por Shūmiàn 书面

Na última sexta-feira (19), o órgão responsável pelo ciberespaço chinês publicou em seu site resumos dos algoritmos utilizados por 30 aplicativos de algumas das maiores empresas de tecnologia da China.

Gigantes como Alibaba, Tencent e ByteDance foram as primeiras empresas a revelar para o governo as regras de seus algoritmos de acordo com a lei que está em vigor desde março.

Embora a informação oferecida publicamente pelo órgão não seja muito esclarecedora, acredita-se que a versão entregue ao governo seja mais detalhada. Se você perdeu as discussões que rolaram sobre o assunto lá em março, pode passar um cafezinho que o tema é denso.

Adeus, incerteza. Diante do cenário ruim nas vendas e de um temor regulatório, a Tencent, detentora do WeChat, decidiu abandonar o mercado de NFTs. Como conta o SCMP, isso acontece apenas um ano depois de a gigante de tecnologia ter entrado neste setor, que começou com uma promessa de ser grande no futuro. Já tínhamos falado há algumas edições sobre a relação complicada da China com o mercado de NFTs.


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O New York Times publicou as histórias de dois usuários do Google, pais de crianças e norte-americanos, que tiveram suas contas suspensas e histórico e atividades em serviços da empresa investigados pela polícia por terem tirado fotos de partes íntimas dos filhos. As fotos foram enviadas a médicos porque as crianças estavam com dores e inchaço na região.

Os sistemas automatizados do Google detectaram as fotos e suspenderam as contas para averiguação. Mesmo depois de a polícia concluir que os casos não eram de exploração sexual infantil, o Google não restabeleceu as contas dos pais.

Ambos os casos evidenciam a dificuldade em encontrar o equilíbrio entre vigilância contra crimes cruéis e a garantia de privacidade dos usuários. É difícil, porém, encontrar justificativa do lado do Google para não restabelecer as contas afetadas. Via New York Times (em inglês).

Avatar de Mark Zuckerberg com gráficos melhores.
Imagem: @zuck/Instagram.

Você se lembra daquele print do metaverso (o mundo virtual Horizon Worlds, para ser mais preciso) que Mark Zuckerberg postou semana passada? É impossível esquecer aquele boneco medonho em gráfico 2000 e bolinha. Eu nem vou postar o print de novo aqui para não te traumatizar outra vez.

Então. Zuckerberg sentiu demais as críticas. Não por coincidência, na sexta (19) o CEO da Meta foi ao Instagram anunciar que “grandes atualizações no gráfico de Horizon Worlds chegarão em breve”.

Que coisa, parece criança mimada quando alguém fala que o brinquedo dela é feio e bobo e aí ela volta com outro brinquedo mais caro — e feio e bobo.

No post, Zuckerberg colocou duas imagens: a de um ambiente aberto com texturas melhores e um avatar dele próprio, meio cartunesco. Parabéns, agora está parecendo um boneco de The Sims 4. Mas… né, quem se importa.

Zuckerberg admitiu que a primeira foto postada “era bem básica”, porque “foi tirada rapidamente para celebrar um lançamento”.

Longe de mim dar pitaco de negócios a Mark Zuckerberg, mas talvez não seja uma boa postar “fotos tiradas rapidamente” de um negócio em que você apostou o futuro da sua empresa e que está consumindo dezenas de bilhões de dólares.

Via @zuck/Instagram (em inglês).

Semana passada o Shazam completou 20 anos. Se você fizer as contas, o serviço que reconhece músicas e que hoje pertence à Apple precede os celulares modernos — o iPhone, “marco inicial” dessa fase, foi lançado há 15 anos.

Para celebrar a data, a Apple publicou um punhado de dados interessantes do Shazam, incluindo o seu formato original:

Agosto de 2002: O Shazam é lançado como um serviço de mensagens de texto (SMS) baseado no Reino Unido. Na época, os usuários podiam identificar músicas ligando para “2580” em seus celulares e segurando-os enquanto uma música tocava. Depois eles recebiam uma mensagem SMS dizendo o título e o(a) intérprete da canção.

