O Strava, um app que monitora exercícios físicos, tem um mapa global de calor com os trajetos dos seus usuários. A base para o gráfico consiste em um bilhão de atividades desenvolvidas em 27 bilhões de quilômetros, o equivalente a 200 mil anos de atividades. Outros números enormes e os detalhes técnicos da versão, que foi atualizada recentemente e está mais precisa e bonita, estão neste post. (O mapa existe desde 2015.)

O mais legal é descobrir, na sua cidade, quais as áreas mais usadas pelos  usuários do Strava para a prática de exercícios. Em Maringá, interior do Paraná, os contornos do bosque, parque do Ingá e do estádio de futebol da cidade ficam mais intensos. O velódromo, ao lado do estádio, se destaca — mas por ter mais praticantes ou porque os praticantes usam, em maior proporção e por mais tempo, o app do Strava?

Detalhe do mapa de calor do Strava fechado na região central de Maringá-PR.
Imagem: Strava/Reprodução.

Detalhe curioso: o Strava recorreu ao Mapbox e ao OpenStreetMap para gerar os mapas. Há vida além do Google Maps.

Tim Berners-Lee, o britânico que concebeu a web, o fez com a ideia de que ela seria uma “plataforma aberta que permite a qualquer um compartilhar informações, ter acesso a oportunidades e colaborar para além das fronteiras geográficas”.

Em matéria no Guardian, ele critica o estado atual da web. Diz que “o sistema está falhando” porque “a maneira como o faturamento por anúncios funciona através de clickbait não está cumprindo a meta de ajudar a humanidade a promover a verdade e a democracia”. A crítica recai aos porteiros da informação — Facebook e Google, principalmente. Ele também defende a neutralidade da rede.

“Estamos tão acostumados a esses sistemas sendo manipulados que as pessoas simplesmente acham que é assim que a internet funciona. Precisamos pensar em como ela deveria ser”, disse. Vale toda a leitura (em inglês).

Mais um trimestre se passou e, outra vez, o Facebook bateu recordes de receita. O lucro da empresa foi de US$ 3,5 bilhões, aumento de 177% em relação ao mesmo período do ano passado. Embora num ritmo menor, a base de usuários da rede continua crescendo; hoje, está em 1,86 bilhão de pessoas.

Em paralelo, nos últimos dias o Facebook anunciou diversas iniciativas em todos os seus apps para impulsionar o uso delas pelas pessoas: (mais…)

O site norte-americano The Verge vazou a primeira imagem do que será o G6, novo smartphone topo de linha da LG. Mesmo escura e mostrando só metade do aparelho, percebe-se que a empresa adotará uma linguagem visual conservadora, similar à dos concorrentes mais populares. Outro detalhe importante, confirmado pela LG, é que o G6 abandonará o conceito de módulos que estreou ano passado, no G5. Como se vê, é difícil inovar. (mais…)

A HMD, empresa formada por ex-funcionários da Nokia, revelou recentemente o primeiro smartphone com a marca finlandesa que será lançado após a venda da divisão de dispositivos móveis à Microsoft. O Nokia 6, um intermediário sem muitos atrativos óbvios, será exclusivo para o mercado chinês. Ainda assim, muita gente comemorou por aqui. Há motivos?

(mais…)

O Dicionário Oxford escolheu “pós-verdade” como a palavra do ano. O termo, que nem é novo, é um adjetivo definido como “relativo ou que denota circunstâncias nas quais fatos objetivos são menos influentes em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e às crenças pessoais.” Diz respeito, neste momento, à proliferação de notícias falsas ou distorcidas em redes sociais que servem de combustível ao viés de confirmação. Mas não é um problema só delas, do Facebook e do Twitter. É nosso.

Venho pensando sobre como combater esse problema. Há muitos riscos envolvidos, do chatear/brigar com alguém até o de soar condescendente ou, pior, autoritário.

Talvez a melhor via, ou pelo menos a mais conciliadora e promissora, seja a mesma usada por quem produz todo esse chorume: a da (no caso, boa) informação. Argumentos bem articulados, contrapontos bem fundamentados, num processo longo, tortuoso e sem garantias. (Sigo aberto, e pensando também, em outras iniciativas!)

