O ritual anual de lançamento do iPhone segue movimentos previsíveis: a esteira de rumores por meses a fio; o convite da Apple enviado à imprensa no início de setembro; o evento de apresentação do novo modelo em meados de setembro; os reviews norte-americanos que saem uma semana depois; e, afinal, o início das vendas no fim do mês — lá fora, pelo menos. É quase enfadonho, e isso é uma ótima notícia para nós, consumidores.
Se existisse um gerador de apresentações de iPhone baseado nas anteriores, ele provavelmente cuspiria algo muito similar ao que a Apple fez nesta terça-feira (14), na apresentação do iPhone 13 e mais um punhado de quinquilharias. Mas para nós, brasileiros, o comercialzão da Apple teve algo de diferente este ano: soubemos, no mesmo dia, os preços locais dos produtos, detalhe que a empresa costumava soltar meses depois. (Quanto às datas de lançamento, só deus sabe.)
Desde 2013, o Manual do Usuário analisa a evolução do preço do iPhone à luz da sempre dura — às vezes mais que a média, como agora — realidade brasileira. Em 2021, não faríamos diferente, mesmo com o iPhone do ano se tornando, versão após versão, produto (ainda) mais distante da realidade de… bem, da maioria. Se em algum momento esse levantamento teve um caráter de serviço, hoje o faço quase que por esporte, tipo os acalorados debates do que alguém faria com o prêmio da Mega-Sena. (Comprar um iPhone, talvez?) Claro, numa dessas, de repente isto ainda pode ser útil a algum(a) leitor(a) mais abastado(a). (Se for o seu caso, apoie o Manual!)
Enquanto a União Europeia se prepara para obrigar fabricantes de celulares a oferecerem atualizações de software por pelo menos cinco anos, o governo da Alemanha quer estender esse prazo para sete anos. No mesmo período, as fabricantes deverão disponibilizar peças de reposição para os aparelhos, e ficarão proibidas de aumentar o preço delas. Via XDA-Developers (em inglês), Heise Online (em alemão).
Hoje, o celular mais antigo que ainda recebe atualizações da fabricante é o iPhone 6S, da Apple, lançado em setembro de 2015 (há seis anos, pois). Nas próximas semanas, ele receberá o iOS 15. No mundo Android, a referência é a Samsung. Em agosto de 2020, a empresa sul-coreana anunciou uma lista de celulares e tablets elegíveis para três grandes atualizações de versão do Android, e em fevereiro de 2021, outra lista, maior, de produtos lançados a partir de 2019 que terão quatro anos de atualizações de segurança. Via Samsung(2) (em inglês).
A Samsung anunciou, nesta quarta (11), a nova geração dos seus celulares dobráveis, Galaxy Z Flip 3 e Galaxy Z Fold 3. São iterações, ou seja, nenhuma mudança drástica, mas algumas melhorias interessantes:
A tela externa do Galaxy Z Flip 3 (na foto acima) cresceu bastante, a interna agora trabalha a 120 Hz e o aparelho ganhou certificação IPX8, ou seja, é resistente à água. A linguagem visual mudou, com um ar meio “retrô futurista”.
O Galazy Z Fold 3 também traz certificação IPX8 e telas (no plural) a 120 Hz, e a câmera de selfie interna passou para baixo da tela — primeiro celular da Samsung com essa tecnologia.
Os outros anúncios do dia são os Galaxy Buds 2 e os Galaxy Watch 4 e Watch 4 Classic, os primeiros a trazerem o novo Wear OS fruto da “fusão” de sistemas para relógios da Samsung e do Google.
Lá fora, eles ficaram ligeiramente mais baratos — US$ 999 no Galaxy Z Flip 3, US$ 1,8 mil no Z Fold 3. Segundo a Samsung, “a disponibilidade no mercado brasileiro será comunicada em breve”. Via Samsung(2).
