De todos os ambientes gráficos para Linux, o Plasma é o que mais me agrada. Espero um dia usá-lo em um computador “principal”.
Curiosidade: o e-mail de Matthias Ettrich anunciando o “Kool Desktop Environment”, em 1996. “Portanto, um dos principais objetivos [do KDE] é fornecer uma aparência e sensação moderna e comum para todas as aplicações. E esta é exatamente a razão por que este projeto é diferente das tentativas anteriores.”
Nesta quarta (16), foi lançada a versão estável do Gnome 51, o famoso ambiente gráfico para Linux. (Vídeo de divulgação.) O destaque fica para melhorias em desempenho e gráficos. Não sei se já era padrão, mas esbocei um sorriso ao ver que o Sushi é um aplicativo padrão e foi portado para GTK4. Ele exibe o conteúdo de arquivos ao apertar a tecla Espaço no gerenciador de arquivos — similar ao Quick Look do macOS.
Infelizmente a nova camada sobreposta dos resultados da busca, que estava prevista para o Gnome 51, ficou de fora.
O Projeto Asahi, que tem por missão viabilizar distribuições Linux em computadores pós-2020 da Apple, anunciou no domingo (6) o suporte à família de chips M3. Ainda há limitações importantes, como a falta de aceleração 3D e a incapacidade de fazer o sistema dormir, mas funciona. Devido a elas, o suporte fica oculto atrás do “modo especialista”.
O aguardado Audacity 4.0.0 finalmente foi lançado. A nova grande versão do editor de áudio parece boa demais: uma atualização que moderniza a interface e a experiência de uso, traz novos recursos úteis e tudo isso sem desrespeitar o legado do software.
As mudanças em ferramentas básicas diminuem o engessamento na edição que existia até o Audacity 3.X. Ações comuns, como arrastar trechos de áudio antes ou depois de outros trechos, a ferramenta “gain envelope” e a novíssimas ferramenta de divisão (“split tool”) economizarão muitas horas na vida de quem trabalha com áudio no Audacity.
A interface ficou bonitona, algo inédito na história do Audacity. O novo padrão é escuro, alinhado à categoria de softwares de edição multimídia, mas os tradicionalistas têm um tema baseado no do Audacity 3.X como alternativa. Ícones bonitos, apresentação de filtros redesenhada e pré-definições de leiaute (“workspaces”) completam o pacote.
Debaixo do capô, o Audacity 4.0.0 migra para o framework Qt 6, o que ajuda na modernização da interface e deixa o software mais “em casa” em sistemas operacionais modernos. A retrocompatibilidade com projetos do antigo Audacity está garantida. É difícil encontrar pontos negativos nesta atualização. Espero manter essa opinião após passar um tempo mexendo nela.
O Audacity 4.0.0 continua livre e de código aberto (licença GPLv3) e disponível para Linux (AppImages para x86 e ARM), macOS (Apple Silicon e Intel) e Windows (x86 e ARM). Baixe-o aqui.
Eu evito dar palco para gente esquisita (no mau sentido) aqui no Manual. Abro a exceção para linkar um post de julho do DHH, dinamarquês sócio da 37Signals (do Basecamp), criador do Omarchy e de um blog cheio de ideia errada sobre imigrantes e pessoas não brancas.
Ele materializou o meme do “homens fazem [ação estúpida e/ou difícil] em vez de terapia”. Literalmente. Este homem fez uma pseudo-distro Linux exclusivista em vez de terapia. E se orgulha disso! Tá lá no blog dele:
Estudos mostraram que o exercício, por exemplo, é um tratamento mais eficaz do que a terapia (e produtos farmacêuticos!) para lidar com tais episódios [depressivos]. Mas estou mais interessado no papel que a construção de competências pode ter em afastar os demônios.
Já falei disso antes, mas continuo voltando ao fato de que a ordem é ao contrário. Que se engajar em uma busca educacional no Linux, em história ou no reparo de motocicletas é, na verdade, uma alternativa incrivelmente eficaz à terapia!
