O Google quer tornar a humanidade obsoleta — e está conseguindo

Desde 2016, o Google é uma empresa que se pauta por inteligência artificial (IA). Na visão deles — e de boa parte da indústria —, IA é a pedra fundamental em cima da qual se constrói a próxima onda de tecnologia de consumo. Não por acaso, o Google está muito bem posicionado para essa nova corrida e, recorrentemente, demonstra essa vantagem com produtos inéditos, incríveis e que desafiam a nossa credulidade. (mais…)

Redes neurais sonham com ovelhas elétricas?

por Janelle Shane

Se você usou a internet hoje, provavelmente interagiu com uma rede neural. Elas são um tipo de algoritmo de aprendizagem de máquina que é usado para tudo, de traduções a modelos financeiros. Uma de suas especialidades é o reconhecimento de imagens. Muitas companhias — como Google, Microsoft, IBM e Facebook — possuem seus próprios algoritmos rotular fotos. Mas esses algoritmos de reconhecimento podem cometer erros bizarros. (mais…)

A Via Varejo, empresa dona das marcas Casas Bahia, Extra e Pontofrio, anunciou na semana passada que está participando dos testes da versão do WhatsApp para grandes empresas, ao lado do Itaú e da KLM.

Não confundir com o WhatsApp Business, que se destina a pequenas e médias empresas. Trata-se de outra solução, que prevê uma escala de atendimento muito maior. No período de testes da Via Varejo, iniciado em 15 de dezembro último e com previsão de término para o primeiro trimestre de 2018, a empresa trabalha com 110 mil clientes. Ao lançar o novo canal de forma oficial, o número deve aumentar substancialmente.

Para lidar com todo esse volume, a empresa conta com apenas 20 funcionários humanos, auxiliados por chatbots. Essa informação chamou a minha atenção: até hoje, o WhatsApp não tinha qualquer tipo de suporte a inteligência artificial e/ou chatbots.

Por e-mail, a assessoria da Via Varejo confirmou que, sim, está usando a nova tecnologia, e que “o WhatsApp está acompanhando de perto todo esse processo e retorno dos nossos clientes e não fizeram nenhum impeditivo para o uso de chatbot”.

Não fazia sentido o uso de inteligência artificial quando o WhatsApp era apenas para comunicação entre pessoas. Na mesma medida, faz total sentido a implementação deles em empresas que lidam com milhares de requisições e clientes simultaneamente. De outra forma, a operação seria inviável.

A assessoria da Via Varejo também disse que o recurso “está sendo desenvolvido em parceria com empresas especialistas em implantação de BOT e NLP”, o que confirma algumas suspeitas levantadas pelo Mobile Time — de que haverá uma API para que terceiros integrem ferramentas à plataforma do WhatsApp e que os chatbots conseguirão ler mensagens em linguagem natural, talvez para não aumentar a complexidade das interações.

Até hoje, a presença de chatbots era um grande diferenciador do Facebook Messenger em relação ao WhatsApp. Ambos são da mesma empresa.

Watson: uma voz para a arte ou uma cara para a tecnologia?

por Fabio Montarroios

Vale muito visitar a Pinacoteca do Estado de São Paulo. Vale, inclusive, se você mora em outra cidade que não São Paulo e pode reservar um tempo para vir até aqui. Mesmo quando a Pinacoteca não abriga uma grande exposição com obras que não lhe pertencem, a visita é oportuna. Com a presença do Watson, da IBM, então, torna-se quase imperdível.

(mais…)

Superinteligência: a ideia que devora pessoas espertas

por Maciej Ceglowski

Nota do editor: Maciej é um programador que vive em San Francisco, escreve o blog Idle Words, tem um perfil divertidíssimo no Twitter e é fundador e único funcionário do Pinboard, um serviço de favoritos na web. Ele faz palestras ao redor do mundo e, depois, as transcreve e publica em seu site. Já traduzimos outras duas — “A crise de obesidade dos sites” e “Web design: os 100 primeiros anos”.


Em 1945, enquanto físicos americanos se preparavam para testar a bomba atômica, ocorreu a alguém perguntar se um teste desse tipo poderia incendiar a atmosfera.

