Como o Reddit pretende fazer dinheiro

Pouco antes de liberar a papelada que dá o ponta-pé inicia à abertura de capital, o Reddit anunciou uma parceria que permitirá ao Google explorar e treinar inteligências artificiais com o conteúdo dos debates em subreddits.

O valor do acordo não foi divulgado. Estima-se que seja de US$ 60 milhões por ano, um valor relativamente baixo.

O Reddit é um dos últimos lugares da web que ainda não sucumbiram à praga do SEO e da publicidade disfarçada de conteúdo, o que é o combustível do Google (e do seu negócio de publicidade). Além disso, é um conteúdo valioso para treinar IAs, se isso for mesmo o futuro.

Isso deve valer bem mais que US$ 60 milhões. A título comparativo, o Google paga à Mozilla mais de US$ 400 milhões por ano para ser o buscador padrão do Firefox, que tem uma fatia de mercado de um dígito — e um dígito baixo.

O que mais me intriga, porém, é observar esse acordo e o IPO à luz do fechamento da API pública, em 2023. Embora o documento S-1 do Reddit coloque a publicidade como a principal frente de geração de receita, a outra, de licenciamento de conteúdo, precisa de… conteúdo. Afugentar usuários e moderadores que confiavam em aplicativos de terceiros parece contraditório.

E nem seria o caso de manter as coisas como sempre foram. O Reddit poderia cobrar um valor razoável pelo acesso, ou incluir anúncios na API pública.

A centralização nos apps e site oficiais do Reddit provavelmente contribuiu para o aumento de 21% no faturamento em 2023, de US$ 804 milhões. O Reddit, um negócio fundado há 18 anos, ainda está queimando caixa e operando no vermelho para crescer um negócio em “seus primeiros estágios de esforços de geração de receita”, segundo o S-1.

O Bluesky começou, enfim, a federação, ou seja, a permitir que outros servidores integrem a rede. A princípio, apenas para pequenos/pessoais e cheio de poréns. O porém mais estranho é que alguns componentes relevantes da descentralização são bastante centralizados — o DID e o índice de ações (“relay”). Via Bluesky para Desenvolvedores, anderegg.ca (ambos em inglês).

O Tinder vai trazer a verificação de perfis por análise de documento oficial ao Brasil. Parece-me uma situação que isso é justificável — a depender de como a política de privacidade prevê o tratamento de dados —, considerando que é opcional, que ali o objetivo é quase sempre um encontro presencial, e que golpes e sequestros relâmpagos em aplicativos do tipo viraram rotina. Chega por aqui até a metade do ano. Via Tinder (em inglês).

Enquanto se prepara para abrir a federação, o Bluesky vai tapando alguns buracos óbvios. Na versão 1.68, lançada na sexta (16), passou a ser possível trocar a senha nas configurações. (Fiquei meio chocado quando descobri que isso não era possível.) Via @bsky.app/bsky.app (em inglês).

Não demorou muito para a Meta sacanear jornalistas no Threads, repetindo um roteiro já gasto de… sacanear jornalistas. Na sexta (9), Adam Mosseri disse que “contas políticas” não serão recomendadas pelo algoritmo do Threads e do Instagram. (O que define uma conta como “política”? Boa pergunta.)

Muita gente que apostou na rede da Meta diante da decadência do Twitter se sentiu traída. O que é estranho, porque não é a primeira nem a segunda vez que a Meta sacaneia jornalistas. Via @mosseri@threads.net, Washington Post (em inglês).

StreetPass: encontre perfis verificados para seguir no Mastodon

Ícone do StreetPass: cubo roxo em visão isométrica com uma linha pontilhada branca no meio.

No Mastodon, a verificação de perfis é feita com o auxílio de sites/domínios. Se você tem ou está ligado a algum site (da sua empresa, por exemplo), basta inserir uma linha de código no site referenciando seu perfil para que o link desse site fique verde e com um tique no Mastodon.

(Veja o meu, com os links do Manual, do meu site pessoal e do meu blog verificados.)

Aproveitando-se dessa dinâmica, o engenheiro de software Tyler Deitz criou uma extensão que ajuda a encontrar perfis para seguir no Mastodon, a StreetPass.

O uso é dos mais simples. Instale-a (tem versões para Chrome, Firefox e Safari) e navegue normalmente. Nos bastidores, a StreetPass detecta quando um site visitado tem um perfil correspondente verificado no Mastodon e salva esse perfil.

