Estilo de vida

O escritório em casa do cientista de dados Gabriel Arruda

Foto de lado de uma mesa de trabalho, com notebook, monitor grande, teclado, mouse e outros objetos sobre ela. Poltrona à vista e, ao fundo, uma estante vazada.

Durante a pandemia do SARS-CoV-2, o novo coronavírus, a seção de mochilas será convertida em escritórios domésticos. Faz mais sentido, certo? Vale para os recém-chegados ao home office e para quem já está nessa há tempos. Mande o seu seguindo estas instruções. Todo o texto abaixo é de autoria do Gabriel.


Eu sou o Gabriel Arruda, natural e morador da cidade de São Paulo. Sempre trabalhei com TI e atualmente sou cientista de dados no Itaú Unibanco, mais especificamente na área de planejamento de atendimento. É um time pequeno — trabalho com mais dois colegas cientistas — e a proposta é apoiar a tomada de decisão com modelos e análises descritivas. Por exemplo, estimar as volumetrias futuras de contatos telefônicos que chegarão ao banco para organizar a operação necessária.

No emprego atual, eu não trabalhava remotamente, mas tive experiências pontuais em empregos anteriores. Mais próximo de uma rotina constante em casa foi na época do mestrado; fazia todo o trabalho de casa e só me deslocava para a universidade uma ou duas vezes por mês para conversar com o orientador. Além do mestrado, o banco tem um benefício de algumas horas semanais de estudo, que também faço em casa e uso para me manter atualizados com cursos online e alguns projetos.

Para essas rotinas de estudo, que exigem mais força de vontade, eu costumo usar o conceito da técnica Pomodoro de intervalos de 25 minutos produtivos intercaladas com descanso. Mas não uso lista de tarefas, apenas tenho uma meta de intervalos que quero completar por dia. No trabalho, eu não sinto necessidade de nada desse tipo, eu basicamente sigo as metodologias e processos que o time usa.

 Em geral, não tenho problemas de trabalhar de casa. Algumas tarefas — como alguns tipos de discussões técnicas — eu acredito que sejam melhores presencialmente, mas gosto do silêncio de casa, minha mesa, tempo extra e um café menos terrível que o das máquinas corporativas de espresso.

O escritório

Foto de lado de uma mesa de trabalho, com grande monitor, notebook, teclado e outros acessórios. Ao fundo, uma estante vazada.
Com o notebook da empresa. Foto: Arquivo pessoal.

Esse escritório foi montado recentemente, já que mudei para essa kitnet na virada desse ano. Como eu uso muito o computador, tanto para lazer como para estudos, durante a reforma eu optei por uma escrivaninha grande e uma boa cadeira pensando que passaria bastante tempo nesse local. E, fazendo jus ao estereótipo do jovem urbano, escolhi uma mesa de design escandinavo e uma decoração “minimalista”. Pretendia investir nos equipamentos (monitor, teclado, etc…) somente ano que vem, mas — em face da crise — decidi adiantar esse plano e comprei o que faltava rapidamente no final de Março. Mostrou-se uma decisão acertada, pois basicamente tudo que comprei está esgotado ou mais caro agora.

  • Escrivaninha Trend II. É uma escrivaninha um pouco maior que as comuns (150×60 cm), mais próximo de uma mesa de escritório. Eu achei muito bonita e gostei das gavetas, que são grandes o suficientes para eu guardar tudo que eu preciso.
  • Cadeira ergonômica. É uma cadeira sem marca, custou R$ 350,00 em uma loja na Teodoro Sampaio (rua de São Paulo famosa pelas inúmeras lojas de móveis) e possui todas as regulagens possíveis: altura, braços, encosto de cabeça e costas. É toda em plástico, então não tenho muita expectativas em relação a durabilidade, mas como peso menos de 60 quilos, acredito que não quebrará tão cedo. Antes eu usava uma cadeira mais simples, mas acabava com dores e com a postura torta, então pelo preço está sendo um ótimo custo/benefício essa cadeira.
  • MacBook Pro (15’, modelo 2017). É um dos MacBook problemáticos dos últimos anos. Já tive que lidar com alto-falante estourado, bateria inchada e recentemente uma falha intermitente na conexão da tela com a GPU. Ironicamente, não tive problemas com o teclado borboleta e, felizmente, os dois primeiros problemas foram resolvidos sem custos. A questão da conexão eu ainda não tive oportunidade de levar na assistência, já que identifiquei há pouco tempo e já estávamos em quarentena. 

