Três pessoas com cabeças de emoji descendo escadas no metrô de Londres.

As fronteiras da linguagem minimalista


3/8/15 às 9h12

A origem da comunicação humana é, ainda hoje, um dos maiores desafios da ciência da linguística. Existem várias teorias sobre por que começamos a nos comunicar, mas ninguém sabe ao certo o que nos levou a desenvolver esta habilidade. De gestos a pigmentos, das prensas tipográficas à Internet, nossa capacidade de criar e interpretar símbolos mudou a forma como nós vivemos, além de nos fornecer novas maneiras de lidar com um mundo imprevisível.

Símbolos.

Desde o primeiro momento em que a comunicação se manifestou entre os seres humanos, a eficiência deste processo passou a ser um objetivo. Com as novas tecnologias tornando-se cada vez mais acessíveis, hoje é possível atingir uma sofisticação nunca antes imaginada. No mundo de hoje, hiper ocupado, conectado e plural, a comunicação minimalista ocupa um espaço cada vez maior, desde o fenômeno cultural dos emojis à preferência por mensagens de texto no lugar de ligações telefônicas. Vivemos numa lógica comunicacional que carrega a compressão do máximo de significado em um mínimo de representação simbólica.

O cinema preparou o terreno para uma comunicação mais imagética, pois turbinou a nossa capacidade de interpretar este tipo de linguagem. Devido à importância cultural que o cinema atingiu ao longo do século XX, o nosso cérebro exercitou a capacidade de interpretar, além da linguagem em imagens, uma linguagem baseada em elipses. A edição nos acostumou a compreender a mensagem através de apenas alguns fragmentos.

Demonstração do Efeito Kuleshov.
Efeito Kuleshov.

As tecnologias evoluíram em velocidade exponencial a partir do século XX e o formato de linguagem precisou acompanhar essas mudanças. A fragmentação da linguagem hoje é tão profunda que uma única imagem pode ser muito mais precisa que um parágrafo inteiro. Postar uma foto de uma pessoa cansada pode ser a forma mais eficiente de dizer para seus amigos que você não vai mais conseguir sair porque está preso no trabalho. Comunicar muita coisa não é comunicar em quantidade.

Prova disso é o sucesso do Yo, um aplicativo de troca de mensagens em que o único recado permitido é “Yo!”. Apesar de ser inicialmente visto como uma piada, o app já teve mais de um milhão de downloads e 15 Yos são mandados por segundo no mundo. O antropólogo Bronislaw Malinowski descreve esse tipo de interação como uma “expressão fática”, um tipo de comunicação que executa uma tarefa social em vez de transmitir uma informação – por exemplo, o simples lembrete de que alguém está pensando em você.

A antropóloga cultural Mimi Ito explica o sucesso do Yo através do desejo inerente ao ser humano de se conectar e estar conectado, mesmo que em níveis mínimos. Consumidores estão buscando oportunidades para se comunicar de uma maneira mais emocional e divertida, para pular o “small talk” mas não perder a oportunidade de mandar sentimentos.

Isso explica a consolidação da tendência de se comunicar apenas por imagens, a ponto de existir uma rede social apenas de emojis, a Emojili, que com dois dias de vida já tinha mais de 50 mil usuários.

Outro exemplo interessante do sucesso da comunicação minimalista é o casal americano que, em agosto de 2014, decidiu se comunicar apenas por emojis por um mês como uma forma de tentar melhorar o casamento. No final do mês, a mulher declarou que se sentiu mais amada ao receber emojis com afeto do que quando recebia um simples “eu te amo” de seu marido.

Casal conversa via celular usando apenas emoji.
Alex: Estou indo para casa. Liza: Eu estou com uma amiga e ela teve uma morte na família, não venha beber com a gente. Alex: Eu vou beber com outras pessoas.

