Mulher loira de óculos escuros, segurando duas caixas de pizza, com outras pessoas alucinadas ao fundo. Imagem sintética, gerada por IA.
Imagem: InfoMoney/Reprodução.

O InfoMoney republicou uma nota da agência de notícias do Estadão informando que a cantora Lady Gaga distribuiu pizzas a fãs acampados em frente ao hotel onde ela está hospedada. (Link do Marreta para não dar visualizações.)

Até aí, tudo bem, é a expressão mais pura do jornalismo “Caetano estaciona seu carro no Leblon”.

Como nada é tão ruim que não possa piorar, alguém lá dentro achou que seria boa ideia gerar uma imagem, numa IA, da própria Lady Gaga entregando as pizzas em mãos aos fãs. Colocaram a legenda “Foto feita com IA/ ChatGPT”, quase ilegível no rodapé da “foto”.

A nota foi atualizada, agora sem a “foto”, na manhã desta sexta (2), quase 24h depois de ir ao ar. A Wayback Machine mantém o registro dessa vergonha.

Qual a diferença entre a “foto” que o InfoMoney publicou e oportunistas que geram imagens de Jesus feito de camarões nas redes sociais? Nenhuma. Ambos apostam na desinformação para tentar faturar uns trocados.

O InfoMoney publicou uma errata em que classificou o uso da imagem como “indevida” e que está “adotando medidas internas para evitar que situações como essa se repitam, incluindo treinamentos específicos sobre o uso ético da inteligência artificial e a checagem de imagens geradas por esse tipo de tecnologia em nossos processos editoriais”. No LinkedIn, Matheus Lombardi, CEO do InfoMoney e XP Educação, pediu desculpas pelo ocorrido.

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12 comentários

  1. O pior de tudo (na minha opinião) é que ao ler o texto da notícia fica bem claro que não foi a própria cantora quem distribuiu as pizzas, mas sim seus funcionários… ou seja, além de usar IA para gerar uma foto, eles foram além e criaram uma imagem que distorce o que realmente ocorreu.

  2. comentei no bluesky que achei maravilhosa essa situação (https://bsky.app/profile/arrobagaf.bsky.social/post/3lo5hsrkkn22f)

    é uma imagem fubanga, cafona, explicitamente construída pra parecer imagem publicitária e mesmo assim ela parece “real” para as pessoas: acho uma situação maravilhosamente didática para as pessoas perceberem o quanto toda imagem fotográfica e o quanto todo jornalismo é antes de tudo ficção

    :)

    1. outra coisa que chama a atenção é o (suposto?) cuidado do estagiário na produção do prompt:

      ele fez questão de pedir uma cena com calçada portuguesa, com a fachada do copacabana palace (mesmo que bastante genérica) e sobretudo com a fisionomia das pessoas sendo muito particularmente “brasileira”, ainda que sejam todas brancas

      um enorme zelo para construir uma imagem “verossímil”, ainda que com essa composição publicitária

  3. Mais uma da série: Tinha que ser da XP de novo!

    (Infomoney é da corretora XP, que está afundada em críticas pelo seu esquema pon.., digo investimentos em COE. Aliás toda a imprensa especializada em finanças que não tem vínculo com algum grande grupo de comunicação, são vinculados a alguma corretora da Faria Lima)

  4. que desnecessário!!
    até pq já tinham fotos (reais e oficiais) da equipe entregando as caixas para os fãs; se queriam mais ilustrações era pesquisar nas redes sociais as postagens das pessoas que estavam lá :facepalm:

  5. Eu acredito que o acesso a IA deveria ser limitado, sabe. Tem pessoas que não conseguem lidar com isso. Vejo pessoas fazendo montagens bizarras, canal no Youtube todo feito por IA, alguns até aceitáveis, mas na minha cabeça não é um conteúdo que da para consumir sem ficar com o pé atrás com o preguiçoso que usa IA para lançar uma fake news, ganhar dinheiro com desenhos no youtube, ou manchar a imagem de alguém. Eu particularmente uso a IA aqui na empresa para atendimento e geração de imagens para o blog, mas até então nada que vai afetar negativamente outras pessoas.

    1. note que para muitas pessoas o uso que sua empresa está fazendo da IA — produção de ilustrações para o blog — já é por si só antiético e até criminoso.

      digo isso porque, embora concorde com a regularização urgente dessas IAs, esse tipo de censura que você propõe é bastante complicada

      1. Bem dito. Eu associo imagens geradas por IA com “má vontade”, como se o autor não estivesse disposto a procurar uma imagem real para ilustrar o seu texto. Como consequência direta e (na minha cabeça) natural, eu imediatamente imagino que o texto também tem grandes chances de ser preguiçoso, antes de começar a ler. Muitas vezes inclusive desisto da leitura ali mesmo.