Depois de um tempo, clique no ícone da extensão para ver a lista dos perfis detectados e, se for do seu interesse, segui-los.

Um detalhe importante é que nenhum dado jamais escapa do seu computador. Toda a coleta e processamento dos dados é feita localmente, no navegador. Aos curiosos (e/ou desconfiados), o código-fonte é aberto.

StreetPass / Chrome, Firefox e Safari / Gratuita

É certo que estamos longe de sermos perfeitos, mas enquanto nossos concorrentes estão conectando pedófilos, alimentando insurreições e recomendando propaganda terrorista, sabemos que o Snapchat faz as pessoas felizes.

Evan Spiegel
CEO e co-fundador do Snapchat.

Trecho de um memorando de Evan a toda a empresa. (Parece que alguém não é muito fã da Meta 👀)

O executivo acredita que estamos em à beira de uma nova “revolução” de dispositivos vestíveis, com os Spectacles tendo um papel de destaque (?), que as redes sociais estão mortas e que o Snapchat não faz parte desse grupo, apesar de ter cara, focinho e cheiro de redes social. Via Business Insider (em inglês).

Minhas expectativas — positivas e negativas — para 2024

A convite do Fernando Paiva, diretor editorial do Mobile Time, escrevi no final de 2023 quais eram as minhas expectativas — positivas e negativas — na tecnologia para o ano que se avizinhava.

Transcrevo-as abaixo, e deixo o convite a você para ler as dos outros colunistas do Mobile Time.

Qual tendência do mundo da tecnologia mais te entusiasma para 2024? Por quê?

Soluções não comerciais para comunicação via internet.

Coisas como o Mastodon e o protocolo que o move, o ActivityPub, não são novas, mas ganharam um impulso importante desde os primeiros rumores de que Elon Musk poderia comprar o Twitter, no início de 2022.

Sinto que, até pouco tempo atrás, protocolos abertos eram quase uma excentricidade. Hoje ainda são poucos que se aventuram nesse universo — o Mastodon, talvez o projeto de maior sucesso do tipo, tem ~2 milhões de usuários ativos —, mas ganhamos espaço no mainstream, uma barreira dificílima de transpor.

Seria ótimo se soluções do tipo — para redes sociais, mensageiros instantâneos e tantas outras aplicações — fossem dominantes, mas me darei por satisfeito se elas apenas se sustentarem como alternativas viáveis às comerciais.

Qual tendência do mundo da tecnologia mais te preocupa para 2024? Por quê?

O domínio da inteligência artificial no mundo do trabalho.

Arrisco dizer que, em 2024, o ritmo de inovação não será tão intenso quanto foi em 2023. Em vez disso, é provável que o novo ano seja de racionalização e “pé no chão”, de separar o que é realmente útil daquilo que é apenas curioso.

O “realmente útil” da minha previsão é o que me preocupa, porque o termo enseja uma questão vital: útil para quem?

Há mais de um século, novas tecnologias prometem futuros utópicos aos trabalhadores, de menos trabalho, mais lazer e a distribuição da riqueza excedente gerada pelas inovações. Na prática, até agora, essas promessas não se realizaram. Ao contrário: temos mais gente trabalhando mais do que antes e a riqueza ainda mais concentrada nas mãos de poucos.

Nada indica que com a IA será diferente. De inédito, apenas o perfil de profissional afetado — talvez pela primeira vez, os trabalhadores intelectuais, criativos.

A ver como essas disputas serão travadas.

O TSE divulgou minutas (rascunhos) das resoluções para as eleições municipais de 2024. A da propaganda eleitoral traz vários dispositivos relacionados à internet, com novas atribuições às plataformas/empresas de redes sociais, transparência e restrições a conteúdo “fabricado ou manipulado” (leia-se: por IA gerativa). Na íntegra (PDF).

Algumas coisas ali me pareceram bastante otimistas.

No dia 23 de janeiro, às 9h, será feita uma audiência pública híbrida do tema, com transmissão ao vivo pelo YouTube. Via TSE, Folha de S.Paulo.

Logo do Bluesky, uma borboleta azul, com o nome da rede ao lado.
Novo logo do Bluesky.

