Essa postagem nasceu de um comentário que ia fazer neste post do Órbita: Quanta IA. Acabei divergindo do escopo da postagem original, mas vamos lá!
Pra começar, há quem argumente que gerar o prompt e refinar as respostas é uma atividade cognitiva equivalente, ou superior, à própria produção do material. Discordo fortemente.
Também trabalho com produção acadêmica e, por enquanto, é verificável quando estudantes “desenvolvem” trabalhos com IA. Na (imensa) maioria das vezes não é por uma resposta equivocada, mas sim pelo quão vaga está a resposta, pela cópia a mão que utiliza a mesma estrutura da resposta gerada e pelo estilo da escrita (muitas vezes incluindo os próprios bullet points, ou até o que você mesmo diz parecerem “textos simétricos”).
Tenho acesso a um plano pro do Perplexity pela VIVO e confesso que uso bastante a função “pesquisa profunda”, que aparentemente faz muita diferença na qualidade das respostas, principalmente se restrinjo o banco de dados utilizado nesta pesquisas (internet, artigos acadêmicos, finanças, etc..). Ah, um detalhe importante, o que vou fazer agora não é uma propaganda. As respostas apresentam mais conteúdo e preciso refinar menos o que é gerado para suprir minha curiosidade, o que me permite fazer mais perguntas, boas perguntas.
O que quero dizer depois disto tudo é: as empresas que detém essas IAs mantém a funcionalidade “gratuita”, que é muito inferior em questão de inferência, ou raciocínio (isso se tiver algum raciocínio envolvido), e que não serve ao possível benefício que elas trariam. E, sim, elas trazem benefícios, mas o plano gratuito só traz o pior delas. A capacidade de estabelecer correlações, para as quais são matematicamente otimizadas, é impressionante.
Inclusive o campo da matemática, que até poucos meses era o calcanhar de Aquiles destas IAs, passou a receber novas demonstrações estabelecendo relações entre artigos muito específicos que estariam empoeirados e esquecidos nas estantes, dependendo da sorte de algum matemático interessado encontrá-los por algumas referências “em um livro russo, traduzido para o espanhol que perdeu as citações por conta da editora X que comprou os direitos da Y e que só tem um original na estante da biblioteca da universidade W, que só funciona aos sábados devido à falta de pessoal … mas foi digitalizado por alguma pessoa e arquivado em algum site de biblioteca “pirata” enquanto seu volumes físico se deteriora completamente”. (acho que deu pra entender meu ponto, hahah.)
Penso que é urgente criarmos soluções locais, de qualidade, independentes das empresas e de seus planos pagos, para que realmente possamos nos beneficiar das IAs, inclusive na educação. Digo isso porque, mais uma vez, o que é bom ficou pra quem pode pagar por isso. E o pior, na minha concepção, é que esses modelos pagos são/foram treinados com “conhecimentos pirateados”, ou pior, abertos e disponibilizados gratuitamente.
Também sou avesso ao uso da IA, mas um vídeo do youtube me chamou atenção para um possível erro que estaria cometendo: “Why Smart People Keep Getting AI Wrong “, e We’re Not Ready for Superintelligence . Repito, não sou entusiasta da IA, porém, não quero ser negacionista dela.
nunca irá acontecer, mas a IA deveria ser reguladas pelo estado e todas as empresas serem obrigadas a dar contrapartidas à sociedade, principalmente universidades, institutos de pesquisa e ciência e etc.
Concordo. Inclusive a regulação deveria ser uma concertação entre os países.
Eu acabo usando mais do gostaria. Meu principal problema com a IA é que ela é ética e moralmente errada, por ter sido treinada em cima de conteúdo alheio sem a devida autorização nem crédito.