Não deu para BeReal e Koo, mas talvez dê para o Mastodon

Dinheiro de sobra, juros baixos, deslizes frequentes das big techs, a boa e velha concorrência. Esses e outros motivos culminaram, na primeira metade dos anos 2020, no lançamento de plataformas sociais que prometiam ser o que as incumbentes — em especial Instagram e X — não podiam ou estavam deixando de ser.

As promessas de BeReal e Koo não resistiram por muito tempo, porém.

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Tecnologias anti-inteligência artificial

Uma nova rede social fez barulho esta semana com uma proposta diferente: ela é anti-IA. Chama-se Cara e é uma espécie de Instagram misturado com portfólio. Atraiu artistas — o que não é de se estranhar —, mas viralizou o bastante para ser comentada em outros círculos. (Ganhou um tópico no Órbita, aliás.)

Não me parece ser algo que valha o seu ou o meu tempo. É mais uma rede fechada que, se vingar — uma remota possibilidade —, será vendida, fechada ou corrompida por anúncios invasivos daqui a alguns anos. As defesas contra a coleta de imagens para treinar IAs são frágeis e não há qualquer garantia de que funcionem.

Em junho de 2023, uma construtora na Bélgica deu uma zoada no ChatGPT para se promover. Era marketing de ocasião, tipo quando perfil de empresa no Twitter pega carona em memes. Sinal de que o objeto da gozação chegou ao grande público — e, no caso dos memes, sua sentença de morte.

O caso da Cara chama a atenção porque não usa a IA como gancho para uma piada. Ela leva esse posicionamento a sério. É tipo quando alguém sai do Instagram ou do Twitter e vai para o Mastodon sem ter outro assunto que não falar de como o Instagram e o Twitter são ruins, ou seja, é insustentável.

Por outro lado, fico pensando se, em algum momento futuro, a IA não se transformará em uma espécie de gordura trans da tecnologia, um recurso indesejado, nada digno de se gabar, mas tolerado, mais ou menos como o assalto à privacidade que plataformas e aplicativos comerciais fazem e estamos aí, cientes e paralisados — ou quase; o dedão ainda se mexe para rolar a tela.

A ojeriza à IA de (parte) das pessoas não é a única explicação do sucesso repentino — ainda que limitado — da Cara. A toxicidade do Instagram talvez seja um incentivo ainda maior.

Nesta semana, a Meta confirmou que está testando anúncios não puláveis no feed. Para estarem cogitando isso, significa que estão confiantes de que os usuários engolirão mais essa.

A Meta é uma versão moderna daqueles testes bizarros que Skinner e Milgram faziam nos anos 1960. “Que prática abusiva e/ou repulsiva a gente vai colocar no Instagram hoje a fim de determinar o máximo que as pessoas toleram antes de desinstalarem o aplicativo?” Pelo visto, isso ainda vai longe.

IA do Google sugere usar cola no preparo de pizza

O Google paga US$ 60 milhões por ano ao Reddit para que, entre outras coisas, sua IA dê a dica de usar cola para “grudar” a cobertura da pizza porque há 11 anos o usuário “fucksmith” deu essa brilhante dica por lá.

DONOTREPLY.CARDS

Cartões para usar em redes sociais como defesa contra “reply guys”. Amo o conceito, mas não tenho certeza de que sejam eficazes na vida real. Cria do Dan e do Florian.

Professor alemão compartilha apreensões absurdas das polícias brasileiras

Não sei o motivo nem quando isso começou, mas Christoph Harig, professor do Royal Danish Defence College, publica fotos de apreensões absurdas das polícias brasileiras com comentários hilários em seu perfil no Bluesky. Brisadeiros, dominó de cocaína e mudas de cannabis são alguns exemplos.

Não está no Bluesky? Dá para seguir perfis de lá via RSS.

LinkedIn sem o feed é o melhor LinkedIn

Hoje cedo entrei no LinkedIn e entre dois ou três posts legais, dentro da proposta da rede, dei de cara com um monte de ~opiniões que me cansaram um tanto. Aí arregacei as mangas para tentar ocultar o feed do LinkedIn.

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LinkedIn TLDR usa IA para resumir textões do LinkedIn

Cansado dos textões do LinkedIn que floreiam um anúncio que talvez te interesse? O LinkedIn TLDR usa IA para criar resumos concisos e satíricos com apenas um clique. Infelizmente, só funciona no Chrome.

Primeiro o Reddit, depois o Quora e, agora, o Stack Overflow: as três empresas, criadas em cima de conteúdo gerado pelos usuários, com um forte apelo comunal, ou seja, de pessoas interagindo com pessoas, fecharam acordos com a OpenAI para fornecer esse conteúdo humano para treinar inteligências artificiais/grandes modelos de linguagem (LLMs).

