As empresas consultadas pela reportagem do Wall Street Journal esperam mais controle e melhorar as vendas de anúncios em seus sites. Via Wall Street Journal (em inglês).

Site da Americanas volta a funcionar depois de quatro dias sob ataque hacker

Os sites da Americanas ficou quatro dias fora do ar devido a um ataque hacker ocorrido no sábado. Ele voltou a funcionar nesta quarta (23), mas os outros do grupo, não — Sou Barato e Shoptime seguem indisponíveis e o Submarino está voltando “de forma gradual”. A operação das lojas físicas não foi afetada. Via Folha de S.Paulo.

A comunicação da Americanas foi criticada. A empresa soltou três comunicados ao mercado, nos dias 19, 20 e 23 (todos PDF). No primeiro, disse ter suspendido os sites preventivamente sob o “risco de acesso não autorizado”, e que não havia “evidência de comprometimento das bases de dados”.

No comunicado do dia 20, a Americanas disse que voltou a suspender os sites “assim que identificou acesso não autorizado”, sem explicações detalhadas — que acesso é esse? De onde está vindo? Quais os estragos causados?

No último, da quarta, reiterou que os quatro dias até então fora do ar foram motivados por “incidente de segurança do qual foi vítima entre os dias 19 e 20 de fevereiro” e que “não há evidência de comprometimento das bases de dados”.

Raphael Hernandes, da Folha de S.Paulo, ao questionar a comunicação da Americanas durante a crise:

Os sistemas serem desligados para proteger os dados de clientes, conforme apuração da Folha, não significa que não houve algum vazamento. Não se sabe muito, pois, até o momento, a Americanas opta pelo silêncio.

Com estratégia “Kinder Ovo”, startups atacam o desperdício de comida

Não é de hoje que o mundo produz comida suficiente para alimentar todos os seres humanos, mas a fome ainda existe em vários países. Paradoxalmente, mesmo nesses o desperdício de comida continua a ser um problema. Existe alguma maneira de fazer com que paremos de jogar comida boa no lixo?

(mais…)

A guerra na Ucrânia está afetando o Telegram. Pavel Durov, co-fundador e CEO, informou em seu canal russo que “o cluster europeu do Telegram está enfrentando uma carga sem precedentes”, o que pode gerar “interrupções intermitentes de curto prazo” para alguns usuários. Via @durov_russia/Telegram (em russo).

Post livre #306

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

O Twitter suspendeu diversos perfis de pesquisadores que compartilham imagens e vídeos das regiões de Donbas e Luhansk, na Ucrânia, ambas centrais na guerra que o presidente russo Vladimir Putin começou nesta quinta (24). Esse tipo de perfil é conhecido como OSINT (de “open source intelligence”) e acaba sendo útil a outros pesquisadores e jornalistas.

Em nota ao site The Verge, o Twitter afirmou que as suspensões decorreram de erro (sem especificar qual) e negou tratar-se de uma campanha coordenada de robôs russos, que teriam denunciado os perfis por violação aos termos de uso da rede disparando respostas automáticas do sistema de moderação. Esta hipótese aventada pelos prejudicados.

Apesar da justificativa oficial, o evento causou estranhamento — por pior que sejam as ferramentas automatizadas do Twitter, falhas do tipo, nessa escala, são incomuns.

No Brasil, o perfil do Sleeping Giants também foi suspenso por uma hora nesta quarta (23.fev), logo após o lançamento da #YouTubeApoiaFakeNews, campanha que bota mais pressão contra a postura permissiva do YouTube com conteúdo que viola seus termos de uso. Via The Verge, @tatikmd/Twitter.