Fora (todos) os problemas de qualidade, o notebook atende bem minhas tarefas profissionais de programação e análise de dados. Hoje, ele fica sempre em casa e uso somente para projetos paralelos e estudos, mas antes eu carregava ele para o trabalho e na época oferecia uma relação peso/potência/bateria difícil de bater.

Além do trabalho, uso para meu hobby de fotografia e o hardware atende bem à demanda, até porque trabalho com fotos pequenas e edições simples. Eu uso o Apple Fotos para gerir a biblioteca e edições simples, já que pagando R$ 3,50 tenho 50 GB no iCloud e de quebra economiza espaço em disco com sincronização parcial. Quando quero mexer em arquivos raw, uso o Capture One que descobri recentemente ter uma versão Express gratuita para câmeras Fujifilm.
  • HP ProBook 640 G2. O notebook da trabalho, pode ser descrito como bem espartano: design todo de plástico, tela com resolução e painel horríveis, além de ser desnecessariamente grande (bordas enormes na tela) e grosso (tem espaço para drive de DVD). Mas é confiável, o teclado é confortável, não é pesado e a configuração é suficiente para o trabalho no dia a dia. 

O meu maior problema com ele é a sina do programador no mundo corporativo: o sistema operacional é obrigatoriamente Windows e sem permissões de administrador. As ferramentas de programação que uso nem sempre funcionam bem no Windows e, sem privilégios de administrador, fica ainda mais difícil resolver esses problemas.
  • Galaxy S10e. Sempre deixo o smartphone a mão, prefiro fazer reuniões usando ele quando necessário e também porque no notebook do trabalho não consigo acessar WhatsApp e afins.

 O tamanho do aparelho é ótimo, a tela é incrível, o sensor de digitais na lateral é perfeito e a bateria aceitável. O carregamento reverso é muito legal, super prático de ser utilizado junto com o Galaxy Buds. Infelizmente, a Samsung descontinuou o equivalente na linha S20 pela falta de interesse em aparelhos menores. 

Ótimo smartphone, acredito que continue sendo uma ótima compra hoje se encontrado com bom preço.

  • Monitor Dell U2720Q. Eu queria comprar um monitor há bastante tempo, mas estava postergando porque eu estava com duas frescuras. Queria um que fosse USB-C com fornecimento de energia e resolução maior que Full HD. 

Esse modelo da Dell foi anunciado no começo do ano e era justamente o que eu queria: carregamento USB-C de 90W, painel de boa qualidade e alta resolução. Naturalmente esse pacote já é bem caro em condições normais e, para piorar, aumentou de preço de um dia para outro enquanto estava pesquisando, em março. Vendo isso, decidi comprar imediatamente em um marketplace com o preço não reajustado.

 Como esperado, nada a reclamar da qualidade do monitor. Foi um baita upgrade em produtividade e conforto sair da tela horrível do HP. As regulagens são bem flexíveis, possibilitando inclusive ser utilizado na vertical. Tive a grata supresa de descobrir que ele tem fonte interna, mesmo sendo um monitor fino, ligando o MacBook no monitor eu não preciso mais lidar com nenhuma fonte externa desengonçada.

  • Logitech MX Sound. Aproveitei uma promoção para comprar essas caixas de som, na época em que o alto-falante do meu MacBook ainda estava quebrado e não queria leva-lo à manutenção porque não poderia ficar sem notebook. 

A qualidade é boa, mas não excepcional, os graves são meio tímidos nele. Entretanto, comprei mais pela praticidade de parear com múltiplos aparelhos. Agora que estou morando sozinho e ficando sempre em casa, está se mostrando bastante útil. Eu deixo pareado com o smartphone e o notebook, então consigo ouvir música e podcasts neles enquanto estou fazendo outras coisas em casa, além de servir como áudio do computador que era o objetivo inicial.