To emoji or not to emoji

“Emoji” vem da palavra japonesa para “pictográfico”. Os emojis foram criados para serem expressivos o suficiente para substituir palavras e frases, simbolizando objetos, sentimentos, expressões e ideias do dia a dia. Suas cores e designs foram absorvidos pela cultura pop, fazendo deles um terreno fértil para pesquisa e experimentação por acadêmicos e artistas, ganhando o patamar de linguagem.

No final de 2013, a primeira exposição artística só de emojis aconteceu em Nova Iorque. Na mesma época, Katy Perry lançou um “emoji lyric video” do seu hit Roar. Em fevereiro de 2014, uma versão do livro Moby Dick escrita com emojis em vez de palavras foi aceita no acervo do Library of Congress, um verdadeiro marco na aceitação desse tipo de comunicação como linguagem contemporânea. Chamado Emoji Dick, o projeto captou recursos através de uma campanha no Kickstarter.

Capa do livro Moby Dick traduzido em emoji.

Conteúdo do livro Moby Dick traduzido em emoji.

Há dez anos, a ideia de que opiniões poderiam ser condensadas em tweets de 140 caracteres era inconcebível. Hoje, um único emoji pode transmitir a mesma informação e ainda ser compreendido em qualquer lugar do mundo, o que pode classificá-lo como linguagem universal. A grande adesão ao Gif Keyboard, uma extensão para os teclados do iOS 8 apenas com emojis retirados de GIFs famosos, é um exemplo claro e muito recente de como este tipo de comunicação está cada vez mais intrínseca na vida das pessoas.

Enquanto alguns defendem que a febre dos emojis não passa de uma manifestação do apetite insaciável dos Millennials por mensagens de texto, cultura pop e economia de tempo, outros argumentam que isso pode até significar um resgate da comunicação em hieróglifos1. Independente da referência histórica, os emojis constituem uma língua pidgin, um ponto de encontro linguístico formado no ato da comunicação e facilitado pela grande diversidade de símbolos.

A comunicação minimalista propõe um novo paradigma linguístico. Em um mundo de excessos, paira no ar a necessidade de criar uma linguagem capaz de dizer mais usando menos recursos e de uma forma mais democrática, criando inclusive novas possibilidades para a tão sonhada linguagem universal.

Publicado originalmente no Ponto Eletrônico em 3 de dezembro de 2014.

Foto do topo: David Parry/PA Wire.

  1. Sinais pictográficos criados pela civilização egípcia que antecederam a invenção de qualquer linguagem escrita.

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35 comentários

  1. Pingback: Kaomoji
  2. Recentemente, entrei pro mestrado em uma faculdade americana. Pra minha surpresa, a grande maioria dos meus colegas de mestrado são… chinesas! Não simplesmente chineses, mas chinesas, totalizando 127 dos 145 alunos do meu programa. Visto que são maioria esmagadora, eu tive que mudar meus meios comunicativos pra poder alcançá-las quando necessário.

    Os chineses usam um app chamado WeChat, que mistura as ferramentas do Whatsapp com a timeline do Twitter. Tanto nos grupos de conversa quanto nas conversas individuais, eu não consigo entender o que as chinesas estão dizendo. Fui surpreendido mais uma vez: isso não acontece por causa do Inglês pois elas são muito boas em gramática, mas sim por causa dos emojis, principalmente os terríveis Kaomojis.

    Pra quem não sabe, este último é uma modalidade de emoji que usa vários caracteres para se expressar, em vez de poucos como xD ou de imagens pequenas. Aqui vai um link com uma lista interminável deles:

    http://www.japaoemfoco.com/kaomoji-os-emoticons-japoneses/

    Eles não seriam problema se fossem usados apenas no início ou no final de uma conversa. Porém, as chinesas insistem em usá-los no lugar de palavras. Em vez de

    “Não entendi o exercício do professor, fiquei brava!”

    Eu tenho que lidar com:

    “Não entendi o _〆(。。) do (´⊙ω⊙`), fiqueinヽ(≧Д≦)ノ !”

