Bloco de notas #1

GIF de uma bunda com a mão no "queixo" como se estivesse pensando.

Notas curtas e curiosidades do mundo da tecnologia que publicaria no Twitter se o Twitter fosse uma rede legal.

***

O intrigante GIF animado que abre esta edição de estreia do Bloco de notas faz parte da Buttsss, uma “bela coleção de ilustrações de bundas redondas”. Não deixe de ler o detalhado caso de estudo de Pablo Stanley, artista responsável por esta magnífica obra de arte digital.

***

Estes anúncios de conexão e serviços na internet de 1995 parecem ter saídos de uma realidade alternativa.

***

Em Hong Kong, reconhecimento facial virou arma [New York Times, em inglês]. Autoridades identificam os líderes dos protestos pelo rosto e tentam forçá-los a desbloquearem seus celulares dessa maneira. Do outro lado, manifestantes compartilham em grupos no Telegram rostos de policiais à paisana. No vídeo acima [@alessabocchi/Twitter], manifestantes usam lasers para bloquearem câmeras de reconhecimento facial.

***

Nesta semana, a nossa campanha de financiamento coletivo ganhou mais dois apoiadores: Ismael Monteiro da Silva e Gustavo Piotto. Obrigado! Estamos em 35% da meta. Se você gosta deste blog e e pode contribuir, considere tornar-se assinante.

***

A Netflix foi flagrada coletando dados de movimento [The Next Web, em inglês] em celulares rodando versões de testes do Android Q, próxima do sistema do Google. (Ela explicita a coleta desse tipo de dado.) Questionada, a empresa disse que era “parte de um teste para ver como podemos melhorar a qualidade de exibição dos vídeos para assinantes em trânsito”. A coleta e o processamento de dados sempre andaram de mãos dadas com o crescimento estratosférico da Netflix na última década [Hackernoon, em inglês].

***

Amazon, Google e, agora, Apple: todas repassam amostragens mínimas de frases ditas por usuários a seus assistentes de voz — Alexa, Google Assistente e Siri, respectivamente — para que seres humanos as ouçam e classifiquem. O último caso, da Apple, foi especialmente decepcionante, já que a empresa mantém uma postura pró-privacidade e só confirmou esta prática após um ex-contratado denunciá-la [The Guardian, em inglês]. O melhor a se fazer é desativar os comandos automáticos. Veja como no iPhone e Apple Watch e no Android.

Atualização (9h20): A Apple anunciou a suspensão do programa que coloca humanos para ouvirem frases ditas à Siri e que, quando retomá-lo, ele será opcional (“opt-in”). Deveria ter sido assim desde o começo, mas é melhor que nada.

***

O Detoxify gera ícones falsos de apps populares na tela do seu celular. Toda vez que você toca em um deles, um contador indica quantas vezes você tentou acessá-lo. O objetivo é substituir o app verdadeiro pelo ícone falso a fim de combater o vício. Tem os suspeitos habituais: Instagram, Twitter, Facebook e outros.

***

Perdeu alguma coisa do Manual durante a semana? Sem problema:

***

Foto de cima mostrando detalhe nas teclas especiais e no trackpad multifuncional do Positivo Motion Q.
Foto: Positivo/Divulgação.

A Positivo levou à Eletrolar o notebook acima, chamado Motion Q. Diferentemente do Motion C de 2018, que trazia apenas a tecla Netflix, o novo modelo acrescenta outras duas especiais ao teclado: as teclas YouTube, autoexplicativa, e a “Me”, que leva o usuário a qualquer site pré-programado. Já consigo imaginar o desespero de um contador abrindo o YouTube umas dez vezes por dia enquanto tenta navegar em sua planilha usando as teclas direcionais.

***

A democratização da internet via celular — a chamada era pós-PC — está criando uma legião de jovens conectados que chegam ao mercado de trabalho sem saber usar o computador [O Globo, em português], deficiência que acaba se tornando uma grande desvantagem competitiva. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 49% dos brasileiros acessam a rede apenas via celulares. Para variar, as camadas pobres da população são as mais afetadas.

***

Um punhado de fotos antigas do New York Times mostrando a evolução dos telefones [em inglês] — das primeiras ligações até os celulares.

***

O Chrome 76, liberado na última terça-feira (30/7), acabou com a capacidade de os sites detectarem acessos no modo privado/anônimo. Com isso, jornais que usam paywalls porosos não conseguem mais barrar acessos ilimitados por ali [WNIP, em inglês].

***

Nos Estados Unidos, 20% das funerárias já oferecem streaming de velórios [Wired, em inglês].

***

A Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico publicou uma apostila curtinha sobre a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPDP) [PDF]. Serve como introdução para quem ainda está perdido no assunto.

