Morreu na noite desta quarta-feira (6) Tadao Takahashi, aos 71 anos, vítima de uma parada cardíaca.

Tadao fundou a Rede Nacional de Pesquisa (RNP) e a liderou entre 1988 e 1996. Nesse período, a RNP foi encarregada pelo CNPq de implantar a internet no Brasil, e o fez, 25 anos atrás, conectando universidades de 10 estados e do Distrito Federal. Por isso, era tido como um dos pais da internet no país.

Em 2017, Tadao entrou para o Hall da Fama da internet, premiação criada pela Internet Society em 2012 para “celebrar as pessoas que dão vida à internet”. É um dos poucos brasileiros homenageados, ao lado do também pioneiro Demi Getschko (2014) e Carlos Afonso (2021).

Tadao estava à frente da iniciativa i2030, criada à luz das revelações de Edward Snowden em 2013, e tinha por objetivo pensar a internet no Brasil em 2030. Via Convergência Digital, Estadão.

A partir de agora, os motoristas da Uber terão mais informações de antemão para ajudá-los na decisão de aceitar ou não uma corrida, como o valor da corrida e da tarifa dinâmica, e os endereços exatos de partida e chegada. A novidade, que já vinha sendo testada em algumas cidades, foi expandida nesta terça (5) para “municípios de médio e grande porte de todas as regiões do país, inclusive São Paulo, Brasília e outras capitais”.

Embora a Uber diga, em comunicado à imprensa, que não mexeu nos valores repassados aos motoristas, esses têm reclamando que o novo modelo, agora com preço fixo, tem rendido menos. A consequência deve ser sentida logo pelos passageiros: mais cancelamentos e demora para pegar um carro. Via Uber, G1, Extra.

O Twitter está testando edição de posts. De todas as redes sociais populares, o Twitter é uma das poucas que não têm o recurso que, a bem da verdade, não é tão simples quanto parece — é preciso cuidado para mitigar tentativas de manipulação, como alterar um post de grande alcance com conteúdo totalmente diferente do original.

Chama a atenção a edição de posts estar dentro do Twitter Blue, a assinatura paga do Twitter. Desconheço outro canto da internet em que a edição do seu próprio conteúdo está condicionada a um pagamento. Via @TwitterComms/Twitter (em inglês).

Painel brasileiro do segundo r/Place, com a bandeira e vários elementos da cultura popular brasileira desenhados em pixel art.
Imagem: r/Place/Reprodução.

Na última sexta (1º), o Reddit abriu a segunda edição do r/Place, um experimento social de desenho coletivo: cada usuário só pode postar um pixel a cada cinco minutos e todos precisam trabalhar juntos, pixel por pixel, para criar imagens em uma tela em branco gigantesca.

Teve de tudo: bandeiras, memes, referência a um video game obscuro de 2007. Até a noite de domingo (3), 6 milhões de usuários já haviam desenhado mais de 6 milhões de pixels, formando um enorme mural de pixel art.

Um cantinho do r/Place foi adotado pelos brasileiros do r/Brasil, um dos maiores subreddits do país. (Veja a imagem do topo.) Nele, desenharam a nossa bandeira e vários elementos da nossa cultura: vira-lata caramelo, turma da Mônica, a taça da Copa do Mundo de futebol, o 14-Bis, um capoeirista e o Cristo Redentor usando um chapéu de cangaceiro.

Também rolou uma parceria com a Irlanda, com o Irmão do Jorel e o que parece ser uma garrafa de refrigerante de gengibirra representando o lado brasileiro — ou talvez sejam só as minhas raízes paranaenses se manifestando:

Bandeiras da Irlanda e do Brasil misturadas, com alguns personagens e elementos nacionais ao redor.
Imagem: r/Place/Reprodução.

O trabalho do r/Brasil e de outros subreddits envolveu o uso de scripts e robôs, segundo o Tet, usuário do Reddit e leitor do Manual, que ajudou a coordenar os esforços do subreddit brasileiro pelo Discord.