Parabéns pela descoberta, DHH, continue assim. Claramente está funcionando.
DHH voltou aos holofotes por ter levantado US$ 12 milhões de outros figurões da tecnologia para uma fundação meio suspeita criada em torno do Omarchy, o que gerou reações negativas de funcionários e clientes das empresas envolvidas, como a 1Password.
Pedro relembrou em seu blog a antiga prática do “deskmod”, a alteração do visual do Windows, comum no início nos anos 2000. Era coisa de adolescente desocupado, acho. Eu era um deles, e dos mais entusiasmados.
Hoje, o deskmod encontra espaço entre gente que usa Linux e tem outro nome, “ricing”, herdado da turma da personalização de carros. É um rolê bem mais complexo e com resultados mais diversos, dada a natureza aberta, plural e permissiva das distribuições Linux. No Windows, creio que a partir do Vista ficou mais difícil fazer tais modificações. A interface ficou menos feira, o que deve ter contribuído para o declínio do deskmod.
O único “deskmod” que ainda faço é trocar o papel de parede padrão por uma cor sólida — no momento um azul escuro — devido a uma questão técnica: aqueles vídeos deslumbrantes que a Apple adotou como papéis de parede há alguns anos escrevem um bocado na memória de armazenamento do computador. No longo prazo, imagino que acelerem a degradação da memória.
A interface de usuário do Gnome Shell teve apenas refinamentos pontuais e melhorias de usabilidade na maioria dos últimos ciclos, mas, do lado do design, exploramos diversas ideias de longo prazo que gostaríamos de colocar em prática. Para algumas delas já temos planos relativamente bem definidos; outras ainda são ideias vagas, que exigem mais pesquisa e prototipagem. Como sempre, colocar esse tipo de coisa em prática depende da disponibilidade e do interesse dos desenvolvedores (e, às vezes, de financiamento).
Gosto das ideias. Nenhuma delas representa uma grande ruptura com a interface atual; várias alinham o Gnome à experiência esperada e comum em outros ambientes desktop e sistemas operacionais.
A mais avançada, que deve aparecer na próxima versão (Gnome 51), é a camada sobreposta à tela com os resultados da pesquisa (imagem), em vez desses aparecerem numa tela própria/inteira. A mudança se justifica à luz da filosofia adotada no Gnome 40: “Quando você navega pelo Gnome Shell, os elementos da interface sempre vêm de algum lugar e saem para outro lugar, de uma forma que é semântica e previsível ao longo do tempo.”
Às vezes sou picado pelo bichinho do software livre. Acompanho há décadas a indústria da tecnologia de consumo e, mergulhado nesse universo, é difícil não se desiludir com seus monopólios, práticas questionáveis e abusos normalizados. Embora o desprezo pelas big techs esteja mais popular, estamos longe de mudanças práticas universais porque… convenhamos, essas custam caro. Tente convencer alguém a trocar o WhatsApp pelo Signal, por exemplo.
No final de julho, a minha febre de software livre atingiu temperaturas perigosas. Vi-me, mais uma vez, instalando uma distribuição Linux com o intuito de me livrar do macOS, o primeiro passo para sair do jardim murado que é o ecossistema da Apple; achava estar à porta de uma utopia digital, mais ou menos como aquele sonho do homem moderno de largar tudo e viver no mato, do que a natureza dá.
Adianto que, tal qual das outras duas vezes, o sistema do pinguim não durou muito. Alguns dias, para ser exato. Apesar do fim precoce, foi bom enquanto durou e a experiência deixou ensinamentos valiosos.
Já está disponível o beta do Audacity 4, nova versão — com visual e ícone novos — do tradicional editor de áudio FOSS (Linux, macOS e Windows). Faça becape de projetos feitos na versão 3.x: esses abrem no Audacity 4, mas alterações salvas (ou novos projetos) nele não têm retrocompatibilidade com o Audacity 3.x, segundo o Omg! Ubuntu.