 O áudio do meu headphone (Sony MDR-1A) é melhor, mas agora que não tem ninguém para se incomodar, estou achando legal ouvir música sem nada preso em mim.

  • Logitech MX Keys. Ainda não experimentei um teclado mecânico, apesar de sempre ter trabalhado com programação, a qualidade do teclado nunca fez muita diferença para mim. O que mais atrapalha minha produtividade com teclados é o layout — incrível como cada fabricante de notebook inventa o seu esquema único para teclas acessórias como “home” e “end” por exemplo. 

O MX Keys tinha vários reviews positivos e dois recursos interessantes, ele é agnóstico (macOS/Windows) e consegue parear com múltiplos dispositivos. Ajuda bem, já que eu troco de notebook todos os dias e um é Windows e outro macOS. Como esperado, esse é o melhor teclado que eu já usei, mas pelo relato acima… dá para perceber que não sou dos mais exigentes em relação a isso.

A sensação é que poderia ter gasto muito menos em um teclado mais simples, outros teclados da própria Logitech mais em conta têm recursos parecidos de pareamento. 

  • Logitech MX Anywhere 2S. Assim como o teclado, eu precisava de um mouse que fosse fácil de alternar entre os dois notebooks. Já tinha um mouse simples da empresa, mas ele não era Bluetooth para conectar no MacBook.

 O MX Anywhere 2S tem essa opção de parear com múltiplos dispositivos, além de botões extras e rodinha com dois modos de rolagem (travado e solto). É carregado via Micro-USB, o que é interessante já que a maioria usa pilhas normalmente. Foi um bom upgrade desses mouses mais simples, o peso mais substancial me agrada e a maior precisão e qualidade da rodinha melhoram a experiência de uso.

 No geral, eu ainda prefiro usar trackpad no macOS, pela variedade de gestos e um apego meu desnecessário à maior qualidade da rolagem. Mas é um ótimo mouse e — apesar de caro também — achei bem mais justo o preço do que do MX Keys.
  • Cabos USB-C e Micro-USB. Minha régua tem duas saídas USB-A, então deixo esses cabos ligados nela para para carregar o que precisar: teclado, smartphone, câmera fotográfica, Kindle, etc.
  • Garrafa d’água (ALL mini). Não é algo da mesa, mas geralmente está nela. É muito boa porque, além de manter a temperatura da água por longos períodos, a tampa é prática porque tem um botão que permite beber sem copo. Para quem esquece de beber água, recomendo comprar algo parecido.

  • PorwerCube Elg. Como qualquer pessoa, eu não gosto de fios, especialmente espalhados no chão. Comprei esse PowerCube da Elg, que dá para prender embaixo do tampo da mesa usando fita dupla-face. Isso já é o suficiente para evita que os fios fiquem no chão, mas para ficar mais “clean” eu usei abraçadeiras de nylon que deixam os fios justos e assim eles nem aparecem atrás da mesa.
Foto de frente da mesa de trabalho, exibindo apenas um fio atrás da mesa.
Quase sem cabos. Foto: Arquivo pessoal.

Edição 20#22

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34 comentários

  1. Parabéns pela mesa, muito clean e pelas fotos, parece ter combinado demais com o restante do ambiente! hehe

    Estou em busca de um teclado também, atualmente uso o Dell genérico da empresa que nem sei o modelo exatamente, estou pensando em ir de logitech, já que tenho um mouse da mesma e já faz uns 2 anos que o comprei e até hj não foi necessário substituir a bateria!

    1. Eu uso o K235, comprei o kit teclado e mouse e não me arrependo. Já tinha um mouse da logitech que uso há 2 anos e também nunca tive problema.

  2. Parabéns pela bela mesa.

    Sobre a rolagem do mouse que você comentou gostar mais do resultado usando o trackpad, eu também tinha esse pensamento até encontrar este utilitário:

    https://github.com/Caldis/Mos

    A rolagem fica suave como no trackpad, mas mantendo a ergonomia do mouse.

    1. Que aplicativo maravilhoso! Eu prefiro o trackpad, mas por ergonomia uso um mouse bem furreba da Logitech. Esse Mos deixa a rolagem dele melhor que a dos mouses mais caros da Logitech. Muito obrigado por essa pérola, Danilo!