Não é um problema só da eleição presidencial dos Estados Unidos ou do Brexit no Reino Unido. Já acontece aqui, no Brasil. No grupo da família no WhatsApp, nos perfis dos seus amigos no Facebook. Como evidencia este levantamento publicado hoje (“Notícias falsas da Lava Jato foram mais compartilhadas que verdadeiras”), o problema é real, urgente e pede a nossa atenção.

O resultado das eleições para a presidência norte-americana expôs um problema fundamental do Facebook: a falha em conter a disseminação de notícias flagrantemente falsas na plataforma. Após um breve período de negação, Mark Zuckerberg admitiu que algo precisa ser consertado e apresentou algumas medidas nesse sentido.

A admissão não veio facilmente. Antes, ele tentou relativizar o problema das notícias falsas no Facebook algumas vezes. Em 13 de novembro, escreveu em seu perfil:

De todo o conteúdo no Facebook, mais de 99% do que as pessoas veem é autêntico. Apenas uma pequena quantidade é de notícias falsas e boatos. Os boatos que existem não são limitados a visões partidárias ou mesmo à política. No geral, isso torna extremamente improvável que boatos tenham alterado o resultado dessas eleições em uma direção ou outra.

Mas evidências apontam o contrário. O conteúdo desse tipo pode até ser pouco, mas faz barulho e se espalha incrivelmente bem.

É de bom tom esclarecer que a crítica não é no sentido de que o Facebook determinou o resultado da eleição, mas sim que envenenou o debate ao reforçar posicionamentos com base em notícias flagrantemente falsas. Em alguns casos, deliberadamente falsas, notícias fabricadas apenas pelo potencial de viralização e lucratividade. E, independentemente das eleições, o sucesso dessa abordagem aponta que há um problema endêmico ali.

Em uma publicação na noite de ontem (18/11), Zuckerberg reconheceu o problema:

Esses problemas aqui são complexos, tanto técnica como filosoficamente. Acreditamos em dar voz às pessoas, o que significa errar para o lado de deixar as pessoas compartilharem o que elas quiserem sempre que possível. Precisamos ser cuidadosos para não desencorajar o compartilhamento de opiniões ou, equivocadamente, restringir conteúdo preciso. Não queremos ser árbitros da verdade, mas em vez disso, confiar em nossa comunidade e em terceiros confiáveis.

Embora a porcentagem de desinformação seja relativamente pequena, temos muito trabalho pela frente em nosso cronograma. Normalmente, não compartilhamos especificidades sobre os nossos projetos em curso, mas dada a importância dessas questões e o tanto de interesse [que há] no assunto, quero delinear alguns dos projetos que já começamos:

  • Detecção mais forte. A coisa mais importante que podemos fazer é melhorar a nossa habilidade de classificar a desinformação. Isso significa melhores sistemas técnicos para detectar o que a pessoas sinalizam como falso antes mesmo que elas façam isso.
  • Facilitar denúncias. Tornar muito mais fácil para as pessoas denunciarem histórias como falsas nos ajudará a capturar desinformações mais rapidamente.
  • Verificação por terceiros. Existem muitas organizações respeitáveis de fact checking e, embora nós já tenhamos entrado em contato com algumas, planejamos aprender com muitas outras mais.
  • Alertas. Estamos explorando [a ideia de] etiquetas em histórias que foram sinalizadas como falsas por terceiros ou pela nossa comunidade e exibir alertas quando as pessoas leem ou compartilham elas.
  • Artigos relacionados de qualidade. Estamos elevando o nível das histórias que aparecem nos artigos relacionados abaixo dos links do feed.
  • Acabar com a economia das notícias falsas. Muito da desinformação é direcionado pelo spam financeiramente motivado. Estamos tentando acabar com essa economia com políticas de anúncios como a anunciada no início da semana e melhorando a detecção de fazendas de anúncios.
  • Ouvir. Continuaremos trabalhando com jornalistas e outros da imprensa para receber suas opniões, em especial para entender melhor seus sistemas de checagem de fatos e aprender com eles.

São ações promissoras que se somam à exclusão de sites de notícias falsas do programa de publicidade do Facebook, medida anunciada segunda-feira (14/11) e que foi adotada também pelo Google.