    Aliás, eu percebi que elas criam um jaomoji específico pra cada pessoa, como se fosse um apelido, um substantivo próprio. Sempre que se referem a este a>professor específico, usam o (´⊙ω⊙`). Pra elas que são adéptas da cultura dos kaomojis, não faz diferença, mas pra quem não tem experiência com esse contexto, eles atrapalham a mensagem. O que era pra facilitar e simplificar, virou expressão cultural, cresceu, e agora dificulta e complica tanto a escrita (codificação) quanto a leitura (decodificação).

        1. Até com emojis, dependendo do grupo social, é difícil para alguém de fora entender. Talvez o caso mais famoso (e, portanto, fácil) seja o do emoji da berinjela, que acabou virando sinônimo do órgão reprodutor masculino. O problema começa quando significados diferentes surgem num contexto mais limitado, como dentro de um grupo do WhatsApp.

          É como se houvesse uma dupla significação dos emojis, doise sentidos que se valem da sua natureza e que são, conceitualmente, opostos. Por um lado, o fato de serem visuais e desprovidos de um código (como o idioma) os torna universais (qualquer um “interpreta” um desenho); por outro, essa mesma liberdade de interpretação permite que novos significados, muitas vezes sem relação alguma com o desenho, sejam criados.

          A única certeza é que esse é um assunto bem intrigante!

          1. Exato. Este processo de criação de novo significado que aconteceu com a beringela (rs) acontece frequentemente comigo nos meus círculos sociais, mas com palavras mesmo. Vira e volta, conto alguma história engraçada e uma palavrinha chave acaba captando todo o espírito da conversa; a partir daí, toda vez que queremos fazer referência a história, basta inserir a palavrinha na conversa.

            Vejo isso acontecer em podcasts também. Ao passar do tempo, cada podcast cria sua própria mitologia, dando significados novos a plavras que só cabem dentro daquele contexto. Talvez isso seja inerente de como a cultura acontece com seres comunicativos.

          2. Lucas, extrai esse pequeno trecho da Wikipédia, pq, eu acho, vai um pouco de encontro a sua constatação: “Em alguns países, os soberanos contaram com o importante apoio da burguesia nascente, que tinha forte interesse na centralização política, pois a padronização de pesos,medidas e moedas e a unificação da justiça e da tributação favoreciam o desenvolvimento do comércio.” Essa padronização de pedos e medidas veio junto com o Iluminismo e com ele as revoluções. Como estamos no meio de uma revolução, em curso desde os anos 60 eu poderia dizer, me parece normal e aceitável que queiram padronizar também os sentimentos em forma de emojis. Achei bem curiosa a tradução do Moby Dick para o formato de emojis (pena o dólar estar tão alto, porque eu queria ter uma edição daquelas). Vai ser muito fácil uma comunicação mundial com sentimos padronizados em símbolos e provavelmente vamos ter que evitar atribuir valores diferentes. Os iluministas, em confluência com o novo espírito da época em que viviam, conseguiram emplacar algo que vale nos dias de hj. Não sei se será pelos emojis q vamos ter uma comunicação padronizada, mas há, sim, emoções e sentimentos que perpassam todas as culturas e podem ser compreendidos por todos por intermédio de um símbolo.

          3. Extender a padronização de medidas pra padronização de sentimentos através de emojis me parece um pouco forçado. Basta fazer simples perguntas pra mostrar quanto essa relação que você tentou demonstrar é fraca:

            Quem está padronizando os sentimentos? Por que? Quais sentimentos? Quais exemplos específicos que ligam a padronização de medidas com a de sentimentos?

            Acho que você foi longe de mais pra um problema muito mais simples (e muito menos conspiratório). As pessoas tem necessidade de comunicar em sociedade. Quanto mais informação disponível mais essa necessidade é potencializada – mais assuntos temos pra discutir e compartilhar. Conforme culturas de nicho se desevolvem, elas também desenvolvem seus símbolos (qualquer grupo de amigos é cheio e piadas internas que só fazem sentido no contexto do grupo). Os emojis são apenas um reflexo desse processo.