O rsync é um programa para copiar diretórios de arquivos inteiros de um computador para outro, fazendo atualizações incrementais se houver apenas algumas mudanças. Você pode manter uma cópia de backup contínua. É super confiável para esse trabalho.
Até recentemente. Em 28 de maio, Jeremiah Fieldhaven postou sobre como seu sistema de backup quebrou depois de uma atualização do rsync:
Ninguém *quer* um computador. Querem o que ele faz. Não a máquina irritante. Incluem-se aí os celulares.
Acabei de comprar um celular novo, um Fairphone 5. É um bom aparelho — e a Fairphone ainda vende ele com o fork Android sem Google, o e/OS.
Mas deixei esse celular com o Android 15 do Google — porque preciso de aplicativos comerciais específicos, da Play Store, rodando num sistema padrão, para fazer as minhas coisas.
Poderia fuçar em um sistema alternativo e dar um jeitinho para a Play Store funcionar. Ou poderia não fazer isso.
Neste podcast, eu comento dois ou três links selecionados da curadoria diária que faço no Manual do Usuário. Recomendo que você dê uma olhada no arquivo de links para descobrir mais links. É bem legal!
Lembra quando o Dropbox era um aplicativo pequeno, ágil e que só servia para sincronizar e guardar arquivos na nuvem? Saudades… Hoje, ele é um monstro pesado e cheio de funcionalidades corporativas. Talvez tenha sido necessário transformá-lo nisso, o que não consola quem só quer sincronizar arquivos e guardá-los na nuvem.
O Maestral é um cliente alternativo para Dropbox, de código aberto, escrito em Python e que promete ser leve. Segundo o site oficial, “ele fornece ferramentas poderosas de linha de comando, suporta padrões gitignore para excluir arquivos locais da sincronização e permite a sincronização de várias contas do Dropbox”. Bom demais!
Aos entendedores, além da linha de comando, o Maestral oferece apps com interfaces gráficas nativas (Cocoa no macOS, Qt no Linux). Com isso, os desenvolvedores conseguem chegar a um aplicativo ~90% menor que o oficial e que consome, em média, 80% menos memória do dispositivo. (Esse último dado, porém, varia muito de acordo com o espaço que seus arquivos ocupam no Dropbox.)
Dois alertas importantes para quem quiser dar uma chance ao Maestral:
Recursos avançados do Dropbox — a saber: Paper, gerenciamento de equipes e configurações de diretórios/pastas compartilhadas — não são suportados.
O Maestral usa a API pública do Dropbox, que não suporta transferências parciais de arquivos (“binary diff”). Isso acarreta em um uso mais intenso de dados.
E, claro, tenha em mente que é um app extraoficial.
Quem usa macOS pode baixar um instalador, contendo a interface gráfica (GUI) do Maestral. No Linux, existem dois caminhos menos amigáveis: via PyPI (GUI opcional) e imagem Docker (somente linha de comando). Todas as informações estão nesta página (em inglês).
O suporte ao Windows 10 termina no dia 14/10/2025, ou seja, daqui a alguns meses. Uma galera envolvida com distros Linux subiu o site End of 10 para ajudar aqueles que quiserem trocar o Windows pelo Linux em vez de seguir a orientação da Microsoft, que é descartar um computador funcional e comprar outro com Windows 11. O End of 10 reúne instruções e locais e eventos em que voluntários instalam uma distro Linux nos computadores de quem não tem familiaridade com o assunto.
Super iniciativa. Só falta agora traduzirmos o site para o português e cadastrarmos mais locais e eventos. (Até o momento, só tem um pessoal da USP de São Carlos na lista de locais.)
Firefox 138 traz o aguardado gerenciador de perfis
O Firefox 138, lançado nesta terça (29), traz o aguardado gerenciador de perfis. A documentação oficial (em inglês) explica que “criar vários perfis permite que você mantenha dados de navegação, temas ou configurações separados para diferentes propósitos, como trabalho e uso pessoal”.