Das redes sociais mainstream, o Twitter é uma das mais tóxicas. Embora a política de uso proíba conteúdo ofensivo, a rede é repleta dele — e pouco faz no sentido de inibir esse tipo de comportamento. O problema é tão grave que atrapalhou as negociações de compra do Twitter pela Disney.

Antes tarde do que mais tarde, medidas começaram a ser tomadas. O Twitter anunciou melhorias nas opções de silenciar, permitindo agora ignorar termos nas notificações e conversas inteiras com poucos cliques. Outra boa medida foi incluir no formulário de denúncias a opção “Direciona o ódio contra uma raça, religião, gênero ou orientação sexual”, adição combinada com, segundo a empresa, treinamentos da equipe para lidar com esse tipo de situação:

(…) treinamos novamente todas as nossas equipes de suporte em nossas políticas, incluindo sessões especiais de contextualização histórica e cultural de condutas de ódio, e implementamos um programa de atualização continuada. Também melhoramos nossas ferramentas e sistemas internos a fim de lidar com mais eficiência com essa conduta quando ela nos é relatada. Nosso objetivo é [ter] um processo mais rápido e transparente.

Mais importante que as novidades técnicas, é o reconhecimento de que há um problema fundamental ali que precisa ser sanado.

Desde que a Apple anunciou o novo MacBook Pro, um grande debate surgiu no âmago da comunidade mais fervorosa de usuários do produto. Desenvolvedores e outros profissionais que esperavam uma máquina mais poderosa e versátil se decepcionaram com o que foi apresentado. O futuro do computador profissional da Apple é menos “pro” que os disponíveis até então.

As principais queixas são em relação ao desempenho (limitado a 16 GB de RAM) e, principalmente, às portas e conexões — ou a falta delas. A versão de entrada, carente da nova Touch Bar, tem duas portas USB-C/Thunderbolt 3 e uma saída de áudio analógica (de 3,5 mm, a mesma removida do iPhone 7). As mais caras elevam o número de USB-C/Thunderbolt 3 para quatro.

Não há dúvida de que essa conexão é futuro, mas ainda não chegamos nele. Quem compra um MacBook Pro desses novos hoje, precisa necessariamente de um ou alguns adaptadores. É inevitável em qualquer período de adaptação, e nem é o ponto a se discutir. A questão é se essa investida não foi prematura. Manter uma porta USB tradicional ou o slot de cartões SD não tiraria o aspecto “forward thinking” do novo MacBook Pro e seria um facilitador de quem ainda depende deles — e é difícil imaginar alguém que já não dependa de nenhuma das conexões sacrificadas. Seria pensar no futuro sem esquecer do presente.

Não falemos da remoção do MagSafe ou do novo teclado. Soam como retrocessos.

Para fechar, dois links:

  • Um compilado de várias reações de desenvolvedores e jornalistas sobre o novo MacBook Pro. Não me lembro de uma revolta tão grande entre os usuários mais emotivos da marca.
  • Maciej Cegłowski invoca o espírito de Benjamin Button e escreve sobre o velho MacBook Pro como se ele fosse sucessor do novo. O pior? Faz sentido.

É importante entender como as empresas que fabricam nossos dispositivos operam porque o modelo de negócio impacta diretamente nos recursos oferecidos ou não.

Não é uma boa, por exemplo, esperar por recursos que reforcem a privacidade e limitem a publicidade direcionada no Android. O Google vive de publicidade, portanto lhe é vital a veiculação de anúncios mais segmentados e caros. (Recentemente, aliás, o Google associou os dados anônimos da DoubleClick aos das contas Google, identificando efetivamente as pessoas para fins comerciais/direcionamento de publicidade.)

A Apple, não, e isso se reflete em seus sistemas. O iOS é, talvez, o sistema mais progressista no sentido de blindar o usuário contra publicidade direcionada.

Além dos bloqueadores de anúncios liberados no iOS 9 (uso e indico o 1Blocker), o iOS 10 trouxe uma mudança importante na limitação de publicidade rastreada. Trata-se de uma opção para que desenvolvedores e redes de anúncios não consigam te isolar e, assim, enviar anúncios baseados em comportamento.