            Ninguém está tentando escrever uma novilíngua. Não existe uma bancada de burgueses sentados em uma mesa de negócios tramando como fazer as pessoas se comunciarem de forma mais universal.

            A pluralidade linguística existe por causa de barreiras geográficas. Quando um povo entre em isolamento, por exemplo, acaba modificando sua língua e criando um dialeto próprio. Um país muito grande onde pessoas moram muito longe vai ter sotaques distintos e palavras específicas diferentes A expressão linguística varia de acordo com o espaço e com o tempo que leva pra percorrer este espaço.

            Na internet você perde a barreira geográfica; nada mais lógico que esperar que pessoas distantes encontrem formas de se comunicar. Aliás, muitas dessas formas comunicativas que nascem na internet nascem em um nicho, e depois viralizam. Neste processo de viralização, se tornam mais genéricas para se enquadrarem em outros nichos, o que é compatível com tudo que falei até aqui.

            Mas também acabam sendo esquecidas ou mutam pra algo diferente. Os emoticos vieram dos fóruns de emails acadêmicos, antes mesmo da internet existir do jeito que conhecemos hoje. Eles viralizaram e mutaram, como tudo na internet, como toda língua aplicada ao tempo. Imagine que, por repercutir de forma rápida e massiva, os efeitos do tempo em uma língua são potencializados na internet. Língua é uma entidade viva.

            Mais sobre o processo de mutação linguístico:

            https://www.youtube.com/watch?v=O9ak89FwYeI

          4. Lucas, se nós estivéssemos jogando baseball agora, vc veria a minha rebatida fazer a bola sair do estádio ;)

            Vc levanta questões pertinentes, mas, foi só um palpite meu – nem eu nem vc temos como prever o q acontecerá com a linguagem.

            Agora, a padronização dos sentimentos vai favorecer, preferencialmente, o comércio (que tende a ser cada vez mais online). Se essa padronização vai tomar a forma de emojis eu não sei, mas provavelmente será algo do tipo bem acessível a qualquer um. A aceitação do Moby Dick emoji na biblioteca do congresso americano (e não sei como eles fizeram esse livro caber no marc 21, mas deram um jeito) me pareceu um prenúncio até um tanto tardio.

          5. O livro do Moby Dick de emojis me parece muito mais uma piada interna gigante, uma forma de celebrar a cultura da comunicação moderna digital. Acho difícil isso ser um prelúdio pra qualquer coisa. A ploriferação do Inglês como segunda língua me parece um indicativo muito mais forte.

            Não entendi a piada do baseball, eu via a bola bater no seu taco e espirrar pra trás.

            Agora um pedido bem pessoal meu: quando for fazer alegações extraordinárias, como ligar a padronização de medidas com a padronização linguística, tem que mostrar evidências extraordinárias, ou pelo menos uma lógica muito mais forte do que “me parece que”. Eu trabalho com análise financeira, e te digo que as medidas usadas pelo comércio são tudo, menos padronizadas. As medidas científicas é que foram bem padronizadas.

            Já ouviu falar no bushel?

          6. Lucas, se tudo começar a lhe parecer uma piada interna, tudo vai acabar virando tb uma espécie de teoria conspiratória. O livro “Moby Dick” traduzido para emojis não é uma evidência… é apenas um indício – q pode ter até sido feito com o intuito de ser, sei lá, uma gracinha juvenil, mas acabou se tornando um registro de uma forma de se comunicar de uma época. Se os emojis vão perdurar, eu não sei, mas q está havendo um grande esforço pra contemplar as nuances da vida através deles, isto está (o facebook, uma das mais valiosas empresas do cosmo, anda gastando um tempo nisso). Mas evidências…, como dão as perícias policiais, isso eu não tenho como lhe dar, pq trata-se de algo em curso (e esse percurso pode ser tão longo q talvez nem estejamos mais vivos pra ver no q deu). Pode ser mesmo que o emoji não seja o formato ideal para padronizar sentimentos, mas ele me parece, sim, um caminho pra isso. Não vejo, apesar de dizerem o contrário, q o desenvolvimento de uma inteligência artificial se dará tão cedo, mas eis aí uma forma das máquinas estarem a par dos nossos sentimentos, afinal, as nuances elas dificilmente perceberam.