Os celulares Pixel, do Google, nunca foram lançados no Brasil e deverão continuar assim. Nesta segunda (2), o Google anunciou o Pixel 6 e Pixel 6 Pro, e vale a menção aqui porque, corroborando rumores, os novos modelos virão com um chip próprio, chamado Tensor. O Google se junta a outras poucas empresas do setor capazes de desenharem seus próprios chips — Apple, Huawei e Samsung. E que visual legal, o dos Pixel 6, não?
Os aparelhos serão lançados no outono (primavera para nós), sem preço relevado — mas espere por preços salgados. Via Google (em inglês).
Um membro de uma gangue “limpa-contas”, preso em novembro de 2020 em São Paulo (SP), revelou à polícia como consegue burlar a criptografia do iPhone. Na real, ele não consegue. Pelo relato, publicado pela Folha de S.Paulo, é mais um golpe de engenharia social do que técnico, aplicado com base no número/chip do celular da vítima. Mais ou menos assim:
Assaltante tira o chip do celular da vítima, coloca em outro aparelho e ativa o número nele.
Assaltante procura o endereço de e-mail da vítima usado como Apple ID (iPhone) ou Conta Google (Android) em redes sociais, como Facebook e Instagram.
Assaltante ganha acesso ao Apple ID/Conta Google.
Assaltante restaura backup da nuvem (iCloud/Google Drive) em um novo aparelho e procura senhas de outros serviços no backup, encontra-as e repassa o aparelho a terceiros que farão a limpa nas contas bancárias.
Algo que não fica evidente é como o assaltante consegue recuperar a senha do iCloud/Google Drive. Uma hipótese é que ele inicia o processo de recuperação de senha, que tanto na Apple quanto no Google envolvem o número de telefone para a recuperação de contas, conforme as imagens a seguir:
Outro detalhe que chama a atenção é a busca por senhas no conteúdo do celular: “Ao baixar as informações da nuvem no novo aparelho, passa a procurar ali informações ligadas a palavra ‘senha’ e, segundo dele, obtém geralmente os números e acesso do celular e das contas bancárias.”
À luz desse relato, uma medida fácil para dificultar esse ataque é alterar/ativar a senha/PIN do seu chip (SIM card). É um código de quatro dígitos que, depois de ativado, passa a ser pedido quando se insere o chip em outro celular.
Este tutorial do TechTudo explica como configurá-lo no Android e no iOS, e apresenta os códigos padrões de cada operadora. Cuidado na hora de alterar o PIN: após três tentativas erradas, ele bloqueia o chip. Caso você já tenha feito a troca e esqueceu o PIN cadastrado, é necessário o código PUK, que vem impresso na embalagem do chip ou, caso não a tenha mais, pode ser requisitado junto ao atendimento da sua operadora.
Outra dica, básica, mas aparentemente ainda não muito difundida, é jamais salvar qualquer tipo de senha em texto puro ou em apps de anotações. Use um gerenciador de senhas decente e ative o segundo fator de autenticação onde for possível.
Cesar Cardoso lembrou hoje, na newsletter Pinguins Móveis, o décimo aniversário do Nokia N9, “talvez o ápice do design da Nokia clássica, um nível de polimento que não se encontra em outro telefone Linux”, nas palavras dele.
Em 2012, por breves dias, eu tive um N9. O MeeGo, nome do sistema operacional que o equipava e fruto de uma parceria entre Nokia e Intel, era diferente de todos os outros, com interface baseada em gestos, uma central de comunicação que englobava apps de mensagens e redes sociais e outras boas ideias, umas esquecidas, outras incorporadas pelos sistemas sobreviventes. O N9 foi, também, a prova viva de que é possível fazer celulares de plástico (policarboneto, que seja) elegantes e de alta qualidade e o último suspiro antes dos finlandeses abraçarem a Microsoft e pularem no precipício.
Acabei devolvendo a minha unidade porque ela tinha vindo com os botões de volume meio frouxos e porque, a despeito da qualidade do sistema, a situação dos apps da plataforma já era ruim e a tendência, que se confirmou, era só piorar. Fui para o Android da Samsung, que tinhas os apps, mas em troca de uma interface feia e deselegante. Do N9, sobraram estas poucas e mal tiradas fotos.
