Não demorou muito para a Meta sacanear jornalistas no Threads, repetindo um roteiro já gasto de… sacanear jornalistas. Na sexta (9), Adam Mosseri disse que “contas políticas” não serão recomendadas pelo algoritmo do Threads e do Instagram. (O que define uma conta como “política”? Boa pergunta.)

Muita gente que apostou na rede da Meta diante da decadência do Twitter se sentiu traída. O que é estranho, porque não é a primeira nem a segunda vez que a Meta sacaneia jornalistas. Via @mosseri@threads.net, Washington Post (em inglês).

Quando a Meta lançou o Threads e anunciou que ele usaria o protocolo ActivityPub, para integrar-se ao fediverso/Mastodon, desconfiei.

Nesta quarta (13), quase seis meses depois do lançamento da rede, Zuck disse no Threads que estavam “testando a integração”. Continuei cético.

Hoje (14) pela manhã, abri o Mastodon e dei de cara com o perfil do Threads de Adam Mosseri, executivo à frente do Threads e Instagram, no meu feed, acessível pelo Mastodon (procure por @mosseri@threads.net).

Ainda estou cético, mas agora um pouco menos.

Na sexta (27), o ex-Twitter anunciou um plano “Premium+” de R$ 84/mês que remove anúncios. Nesta segunda (30) foi a vez da Meta revelar seus planos pagos para Facebook e Instagram na Europa, por € 9,99/mês. As duas plataformas se juntam ao YouTube, que remove anúncios por R$ 24,90/mês.

É bom que exista a alternativa paga e sem anúncios, mas isso não soluciona o problema. Poucos podem ou querem pagar. A oferta de serviços suportados por publicidade não é, a princípio, nociva. As práticas invasivas das big techs, que devassam a privacidade dos usuários para exibir anúncios segmentados, é que são.

Típico da Meta esconder o feed cronológico de quem você segue no Threads e, ainda por cima, não deixar defini-lo como padrão.

Aliás, você sabia que o Instagram também tem um feed desse tipo desde março de 2022? Fica escondido e não pode ser tornado padrão, óbvio. Para vê-lo, toque no nome “Instagram”, no canto superior esquerdo da tela, e um menu aparecerá com a opção “Seguindo”. Via The Verge (em inglês), Blog do Instagram.

O dia seguinte do Threads

Passada a euforia da estreia, é um bom momento para avaliar o impacto do Threads na confusão que virou a disputa pelo suposto vácuo deixado pela passagem do furacão Elon Musk pelo Twitter.

Os dados iniciais foram surpreendentes: 100 milhões de pessoas deram uma chance ao Threads nos primeiro cinco dias do app, lançado em 5 de julho. A taxa quebrou o recorde do ChatGPT, que havia demorado dois meses para chegar nove dígitos.

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Escrevi mais cedo, na newsletter, que a diminuição da base de usuários e tempo gasto no Threads é normal após a primeira onda de entusiasmo e curiosidade. Horas mais tarde, vejo que a Sensor Tower apontou um capote ainda maior: -70% de usuários ativos diários e 4 minutos de uso por dia. Será que já flopou? Via Wall Street Journal [sem paywall] (em inglês).

Vídeos de unha encravada no TikTok, curso de Threads e Tumblr sem gente pelada

Neste podcast eu falei do experimento de redes sociais que estou fazendo no Manual, de vídeos de unhas encravadas no TikTok, do curso de Threads e do futuro do Tumblr.

Desde o último episódio, quatro leitores/ouvintes assinaram o projeto: Ricardo Zanlorenzi, Marco Soledade Jr., Xenócrates Amon Mello e Caio Henrique. Obrigado!

Quer assinar também? Nesta página tem os planos, benefícios e valores.

O que aprendi com cursos do Threads lançados menos de 24 horas depois do próprio Threads

Não fazia 24 horas que o Threads estava no ar, na quinta-feira (6), quando li alguém zombando que já tinha gente vendendo curso para bombar na nova rede social da Meta/Instagram.

Incrédulo, abri o marketplace do Hotmart e pesquisei por “threads”. Não havia um, mas sim uma dúzia de cursos do tipo nos resultados, com promessas absurdas de revelar supostos segredos do Threads para os negócios, para viralizar, para vender… enfim, para se dar bem no puxadinho recém-inaugurado do Zuckerberg.

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Como Threads pode ser benéfico ao Mastodon

A melhor coisa do Threads, nova rede social da Meta, ainda é uma promessa: interoperabilidade com o ActivityPub, protocolo por baixo do Mastodon e de outras redes descentralizadas.

Em seu segundo post no Threads, Adam Mosseri, executivo da Meta responsável pelo Instagram, disse que “um número de complicações” impediu a empresa de oferecer compatibilidade total no lançamento. “Mas está a caminho”. Mau começo, mas uma sinalização promissora.

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