Essa era uma preocupação legítima. O nitrogênio, que corresponde à maior parte da atmosfera, não é energeticamente estável. Colida dois átomos de nitrogênio com bastante força e eles vão se combinar em um átomo de magnésio, uma partícula alfa e liberar um bocado de energia. (mais…)

Destaques da apresentação “O mobile está devorando o mundo”, de Benedict Evans

Ao longo do ano publicamos, aqui no Manual do Usuário, vários posts assinados por Benedict Evans, analista da firma de capital de risco Andreessen Horowitz (a16z), no Vale do Silício. Ele traz insights interessantes sobre a tecnologia e, em paralelo aos seus textos e comentários no Twitter, mantém uma grande apresentação intitulada “O mobile está devorando o mundo”1. A nova versão dela saiu há pouco e merece alguns destaques. (mais…)

Câmeras, comércio eletrônico e aprendizagem de máquina

por Benedict Evans

Mobile significa que, pela primeira vez, praticamente todas as pessoas terão uma câmera e tirarão significativamente mais fotos do que jamais foram tiradas em rolo de filme (“Quantas fotos?”). Isso parece uma mudança profunda, com o mesmo impacto de, digamos… o rádio transistorizado que tornou a música ubíqua. (mais…)

Thiago Rotta, da IBM: “Não vejo uma área que não possa ser beneficiada por inteligência artificial”

Inteligência artificial é um dos temas mais quentes do momento. Empresas como Google, IBM e Microsoft estão praticamente se refazendo em torno dessa ideia. Não é à toa: os ganhos da aplicação de técnicas baseadas em aprendizagem de máquina e big data são assombrosos — das melhorias dramáticas nos sistemas de tradução de idiomas ao reconhecimento de imagens sem qualquer classificação prévia feita por humanos. É difícil pensar em uma área que não se beneficie desses avanços.

Já discutimos isso bastante por aqui. E continuaremos, porque há muitas implicações que transcendem a tecnologia — éticas, políticas, psicológicas. Para enriquecer o debate, tive a oportunidade de entrevistar Thiago Rotta, líder da IBM Watson Solutions na América Latina. Como o próprio me explicou, sua tarefa é monitorar o mercado e o que a IBM está produzindo na área, a fim de levar aos clientes as melhores soluções para seus problemas.

Thiago é uma das atrações do Wired Festival Brasil 2016, o primeiro da tradicional revista norte-americana por aqui, que começa amanhã (2/12) no Armazém da Utopia, no Rio de Janeiro. Gentilmente, ele se dispôs a responder oito perguntas sobre inteligência artificial para o Manual do Usuário. Suas respostas, muito pertinentes, nos ajudam a entender a questão por um ponto de vista raro de ser lido por aí: o de quem cria essas soluções. (mais…)

O grande diferencial do Allo, um app de bate-papo que ignora as boas práticas de privacidade vigentes, é um intruso na conversa, o Google Assistant. Ele participa ativamente do diálogo, fazendo buscas a pedido dos interlocutores e, o que é mais preocupante, sugerindo respostas pré-fabricadas.

O Facebook Messenger também trabalha com robôs, mas em conversas paralelas, ou seja, não os traz para as conversas que mantemos com outros seres humanos — ainda, pelo menos. Mas é bobagem acreditar que isso se deva a um princípio humanista no âmago de Mark Zuckerberg.

É uma decisão de negócios. O Google quer se tornar uma entidade única nas nossas vidas digitais; o Facebook ainda depende de terceiros. Isso não o impede, porém, de experimentar com bizarrices. A última é sugerir tópicos de conversação com base no que seus amigos fizeram (ou confessaram ao Facebook terem feito) recentemente.

O problema disso tudo é que terceirizamos traços que nos são, até agora, exclusivos. A escolha das palavras e sobre o que falar são coisas muito humanas. Queremos terceirizar isso? Se sim, estamos cientes do custo?