É bem provável que os termos de uso dessas plataformas permitam tal atitude, mas não deixa de ser, para muitos, uma espécie de traição — piorada quando tentativas de mitigar o assalto de trabalho voluntário e desinteressado são combatidas a ferro e fogo pela plataforma.

Os “reply guys”

Não se pode dizer que os estadunidenses são ruins de dar nomes às coisas. Veja, por exemplo, os “reply guys”: caras que publicam respostas desagradáveis em posts públicos de mulheres.

Em um curto intervalo, duas mulheres que se destacam em áreas dominadas por homens, Veronica (Linux/software livre) e Sophie (desenvolvimento web), reclamaram da ação de “reply guys” no Mastodon.

Veronica resolveu fechar sua conta no Mastodon por tempo indeterminado. No caso da Sophie, um post descompromissado em que ela comparava a cor do cabelo com a do seu editor de código foi parar até em chans porque o código no print não era acessível — o que não importava muito nesse contexto.

Não é um problema novo. Em 2020, o Twitter implementou filtros para limitar quem podia responder posts numa tentativa de desestimular os “reply guys”. Em novembro de 2023, foi a vez do Mastodon tentar conter o problema, mostrando alertas no Android para quem tenta responder posts de perfis que não se seguem mutuamente ou muito antigos.

São medidas válidas. Em seu relato, Sophie exalta os recursos de bloquear e silenciar do Mastodon, embora a implementação no seu aplicativo preferido, Ice Cubes, deixe a desejar.

Talvez o grande dano das plataformas sociais dos anos 2010 ao debate público foi incutir na gente a ideia errada de que devemos dar opinião para tudo, de que não podemos passar batido por um botão “Responder” na internet — ainda mais se a outra pessoa não for um homem, mesmo que nada ali nos diga respeito ou que o erro não importe.

Acredite se quiser, mas é possível ler uma opinião ou comentário inconsequente de alguém e ignorá-lo, deixar pra lá.

Um efeito colateral desses tristes episódio é destacar que não existe paraíso na internet. Até por ser o contraponto do Twitter pós-Elon Musk, o Mastodon ganhou uma aura de virtuosismo que não se sustenta. Não me entenda mal: no frigir dos ovos, acredito que o Mastodon funcione melhor que o Twitter/X e outras alternativas, mas apenas porque esses eram/são muito ruins.

Cobalt.tools: Site para baixar vídeos de redes sociais

Cobalt é um site simples e direto para baixar vídeos de plataformas sociais. Sem anúncios, rastreadores ou outras coisas zoadas. Basta colar o link e baixar a mídia.

O Cobalt abre uma janela pop-up para exibir a mídia. Certifique-se de que seu navegador permite pop-ups no domínio.

EchoFeed

O EchoFeed é um novo serviço para compartilhar feeds RSS, Atom e JSON em plataformas sociais alternativas. No momento, suporta Bluesky, Discord, GitHub, Mastodon, Micro.Blog, Webhooks e Webmentions. Grátis para um “echo”, US$ 25/ano para tudo ilimitado.

O Congresso estadunidense, num esforço bipartidário, meteu uma espécie de jabuti no pacote de US$ 95 bilhões de ajuda à Ucrânia na guerra contra a Rússia para passar o banimento ao TikTok no país. A NBC News notou que Joe Biden sequer mencionou “TikTok” ao sancionar a lei, nesta quarta (24). Mais uma vez, gringos copiando.

RSS de posts salvos no Mastodon

O Mastodon tem suporte nativo a RSS para perfis. Este site/serviço oferece um RSS extra: para os seus posts salvos (bookmarks). Ótimo para lembrar-se deles — eu vivo salvando posts no Mastodon, mas nunca me lembro de revisitá-los. Gratuito e de código aberto.

Talvez a Meta esteja meio certa em ignorar jornalistas e notícias no Threads. (O que não significa que a empresa esteja certa em outras coisas, ou no geral.)

A crise transnacional envolvendo o dono do X (ex-Twitter) e a Justiça brasileira levou muitos tuiteiros, incluindo jornalistas, a procurar abrigo no Bluesky. E, mesmo sem seguir novos perfis, meu feed foi tomado de… notícias. E notícias específicas: do Elon Musk, de política, de desgraças no geral.

Nada contra notícias e jornalismo em geral, é só que nesses ambientes — Twitter e agora Bluesky — a abordagem se dá com o fígado em vez do cérebro. Pesa o clima e cansa um pouco.