            Daí q não fiz “alegações extraordinárias”… É só um palpite, cara, (relaxa…) de como as coisas poderão ser no futuro, pois me pareceu bem inteligente o q fizeram há não muito tempo – na padronização das medidas. E quando eu penso na arte rupestre, por exemplo, vejo q mesmo antes da escrita nos foi deixada alguma possibilidade de comunicação com tempos bem remotos e, se vc olhar bem aquelas pinturas, vai ver q o elementar pra saber um pouco sobre eles estava ali naqueles alusões q fazim.

            Olha, não é à toa que está em curso também uma grande militarização das policias, poque é no código militar que se viu uma solução geral para todos os problemas que envolvem a dita “quebra da ordem”. Usando o mesmo código, ficará fácil para os Estados manter as coisas sob controle, então, a desmilitarização q pedem jamais será atendida, pois na linguagem militar, não há meio termo. E se se pensar em guerra, os índios que habitavam essas terras, tinha uma diversidade linguística fantástica, mas quando precisavam ir à guerra, faziam todos da mesma forma.

            Vc falou em mercado financeiro… me lembrei daquelas propagandas que o HSBC fez pra dizer que se importava muito com a cultura local e tal – apesar da sanha globalizadora deles… Poxa, e não é o q HSBC levou isso a ferro e fogo!? Eles respeitavam tanto que nem se importaram com a origem da gaita q depositavam em suas agências globais. Eu vi aí uma padronização dos sentimentos muito exitosa, afinal, nada mais global q a ganância e como concretizar isso duma forma q todos pudessem entender: um banco! Afinal, lhe dar com dinheiro sujo de sangue e mesmo assim pagar de bacana, é “a” linguagem do setor financeiro… E pra não ser injusto, talvez haja exceções.

            https://www.youtube.com/watch?v=boN2rsS6K_c&index=1&list=PLAEKUX2eV4jJEqwQnxJjXjlz09G7GGk7f

            E não é que justo um banco nacional ultra valioso está fazendo um grande esforço pra padronizar os sentimentos dos seus clientes!? Tenho certeza q o pessoal do marketing (q eu costumo subestimar) é muito inteligente, estudou em escolas caríssimas, PRECISAM dar lucro pro dono do banco senão tão todos na rua, ganham bem pacas, bom, se chegaram a essa conclusão, aí tem… mais um indício. Não acho q só estão surfando na modinha não…

            https://www.youtube.com/watch?v=c73ZESgC8aI

            E quanto ao taco, bom, eu confio no meu :)

          7. Lucas, se tudo começar a lhe parecer uma piada interna, tudo vai acabar virando tb uma espécie de teoria conspiratória. O livro “Moby Dick” traduzido para emojis não é uma evidência… é apenas um indício – q pode ter até sido feito com o intuito de ser, sei lá, uma gracinha juvenil, mas acabou se tornando um registro de uma forma de se comunicar de uma época. Se os emojis vão perdurar, eu não sei, mas q está havendo um grande esforço pra contemplar as nuances da vida através deles, isto está (o facebook, uma das mais valiosas empresas do cosmo, anda gastando um tempo nisso). Mas evidências…, como dão as perícias policiais, isso eu não tenho como lhe dar, pq trata-se de algo em curso (e esse percurso pode ser tão longo q talvez nem estejamos mais vivos pra ver no q deu). Pode ser mesmo que o emoji não seja o formato ideal para padronizar sentimentos, mas ele me parece, sim, um caminho pra isso. Não vejo, apesar de dizerem o contrário, q o desenvolvimento de uma inteligência artificial se dará tão cedo, mas eis aí uma forma das máquinas estarem a par dos nossos sentimentos, afinal, as nuances elas dificilmente perceberam.

