Deskmod, uma arte esquecida 
pedro.dalbo.me

Pedro relembrou em seu blog a antiga prática do “deskmod”, a alteração do visual do Windows, comum no início nos anos 2000. Era coisa de adolescente desocupado, acho. Eu era um deles, e dos mais entusiasmados.

Hoje, o deskmod encontra espaço entre gente que usa Linux e tem outro nome, “ricing”, herdado da turma da personalização de carros. É um rolê bem mais complexo e com resultados mais diversos, dada a natureza aberta, plural e permissiva das distribuições Linux. No Windows, creio que a partir do Vista ficou mais difícil fazer tais modificações. A interface ficou menos feira, o que deve ter contribuído para o declínio do deskmod.

O único “deskmod” que ainda faço é trocar o papel de parede padrão por uma cor sólida — no momento um azul escuro — devido a uma questão técnica: aqueles vídeos deslumbrantes que a Apple adotou como papéis de parede há alguns anos escrevem um bocado na memória de armazenamento do computador. No longo prazo, imagino que acelerem a degradação da memória.

Sonhos de design do Gnome Shell 
blogs.gnome.org

A interface de usuário do Gnome Shell teve apenas refinamentos pontuais e melhorias de usabilidade na maioria dos últimos ciclos, mas, do lado do design, exploramos diversas ideias de longo prazo que gostaríamos de colocar em prática. Para algumas delas já temos planos relativamente bem definidos; outras ainda são ideias vagas, que exigem mais pesquisa e prototipagem. Como sempre, colocar esse tipo de coisa em prática depende da disponibilidade e do interesse dos desenvolvedores (e, às vezes, de financiamento).

Gosto das ideias. Nenhuma delas representa uma grande ruptura com a interface atual; várias alinham o Gnome à experiência esperada e comum em outros ambientes desktop e sistemas operacionais.

A mais avançada, que deve aparecer na próxima versão (Gnome 51), é a camada sobreposta à tela com os resultados da pesquisa (imagem), em vez desses aparecerem numa tela própria/inteira. A mudança se justifica à luz da filosofia adotada no Gnome 40: “Quando você navega pelo Gnome Shell, os elementos da interface sempre vêm de algum lugar e saem para outro lugar, de uma forma que é semântica e previsível ao longo do tempo.”

Outra semana no Linux

Às vezes sou picado pelo bichinho do software livre. Acompanho há décadas a indústria da tecnologia de consumo e, mergulhado nesse universo, é difícil não se desiludir com seus monopólios, práticas questionáveis e abusos normalizados. Embora o desprezo pelas big techs esteja mais popular, estamos longe de mudanças práticas universais porque… convenhamos, essas custam caro. Tente convencer alguém a trocar o WhatsApp pelo Signal, por exemplo.

No final de julho, a minha febre de software livre atingiu temperaturas perigosas. Vi-me, mais uma vez, instalando uma distribuição Linux com o intuito de me livrar do macOS, o primeiro passo para sair do jardim murado que é o ecossistema da Apple; achava estar à porta de uma utopia digital, mais ou menos como aquele sonho do homem moderno de largar tudo e viver no mato, do que a natureza dá.

Adianto que, tal qual das outras duas vezes, o sistema do pinguim não durou muito. Alguns dias, para ser exato. Apesar do fim precoce, foi bom enquanto durou e a experiência deixou ensinamentos valiosos.

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Já está disponível o beta do Audacity 4, nova versão — com visual e ícone novos — do tradicional editor de áudio FOSS (Linux, macOS e Windows). Faça becape de projetos feitos na versão 3.x: esses abrem no Audacity 4, mas alterações salvas (ou novos projetos) nele não têm retrocompatibilidade com o Audacity 3.x, segundo o Omg! Ubuntu.

rsync vira lixo de IA e quebra seus backups

por David Gerard

O rsync é um programa para copiar diretórios de arquivos inteiros de um computador para outro, fazendo atualizações incrementais se houver apenas algumas mudanças. Você pode manter uma cópia de backup contínua. É super confiável para esse trabalho.

Até recentemente. Em 28 de maio, Jeremiah Fieldhaven postou sobre como seu sistema de backup quebrou depois de uma atualização do rsync:

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Se os usuários reparam em seu software, você já perdeu

por David Gerard

Ninguém *quer* um computador. Querem o que ele faz. Não a máquina irritante. Incluem-se aí os celulares.