Evan Selinger, professor de filosofia do Instituto Rochester de Tecnologia, e Brett Frischmann, professor da Faculdade de Direito Cardozo, estão escrevendo um livro intitulado Ser Humano no Século XXI (tradução livre). Um pequeno excerto publicado no Medium responde, de maneira limitada, mas didática, essas perguntas:

Terceirizar, então, não afeta apenas como uma tarefa é realizada. Quando decidimos ou não por terceirizar, precisamos considerar se vale a pena abdicar da ação, responsabilidade, controle, intimidade e possivelmente conhecimento e habilidade. Se não, provavelmente deveríamos realizar essa tarefa nós mesmos.

A conversa por texto já é bastante pobre. Ela normatiza o discurso de uma forma sutil, mas poderosa. Percebe como conversar com pessoas distintas pelo WhatsApp oferece menos nuances, como se todas fossem mais ou menos parecidas? Que as particularidades de cada um se revelam com mais facilidade, de modo inescapável, até, quando o contato é pessoal em vez de mediado por texto escrito em uma tela? Se nem esse fragmento de humanidade nos apps de bate-papo estamos dispostos a resguardar, aí tudo bem querer que o Allo escolha as suas frases e que o Facebook determine o assunto da conversa.

Pixel, o primeiro smartphone do Google, é um terminal para inteligência artificial

Confirmando o que já sabíamos, graças a vazamentos em baldes, o Google anunciou seus smartphones próprios, batizados Pixel e Pixel XL. Junto à dupla, a empresa também deu mais detalhes do Google Home, uma caixa de som Bluetooth inteligente; mostrou o Daydream View, óculos de realidade virtual que funcionarão com os Pixel; o Google Wifi, roteadores modulares que se conectam uns aos outros para ampliar o alcance da rede sem fio; e o Chromecast Ultra, agora com suporte a vídeo em 4K. (mais…)

Inteligência artificial, Apple e Google

por Benedict Evans

Nota: para uma boa introdução à história e ao estado atual da inteligência artificial (IA), veja esta apresentação (em inglês) do meu colega Frank Chen.

Nos últimos dois anos, começou a acontecer mágica em IA. Técnicas começaram a funcionar ou passaram a funcionar muito melhor e novas técnicas apareceram, especialmente em torno de aprendizado de máquina (ML, na sigla em inglês). Quando foram aplicadas em alguns casos de uso consagrados e importantes, começamos a ter resultados dramaticamente melhores. Por exemplo, as taxas de erros para o reconhecimento de imagens, de voz e processamento de linguagem natural caíram para próximas às dos humanos, ao menos em algumas medições.

Assim, você pode dizer ao seu smartphone: “mostre-me fotos do meu cachorro na praia” e um sistema de reconhecimento de fala transforma o áudio em texto, o processamento de linguagem natural pega o texto e interpreta que se trata de uma demanda por fotos e a entrega ao seu aplicativo de fotos; esse, que usa sistemas de aprendizado de máquina para classificar fotos com “cão” e “praia”, faz uma busca no banco de termos e retorna as imagens que batem. Mágica. (mais…)

Robôs já estão entre nós

É bem simples, quase rudimentar, mas é alguma coisa e é inédita por aqui — pelo menos entre os sites brasileiros que cobrem tecnologia: o Manual do Usuário agora tem um robô. Clique na imagem abaixo para conhecê-lo: (mais…)

Robôs de conversação e inteligência artificial como interface

por Benedict Evans

Robôs de conversação envolvem duas preocupações muito atuais. De um lado, a esperança de que eles de fato funcionem é um reflexo da contínua explosão da IA (inteligência artificial); do outro, eles oferecem um caminho para alcançar consumidores sem ter que fazê-los instalar um app. (mais…)

Qual a melhor interface para pedir gás de cozinha?

Hoje eu soube que existe um app de iPhone que só serve para pedir gás de cozinha. (mais…)

O teste de Turing definitivo está em Ex Machina

O teste de Turing surgiu faz mais de meio século e ainda não foi superado. Nesse meio tempo, o cinema imaginou diversas situações em que humanos e máquinas, seres dotados de inteligência artificial, se relacionam. Em poucas vezes, porém, as implicações desse encontro foram tão profundas quanto em Ex Machina, de Alex Garland. Um robô pode, afinal, ter consciência tal qual um ser humano? (mais…)