Para ativar essa opção, entre em Ajustes, depois Privacidade, role a página e toque em Publicidade e, na tela seguinte, ative o item “Limitar Publicidade Rastreada”.

Até a versão anterior do iOS, ativá-la fazia com que o sistema emitisse um “alerta” a apps que pedissem esse número identificador (conhecido por IDFA ou IFA), mais ou menos como o Do Not Track dos navegadores web. No iOS 10, a Apple refinou o comportamento da opção. Em vez do “alerta”, o sistema passou a enviar um IDFA padrão (00000000-0000-0000-0000-000000000000), impedindo formas indiretas de explorar esse identificador.

https://youtu.be/aDbPj6sUaE0

Faz algum tempo já que se fala em “retorno das newsletters”. A verdade é que elas nunca foram embora. No segundo vídeo do canal do Manual do Usuário, abordo o que torna as newsletters tão atraentes atualmente — pista: tem a ver com a ascensão das redes sociais.

Gostou? Dê um like no vídeo e inscreva-se no canal. Obrigado!

Em abril, soubemos que o Facebook estava numa investida para aumentar o conteúdo pessoal publicado pelos usuários na rede. Em paralelo, qualquer evento e, na falta desses, um “bom dia” tem aparecido no campo de atualização a fim de estimular mais publicações.

Às vezes perdemos de perspectiva que o combustível que move as conversações na rede social é produzido por nós mesmos. Logo, faz sentido essa preocupação por parte do Facebook. Notícias, o tipo de conteúdo que parece mais popular, encontra-se em outros lugares e não são personalíssimos ─ eu ou você ou qualquer outra pessoa capacitada podemos dar uma notícia sobre, sei lá, a Samsung. Atualizações pessoais, não. Dependem de cada um de nós.

Caixa de pressão social do Facebook.

Agora pouco abri o Facebook no computador e vi uma caixa com algumas fotos de amigos e a informação de que, ontem, 207 deles publicaram alguma coisa no Facebook. Considerando o total de contatos que tenho ali, esse número representa 23,4% do total deles. Nunca tinha visto isso. Achei a mensagem meio passivo-agressiva, um tipo não muito sutil de pressão social.

É muita gente? Pouca? Não dá para dizer me tomando por base, mas achei interessante ter esse dado. Primeiro por não esperar que fosse algo que o Facebook revelaria assim, sem cerimônia. E, também, por permitir a relação dele com o próprio feed. Puxando pela memória, seguramente não vi, entre ontem e hoje, mais do que 10% dessas pessoas que publicaram alguma coisa ontem no Facebook. O filtro invisível é poderoso.

O grande diferencial do Allo, um app de bate-papo que ignora as boas práticas de privacidade vigentes, é um intruso na conversa, o Google Assistant. Ele participa ativamente do diálogo, fazendo buscas a pedido dos interlocutores e, o que é mais preocupante, sugerindo respostas pré-fabricadas.

O Facebook Messenger também trabalha com robôs, mas em conversas paralelas, ou seja, não os traz para as conversas que mantemos com outros seres humanos — ainda, pelo menos. Mas é bobagem acreditar que isso se deva a um princípio humanista no âmago de Mark Zuckerberg.

É uma decisão de negócios. O Google quer se tornar uma entidade única nas nossas vidas digitais; o Facebook ainda depende de terceiros. Isso não o impede, porém, de experimentar com bizarrices. A última é sugerir tópicos de conversação com base no que seus amigos fizeram (ou confessaram ao Facebook terem feito) recentemente.

O problema disso tudo é que terceirizamos traços que nos são, até agora, exclusivos. A escolha das palavras e sobre o que falar são coisas muito humanas. Queremos terceirizar isso? Se sim, estamos cientes do custo?

Evan Selinger, professor de filosofia do Instituto Rochester de Tecnologia, e Brett Frischmann, professor da Faculdade de Direito Cardozo, estão escrevendo um livro intitulado Ser Humano no Século XXI (tradução livre). Um pequeno excerto publicado no Medium responde, de maneira limitada, mas didática, essas perguntas:

Terceirizar, então, não afeta apenas como uma tarefa é realizada. Quando decidimos ou não por terceirizar, precisamos considerar se vale a pena abdicar da ação, responsabilidade, controle, intimidade e possivelmente conhecimento e habilidade. Se não, provavelmente deveríamos realizar essa tarefa nós mesmos.