    2. Só vim corroborar o comentário do Ghedin: maravilhoso, a Logitech deveria aprender e fazer igual isso aí haha

  3. Gostei da mesa e do espaço clean. Pensa em comprar um apoio para o pé? Já vi por aqui no MDU em alguma “mesa de trabalho”.

    1. Não sinto muita necessidade, meus pés encostam no chão mesmo com a altura ideal, mas talvez ficasse um pouco mais confortável sim….vou considerar se der para aproveitar em algum frete aí haha

  4. Parabéns, ficou muito bom
    Parece até imagem de revista de decoração!
    Esse monitor já foi meu sonho de consumo, mas ainda bem que depois de um tempo a vontade passou hahah

  5. Belo setup! Pode parecer off topic mas algo que me chamou a atenção foi a pintura da parede, achei muito legal esse cinza meio industrial ahaha sabe qual foi a tinta usada?

  6. Falta de acesso admin e limitações gigantes de proxy / conectividade que limitam absurdamente a habilidade de desenvolver ou testar algo.
    Conversando com diversos amigos de TI, todos enfrentamos esse mesmo problema com computadores corporativos.

    Nem vejo tanto problema hoje em dia por usar Windows, pois existe a possibildiade do WSL, porém claro que ele também não é permitido.

    Ou seja, no fim, muitos acabamos tendo que usar um equipamento pessoal adicional ao fornecido pela empresa.

    1. Pois é, eu sabia que trabalhando em banco seria essa chatice, sempre ficar configurando proxy e instalando coisas localmente na máquina…além de bugs com algumas bibliotecas.

      Acredito que o plano aqui é usar Docker, vou começar a testar em casa nos projetos pessoais. Acho que aí é realmente independente de plataforma, certeza que meu projeto funciona em Linux/Windows/MacOS e as IDEs já integram bem com máquinas remotas para ficar “transparente”.

  7. Eu acho essas caixas muito charmosinhas, nem sabia que eram tão grandes. Pré pandemia até namorei elas, mas repensei porque não eram portáteis. Ornam muito bem com monitor Dell

  8. Ótima dica do monitor com fornecimento de energia pelo USB-C, não sabia que isso existia :0, já vou levar isso em conta pro meu próximo monitor.

    1. Infelizmente, algumas coisas antigas do banco ainda preciso abrir nele….cada vez menos mas ainda tem.

      1. É o preço do “design” porque, pelo que eu li, é MDF/MDP. Se fosse de madeira, mesmo pinus, seria um preço “acessível” para um móvel desses.

        Por exemplo, quando eu me mudei pra apartamento atual eu cheguei a pensar em colocar uma mesa “em L” no quarto, feita sob medida. Fui em diversas lojas de móveis e marceneiros e o preço mais barato que eu consegui (em 2018) foi R$1800 =|

        1. Basicamente, uma pena que a grande maioria são quase todas de 120cm…ideal para ter só um notebook na mesa. Menos de R$500,00 não achei nenhuma mesa com gaveta, só mesa simples que precisa de um gaveteiro.

          De madeira mesmo, é 1K para cima mesmo…feito sob medida é pior ainda.

          1. O mais caro ainda, porém, é uma cadeira boa.
            Cadeiras boas começam em R$1300.
            Outra coisa que nunca tive dinheiro pra comprar.

        2. Sim, mas como eu disse, essa baratinha é bem confortável….apesar de ser visivelmente frágil. Suponho que para pessoas maiores, seja mais desconfortável e quebre mais rápido.

          No escritório, tinha aquelas famosas Cavaletti que eram visivelmente de maior qualidade….mas como era mais simples eu achava um pouco mais desconfortável.

      1. De fato, mas dá para prender qualquer régua que funcionaria igual, só fica chato de colocar as coisas porque não fica nada muito acessível.

        Na época estava menos caro, foi uns R$110,00 se não me engano, mas por uns R$50,00 dá para comprar uma régua com USB e prender embaixo da mesa.

      2. Nessas horas vale a pena procurar uma versão similar em forma e com preço menor. Desde que não envolva alguma tecnologia eletrônica única, costuma funcionar esse princípio de compras.

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