Acabei de comprar um celular novo, um Fairphone 5. É um bom aparelho — e a Fairphone ainda vende ele com o fork Android sem Google, o e/OS.

Mas deixei esse celular com o Android 15 do Google — porque preciso de aplicativos comerciais específicos, da Play Store, rodando num sistema padrão, para fazer as minhas coisas.

Poderia fuçar em um sistema alternativo e dar um jeitinho para a Play Store funcionar. Ou poderia não fazer isso.

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Menores sem redes na Austrália / Instagram esconde Lula / Versão estável do Cosmic

Neste podcast, eu comento dois ou três links selecionados da curadoria diária que faço no Manual do Usuário. Recomendo que você dê uma olhada no arquivo de links para descobrir mais links. É bem legal!

Austrália bane menores das redes, 0:41

Austrália bane menores das redes; entenda impactos e a tensão com Big TechsStartups.

Instagram esconde perfil do Lula na busca, 4:37

Bug no Instagram esconde da busca perfis de políticos e jornaisNúcleo.

Conversa no Órbita.

Versão estável do Cosmic, 8:02

Pop!_OS 24.04 LTS lançado: Uma carta do nosso fundador (em inglês).

Cosmic é um ótimo desktop Linux, mas ainda limitado (em inglês), @TheLinuxEXP/YouTube.

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Seu celular é uma casa falsa , no Manual do Usuário.

Boas festas e feliz 2026! ✨

Maestral: App alternativo para sincronizar arquivos com o Dropbox

Logo do Maestral: contorno branco de uma asa contra fundo verde escuro.

Lembra quando o Dropbox era um aplicativo pequeno, ágil e que só servia para sincronizar e guardar arquivos na nuvem? Saudades… Hoje, ele é um monstro pesado e cheio de funcionalidades corporativas. Talvez tenha sido necessário transformá-lo nisso, o que não consola quem só quer sincronizar arquivos e guardá-los na nuvem.

O Maestral é um cliente alternativo para Dropbox, de código aberto, escrito em Python e que promete ser leve. Segundo o site oficial, “ele fornece ferramentas poderosas de linha de comando, suporta padrões gitignore para excluir arquivos locais da sincronização e permite a sincronização de várias contas do Dropbox”. Bom demais!

Aos entendedores, além da linha de comando, o Maestral oferece apps com interfaces gráficas nativas (Cocoa no macOS, Qt no Linux). Com isso, os desenvolvedores conseguem chegar a um aplicativo ~90% menor que o oficial e que consome, em média, 80% menos memória do dispositivo. (Esse último dado, porém, varia muito de acordo com o espaço que seus arquivos ocupam no Dropbox.)

Dois alertas importantes para quem quiser dar uma chance ao Maestral:

  • Recursos avançados do Dropbox — a saber: Paper, gerenciamento de equipes e configurações de diretórios/pastas compartilhadas — não são suportados.
  • O Maestral usa a API pública do Dropbox, que não suporta transferências parciais de arquivos (“binary diff”). Isso acarreta em um uso mais intenso de dados.

E, claro, tenha em mente que é um app extraoficial.

Quem usa macOS pode baixar um instalador, contendo a interface gráfica (GUI) do Maestral. No Linux, existem dois caminhos menos amigáveis: via PyPI (GUI opcional) e imagem Docker (somente linha de comando). Todas as informações estão nesta página (em inglês).

End of 10: Troque o Windows 10 por uma distro Linux 

O suporte ao Windows 10 termina no dia 14/10/2025, ou seja, daqui a alguns meses. Uma galera envolvida com distros Linux subiu o site End of 10 para ajudar aqueles que quiserem trocar o Windows pelo Linux em vez de seguir a orientação da Microsoft, que é descartar um computador funcional e comprar outro com Windows 11. O End of 10 reúne instruções e locais e eventos em que voluntários instalam uma distro Linux nos computadores de quem não tem familiaridade com o assunto.

Super iniciativa. Só falta agora traduzirmos o site para o português e cadastrarmos mais locais e eventos. (Até o momento, só tem um pessoal da USP de São Carlos na lista de locais.)

Logo do Firefox. Silhueta de uma raposa de fogo envolta em um círculo azul.

O Firefox 138, lançado nesta terça (29), traz o aguardado gerenciador de perfis. A documentação oficial (em inglês) explica que “criar vários perfis permite que você mantenha dados de navegação, temas ou configurações separados para diferentes propósitos, como trabalho e uso pessoal”.

