Quase ninguém liga se seu site não está nas redes sociais
Em março de 2024, fiz um experimento no Manual do Usuário: parei de distribuir o conteúdo do site em redes sociais e aplicativos de mensagens.
O resultado foi que… pouca coisa mudou.
Em março de 2024, fiz um experimento no Manual do Usuário: parei de distribuir o conteúdo do site em redes sociais e aplicativos de mensagens.
O resultado foi que… pouca coisa mudou.
Não é de todo estranho que empresas recém-listadas na bolsa percam valor de mercado após a euforia inicial. Os casos de Reddit (RDDT, na NYSE) e Truth Social (DJT, na Nasdaq), porém, parecem atípicos.
O Reddit passou 18 anos crescendo em cima do trabalho voluntário dos usuários e, ainda assim, incapaz de gerar receita significativa, mas jura de pés juntos que agora vai. Acredita quem quiser.
O caso do Trump Media & Technology Group, empresa que detém a rede social do ex-presidente estadunidense Donald Trump, Truth Social, e abriu capital via SPAC (estamos em 2021?), é ainda mais pitoresco. Criada em cima de uma versão defasada do código do Mastodon, apresenta números constrangedores e o controle acionário está nas mãos de Trump, que detém +57% das ações.
O papel chegou a valer US$ 13,5 bilhões na quinta (28/3), impulsionado por pequenos investidores de lugares como o r/WallStreetBets, um grupo de zoeira financeira do Reddit.
O Financial Times questiona se as duas ações são as novas “meme stocks” — uma piada de 2021 que, como toda piada repetida, já perdeu a graça. Via Financial Times [sem paywall] (em inglês).
O Manual do Usuário e o Órbita estão de volta às redes sociais e aplicativos de mensagens. Dê uma olhada na página de canais sociais para saber em quais. Tem uma novidade: um perfil automatizado no Bluesky.
O experimento foi bom, mas os lembretes periódicos em plataformas externas fizeram falta. Em breve trarei o relato completo, com ~dados, do período.
Agora que o Threads começou a federar com o fediverso (ainda de modo capenga), chegou a hora dos incomodados bloquearem a instância da Meta.
No Mastodon, dá para bloquear um domínio/instância inteiro apenas em sua conta, independentemente de quem administra a instância. (Por outro lado, uma instância bloqueada pelo administrador não pode ser liberada por um usuário desta.)
Se a sua instância não bloqueou o threads.net e você deseja fazer isso, siga estes passos:
@zuck@threads.net na busca);Bloquear domínio threads.net.Caso se arrependa, é só seguir o mesmo caminho para desfazer o bloqueio. As relações anteriores ao rompimento (quem você seguia e quem te seguia), porém, não voltam automaticamente.
Atualização (10h40): Uma opção melhor para gerenciar instâncias bloqueadas é abrir o seu próprio perfil, tocara no botão de reticências (…) e, em seguida, em Domínios bloqueados. Obrigado pela dica, João!
Eu não quero muita coisa de um aplicativo do Mastodon: apenas que ele seja leve, estável, sem muita invencionice e agradável de usar.
Por algum motivo que não sei, até hoje não havia testado o Mastoot. (Suspeito que o confundia com o Mast, que achei horrível; o pessoal precisa pensar em uns nomes mais originais.)
Dia desses, de bobeira, baixei o Mastoot e gostei muito do que vi. Tanto que substituí o app oficial do Mastodon por ele.
O Mastoot, desenvolvido por Bei Li, é simples de tudo. Não tem recursos avançados nem é muito personalizável — dá para trocar o ícone e a cor de destaque e personalizar a ordem das ações ao deslizar o dedo lateralmente. E só.
Por outro lado, o app é uma delícia de usar por ter todas as características que citei ali em cima. Ah, e é gratuito.
Mastoot / iOS, iPadOS / Gratuito

Nesta quinta (21), a Meta liberou a integração (ainda capenga) do Threads com o fediverso. Por ora, só quem está no Canadá, EUA e Japão consegue ativar a opção no Threads. Via TechCrunch e @zuck@threads.net (ambos em inglês).
O mastodon.social, principal servidor de Mastodon, publicou uma nova regra (tradução livre):
Conteúdo criado por outros deve ser creditado e o uso da IA deve ser informado
O conteúdo criado por outras pessoas deve fornecer claramente um crédito ao autor, criador ou fonte. Para conteúdo adulto, isso deve incluir artistas [que aparecem]. Os perfis não podem publicar conteúdo gerado por IA exclusivamente.
Se tem um lugar em que regras de atribuição/crédito aos criadores originais pode funcionar, é no Mastodon. Ansioso com a aplicação da nova regra.
Sobre a da IA gerativa, fico reticente. Daqui a algum tempo, será o equivalente a exigir que edições feitas no Photoshop sejam informadas. Se bem que… talvez fosse uma boa? Via @Gargron@mastodon.social (em inglês).
A abordagem do Bluesky para moderação, que pretende criar um mercado de serviços do gênero, é interessante, mas tem uma lacuna óbvia que, no anúncio desta semana, é mencionada de passagem no último parágrafo: quem vai querer assumir essa bucha?
