O ótimo A rede social (2010), que dramatizou a criação do Facebook, ganhará um filme “complementar” em outubro, The social reckoning (ainda sem título brasileiro).

Desta vez, o filme retratará os eventos da divulgação dos “Facebook Papers”, documentos internos vazados à imprensa em 2021 por Frances Haugen, ex-engenheira da Meta (à época, ainda Facebook).

O primeiro trailer mostra Jeremy Strong no papel de Mark Zuckerberg, o que achei boa escolha: a voz está muito parecida e o ator caracterizado é tão esquisito quanto o original que o inspira. (No primeiro filme, Zuckerberg foi interpretado por Jesse Eisenberg.)

Aaron Sorkin assina o roteiro sozinho e também dirige o novo filme. Uma pena que David Fincher não tenha voltado para dirigir a sequência, digo, o “complemento”. Não senti firmeza no trailer de que teremos um filme à altura do primeiro.

Assisti a Idiocracia (2005), do Mike Judge, seguindo uma dica que peguei ali no Órbita. O filme se passa em 2505 e “prevê” uma enorme regressão cognitiva da humanidade. Duas pessoas congeladas em 2005 e acordadas no futuro servem de parâmetro para o declínio, ou como ponto de vista do espectador naquele futuro distópico.

Fiquei fascinado com os vislumbres da sociedade idiotizada de 2505 na nossa, aqui em 2025. Marcas dando nomes a todas as coisas, serviços e lugares, o presidente dos EUA, a violência generalizada, “mas tem eletrólitos”. Meio sem querer, até a suposta raiz do problema — a procriação desenfreada de seres humanos burros — já se faz presente, mas subvertida como parte da distopia.

É como se estivéssemos 480 anos adiantados e, não bastasse isso, superando algumas das previsões de Judge.

A tecnologia (não tão) futurista de “Lazarus”

Estou assistindo a um desenho que o streaming Max meio que jogou na minha cara, Lazarus. A animação é lindona e a trilha sonora, sensacional. Lembra muito Cowboy Bebop, e não por acaso: ambas as séries, separadas por quase 30 anos, são dirigidas por Shinichirō Watanabe.

A história de Lazarus se passa em 2052. Há vários detalhes curiosos, como a nacionalidade do protagonista, o nosso brasileiro Axel Gilberto. (Aposta arriscada, a dos roteiristas, de que Axel será o Enzo ou Gael dos anos 2030 por aqui.)

Logo no início do quinto episódio, “Pretty Vacant”, dois detalhes tecnológicos me chamaram a atenção.

O primeiro deles foi a Delta Medical, empresa responsável pela fabricação da droga que norteia a história, ter publicado os resultados de testes do remédio codificados em áudios no SoundCloud. Você se lembrava que o SoundCloud ainda existe? Eu poderia apostar que em 2052 o SoundCloud será apenas uma nota de rodapé em algum verbete da Wikipédia.

(A propósito, alguém notou que, em fevereiro de 2024, o SoundCloud mexeu em seus termos de uso para se dar o direito de usar conteúdo dos usuários para treinar inteligências artificiais. O futuro é agora, e é distópico.)

O outro, essa uma má notícia, é que ainda usaremos celulares e os do futuro também terão telas de vidro suscetíveis a quebras. Logo no início do quinto episódio, o CEO da Delta Medical, Dr. Ahmed Rahman, arremessa o seu contra a parede e *crec*, mais uma tela trincada.

Um futuro nebuloso para a Corning e lindo para o complexo industrial de capinhas e películas que, aparentemente, o Dr. Rahman não usava. (A minha teoria da conspiração de estimação tem a ver com fabricantes de capinhas e películas para celulares, mas essa é outra história.)

“Capitão Astúcia” tenta caminho alternativo no audiovisual: no YouTube e de graça

Capitão Astúcia, senhor de barba branca e com uma máscara vermelha cobrindo os olhos, levantando os braços.

A primeira vez que troquei uma ideia com o Filipe Gontijo foi em 2015. Ele havia acabado de dirigir um filme de realidade virtual, em um momento em que as big techs juravam de pés juntos que o futuro do entretenimento estava numa realidade virtual empacotada em um pedaço de papelão com um celular enfiado dentro.