            Daí q não fiz “alegações extraordinárias”… É só um palpite, cara, (relaxa…) de como as coisas poderão ser no futuro, pois me pareceu bem inteligente o q fizeram há não muito tempo – na padronização das medidas. E quando eu penso na arte rupestre, por exemplo, vejo q mesmo antes da escrita nos foi deixada alguma possibilidade de comunicação com tempos bem remotos e, se vc olhar bem aquelas pinturas, vai ver q o elementar pra saber um pouco sobre eles estava ali naqueles alusões q fazim.

            Olha, não é à toa que está em curso também uma grande militarização das policias, poque é no código militar que se viu uma solução geral para todos os problemas que envolvem a dita “quebra da ordem”. Usando o mesmo código, ficará fácil para os Estados manter as coisas sob controle, então, a desmilitarização q pedem jamais será atendida, pois na linguagem militar, não há meio termo. E se se pensar em guerra, os índios que habitavam essas terras, tinha uma diversidade linguística fantástica, mas quando precisavam ir à guerra, faziam todos da mesma forma.

            Vc falou em mercado financeiro… me lembrei daquelas propagandas que o HSBC fez pra dizer que se importava muito com a cultura local e tal – apesar da sanha globalizadora deles… Poxa, e não é o q HSBC levou isso a ferro e fogo!? Eles respeitavam tanto que nem se importaram com a origem da gaita q depositavam em suas agências globais. Eu vi aí uma padronização dos sentimentos muito exitosa, afinal, nada mais global q a ganância e como concretizar isso duma forma q todos pudessem entender: um banco! Afinal, lhe dar com dinheiro sujo de sangue e mesmo assim pagar de bacana, é “a” linguagem do setor financeiro… E pra não ser injusto, talvez haja exceções.

            https://www.youtube.com/watch?v=boN2rsS6K_c&index=1&list=PLAEKUX2eV4jJEqwQnxJjXjlz09G7GGk7f

            E não é que justo um banco nacional ultra valioso está fazendo um grande esforço pra padronizar os sentimentos dos seus clientes!? Tenho certeza q o pessoal do marketing (q eu costumo subestimar) é muito inteligente, estudou em escolas caríssimas, PRECISAM dar lucro pro dono do banco senão tão todos na rua, ganham bem pacas, bom, se chegaram a essa conclusão, aí tem… mais um indício. Não acho q só estão surfando na modinha não…

            https://www.youtube.com/watch?v=c73ZESgC8aI

            E quanto ao taco, bom, eu confio no meu :)

          8. De forma bem sucinta: se comunicar com os clientes da maneira que eles se comunicam entre si é uma tentativa de aproximação, de fazer parte da vida da clientela. Nada a ver com padronizar os sentimentos. A demanda criou a cultura dos emoticons primeiro, depois o banco vai atrás pra se encaixar nessa cultura – não o oposto.

            Depois de “lhe dar com dinheiro sujo de sangue e mesmo assim pagar de bacana, é “a” linguagem do setor financeiro”, deu pra perceber que você está misturando muita coisa não necessariamente relacionada e categorizando um enorme setor a partir de uma pequena parcela.

            Me parece que você formou uma conclusão primeiro e depois foi atrás de indícios que a corroboram, mesmo que tenha que forçar essa ligação. O exemplo do banco que abre este comentário é perfeito pra ilustrar isso. Recomendo fazer o caminho inverso, comece com hipóteses, não conclusões, e não force os indícios. Os encarem como são, não como você acha que devem ser, e veja quais conclusões da pra tirar deles. Por de mais, nossas opiniões ficaram mais do que claras e já entendemos que não vamos concordar. Paremos por aqui.

