YouTube coloca atraso de 5 segundos a quem usa Firefox e o apocalipse de bloqueadores de anúncios no Chrome

Diversos relatos no Reddit acusam o Google de acrescentar um atraso artificial, de 5 segundos, ao site do YouTube quando aberto pelo Firefox.

Mudando o user-agent para o Chrome, ou seja, “enganando” o YouTube para que o site pense que o acesso é via Chrome, o atraso some.

Questionado pelo site 404 Media, o Google não negou o atraso, mas disse tratar-se de parte da investida contra bloqueadores de anúncios: “Usuários que têm bloqueadores de anúncios instalados podem experimentar um acesso aquém do ótimo, independentemente do navegador que estejam usando.”

Deve ser coincidência que apenas um navegador rival esteja apresentando o “acesso aquém do ótimo”.

Note que não é um problema generalizado, tal qual a blitz anti-bloqueadores de anúncios do Google. Eu tentei reproduzir o problema aqui, sem sucesso. A 404 Media e publicações especializadas em Android, como o Android Authority, também não.

Em nota relacionada, o Google retomou o cronograma do novo formato para extensões do Chrome, chamado Manifest V3, que deve enfraquecer as que bloqueiam anúncios.

A partir de junho de 2024, versões de testes do Chrome trarão a novidade. Nos meses seguintes, a depender dos “dados” obtidos nas versões de testes, o Manifest V3 chegará à versão estável.

Quem usa bloqueadores de anúncios no Chrome terá suas extensões desativadas, caso elas não tenham sido adaptadas, ou convertidas para versões mais simples, adequadas ao Manifest V3.

Talvez seja um bom momento para dar outra/uma nova chance ao Firefox. Ele já é o navegador recomendado pelo uBlock Origin, a melhor extensão de bloqueio de anúncios, e, em breve, essa distinção ficará ainda maior.

(O Firefox adotará o Manifest V3 para fins de compatibilidade, só que sem os limites arbitrários que limitam bloqueadores de anúncios que o Google adotou.) Via 404 Media, Ars Technica (em inglês).

Google adota “novilíngua” para continuar espionando usuários do Chrome

A empresa de publicidade Google começou a liberar um novo método de monitoramento/espionagem dos usuários do seu navegador, o Chrome.

Ao abrir a última versão do Chrome, os usuários serão, em algum momento, impactados por uma mensagem intitulada “Ative um recurso de privacidade de anúncios” (veja o print, em inglês, no Ars Technica).

O Google diz que está “lançando novos recursos de privacidade que lhe dão mais escolhas para os anúncios que você vê”. Na prática, o Google está incorporando, direto no navegador (Chrome), um sistema de espionagem massiva dos usuários.

Na novilíngua do Google, a violação da sua privacidade não é uma escolha. O que está em jogo é o modo como você deseja ceder todos os dados possíveis para segmentar anúncios.

Essa falsa escolha é uma resposta desesperada de um Google acuado pela concorrência.

Desde 2020, outros navegadores, como Safari da Apple e Firefox da Mozilla, baniram os cookies de terceiros, método preferido há anos por empresas de publicidade — como o Google — para espionar as pessoas para fins publicitários.

O Google, a fim de manter seu verniz de “privacidade”, prometeu que também aposentaria os cookies de terceiros, mas só fará isso depois que estabelecer outro método eficaz de espionagem.

Já tentou duas vezes, com o FLoC e a API de tópicos. Ambas fracassaram por falta de apoio — exceto anunciantes e empresas de publicidade, ninguém achou boa ideia. Por isso, a aposentadoria dos cookies de terceiros no Chrome já foi adiada incontáveis vezes.

O novo “recurso de privacidade” do Chrome é a mais nova tentativa do Google de impor um sistema alternativo de vigilância corporativa. Sem surpresa, somente o Chrome pretendo adotá-lo entre os principais navegadores – o único de uma empresa de publicidade.

Por ora, é possível ignorar essa nova investida. Em algum momento, não será mais. A melhor maneira de evitar os avanços do Google na deterioração da privacidade online é não usando o Chrome. Existem alternativas.

Print do Edge para Windows, no site do Chrome Canary, mostrando uma imagem enorme injetada pela Microsoft dissuadindo o usuário de baixar o navegador rival.
Imagem: Neowin/Reprodução.

Imagine o Google colocando um banner gigante do Gmail no site do Outlook quando acessado pelo Chrome, ou um do Google Workspace quando alguém visitasse o site do Microsoft Teams.

A Microsoft está fazendo algo nessa linha, como se vê neste flagra do site Neowin, com aqueles que baixam o Chrome Canary (versão de testes) pelo seu navegador, o Edge. “Com a confiança adicional da Microsoft”, lê-se na imagem, seria injetar conteúdo estranho em sites de empresas rivais?

Nem parece a empresa que tomou uma coça da Justiça dos Estados Unidos na virada do milênio por práticas anticompetitivas no mercado de navegadores. Via Neowin (em inglês).

Seguindo a linha de que “onde há fumaça, há fogo”, Google e Mozilla estão testando versões dos seus navegadores (Chrome e Firefox) para iOS com motores de renderização próprios (Blink e Gecko).