A coisa engrenou mesmo quando eles descobriram um sistema de código-aberto holandês chamado Commando, que automatizava a inserção de pixels seguindo uma imagem enviada previamente pelos coordenadores. Vários artistas e programadores ajudaram no esforço coletivo.

O r/Place durou apenas quatro dias. No final, o Reddit restringiu a inserção de novos pixels apenas à cor branca, e gradualmente a tela voltou ao estado original. No final, a tela ficou assim.

O primeiro r/Place aconteceu em 2017 e foi idealizado por um tal de Josh Wardle, que você talvez conheça do joguinho-sensação Wordle, vendido ao New York Times e que inspirou clones diversos, como os brasileiros Termo e Letreco.

Quando será o próximo? Ninguém sabe. Via Reddit, Washington Post (ambos em inglês).

Um curioso fenômeno literário se manifesta no ranking brasileiro dos e-books Kindle pagos mais vendidos: a prevalência de histórias com CEO no título.

Levantamento do Manual do Usuário detectou que sete livros (ou 14% do total) mencionam o cargo executivo máximo em empresas no título, quase sempre em alusão a situações sensuais e/ou com outros termos inusitados recorrentes no ranking, como grávidas e babás virgens.

São livros baratos, com preços entre R$ 1,99 e R$ 5,99, e todos integram o Kindle Unlimited, o programa de assinatura de e-books da Amazon. E são bem avaliados, com notas acima de quatro estrelas (de um total de cinco) decorrentes de centenas ou milhares de avaliações.

Os livros são assinados por autores(as) diferentes, o que indica uma tendência. Eles parecem influenciados pela trilogia Cinquenta tons de cinza, o mega-sucesso de E.L James, mas não deixa de ser curiosa a fixação com CEO, um termo um tanto específico e que, no geral, só é lido nas páginas de negócios dos jornais e em publicações especializadas. Fetiche é uma coisa maluca.

Abaixo, a lista dos títulos, com a posição no ranking e autor(a), nesta terça (5):

  • #2. CEO Blackwolf: A vingança do lobo negro de Wall Street, de Lettie S.J.
  • #8. O filho que o CEO não conhecia, de Renata R. Corrêa.
  • #9. Grávida do CEO que não me ama, de Aline Pádua.
  • #13. O pai dos meus bebês é o CEO, de Aline Damasceno.
  • #18. A influencer que conquistou o CEO, de T. M. Kechichian.
  • #31. Apenas me ame: Um amor para o CEO, de Thais Oliveira.
  • #47. Coração rendido: A babá virgem e o CEO viúvo, de Kevin Attis.
Print do novo Explorador de Arquivos, no modo escuro, mostrando duas abas e a nova tela inicial.
Imagem: Microsoft/Divulgação.

Em um evento para clientes corporativos, a Microsoft revelou o novo Explorador de Arquivos do Windows 11 — ou o bom e velho Windows Explorer, para os afeitos à tradição.

Ele traz abas, um recurso há muito esperado e que chegou a ser testado no Windows 10. Além disso, traz uma nova tela inicial, com acesso rápido a arquivos recentes e favoritados.

A Microsoft não informou quando o novo Explorador de Arquivos chegará à versão final do Windows 11. Via Microsoft (em inglês).

Um dia depois de anunciar ter comprado 9,2% do Twitter, o empresário Elon Musk foi indicado como novo membro do conselho da empresa. Essa foi rápida.

O lado mais ou menos positivo é que, enquanto estiver no conselho, Musk só pode possuir até 14,9% das ações com direito a voto da empresa, o que impossibilita uma aquisição hostil, algo que se especulava desde ontem.