Corta para 2025 e, desta vez, ainda na mesma conversa por e-mail, Filipe busca inovar nos bastidores. Seu primeiro longa-metragem, Capitão Astúcia, saiu direto no YouTube, de graça, sem anúncios. O modelo de negócio? Quem gostar do longa pode contribuir com um Pix de qualquer valor.

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Um protetor de tela inspirado na estética de “Neon Genesis Evangelion” que… 

Print do protetor de tela com relógio e a estética de Neon Genesis Evangelion.

Um protetor de tela inspirado na estética de Neon Genesis Evangelion que em vez da duração da bateria do EVA, exibe a hora do computador (apenas macOS). Dica do Danilo.

Faz uns três anos que o protetor de tela não é atualizado e ele pode dar erro em versões mais recentes do macOS. Instale por sua conta e risco — mas, se aceita um conselho, não instale.

Na mesma linha, tem este timer que roda no navegador com várias opções de personalização. Detalhes no repositório do projeto.

O primeiro Oscar para o Brasil, com Ainda estou aqui na categoria de melhor filme estrangeiro, não foi o único ineditismo na premiação deste ano. A vitória de Flow como melhor animação foi, também, a vitória do software livre: o longa foi feito inteiramente no Blender.

O diretor de Flow, o letão Gints Zilbalodis, agradeceu ao Blender em seu discurso após receber a estatueta e deu mais detalhes do software na entrevista após a premiação, no vídeo acima.

Flow também foi o primeiro filme da Letônia e a primeira animação independente a levar o Oscar.

Transcrição traduzida da entrevista:

Pergunta: Quando você recebeu o prêmio, agradeceu ao Blender logo de cara. Poderia falar um pouco da ferramenta que usou, como a usou e como ela te ajudou a tornar esse filme possível? E o que significa para a animação daqui em diante?

Gints Zilbalodis: O Blender é um software livre e de código aberto, o que significa que todo mundo tem acesso a ele, Então qualquer criança agora tem ferramentas que agora são usadas para fazer um ganhador do Oscar. Acho que veremos todos os tipos de filmes empolgantes serem feitos, por crianças que não tinham a oportunidade de fazê-lo antes.

É uma ferramenta ótima, não foi uma desvantagem de maneira agora, é tão boa quanto qualquer outra, e vamos usá-lo também em meu próximo filme.

Relacionado: uma entrevista longa, por escrito e anterior à cerimônia, que Gints Zilbalodis concedeu ao pessoal do Blender.

Via @blender@mastodon.social (em inglês).

Números enormes

Os diversos modelos de iPhone já respondem por 40% das vendas da Trocafone, marketplace brasileiro de celulares usados. Em 2023, o percentual dos celulares da Apple era de 25%. / mobiletime.com.br

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A Samsung sentiu o bafo de rivais chinesas na corrida das TVs conectadas e anunciou que as suas contarão com 7 anos de atualizações para o Tizen, sistema operacional próprio que equipa as TVs. A nova política vale a partir de alguns modelos lançados em 2023. / businesskorea.co.kr (em inglês)

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A Autoridade Holandesa de Proteção de Dados aplicou uma multa de € 290 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão) à Uber na segunda (26), por transferir dados de motoristas europeus aos Estados Unidos sem os devidos cuidados com a privacidade. / oglobo.globo.com

O que esperar da TV 3.0?

Está a pleno vapor a articulação para a “TV 3.0”, com previsão de lançamento já para 2026. No início de agosto, a Globo apresentou um protótipo, uma prévia do que esperar do novo salto tecnológico da TV aberta.

O Globo, jornal do grupo, deu a notícia. Entendi a proposta, mas para mim ela soou mais como uma ameaça:

A versão 3.0 da televisão digital vai permitir, através da conexão à internet, que o usuário participe de enquetes, votações e chats durante a exibição de novelas, programas e competições esportivas usando o controle remoto. Será possível ainda acessar funções especiais para comprar produtos exibidos na tela e enviar reações ao conteúdo, como ocorre nas redes sociais.

É raro uma lista de atrativos ser tão broxante. A parte que estimula alguma empolgação ficou mais para baixo:

[…] será possível assistir transmissões com resolução de até 8K, o dobro do atual 4K, e personalizar o áudio, isolando determinados ambientes como o barulho do público em um estádio, além de informações como horário, local e sobre a programação.