***

Na China, produtoras apoiadas por gigantes como Tencent e Baidu apostam em séries audiovisuais feitas para serem vistas no celular em modo retrato (com a tela de pé) [The Next Web, em inglês]. Os episódios são curtos, ágeis e exploram o formato da tela, transformando em artifício narrativo aspectos que de outra forma seriam vistos como limitadores. Essas séries são chamadas de “shùpíngjù”, ou “dramas verticais”.

***

Se você esboçou um sorriso enquanto lia este Bloco de notas, salvou uma ou outra leitura longa para depois ou apenas gostou desta curadoria de tecnologia, assine gratuitamente a minha newsletter para recebê-la semana que vem direto no seu e-mail:


Acompanhe

Newsletter (toda sexta, grátis):

  • Mastodon
  • Telegram
  • Twitter
  • Feed RSS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

13 comentários

  1. Ótimo resumo.

    Sobre a escolha da Apple é ruim para a empresa. A Siri vai ficar ainda mais para trás da Assistente e da Alexa.

    Sobre o Notebook, ideia de jerico. Teclas direcionais deveriam ficar livres, leves e soltas sem essas teclas do lado (Teclas convencionais inclusas).

    Sobre Hong-Kong, é o futuro.

    Sobre a não familiaridade de jovens com o computador, vejo isso todos os dias onde trabalho. Temos de ser consultores Microsoft para alguns dos recém chegados.

  2. Interessante. Bem que eu percebi que o canal do Telegram tava meio parado esses últimos dias… Resolveu abandonar o Telegram onde você postava essas notas (ao contrário do Twitter, como falou no início do post) e publicar direto no site, Ghedin?

    1. Exato. E também dar menos ênfase a hard news. Já tem gente fazendo isso, que o Manual seja um espaço para dar coisas que ninguém deu — como esse notebook curioso da Positivo :)

  3. Celular é uma ferramenta para apenas consumir conteúdo, dentro de um walled garden e preferencialmente do que eles te incentivam a usar.
    Computador é uma ferramenta que além de permitir consumir conteúdo (sem tantas formas de forçação como o celular), é uma ferramenta de produção.
    Celular te torna sujeito passivo no uso da tecnologia, Computador, sujeito ativo.

  4. valeu por lembrar de nós, contadores, rs

    e obrigado pela dica do detoxify, curti bastante já ocultei os aplicativos do facebook e instagram aqui, cheguei a usar as versões web de ambos, mas são extremamente ruins.

    e gostei dessas notinhas aqui, ainda mais que não uso twitter

  5. DA democratização da internet via celular: As pessoas acabam tentando ir pelo “mais intuitivo”.

    E computadores com teclado e mouse acabam não sendo tão intuitivos. Esse é o resultado.

    “Pessoas comuns” vão sempre acabar tendo um pouco mais de esforço em aprender computação pois o vê como uma ferramenta simples, ou um aparelho de mídia, como uma televisão ou rádio. Não como uma ferramenta de trabalho ou espaço de trabalho.

    (Tive um amigo que estava em um emprego e perdeu porque não tinha proficiência no pacote Office. Hoje é chaveiro [oi amigo, se tu vê este comentário aqui!])

    1. Hmmm, acho que não?

      Celulares são mais baratos e mais úteis, no geral, que computadores. Com a grana apertada (note que o problema se manifesta nas classes D e E, segundo a reportagem), é preciso priorizar. Comprar um notebook que é mais caro, não tem uma série de apps úteis em trânsito — mapas, WhatsApp —, ou um celular por metade do preço e que faz quase tudo que o computador faz e mais, e ainda é móvel (está contigo o tempo todo)?

      1. Excelente ponto. Eu gosto de me imaginar em uma situação de calamidade onde tenha que começar minha vida do zero. Entre comprar um notebook e um celular, o segundo é mais útil. Há muito mais coisas que vc pode fazer com um celular e não com um notebook do que o contrário. Aliás, o que um usuário médio faz com um notebook hoje que não possa ser feito pelo celular?

      2. De fato.

        Uma experiência que e é próxima: minha mãe é professora em duas redes (estadual e municipal) e ela só usa o notebook dela quando precisa redigir as provas, pra todo o resto ela usa o telefone (iPhone SE). Filmes ela reproduz na TV da sala pelo telefone ou usando os aplicativos da TV mesmo. Conversas são todas via WPP e SMS. Nada do que ela faz no dia-a-dia precisa de um PC.

        Minha namorada, professora também, usa exatamente do mesmo modo. Com o agravante que ela dá aulas numa escola privada e lá as provas são unificadas, ou seja, ela só vai pro PC quando ela precisa de algo muito personalizado.

        E as impressoras com wifi embutido ainda permitem que se imprima diretamente do telefone qualquer imagem/documento na nuvem.

        O maluco sou eu, nessa nova realidade, que tem dois computadores pessoais e que raramente usa o telefone que não seja no ônibus ouvindo podcast/música.

        1. mas vc trabalha de casa? pq apesar de usar mais o celular que notebook, o faço pq fico muito tempo fora de casa, mas quando não estou na rua, mal pego no celular

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!