A conversa por texto já é bastante pobre. Ela normatiza o discurso de uma forma sutil, mas poderosa. Percebe como conversar com pessoas distintas pelo WhatsApp oferece menos nuances, como se todas fossem mais ou menos parecidas? Que as particularidades de cada um se revelam com mais facilidade, de modo inescapável, até, quando o contato é pessoal em vez de mediado por texto escrito em uma tela? Se nem esse fragmento de humanidade nos apps de bate-papo estamos dispostos a resguardar, aí tudo bem querer que o Allo escolha as suas frases e que o Facebook determine o assunto da conversa.

O Galaxy Note 7 ficará na história como um belo smartphone com uma falha catastrófica que o inviabilizou como produto. É raro, mas acontece. O que importa mais, agora que o caso se encerrou e que o custo financeiro já é mais ou menos sabido (até US$ 10 bilhões), é o que esse erro custará em termos não financeiros à Samsung.

Especialistas divergem sobre os efeitos a longo prazo, mas alguns já são sentidos. Primeiro, na cadeia produtiva e no desperdício de metais raros, obtidos a muito custo ─ pessoal e ambiental, inclusive. É bastante difícil reciclar smartphones e, de qualquer modo, uma parte considerável do impacto ocorre antes da fabricação. Para a Motherboard, toda essa história e a destinação dos aparelhos, apesar dos esforços históricos da Samsung, são uma “piada ambiental”.

O outro efeito já sentido é na percepção da marca. O uso do termo “Galaxy” em toda a linha, que até agora tinha um efeito aglomerante favorável ─ o prestígio dos dispositivos mais caros escorria para os mais baratos à exceção dos muito baratos, tipo Galaxy Pocket ─, passa a jogar contra.

Era no máximo engraçadinho ouvir alguém chamar um desses de “Galaxy 7” ou “Samsung S7”. Agora, essas distinções sutis passam a ser cruciais e corre-se o risco de que a destruição da reputação da marca “Galaxy Note” (RIP) alcance outros “Galaxy”. Já está acontecendo.

A Samsung instalou quiosques em alguns aeroportos, antes das salas de embarque, para permitir a troca do Galaxy Note 7 por outro smartphone e fazer a transferência de arquivos e dados pessoais rapidamente. Em alguns países, o dispositivo foi banido de voos mesmo desligado.

No retorno do post livre (sim, voltou pra valer), a discussão sobre idade foi a mais votada pelos leitores. Chamou-me a atenção, nela, os comentários de gente jovem reclamando de dores no corpo.

Eu também tenho as minhas, derivadas de anos usando computadores, nem todos seguindo aquelas velhas orientações de postura e outras boas práticas. Com o smartphone, que normalmente nem uso tanto, parece que as coisas pioraram. A mão direita é das partes que mais sofrem: primeiro com o mouse, depois o trackpad (a rolagem machuca o dorso) e, nos últimos anos, manuseando o celular.

Até pouco tempo atrás, problemas do tipo (LER/DORT) ficavam restritos a profissionais que lidavam com computadores o dia todo. Esse perfil se espalhou para outras áreas. O smartphone, tão ou até mais nocivo que a dupla teclado+mouse, está impregnado na sociedade. Piora: o contato com esses aparelhos começa cada vez mais cedo, quando criança, fase em que a estrutura óssea ainda está em formação e mais sensível a desvios como os ocasionados pelo uso desses dispositivos.

Ainda não atingi o ponto sem volta, mas em dias de trabalho mais intenso, quando vou dormir com o ombro ou a mão doendo, é difícil não pensar no ponto de ruptura. E desesperador. Se não puder mais escrever, o que farei?

Nesta ótima matéria do BuzzFeed sobre o tema (em inglês), Diane Cho, 26, diz que “um grande motivo que me fez querer mudar de carreira foi meu braço estava literalmente se destroçando. Meu corpo estava doendo.”