Pessoas e empresas esperam um nível mínimo de moderação. (Coisa que, a bem da verdade, o Bluesky oferece.) A ideia é que serviços independentes que se “empilham” a essa camada básica sejam lançados e criem um mercado, mais ou menos como o que se criou com os algoritmos de recomendação, ou feeds personalizados — já são +40 mil.
O problema é que um serviço de moderação é um trabalho contínuo, desgastante e ingrato, pois invisível — só é bem feito quando ninguém o percebe.
No post oficial, a equipe do Bluesky diz que os serviços de moderação “provavelmente começarão como projetos operados pela comunidade”, mas que “nada impede que um deles tenha assinantes pagantes”. Via Bluesky (em inglês).
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou novas resoluções para as eleições municipais deste ano.
Entre elas, há uma que traz novas regras relacionadas à propaganda eleitoral na internet. Na visão deste leigo aqui, há dois aspectos que merecem atenção.
Era apenas questão de tempo para algo assim aparecer e cá está: um aplicativo para postar no Bluesky e Mastodon ao mesmo tempo. (E também no Nostr, caso interesse a alguém.)
O Nooti é bem simples, mas traz alguns recursos legais na manga — incluindo o talvez único essencial, que é poder personalizar a mensagem para cada uma das três redes sociais.
Também é possível anexar imagens e vídeos e cartões de links.
Em caráter experimental, existe um meio de publicar os posts no X (antigo Twitter) e Threads via folha de compartilhamento do iOS.
Nooti / iOS / Gratuito
Pouco antes de liberar a papelada que dá o ponta-pé inicia à abertura de capital, o Reddit anunciou uma parceria que permitirá ao Google explorar e treinar inteligências artificiais com o conteúdo dos debates em subreddits.
O valor do acordo não foi divulgado. Estima-se que seja de US$ 60 milhões por ano, um valor relativamente baixo.
O Reddit é um dos últimos lugares da web que ainda não sucumbiram à praga do SEO e da publicidade disfarçada de conteúdo, o que é o combustível do Google (e do seu negócio de publicidade). Além disso, é um conteúdo valioso para treinar IAs, se isso for mesmo o futuro.
Isso deve valer bem mais que US$ 60 milhões. A título comparativo, o Google paga à Mozilla mais de US$ 400 milhões por ano para ser o buscador padrão do Firefox, que tem uma fatia de mercado de um dígito — e um dígito baixo.
O que mais me intriga, porém, é observar esse acordo e o IPO à luz do fechamento da API pública, em 2023. Embora o documento S-1 do Reddit coloque a publicidade como a principal frente de geração de receita, a outra, de licenciamento de conteúdo, precisa de… conteúdo. Afugentar usuários e moderadores que confiavam em aplicativos de terceiros parece contraditório.
E nem seria o caso de manter as coisas como sempre foram. O Reddit poderia cobrar um valor razoável pelo acesso, ou incluir anúncios na API pública.
A centralização nos apps e site oficiais do Reddit provavelmente contribuiu para o aumento de 21% no faturamento em 2023, de US$ 804 milhões. O Reddit, um negócio fundado há 18 anos, ainda está queimando caixa e operando no vermelho para crescer um negócio em “seus primeiros estágios de esforços de geração de receita”, segundo o S-1.
O Bluesky começou, enfim, a federação, ou seja, a permitir que outros servidores integrem a rede. A princípio, apenas para pequenos/pessoais e cheio de poréns. O porém mais estranho é que alguns componentes relevantes da descentralização são bastante centralizados — o DID e o índice de ações (“relay”). Via Bluesky para Desenvolvedores, anderegg.ca (ambos em inglês).
O Tinder vai trazer a verificação de perfis por análise de documento oficial ao Brasil. Parece-me uma situação que isso é justificável — a depender de como a política de privacidade prevê o tratamento de dados —, considerando que é opcional, que ali o objetivo é quase sempre um encontro presencial, e que golpes e sequestros relâmpagos em aplicativos do tipo viraram rotina. Chega por aqui até a metade do ano. Via Tinder (em inglês).
Enquanto se prepara para abrir a federação, o Bluesky vai tapando alguns buracos óbvios. Na versão 1.68, lançada na sexta (16), passou a ser possível trocar a senha nas configurações. (Fiquei meio chocado quando descobri que isso não era possível.) Via @bsky.app/bsky.app (em inglês).
Não demorou muito para a Meta sacanear jornalistas no Threads, repetindo um roteiro já gasto de… sacanear jornalistas. Na sexta (9), Adam Mosseri disse que “contas políticas” não serão recomendadas pelo algoritmo do Threads e do Instagram. (O que define uma conta como “política”? Boa pergunta.)
Muita gente que apostou na rede da Meta diante da decadência do Twitter se sentiu traída. O que é estranho, porque não é a primeira nem a segunda vez que a Meta sacaneia jornalistas. Via @mosseri@threads.net, Washington Post (em inglês).