Relacionado: uma entrevista da Folha de S.Paulo com Chris Barton, fundador do Shazam, que diz que não ficou rico com o aplicativo e agora está trabalhando em um sistema anti-afogamentos para piscinas. Via Apple (em inglês).

É um leiaute tão básico que é difícil imaginar uma única pessoa levando mais do que um dia para criá-lo no Squarespace, Wix, Webflow ou em um dos page builderes do WordPress.

— Matt Mullenweg, co-criador do WordPress e CEO da Automattic.

A mensagem acima foi publicada por Matt no debate da reformulação das páginas inicial e de download do WordPress.org.

Voluntários pagos decidiram usar o sistema de blocos do WordPress para criar as novas versões e demoraram 33 dias para concluir a tarefa. A menção a rivais diretos do WordPress e seu sistema de blocos, aludindo a serem mais fáceis de usar, é a cereja no pudim.

A respeito dos blocos e do futuro do WordPress (o Manual do Usuário usa esse sistema), leia isto. Via Search Engine Journal (em inglês).

Como excluir mensagens automaticamente após um período no WhatsApp e no Signal

Aplicativos de mensagens há muito deixaram de ser meios de comunicação com pessoas conhecidas. Hoje, falamos com fornecedores, restaurantes, encanador, eletricista… pelo WhatsApp. (Em breve, espero, também pelo Signal.)

Essas mensagens muitas vezes são pontuais e não precisam ficar guardadas eternamente no seu celular, ocupando espaço e aparecendo nas pesquisas do histórico de conversas.

Felizmente, é possível configurar WhatsApp e Signal para que tratem toda nova conversa como temporária, ou seja, do tipo que se auto-exclui após um período determinado.

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O robô humanoide da Xiaomi e outros links legais

Todo sábado, um amontoado de links curiosos e/ou interessantes. Leia as edições anteriores.

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Quem lê tanta notícia?

O ano era 1967 e Caetano Veloso, em “Alegria, alegria”, perguntava: quem lê tanta notícia? Eu, quase meio século depois, com frequência me pego fazendo o mesmo questionamento. Quem lê tanta notícia? Quem consome tanto conteúdo?

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por Cesar Cardoso

Os leitores mais fiéis da Pinguins Móveis já sabem, mas é sempre bom relembrar: o JingPad A1 surgiu ano passado como a esperança de um tablet/2-em-1 Linux para o mercado consumidor (ou pelo menos para um público menos interessado em flashar distros para ver se alguma coisa nova funciona), foi um grande sucesso no Indiegogo, distribuiu vários aparelhos para diversos youtubers Linux… começou a entregar os tablets para os apoiadores, todo mundo começou a ver que o software era nem-nem (nem amigável para os hackers nem amigável para usuários Linux)… o dinheiro começou a faltar… a Jingling Tech foi se desfazendo… se desfazendo… e se desfez.

O TechHut, que foi um dos mais prolíficos youtubers a falar de JingPad A1 (aqui e aqui), fez um vídeo sobre todo o drama do JingPad, da Jingling, de quem investiu tempo e dinheiro no tablet, do que poderia ter sido e não foi.

No final, tudo o que aconteceu com o JingPad A1 e a própria Jingling deixa uma lição: software é bem complicado e o caminho que a Jingling tentou com o JingPad A1 só funcionou com a Raspberry Pi porque a framboesa de Cambridge teve escala e condições para aprender como customizar um Debian até o Raspberry Pi OS chegar no estado atual; por isso novos/pequenos fabricantes acabam usando um sistema operacional de terceiros e se dedicando aos drivers (todo mundo que lança alguma coisa com Android), ou abrem o hardware para que a comunidade faça o software funcionar (PINE64).


Pinguins Móveis é uma newsletter semanal documentando e analisando a marcha do Linux por todos os cantos da eletrônica de consumo — e, portanto, das nossas vidas. Inscreva-se aqui.

Às vezes sinto como se estivesse reescrevendo a mesma nota todo mês, mas é sempre algo novo: a Apple liberou atualizações de segurança para o macOS (12.5.1) e iOS/iPadOS (15.6.1) que corrigem duas falhas graves, do tipo “dia zero” — uma no motor WebKit, usado no Safari, outra no kernel do sistema.

