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Bloco de notas #20

Pessoas aguardam em uma fila, iluminadas pelos projetores da solução high-tech da Azul e Infraero.

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Fila de embarque high-tech (e organizada)

A Azul e a Infraero estão testando uma solução high-tech para organizar as filas de embarque em aviões no Afonso Pena, aeroporto na região metropolitana de Curitiba (foto acima). Nos portões em testes, foram colocadas duas telas e 12 (!) projetores que iluminam o chão com quadrados coloridos e com os números dos assentos. O passageiro acompanha pelas telas a progressão da fila e só se dirige a ela quando o número do seu assento é projetado.

→ Procurei as assessorias da Azul e da Infraero para saber mais do projeto. Ambas negaram entrevistas. A Azul disse, por e-mail, que não poderia dar mais detalhes porque está “em fase de negociação”. Já a assessoria da Infraero afirmou que o sistema será anunciado oficialmente em um evento ainda sem data, mas que deve ocorrer antes de abril.

Livros recomendados pelo Manual do Usuárioo

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Reconhecimento facial: guerra perdida?

Enquanto vamos acumulando falsos-positivos em sistemas de reconhecimento facial implantados pelas polícias militares aqui no Brasil, os Estados Unidos provam que são vanguarda: reportagem do New York Times [em inglês] expôs a Clearview AI, uma startup misteriosa que já capturou mais de três bilhões (!) de fotos de pessoas em redes sociais e comercializa sua tecnologia de identificação de suspeitos para mais de 600 polícias do país. O Estadão traduziu a reportagem.

→ Por trás da Clearview AI está Peter Thiel, bilionário que ocupa um assento no conselho administrativo do Facebook e é um dos fundadores da Palantir, startup especializada em análise de big data que tem entre seus clientes o exército dos Estados Unidos e o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE, na sigla em inglês), órgão que no governo Trump virou uma máquina de deportações [The Intercept, em inglês] e criou campos de concentração para crianças separadas de seus pais [Mijente, em inglês], esses presos ao tentarem atravessar a fronteira com o México.

→ Do outro lado do Atlântico, a União Europeia avalia proibir a implantação de sistemas de reconhecimento facial em locais públicos nos países do bloco por cinco anos [Reuters]. O objetivo é dar tempo para as autoridades criarem leis capazes de prevenir abusos.

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Enquanto Zuck faz posts revisionistas sobre como pretendia que o Facebook “desse uma voz às pessoas”, ele constantemente ignora o principal: assédio deste tipo *silencia* vozes. Ele dissuade a oposição a ideias terríveis ao tornar os custos de reputação, tempo e sanidade caros demais…

Renee DiResta, comentando [Twitter, em inglês] o caso da médica que viralizou com um vídeo no TikTok dizendo que vacinas não causam autismo e se viu vítima de uma tsunami de ataques de grupos antivacina.

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Consulta a números pré-pago

A Anatel, em parceria com as operadoras de telefonia móvel, lançou um site para consultar linhas pré-pagas ativas [Olhar Digital]. Pelo site, é possível verificar se existem linhas vinculadas ao seu CPF e, se sim, solicitar à operadora correspondente o cancelamento das que não estão em uso ou lhe são estranhas.

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Leituras de fôlego

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Hackeado pelo WhatsApp

Segundo o jornal inglês The Guardian, Jeff Bezos teve seu celular hackeado em maio de 2018 após abrir um vídeo malicioso (no sentido técnico) enviado por Mohammed bin Salman (MBS), príncipe herdeiro da Arábia Saudita. Aparentemente, MBS estava incomodado com a cobertura crítica que o Washington Post, de propriedade de Bezos, fazia de seu país.

→ Como se sabe, no início de 2019 Bezos foi alvo de uma tentativa de chantagem [Época] por um tabloide norte-americano, que ameaçou publicar fotos íntimas dele com uma amante. A revelação desta semana deriva da investigação feita no celular de Bezos.

→ Entre os dois eventos ocorreu algo chocante: em outubro de 2018, Jamal Khashoggi, jornalista saudita exilado nos Estados Unidos e colunista do Washington Post, foi morto e esquartejado [BBC] na embaixada da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, suspeita-se que a mando de MBS.

→ O relatório da análise do iPhone X de Bezos [Vice, em inglês] é… inconclusivo? Ele não a cita, mas talvez o caso tenha relação com esta falha grave [em inglês] que o Facebook reportou em novembro de 2019: um arquivo MP4 (de vídeo) adulterado poderia causar um erro de buffer overflow, abrindo caminho para a execução remota de códigos.

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Roku no Brasil

A Roku foi a primeira empresa que colocou um aplicativo da Netflix em uma set-top box, essas caixinhas que conectam TVs à internet. Isso em 2008. Nesta terça (21), a empresa norte-americana desembarcou no Brasil. Só que em vez de trazer seu produto principal, a Roku fez uma parceria com a AOC para embutir seu sistema, o Roku OS, em duas smart TVs [Estadão]. Boa sorte?

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Audiência à moda Facebook

A Netflix informou que a série The Witcher, baseada no livro homônimo do escritor polonês Andrzej Sapkowski, foi a mais popular em sua semana de estreia na história do serviço. Ela foi vista em 76 milhões de residências. Tudo muito bonito, mas há um detalhe importante aí: a empresa mudou a métrica de audiência [The Verge, em inglês]. Antes, para que uma visualização fosse computada, era preciso que o assinante assistisse a pelo menos 70% do vídeo; na nova, basta que ele o assista por dois minutos. No caso de séries, dois minutos de um episódio já conta para ter visto “a série”. A própria Netflix admite que a nova métrica infla os dados de audiência em cerca de 35%.

→ Dois minutos do primeiro episódio de The Witcher não passa nem da abertura/créditos iniciais.

→ A Netflix diz que a nova métrica é alinhada à maneira como outras plataformas digitais, como o iPlayer da BBC e o YouTube, contabilizam audiência. Ok. Padrão ou não, é importante lembrarmos a lambança homérica do Facebook nesse setor: um “erro”, que a empresa levou mais de um ano para divulgar, inflou os dados de audiência dos vídeos da plataforma em 60–80% [The Verge, em inglês], o que fez muitas empresas que publicam vídeos revisarem suas estratégias e, em alguns casos extremos, irem à bancarrota.

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Anúncios detestáveis

Pesquisa da Outbrain com 1.007 brasileiros revelou que 89% do público do país detesta anúncios que interrompem o que se está fazendo [Convergência Digital], como aqueles em tela cheia bem comuns em jogos gratuitos de celular.

→ A Outbrain é responsável pelos anúncios abjetos que aparecem no rodapé de textos em blogs e jornais, a maioria com chamadas sensacionalistas. Em outubro, foi comprada pela Taboola, que incorre na mesma prática. Será que o formulário da pesquisa incluía entre as opções os anúncios da Outbrain/Taboola?

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Senhores da guerra virtual

O NPD Group divulgou a lista dos 20 jogos de video game mais vendidos (em receita) da década nos Estados Unidos. Literalmente metade dela é composta por jogos da franquia de guerra Call of Duty [Retina Desgastada]; desses, sete estão entre os dez mais vendidos. O primeiro lugar ficou com GTA V. O único título não-violento do top 10 é Minecraft, em décimo lugar.

→ É meio assustador, mas lembremos que se trata do país que considera Duro de Matar, um filme com terroristas, mortes e a explosão de um prédio, o mais natalino de todos os tempos [Wikipédia, em inglês].

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