Parag Agrawal, CEO do Twitter, se disse empolgado com o novo conselheiro. “Pelas conversas com Elon nas últimas semanas, ficou claro que ele traria muito valor ao nosso Conselho”, escreveu no Twitter. Já Musk disse que espera, ao lado do CEO e do restante do conselho, “fazer melhorias significativas no Twitter nos próximos meses”.

Segundo fontes da Reuters, Musk procurou Parag e Jack Dorsey, o co-fundador arrependido, logo após comprar as ações, em 14 de março, com o pedido explícito de um assento no conselho de administração. Via Reuters, @paraga/Twitter, @elonmusk/Twitter (todos em inglês).

A Automattic, dona do WordPress.com, entrou em modo de contenção de danos e promoveu alterações no novo plano gratuito, um dos dois remanescentes da nova estrutura simplificada de planos do serviço:

  • O espaço de armazenamento subiu, de 500 MB para 1 GB;
  • O teto para acessos, de 10 mil/mês para o gratuito e de 100 mil/mês no Pro, foi abolido.

Um post/anúncio da nova estrutura de planos foi publicado só nesta terça (5), depois da péssima repercussão da notícia nos últimos dias.

A Automattic manteve, porém, um único plano pago (“WordPress Pro”), de R$ 75/mês, e que só pode ser pago anualmente, o que se traduz numa fatura de R$ 900. Via WordPress.com (em inglês).

Exemplo de post no Twitter de um candidato a presidente do Brasil, com um rótulo embaixo do nome indicando o cargo a que ele concorre.
Imagem: Twitter/Divulgação.

O Twitter detalhou as iniciativas para as eleições deste ano no Brasil. Candidatos terão rótulos identificando-os (como na imagem acima), haverá uma aba específica para o pleito na seção “Explorar” e a política de integridade cívica passará a valer no país.

O foco dessa última iniciativa, diz o Twitter, está em “prevenir informações enganosas que possam prejudicar o andamento, a participação popular e a consumação do processo eleitoral democrático”, e que ela “não prevê atuação sobre todo tipo de conteúdo político, incluindo declarações enganosas, imprecisas ou polarizadas sobre candidatos e partidos”. Via Blog do Twitter.

China começa a regular mercado de streamers

por Shūmiàn 书面

Uma nova legislação pretende regular a atuação de streamers — uma indústria de US$ 30 bilhões na China. A Administração Tributária chinesa publicou uma circular em conjunto com a Administração de Ciberespaço e a Administração de Regulação do Mercado propondo uma promoção e desenvolvimento mais sadios da indústria, incluindo a responsabilidade com impostos. A notícia veio na quarta (30), como contaram a Reuters e a CGTN.

Segundo fontes ouvidas pelo Wall Street Journal, as novas regras devem incluir controles sobre a quantidade de dinheiro que os influenciadores podem receber de cada pessoa (as gorjetas), de modo a reduzir o excesso de gastos online. Outras preocupações devem ser diminuir o tempo de exposição de jovens a esses vídeos, bem como regular o conteúdo de alguns desses criadores, como resumiu o Protocol China.

Não é novidade que Pequim está de olho na evasão fiscal de celebridades e streamers. Em dezembro, Viya, a rainha das vendas online, viu seu império colapsar ao ser multada em US$ 210 milhões (¥ 1,3 bilhão) por evasão fiscal e perder suas contas em redes sociais. Esta matéria de janeiro de Shen Lu conta mais sobre o caso e a regulação da indústria de streaming. Vale uma lida neste artigo acadêmico de 2019 sobre as tensões sociais, políticas e econômicas que fazem parte de ser um streamer na China.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

Na sexta (1º), trabalhadores do centro de distribuição da Amazon de Staten Island, o único da cidade de Nova York e conhecido como JFK8, conseguiram votos suficientes para criar o primeiro sindicato de trabalhadores da Amazon — fora 2.654 votos a favor e 2.131 contrários.