Assistir a um jogo de futebol sem os berros dos narradores e pitacos ruins dos comentaristas parece um sonho. Grande o bastante para trocar de TV? Hahaha, aí não.

Sentiu falta de algo? Ah sim, o fim do anonimato e a publicidade segmentada. No rodapé da notícia, Raymundo Barros, presidente do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre e diretor de Estratégia e Tecnologia da Globo (ufa!) dá a má notícia:

[…] A TV 3.0 tem tecnologia para reconhecer individualmente cada usuário.

[Barros:] “A TV 3.0 vai tornar a relação personalizada e capaz de gerar interação. Com isso, vamos prover experiências de consumo cada vez mais personalizadas, sem abrir mão dos conteúdos que têm apelo massivo. A TV digital na versão 3.0 não abre mão de mídia de massa, mas cria espaço que pode e será ocupado por pequenos e médios empreendedores.”

Sam Altman não sabe interpretar filmes — um problema para nós e a Scarlett Johansson

O fiasco da voz do ChatGPT “inspirada” na da Scarlett Johansson reforçou minha teoria de que as grandes mentes do Vale do Silício não sabem interpretar filmes e livros. Ou talvez não os assistam até o final. Ou as duas coisas.

De qualquer forma, o que poderia ser apenas um constrangimento se torna um problemão quando as obras favoritas desses ~gênios bilionários e poderosos são distopias.

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TV conectada vira espaço de vigilância para publicidade segmentada

Esta matéria do Brazil Journal, escrita por Josette Goulart, traz dados fascinantes do mercado de TVs conectadas.

Segundo o Kantar Ibope, 60% dos domicílios brasileiros já conta com uma TV conectada. A Samsung estima que 74% do tempo de uso da TV é gasto com streaming e apenas 26% com TV linear. Mais que isso, 1/3 das TVs só acessam streaming.

A Samsung trouxe ao Brasil, há dois anos, sua divisão de anúncios para extrair receita dos 15 milhões de TVs que a fabricante tem no país. Os anúncios aparecem na tela inicial e no Samsung TV Plus, um app/canal de streaming gratuito.

Segundo a reportagem:

[…] a empresa consegue saber até mesmo se o televisor estava ligado quando determinada propaganda passou no intervalo do Fantástico, na Globo, ou do Programa do Ratinho, no SBT. (Ou seja, nem mesmo a medição da audiência da TV será a mesma daqui para a frente.)

Por enquanto, é possível escapar dessa vigilância assustadora usando caixinhas de streaming — ainda que, na maioria dos casos, troca-se uma empresa bisbilhoteira por outra.

No futuro, não é loucura imaginar que a receita com publicidade cubra os custos de um chip 5G e o consumo de dados para streaming.

Todas as nossas indicações culturais de 2022

Ao final de cada programa do Guia Prático, o podcast de bate-papo do Manual do Usuário, eu (Rodrigo Ghedin), Jacqueline Lafloufa e convidados fazemos uma indicação cultural — pode ser livro, filme, jogo, música, até palestra.

Em 2022, foram 110 indicações ao longo de 44 programas. No clima das retrospectivas de fim de ano, reunimos todas elas numa tabela dinâmica, abaixo, para recuperar as coisas boas que nos fizeram pensar, que nos divertiram e nos engrandeceram.

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O site Legendas TV, que disponibilizava gratuitamente legendas de filmes e séries feitas de modo independente, anunciou o fim das suas atividades. Na mensagem que aparece em seu site, diz que “com a queda de contribuições, aumento de custos, variação cambial e impossibilidade de trabalhar com publicidade devido à visão que o mundo tinha dessa comunidade, tornou-se cada vez mais difícil manter o Legendas.TV vivo”.

A fase ruim vem de longe. Em 2019, a equipe do Legendas TV ameaçou encerrar as atividades a menos que mais gente assinasse o plano VIP então oferecido. Na ocasião, afirmou ter em seu acervo 350 mil legendas de 50 mil títulos distintos.

A equipe disse ainda que está trabalhando para disponibilizar, nas próximas semanas, “[o] acervo de uma maneira simples mas ainda assim funcional”. Via Legendas TV.