Diferentemente de grandes versões, como os vindouros macOS 13 “Ventura” e o iOS/iPadOS 16, para essas de segurança a recomendação é que sejam instaladas o quanto antes. Via TechCrunch (em inglês).

O CGI.br divulgou, na terça-feira (16), a edição 2021 da TIC Kids Online Brasil, que faz um raio-x do modo como crianças e adolescentes brasileiros (9 a 17 anos) usam a internet.

No comunicado à imprensa, o CGI.br destacou alguns achados:

  • 78% das crianças e adolescentes conectados têm perfil em pelo menos uma rede social.
  • Pela primeira vez o TikTok foi considerado na consulta — e 58% dos entrevistados disseram estar na rede da ByteDance.
  • O Instagram ainda lidera, mas a diferença é pequena: é usado por 62% dos entrevistados. Em 2018, o Instagram era usado por 45%.
  • Facebook está em queda livre: a posse de perfis caiu de 66% para 51%, e a relevância entre aqueles que estão na rede da Meta junto aos menores de idade despencou de 41% para 11%.
  • Por outro lado, o WhatsApp reina: 80% dos entrevistados conectados usam o aplicativo de mensagens da Meta, que lidera o ranking em todos os estratos sociais.

A pesquisa ouviu 2.651 crianças e adolescentes com idades entre 9 e 17 anos, assim como seus pais ou responsáveis, entre outubro de 2021 e março de 2022.

Há outros recortes e consultas interessantes, como atividades online, distribuição por faixa de renda e região. Todos os dados, em diversos formatos, podem ser acessados nesta página. Via Cetic.br.

O futuro incerto do WordPress e a promessa do ClassicPress

Imagino que falar como a salsicha é feita só interessa a quem produz salsicha ou tem gostos… peculiares. Mesmo assim, peço licença a você para falar de um bastidor que, embora ainda não seja um problema, tem me preocupado.

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Post livre #330

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

O LibreOffice 7.4, lançado nesta quinta (18), traz melhorias pontuais nos três principais aplicativos da suíte, como suporte a imagens no formato WebP, opções de hifenização no Writer e extensão do limite de colunas para 16.384 no Calc. Aqui tem as notas da versão.

Nas melhorias e correções gerais, o foco da Document Foundation continua sendo a compatibilidade com arquivos do Microsoft Office. Segundo a fundação:

Os arquivos da Microsoft ainda são baseados no formato proprietário descontinuado pela ISO em 2008, e não no padrão ISO aprovado, de modo que eles escondem uma grande quantidade de complexidade artificial. Isso gera problemas com o LibreOffice, que adota um formato verdadeiramente padronizado (o OpenDocument).

Baixe aqui o LibreOffice 7.4 para Linux, macOS e Windows. Via Document Foundation (em inglês).

Imagem virtual de um avatar de Mark Zuckerberg com a torre Eiffel e uma igreja ao fundo, num gramado verde.
Imagem: @zuck/Facebook.

Para celebrar o lançamento na França e na Espanha do Horizon World, o ambiente de realidade virtual da Meta, Mark Zuckerberg postou uma imagem do seu avatar virtual e… que diabo é isso? O gráfico é tenebroso!

Vira e mexe alguém compara os esforços da Meta com o metaverso ao Second Life, o ~metaverso original lançado em 2003, mas talvez a comparação seja injusta — o Second Lifetinha gráficos menos zoados 20 anos atrás.

Não, sério: olhe bem dentro destes olhos verdes sem vida, este rosto sem expressão, as texturas piores que as daqueles joguinhos de boliche e tênis furreba do Nintendo Wii.

Close no rosto sem expressão do avatar de Zuckerberg.
Imagem: @zuck/Facebook.

É aí que você quer que a gente passe 20 horas por dia, Zuckerberg? É nisso que você está queimando US$ 10 bilhões por ano???

Boa sorte aí.

Eu tô fora.

Via @zuck/Facebook.