Pelo que entendi, o ChatGPT é basicamente o que você consegue quando pede a um supercomputador que se torne realmente bom em mansplaining. Muita autoconfiança, pouca precisão.

— Eli Pariser, ativista e autor do conceito de “filtro bolha”.

O que é “mansplaining”.

Via @elipariser/Mastodon (em inglês).

Às vezes acho que a minha preocupação com as inteligências artificiais (IA) gerativas, como o ChatGPT, são exageradas.

Aí leio que os co-fundadores do Google, Sergey Brin e Larry Page, voltaram aos escritórios da empresa após três anos longe do dia a dia da empresa para ajudarem na estratégia de resposta à tecnologia da OpenAI, e… talvez não seja o caso?

Se o Google está preocupado — o Google, com recursos quase ilimitados e dono do DeepMind desde 2015, talvez o vice-líder na corrida da IA —, imagine o resto de nós?

Em tempo: a coluna da Jacque e este artigo da The Atlantic (em inglês) ajudaram a ver o lado bom dessa revolução que se avizinha. Ainda acho que haverá um estrago grande, porque os dividendos de novas tecnologia, em vez de promoverem o bem-estar coletivo, só aumentam o fosso social, mas… né, um pouco de otimismo sempre cai bem. Via New York Times (em inglês).

O robô humanoide serelepe da Boston Dynamics e outros links legais

Ser otimista ao ver o ChatGPT exige criatividade

por Jacqueline Lafloufa

Tem sido um trabalho inglório ser otimista hoje em dia. Depois de dois anos no papel de pessoa que “pensa positivo” ou “vê algo bom” como co-apresentadora do podcast Guia Prático ao lado do Rodrigo Ghedin e em trocas frequentes com o Guilherme Felitti, tenho ficado cada vez mais sem argumentos, sem defesa.

Também pudera: junto com o avanço na carreira, veio também menos deslumbramento com o cenário de tecnologia. Se no passado olhava maravilhada para algumas novidades (um computador de bolso que vai mudar nossas vidas pra melhor, celebrava na época dos áureos lançamentos de Steve Jobs), hoje as novidades vêm um pouco mais agridoces.

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Meu trabalho em risco

Alguns séculos depois, sinto hoje o que artesãos e pequenos produtores ingleses devem ter sentido quando viram chegar as primeiras máquinas e serem inauguradas as primeiras fábricas durante a Revolução Industrial.

Tecnologia recente, as inteligências artificiais (IA) gerativas representam uma ameaça a trabalhos intelectuais que, até pouco tempo atrás — coisa de cinco anos — pareciam garantidos frente à automação avassaladora do trabalho.

Não mais. IAs como o ChatGPT, as do tipo LLM (de “large language model”), são capazes de gerar textos originais coerentes a partir de “prompts” (enunciados) curtos escritos por humanos.

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  • Meta: 11 mil demissões (~13% dos funcionários).
  • Microsoft: 10 mil demissões (~5%).
  • Amazon: 18 mil demissões (~6%).
  • Google: 12 mil demissões (~6%).

O Google juntou-se às big techs que demitiram em massa nesta sexta (20). Já são mais de 50 mil empregos eliminados, em três meses, em quatro das empresas mais poderosas do mundo.

Ainda falta a Apple.

Não falha nunca: por trás de toda tecnologia de inteligência artificial, existem trabalhadores mal pagos e com estresse pós-traumático em países pobres. Desta vez é o ChatGPT, a IA gerativa de conversas da OpenAI, que explorou quenianos pagando US$ 2 a hora para rotularem conteúdo em texto tóxico. Via Time (em inglês).

Post livre #350

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

por Shūmiàn 书面

Desde 2021 focada na regulação das big techs, a China agora está de olho no poder de voto dentro dessas empresas.

No começo do ano, o órgão regulador de tecnologia comprou 1% de uma subsidiária da Alibaba e está no processo de fazer o mesmo com a Tencent — como já fez com o Weibo e a ByteDance. É uma participação pequena, mas o tipo de ações adquiridas (a chamada “golden share”) inclui o governo em decisões importantes, como a nomeação de diretores.

Na direção contrária, o fundador da Alibaba, Jack Ma, perdeu o controle do Ant Group após uma reorganização da composição acionária da empresa no começo do mês.

O maior envolvimento do governo chinês em suas big techs acontece em um momento sensível para essas empresas no contexto internacional. O TikTok admitiu que, durante uma auditoria interna, funcionários acessaram indevidamente dados de jornalistas que investigavam a empresa.

Agora, políticos de diversos países se mobilizam para restringir as operações da ByteDance em seus territórios, como os EUA já haviam ameaçado fazer durante o governo Trump — situação que é bem explicada neste artigo da Vox e que estava para ser resolvida no final de 2022.