Hoje, a Apple proíbe outros motores de renderização nos aplicativos do iOS — todos usam o dela, WebKit. Os testes podem ser um sinal de que, em breve, a Apple relaxará essa restrição, talvez já no iOS 17.

É uma situação complexa. Em outras plataformas, o Chrome domina o segmento de navegadores web. Bem ou mal, a obrigatoriedade do WebKit, embora limite a escolha dos usuários e seja uma postura nociva no geral, na prática serve como resistência contra o domínio total do Blink/Google. Via The Register (em inglês).

Não acho que [a API de tópicos] seja a respeito dos cookies de terceiros — é sobre vigilância na web e rastreamento. Se removermos os cookies de terceiros e substitui-los com algo que tem os mesmos problemas, então não é ok.

— Amy Guy, do Grupo de Arquitetura Técnica do W3C.

A API de tópicos é a última aposta do Google para substituir os cookies de terceiros no Chrome como aparato de vigilância para o seu negócio de publicidade segmentada. O W3C, em reunião realizada em 10 de janeiro, analisou e rejeitou a proposta. O Google se pronunciou; disse que seguirá em frente mesmo com o revés.

Quando uma empresa de publicidade desenvolve um navegador web, não surpreende que a prioridade seja usá-lo para devassar a privacidade dos usuários. Felizmente o W3C e outros navegadores (WebKit/Safari, Firefox) estão combatendo com afinco essa aberração. Via Insider (em inglês).

Extensão Privacy Redirect para Safari

“Sair do Twitter” não significa ignorá-lo por completo. Na cobertura do Manual e até mesmo em trocas de mensagens com amigos e familiares, vez ou outra aparece um link para lá.

Foi numa dessas situações que lembrei da extensão Privacy Redirect, que redireciona links de redes sociais comerciais para front-ends alternativos focados em privacidade. No caso do Twitter, o Nitter.

Se você usa Chrome ou Firefox, ótimo: a extensão é gratuita, só instalar e apontar quais serviços deseja que sejam redirecionados.

No caso do Safari, desconhecia alternativa. Aí fiz uma pesquisa e descobri que, em agosto de 2021, alguém lançou uma versão da Privacy Redirect para o navegador da Apple. Custa R$ 10,90, mas… né, o que não custa alguns reais nas plataformas da Apple?

O Google liberou o suporte a chaves-senha no Android e no Chrome. O padrão, que a Apple inaugurou em dispositivos comerciais com o iOS 16, substitui senhas por dispositivos na hora de autenticar-se em sites e aplicativos. Numa explicação grosseira, o seu celular vira a “senha”.

Por ora, as chaves-senha no Google estão restritas a canais de testes. A empresa disse que espera promovê-las ao Google Play Services e Chrome estáveis até o fim do ano e desenvolver, ainda em 2022, uma API para aplicativos nativos no Android. Via Google (em inglês).

O AdGuard, empresa especializada em soluções de bloqueio de conteúdo/anúncios, lançou a primeira extensão do Chrome adaptada ao Manifesto V3, a nova (e polêmica) API de extensões do navegador do Google que limita a ação de bloqueadores de anúncios e será obrigatória a partir de janeiro de 2023.

A extensão ainda tem caráter experimental. Ciente disso, baixe-e aqui.

Em um post no blog oficial, a empresa explica detalhadamente todos os entraves que o Manifesto V3 impôs ao desenvolvimento de uma versão da extensão do Chrome compatível — alguns, intransponíveis. Apesar da dor de cabeça, ela conclui que:

Embora a extensão experimental não seja tão efetiva quanto sua antecessora, a maioria dos usuários não sentirá a diferença. A única coisa que você talvez note são anúncios piscando devido ao atraso na aplicação de regras cosméticas.

Via AdGuard (em inglês).

por Cesar Cardoso

A feira de tecnologia alemã IFA começa mesmo, assim, pra valer, nesta sexta (2), mas ontem tivemos algumas coisas interessantes.

(mais…)

O Google anunciou um novo adiamento à aposentadoria dos cookies de terceiros no Chrome. A princípio, isso aconteceria agora, em 2022. Em junho de 2021, o prazo foi estendido para 2023 e, agora, estendido de novo, para 2024.

O adiamento é uma resposta ao “pedido mais consistente” que o Google tem recebido da indústria.

Embora não tenham sido concebidos para esse fim, cookies de terceiros são usados largamente por empresas de publicidade para monitorar o comportamento do usuário e formar perfis de consumo para direcionar publicidade.

Não é de se estranhar a demora do Google em aposentar um recurso tão valioso à publicidade invasiva — área que responde pela maior fatia do seu faturamento.

Felizmente, não é preciso esperar pela boa vontade do Google: praticamente todos os rivais do Chrome — Firefox, Safari, Edge — já desativaram o suporte a cookies de terceiros por padrão há anos, garantindo mais privacidade a seus usuários, e não têm planos de incluir uma tecnologia invasiva no lugar deles, como é o caso do Google com o leque de ferramentas chamado Privacy Sandbox, ainda em testes.

Os três navegadores são gratuitos e funcionam tão bem quanto o Chrome. Via Google, 9to5Google (ambos em inglês).