A vitória foi apertada e a Amazon, que fez um lobby fortíssimo contra a sindicalização, lamentou o resultado em nota e disse que irá contestá-lo. Do seu lado, o Amazon Labor Union, nome do novo sindicato, já está mostrando a que veio: já pediu uma reunião com a Amazon para o início de maio. Via New York Times, Amazon, @amazonlabor/Twitter (todos em inglês).

A máquina oculta de propaganda do iFood

A máquina oculta de propaganda do iFood, por Clarissa Levy na Agência Pública:

Naquele abril de 2021, os adesivos e a faixa que pediam “vacinação já” no estádio do Pacaembu, na zona oeste de São Paulo, vieram acompanhados pela disseminação de posts e comentários de usuários falsos, que teriam sido criados por agências de publicidade a serviço do iFood no Twitter e Facebook. Em paralelo, as agências contratadas teriam criado duas páginas que deram suporte à narrativa: a fanpage de conteúdo político Não Breca Meu Trampo e a página de memes Garfo na Caveira. 

A Pública acessou mais de 30 documentos das campanhas — entre relatórios de entrega, cronograma de postagens, vídeos, atas de reuniões e trocas de mensagens —, além de conversar com pessoas que trabalharam nas agências e acompanharam a campanha desenvolvida para o iFood durante pelo menos 12 meses.

[…]

Entre as páginas administradas pela campanha “lado B”, a Garfo na Caveira continua ativa e postando conteúdos. Já a página Não Breca Meu Trampo parou de ser alimentada em julho de 2021. Em um registro acessado pela reportagem, um dos coordenadores da campanha resume o trabalho: “Coisas assim que vão tirando o foco. Como a gente fez, por exemplo, com a greve geral. O Garfo [página Garfo na Caveira] abriu um território importante, de chegar de igual pra igual. E depois isso serviu pra gente ir esvaziando o discurso.”

 

Foto de uma página de jornal, com anúncio do Google de página inteira. Lê-se na chamada: “O Projeto de Lei 2630 pode obrigar o Google a financiar notícias falsas.”
Foto: @orlandosilva/Twitter

O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), relator do PL 2630/2020, o PL das Fake News, está revoltando com a campanha da big tech contra o projeto — de novo.

Neste domingo (3), o Google emplacou em alguns jornais um anúncio de página inteira dizendo que “O PL 2630 pode obrigar o Google a financiar notícias falsas”, uma referência ao artigo 38, que obriga as plataformas digitais a remunerarem sites jornalísticos pelo uso de seu conteúdo. (Como se o Google nunca tivesse financiado fake news, né?)

O artigo 38 está longe de ser unanimidade. Entidades setoriais, como a Associação de Jornalismo Digital (Ajor; o Manual do Usuário é associado) também criticaram a nova regra.

No Twitter, o deputado compartilhou uma foto do anúncio do Google dizendo que a empresa “gastou os tubos, abusando do poder econômico, para MENTIR sobre o PL das Fake News”. E prosseguiu:

A verdade é que o Google usa conteúdo alheio para enriquecer, não tem ética e nem solidariedade com quem produz informação. Querem ganhar sozinhos. TUBARÕES DA INTERNET!

Não é a primeira vez que Orlando se manifesta contra um desses anúncios de página inteira. No início de março, o deputado criticou um da Meta (ex-Facebook) de tom similar.

O relatório final do PL 2630/2020 foi apresentado na última quinta-feira (31) e deve ser votado no plenário nos próximos dias. Via @orlandosilva/Twitter.

o tempo da usenet, irc, da web…mesmo do e-mail (c/ PGP)…era fantástico. centralizar a descoberta e a identidade em empresas danificou de verdade a internet. Entendo que parte da culpa é minha, e me arrependo.

— Jack Dorsey, ex-CEO e co-fundador do Twitter.

Livrar-se do comando do Twitter deixou Jack Dorsey mais confortável em tecer críticas à sua criação. Será que ele já ouviu a palavra do Mastodon? Via @jack/Twitter (em inglês).

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