Há, também, novas opções de contraste com foco em acessibilidade e, no Windows 11, menus de contexto passam a ter aquele aspecto translúcido, padrão no sistema. Notas de lançamento e download.

MusicBrainz Picard identifica músicas de arquivos *.mp3 e corrige metadados automaticamente

Ícone/logo do Picard.

Na minha primeira tentativa de trocar o streaming por arquivos *.mp3, um dos problemas com que me deparei foi o de organização: como padronizar os metadados das músicas?

A solução que me era conhecida à época, editar manualmente cada canção, era impraticável. Quem tem tempo para isso?

Na segunda (e, desta vez, bem sucedida) tentativa, em 2024, topei com um aplicativo gratuito que é quase bom demais para ser real, o MusicBrainz Picard (Linux, macOS, Windows).

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Fedora Linux 42

Já está disponível a versão final do Fedora Linux 42, trazendo o Gnome 48 na edição Workstation e a nova baseada no KDE Plasma (versão 6.3.4), promovida neste ciclo ao mesmo status da Workstation. Apesar do mesmo status, a lógica dos nomes é diferente; o povo lá está ciente da confusão e afirma que “vamos resolver isso em algum momento”.

O Anaconda, instalador do Fedora, ganhou uma grande atualização que torna o particionador automático do disco mais esperto, traz a opção de reinstalar o sistema e lida melhor com “dual boot”. Por ora, o novo Anaconda só é padrão no Fedora Workstation (a edição com Gnome).

Ah, e uma falha de última hora acabou ficando:

Apenas inicializar o sistema direto do pen drive (“live media”) adiciona uma entrada inesperada ao boot loader UEFI, mesmo quando o Fedora Linux 42 não esteja instalado no computador local.

O transtorno é apenas cosmético, mas é bom saber de antemão. Aqui tem a orientação de como remover a entrada (em inglês).

Pinta 3.0

Logo do Pinta: pincel inclinado ao lado de uma bisnaga de tinta.

Saiu o Pinta 3.0, nova versão do editor de imagens levinho, tendo como destaque a migração para o GTK 4 e a Libadwaita — em outras palavras, a bem-vinda modernização do aplicativo para o Gnome.

Embora isso, por si só, já traga uma série de melhorias “de graça” ao Pinta, não é a única. Há novidades visíveis (novos ícones, menu, seletor de cores e camadas inteligentes) e por baixo dos panos (ajustes dinâmicos para diferentes tamanhos de e orientações de tela, suporte a gestos, mais velocidade e, espera-se, menos falhas).

O suporte a add-ins, que havia sido removido temporariamente na série 2.x, está de volta. Por ora, apenas dois fizeram a “passagem”, mas os desenvolvedores dizem que “é provável que mais sejam portados para esta versão e lançamentos futuros”.

A origem do Pinta remonta ao Paint.NET do Windows, ou seja, a proposta é ser um editor de imagens simples, mas nem tanto; o elo perdido entre o Paint e o Photoshop. O código é aberto e o app é compilado para Linux, macOS (agora com suporte a chips Apple), OpenBSD e Windows.

apt 3.0.0 e 2.x, lado a lado, executando o mesmo comando.
Ficou mais fácil ler as saídas dos comandos no apt 3.0.0 (esq). Imagem: 9to5Linux/Reprodução.

Eis algo que não se vê todo dia: uma grande atualização do apt, o gerenciador de pacotes padrão do Debian e distribuições Linux derivadas. O apt 3.0.0, aceito no Debian Sid (instável) na última sexta (4), tem um apelo especial pela repaginada estética, com a adoção de colunas, espaçamentos maiores e até cores (!) a fim de facilitar a leitura das saídas dos comandos.

O apt 3.0.0 estará no Debian 13 “Trixie”, previsto para meados de 2025, e no Ubuntu 25.04, que deve sair ainda em abril.

Várias novidades no Firefox 137, lançado na terça (1º/4):

  • Grupos de abas. (Liberação gradual; pode demorar a aparecer aí.)
  • Várias mudanças na pesquisa direta pela barra de endereços.
  • Em arquivos *.pdf, todos os links em um documento passam a ser clicáveis e agora é possível inserir assinaturas.
  • Uso da barra de endereços como calculadora.

Para quem usa Linux, o Firefox ganhou suporte a vídeos HEVC.