Há alguns dias, o Bluesky lançou a versão 1.60 do seu aplicativo com ótimas novidades gerais: um novo logo de borboleta (que, com a graça dos deuses, substituiu o ícone horroroso do aplicativo móvel), posts e perfis acessíveis sem login e, talvez o mais legal de tudo, feeds RSS para perfis. Via @bsky.app/Bluesky (em inglês).

Quando a Meta lançou o Threads e anunciou que ele usaria o protocolo ActivityPub, para integrar-se ao fediverso/Mastodon, desconfiei.

Nesta quarta (13), quase seis meses depois do lançamento da rede, Zuck disse no Threads que estavam “testando a integração”. Continuei cético.

Hoje (14) pela manhã, abri o Mastodon e dei de cara com o perfil do Threads de Adam Mosseri, executivo à frente do Threads e Instagram, no meu feed, acessível pelo Mastodon (procure por @mosseri@threads.net).

Ainda estou cético, mas agora um pouco menos.

Acompanhe o Manual do Usuário no fediverso (Mastodon)

O Manual do Usuário está de volta ao fediverso (Mastodon). Para acompanhar os posts e podcasts lá, coloque feed@manualdousuario.net na pesquisa e siga o perfil.

(Se correu tudo bem, este post já deve estar lá.)

Quando juntei todas as contas que tinha no fediverso (eram quatro) em um só perfil, minha ideia era usá-lo para falar groselha e também repercutir as coisas daqui.

Acontece que sou muito ruim de redes sociais, por isso o perfil acabou não tendo nem uma coisa, nem outra. (Posto pouco.)

Alguns dias atrás, dei uma nova olhada, desta vez com mais disposição, no plugin oficial do ActivityPub para WordPress.

Foi muito fácil configurá-lo no nosso staging (cópia do site para testes). Só havia um problema: por algum motivo, ele estava carregando um punhado de código para recursos que o Manual não usa. (Aos entendidos, uma parede de CSS inline relacionado aos blocos do Gutenberg e/ou FSE.)

O pessoal do suporte foi muito solícito e, na manhã desta segunda (11), apresentou uma solução. Era o que faltava para implementar o plugin aqui.

Então, é isso. Eu sigo com meu perfil no Mastodon e, agora, o site do Manual vira uma instância própria, publicando automaticamente todos os novos posts e podcasts no fediverso.

Mammoth 2

Ícone do Mammoth 2. O Mammoth é um aplicativos de Mastodon dos mais interessantes. Antes do oficial simplificar o cadastro (pré-selecionando um servidor/instância) e sugerir pessoas para seguir, o Mammoth já fazia isso. E é, até onde sei, o único que oferece um feed algorítmico, nos moldes do (e também chamado de) “For You” — com a vantagem de oferecer opções para personalizar o algoritmo.

Nesta quinta (7), foi lançado o Mammoth 2, “a maneira mais fácil de largar o Twitter e ingressar no Mastodon”, segundo co-fundador Bart Decrem.

Lançada um ano após a estreia do aplicativo, a segunda versão traz uma bela repaginada visual (incluindo um novo ícone/logo) e mais recursos para facilitar a adaptação de quem está chegando do Twitter, como “listas inteligentes” temáticas, com curadoria de usuários, integração com o braço editorial do Flipboard e com o Newsmast e Press.coop, que trabalham para levar conteúdo noticioso de fontes confiáveis ao fediverso.

Uma grande novidade “extra-app” é que ele agora tem o código aberto. O código está previsto para ser liberado nesta sexta (8).

O Mammoth 2 continua gratuito, só que agora oferece um plano pago (R$ 14,90/mês ou R$ 99,90/ano) que confere alguns benefícios aos assinantes, como ícones diferentes, acesso antecipado a novos recursos e participação nas decisões do projeto.

Vale lembrar que o Mammoth recebeu um investimento semente em seu início, em uma rodada liderada pela Mozilla. O valor levantado não foi divulgado.

Mammoth 2 / iOS, iPadOS / Gratuito

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Luciano Huck ameaçando processar Elon Musk porque o Twitter não tira do ar um anúncio caça-clique supostamente criado por ~inteligência artificial dele, Huck, vestido com uma fantasia tosca de presidiário entre dois policiais, com uma manchete sensacionalista e links que levam a sites golpistas aleatórios. Dei uma boa gargalhada aqui. Obrigado, IA e Elon Musk, nunca critiquei vocês! Via Notícias da TV.