O guia definitivo do Neubrutalism na web 
neubrutalism.co

O Neubrutalism é um movimento estético digital que rejeita a neutralidade polida moderna em prol do que chamam de “franqueza gráfica”: paletas de alto contraste, tipografia ousada, formas bem definidas, estrutura óbvia e — principalmente — linhas e sombras duras.

Yearly Progress 
yearly-progress.com

Quatro visualizações da passagem do ano: barra, círculo, riscos na parede da prisão em filmes e mapa de commits do Github. Dá para criar períodos personalizados e arriscar um da sua expectativa de vida.

O LineageOS agora tem um instalador web. O projeto avisa, porém, que ele não faz o processo completo, e que ainda é preciso seguir as instruções da wiki do seu dispositivo. Ainda assim, deverá facilitar um bocado nas grandes atualizações anuais. Na mesma nota, informam que o trabalho no LineageOS 24, baseado no Android 17, está “progredindo lindamente”.

O Medium tornará públicas em seu perfil as interações realizadas na plataforma: aplausos (as curtidas de lá), destaques e comentários. A exposição delas é “opt-out”, ou seja, caso você queira mantê-las privadas, precisa abrir esta tela das configurações, no navegador web, e desmarcar as três opções — “Claps”, “Highlights” e “Responses”.

O meteoro bateu

Não tenho o hábito de acessar as estatísticas da audiência do Manual. Vez ou outra acesso o painel (que é público) para analisar algo específico, e foi numa dessas que reparei, quase por acaso, que a média de acesso dos textos recém-publicados caiu muito.

Não que isso surpreenda. Desde que o Google ativou aqueles resumos de IA no início das páginas com resultados da busca, geral viu os acessos a seus sites caírem. Achismo puro meu, acho também que chatbots de IA, como o ChatGPT, viraram uma chave no público e o acesso aos sites, à web, sofreu um baque por isso.

Faz uma década que repito que números e estatísticas não pautam o que eu faço. Sigo firme nesse princípio, mas mentiria se dissesse que constatar uma redução profunda na audiência do blog não me abalou. Se ninguém lê o que escrevo — ou pior, se apenas robôs “leem” —, o que estou fazendo aqui?

Passei alguns dias angustiado, refletindo sobre esta nova realidade. Sem sucesso. Estou aberto a conselhos e sugestões.

A única ideia saída dessa filosofada existencial foi explorar mais a newsletter. O envio da íntegra dos textões que publico no blog era “opt-in”, ou seja, enviados apenas a quem sinalizava querer recebê-los. A partir de agora, passa a ser “opt-out”, vão para todos, exceto quem sinalizar que *não* quer recebê-los.

Como fazer essa sinalização? No painel do inscrito, também acessível pelo link “Gerencie a sua inscrição” no rodapé de todas as mensagens. (Coloquei uns GIFs animados para destacá-lo melhor.)

Há pouco mais de dois anos, escrevi que via o meteoro metafórico do fim da web no céu. Parece que ele, enfim, bateu.

Gente velha na internet provavelmente se lembra do phpBB, um sistema de fóruns de discussão muito popular no início dos anos 2000. Descobri, por acaso, que ele ainda existe e tem desenvolvimento ativo, ainda que lento: a série phpBB3 foi lançada em dezembro de 2007 e a última grande atualização (3.3), em janeiro de 2020. Em time que está… existindo, não se mexe?

“Demetricando” a web

Em 2012, o artista Ben Grosser lançou uma extensão de navegador chamada Facebook Demetricator. Ao ser instalada, ela ocultava todas as métricas da interface do Facebook: número de curtidas, comentários, notificações, mensagens não lidas etc.

“O que aconteceu aqui é que esses números de conexão social brincam com o nosso desejo interno (inspirado pelo capitalismo) por mais”, justificou-se.

Ao criar sua extensão, Ben questionou a razão de tantos números “em um sistema (e por uma empresa) que depende do trabalho gratuito contínuo do usuário para produzir a informação que preenche seus bancos de dados”.

Isso tudo em 2012!

Mais de uma década depois, sinto que não internalizamos as descobertas à frente do tempo feitas por Ben. Mesmo alternativas que se posicionam como opostas às práticas abusivas de plataformas comerciais como o Facebook, casos de Bluesky e Mastodon, insistem em interfaces recheadas de números. Parece até que perdemos a capacidade de imaginarmos outros modelos de interações digitais.

(mais…)

Um dos links desta segunda (26) foi o Just a QR Code, um gerador de QR codes simples, direto, sem anúncios nem rastreadores invasivos.

O Just a QR Code nasceu da insatisfação de Gabe Schuyler com geradores online do tipo. “Não é possível criar um site de uma página que use JavaScript para gerar QR codes? Algo que eu possa salvar no disco e rodar localmente?”, ele se perguntou.

E disso nasceu o Just a QR Code. Os custos operacionais o próprio Gabe se dispôs a bancar. Em troca, ele pede:

Se você achar [o Just a QR Code] valioso, pague por ele criando sua própria coisa útil para o mundo e disponibilize-a de graça. Vamos tomar a web amigável de volta, derrubando uma ferramenta irritantemente monetizada de cada vez!

É esse espírito que move o PC do Manual. Que, a propósito, tem duas ferramentas de geração de QR codes, uma geral e outra para o ingresso em redes Wi-Fi.

Dark Visitors ganha plano gratuito

O Dark Visitors, serviço de monitoramento e bloqueio de robôs de empresas de inteligência artificial, mencionado neste Manual em agosto de 2024, reformulou seus planos e, agora, oferece um gratuito bastante generoso, com um teto de 1 milhão de “eventos”.

Dá para usar no modo gratuito para sempre ou cadastrar o cartão e usufruir dos recursos pagos, sem pagar, desde que seu site não ultrapasse o teto de 1 milhão de eventos. Após isso, o custo é de US$ 0,00005 por evento.

Havia cancelado o uso do Dark Visitors aqui quando o período de testes expirou. Agora, reativei-o. É quase terapêutico ver o tráfego de não-humanos por aqui.

A Hypertext TV é “uma celebração de pequenos sites e jogos artesanais” 

Print do guia de canais do site Hypertext TV.

A Hypertext TV é “uma celebração de pequenos sites e jogos artesanais”. A interface simula uma TV de tubo e os “canais” (sites) disponíveis variam de acordo com o dia e horários — volte em dias diferentes para receber outros conteúdos. Trata-se de uma espécie de provocação à oferta de conteúdo ilimitado sob demanda da web moderna. “A Hypertext TV é uma tentativa de imaginar essa programação compartilhada [da TV e do rádio] na web: limitada, não algorítmica, coletiva. Explore o que está no ar hoje. Talvez você descubra algo novo.” (O código é aberto e dá para sugerir sites.)