Em meio a essas tensões, as empresas enfrentam perda de valor e promovem demissões: Didi deve fazer cortes na força de trabalho às vésperas do ano novo (já fez aqui no Brasil, na 99) e a ByteDance, nova concorrente da Didi no mercado de caronas compartilhadas, demitiu 10% dos seus trabalhadores.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

Do nada, o blog do NetNewsWire, um ótimo aplicativo de RSS para iOS e macOS, compartilhou o número de usuários ativos nos últimos 30 dias. São 9 mil no iOS, 4,6 mil no iPadOS e 1 no iPod (?).

Fiquei chocado por um app tão legal, tão bem feito e, ainda por cima, gratuito, ter só isso de usuários.

Quase dois bilhões de dispositivos da Apple estão em uso no mundo, a maior parte deles de iPhones, e só 15 mil pessoas usam esse aplicativo? (Provável que menos gente que isso, considerando aqueles que, como eu, usam o NNW no celular e no iPad.) O mundo é um lugar injusto. Via NetNewsWire (em inglês).

Não acho que [a API de tópicos] seja a respeito dos cookies de terceiros — é sobre vigilância na web e rastreamento. Se removermos os cookies de terceiros e substitui-los com algo que tem os mesmos problemas, então não é ok.

— Amy Guy, do Grupo de Arquitetura Técnica do W3C.

A API de tópicos é a última aposta do Google para substituir os cookies de terceiros no Chrome como aparato de vigilância para o seu negócio de publicidade segmentada. O W3C, em reunião realizada em 10 de janeiro, analisou e rejeitou a proposta. O Google se pronunciou; disse que seguirá em frente mesmo com o revés.

Quando uma empresa de publicidade desenvolve um navegador web, não surpreende que a prioridade seja usá-lo para devassar a privacidade dos usuários. Felizmente o W3C e outros navegadores (WebKit/Safari, Firefox) estão combatendo com afinco essa aberração. Via Insider (em inglês).

Chegaram os carimbos do Manual do Usuário

por Marceli Mengarda

Nota do editor: O segundo produto com a marca do Manual do Usuário são os belos carimbos abaixo, feitos em parceria com a Burocrata Carimbos, da Marceli Mengarda. Neste post, a Marceli apresenta os modelos, preços e traz os links para adquiri-los. (Lembrando que assinantes do Manual têm 10% de desconto via clube de descontos!)

Não é de hoje que a Burocrata tem um plano de desacelerar a loucura digital e trazer de volta um pouco daquela malemolência da web 1.0, quando a gente ainda podia ficar um pouco offline e brincar de imprimir e carimbar coisas no escritório.

Descobrir o Manual do Usuário foi uma grata surpresa e foi muito natural que a gente se unisse para fazer piada (e ~crítica social foda) com a webloucura contemporânea.

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O serviço de streaming da Netflix completou 16 anos nesta segunda (16). (A empresa é mais antiga e começou com o aluguel de DVDs pelos Correios.)

Coincidência ou não, a Netflix atualizou seu aplicativo para iOS, trazendo novos efeitos visuais bem bacanas. (Veja um vídeo.)

Ok, legal, mas não é para ficar vendo pôster que alguém assina a Netflix — em tese, ao menos. Na Forbes, Paul Tassi argumenta que a Netflix criou um “ciclo de cancelamento auto-sustentável” a partir das várias séries canceladas do nada e sem conclusão, como os casos recentes de 1899 e The midnight club.

Paul explica:

A ideia é que já que você sabe que a Netflix cancela várias séries depois de uma ou duas temporadas, encerrando elas com pontas soltas ou deixando suas histórias abertas/sem final, quase não vale a pena investir tempo em uma série antes dela ter acabado e você tenha certeza de que ela tem um final coerente e um arco fechado.

Por isso, você evita assistir a novas séries, mesmo aquelas que lhe interessam, pois tem medo de que a Netflix as cancele. Um tanto de gente faz isso e, surpresa, a audiência [de novas séries] é baixa! E aí ela acaba sendo cancelada. O ciclo é fechado, e reforçado, porque agora há mais um exemplo, fazendo com que ainda mais pessoas tenham cautela da próxima vez. E agora chegamos a um cenário em que, a menos que uma série seja uma espécie de febre por acaso (Wandinha) ou uma super franquia estabelecida (Stranger Things), a chance de haver uma segunda ou terceira temporada não é nem meio a meio, mas sim algo como 10–20% na melhor das hipóteses.

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Via Forbes (em inglês).

Uma olhada no Ivory, aplicativo de Mastodon para iOS

Dos mesmos criadores do Tweetbot, vem aí o Ivory: um aplicativo para iOS que conversa com instâncias do Mastodon.

O Ivory ainda está em fase alpha, ou seja, em testes e com arestas a serem aparadas. No último sábado (14), consegui acesso à versão de testes, que agora apresento aqui.

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Dez anos de “This is fine” e outros links legais