          9. Quem trabalha com marketing / publicidade e propaganda costuma fazer excelentes campanhas.
            Uns tempos atrás eu vi um post na internet contendo vídeos de diversas campanhas criadas para melhorar o transito atraves do impacto (ou seja, mostrando o que realmente acontece em um acidente), mas as agencias reguladoras impediram de divulgar os vídeos :/

          10. Talvez eu esteja confuso com as semânticas e caindo numa situação tragicômica de ter problemas em me comunicar ao falar de comunicação, mas:

            Não consigo associar liberdade e universal nesse contexto. A liberdade pra mim estaria associada às diversas possibilidades, enquanto o universal me parece algo restritivo, para que seja aplicável a qualquer situação (e portanto genérico).

            Então, para mim, essas linguagens simples são justamente o oposto de democrático. Não serei capaz de dizer o que quero enquanto ainda há o problema do meu interlocutor interpretar algo muito diferente. E pela limitação de símbolos, não sermos capazes de remediar o problema.

            【・_・?】

          11. Talvez eu esteja confuso com as semânticas e caindo numa situação tragicômica de ter problemas em me comunicar ao falar de comunicação, mas:

            Não consigo associar liberdade e universal nesse contexto. A liberdade pra mim estaria associada às diversas possibilidades, enquanto o universal me parece algo restritivo, para que seja aplicável a qualquer situação (e portanto genérico).

            Então, para mim, essas linguagens simples são justamente o oposto de democrático. Não serei capaz de dizer o que quero enquanto ainda há o problema do meu interlocutor interpretar algo muito diferente. E pela limitação de símbolos, não sermos capazes de remediar o problema.

            【・_・?】

          12. Se formos mais fundo no debate, concluiremos que até idiomas tradicionais estão abertos a interpretações diversas. Salvo engano é o Umberto Eco que fala sobre “obra aberta”: no momento em que você publica alguma coisa, o significado da mensagem fica sujeito à interpretação de quem lê, ou seja, pode ser mal interpretado. (Daí o cuidado em evitar ruído, palavras difíceis e duplo sentido, embora nem o texto mais cuidadoso do mundo se safe do risco de ser mal entendido.)

            Exemplo corriqueiro do português: “Estou bem”. Eu entendo, você também, qualquer um, mas acho que todos nós já dissemos “estou bem” sem estar bem, com uma entonação que desse a entender que não, não está nada bem, mas não quero dizer isso explicitamente. Ou o “estou bem” formal, sem qualquer significado verdadeiro.

            A universalidade dos emojis recai no potencial de interpretação, já que são desenhos, e desenhos, imagens em geral, na maioria dos casos dispensam o domínio de um código (como idiomas). Mas, note, que nem todos os emojis são fáceis de assimilar. Por terem nascido numa cultura bem específica e distante da nossa (a japonesa), um monte de desenhos que são facilmente associáveis lá não fazem sentido algum aqui.

          13. Acho que entendo o potencial, mas acho limitado para uma comunicação democrática. E por democrática, entendo uma comunicação que é acessível e eficiente. Talvez os emojis consigam para o primeiro caso.

  3. Recentemente, entrei pro mestrado em uma faculdade americana. Pra minha surpresa, a grande maioria dos meus colegas de mestrado são… chinesas! Não simplesmente chineses, mas chinesas, totalizando 127 dos 145 alunos do meu programa. Visto que são maioria esmagadora, eu tive que mudar meus meios comunicativos pra poder alcançá-las quando necessário.

    Os chineses usam um app chamado WeChat, que mistura as ferramentas do Whatsapp com a timeline do Twitter. Tanto nos grupos de conversa quanto nas conversas individuais, eu não consigo entender o que as chinesas estão dizendo. Fui surpreendido mais uma vez: isso não acontece por causa do Inglês pois elas são muito boas em gramática, mas sim por causa dos emojis, principalmente os terríveis Kaomojis.

    Pra quem não sabe, este último é uma modalidade de emoji que usa vários caracteres para se expressar, em vez de poucos como xD ou de imagens pequenas. Aqui vai um link com uma lista interminável deles:

    http://www.japaoemfoco.com/kaomoji-os-emoticons-japoneses/

    Eles não seriam problema se fossem usados apenas no início ou no final de uma conversa. Porém, as chinesas insistem em usá-los no lugar de palavras. Em vez de

    “Não entendi o exercício do professor, fiquei brava!”

    Eu tenho que lidar com:

    “Não entendi o _〆(。。) do (´⊙ω⊙`), fiqueinヽ(≧Д≦)ノ !”

    Aliás, eu percebi que elas criam um jaomoji específico pra cada pessoa, como se fosse um apelido, um substantivo próprio. Sempre que se referem a este a>professor específico, usam o (´⊙ω⊙`). Pra elas que são adéptas da cultura dos kaomojis, não faz diferença, mas pra quem não tem experiência com esse contexto, eles atrapalham a mensagem. O que era pra facilitar e simplificar, virou expressão cultural, cresceu, e agora dificulta e complica tanto a escrita (codificação) quanto a leitura (decodificação).

  4. É muito triste verificar que poucas pessoas conseguem ler um texto com mais de 140 caracteres. Eu entendo que tudo tem seu contexto, e por isso as vezes o famoso textão não é bem vindo. Mas vejo comentários de 5 linhas sendo chamados de textão! Nem todas as idéias são simples o suficientes para serem reduzidas a este ponto.

  5. Quanto a vibe do Yo, juro que ainda não entendi.
    Já tentei usar diversas vezes.
    Já convidei uma dezena de amigos para aderir e 5 minutos após o inicio do uso desse app, eles me perguntam se já podem desinstalar o mesmo.

    1. É, nesse sentido é difícil encontrar uma aplicação prática. Acho que precisa estar muito em sintonia com alguém para que uma notificação genérica faça sentido. Mas como ferramenta de broadcasting, é mais fácil entender o apelo: um site ou serviço que não tenha notificações, por exemplo, pode usar a plataforma para suprir essa lacuna. É o que eu faço aqui no Manual. Quando um post é publicado, o Yo avisa e, com um toque, leva o leitor direto ao post.

      1. Ah sim. É uma boa. Tipo um rss mais pessoal.
        Eu queria usar ele pra dizer “oi” pros contatos sem necessariamente ficar perguntando se tá tudo bem e as novidades etc.

    2. Também não consegui assimilar o porque desta febre pelo ‘YO” , pensei que fosse mais uma modinha passageira.

  6. Quanto a vibe do Yo, juro que ainda não entendi.
    Já tentei usar diversas vezes.
    Já convidei uma dezena de amigos para aderir e 5 minutos após o inicio do uso desse app, eles me perguntam se já podem desinstalar o mesmo.

  7. A escrita japonesa (ou melhor, boa parte das escritas orientais) é de certa forma também pictográfica. Um “caractere” significa tanto um único fonema quanto uma palavra, uma expressão.

    A imagem representando uma emoção ou sentido é mais fácil de ser interpretada do que uma palavra (como dizem – uma imagem vale mais que mil palavras). Por isso a aceitação dos emojis.

    Boa parte de uma comunicação quando pessoas não se entendem (seja por questões de linguagem ou qualquer outra) também é facilitada quando se usa gestos.

    1. Discordo da afirmação do seu segundo parágrafo. Há uma diferença entre uma imagem de pessoa, com todas as suas nuances, para um emoji, que é genérico.

      Digo, ambos são fáceis de entender de forma genérica, mas uma interpretação completa ou complexa com emojis me parece complicado.