Até duas semanas atrás, minha única preocupação com um possível roubo ou furto do meu celular era o prejuízo material. (Ainda mais agora, com tudo encarecendo.) Ele está bem configurado e criptografado, ou seja, é pouco provável que alguém consiga acessar os dados que estão ali dentro. Ou assim pensava. Uma série de reportagens da Folha de S.Paulo fez surgir outro receio: o de ter a minha conta bancária varrida por assaltantes.
O PagSeguro lançou o PagPhone, um celular que é também maquininha de cartão. Era esperado que alguém fosse fazer um produto desses (o comercial brinca com a ideia evolutiva), mas me chama que ele tenha chegado neste momento, com uma pandemia provocada por um vírus altamente transmissível. Afinal, é um aparelho que passa pelas mãos de vários clientes o dia todo e depois volta ao bolso e para momentos íntimos do dono. Será que alguém pensou nisso lá dentro? Via PagSeguro.
A menos que você seja rico ou jornalista/blogueiro/youtuber de tecnologia, celular é um custo considerável e, preferencialmente, esporádico em sua vida. Por ser um objeto útil, até essencial, e ao mesmo tempo caro, a gente economiza, compra e cuida, faz ele durar. No Brasil de 2021, os “incentivos” para cuidar do celular ou de qualquer outro equipamento eletrônico se multiplicaram.
Em nota à imprensa, a LG detalhou o plano de atualizações para seus celulares. (Caso não tenha visto, a empresa em breve deixará de fabricar celulares.) Serão três anos/atualizações do Android para “telefones LG premium lançados em 2019 e posteriores (série G, série V, VELVET, Wing), enquanto alguns modelos de 2020, como LG Stylo e série K, receberão duas atualizações de sistema operacional”. No segundo grupo, há um asterisco que diz que as atualizações dependerão da “programação de distribuição do Google, bem como de outros fatores, como desempenho e compatibilidade do dispositivo”.
Uma das maiores dificuldades do mundo corporativo é saber a hora de parar. Prejuízos pontuais fazem parte do jogo, bem como a competição acirrada. Reviravoltas (ou “turnarounds”, no jargão do meio) são sempre uma possibilidade e os bons momentos são apenas isso, momentos — dá para ir do céu ao inferno em questão de meses.
Para a LG, a hora de parar foi no 23º trimestre seguido de prejuízos. Após perder US$ 4,1 bilhões nesses pouco menos de seis anos, o chaebol anunciou, nesta segunda (5), que encerrará a fabricação de celulares no próximo dia 31 de julho.
Agora é oficial: a LG está saindo do mercado de celulares. Em um comunicado publicado na noite deste domingo (4), a empresa sul-coreana informou que continuará oferecendo suporte e atualizações para seus celulares atuais “por um prazo que variará de acordo com a região” e que espera terminar os processos de dissolução da sua unidade de dispositivos móveis até 31 de julho. É o fim de uma era. Via LG (em inglês).
O LineageOS, um projeto que mantém o Android atualizado em uma ampla gama de celulares, muitos deles já abandonados pelas fabricantes, chegou à versão 18.1 esta semana, levando o Android 11 a muitos celulares. Via Lineage (em inglês).
A Xiaomi anunciou o Mi 11 Ultra, seu novo celular topo de linha. Tudo é superlativo nele e, entre tantos números enormes, os da câmera se destacam. Não só por ter alcançado o topo do ranking Dxomark, mas pela aparência: trata-se de um conjunto de três câmeras em um calombo nas costas tão avantajado que foi possível colocar uma mini-tela secundária, de 1″. A telinha exibe data, hora e notificações e, quando a câmera está ativa, vira um viewfinder.
Outra coisa legal é a bateria, ou as baterias (são duas, como nos RoG Phone 5 da Asus e OnePlus 9 Pro), que podem ser recarregadas de zero a 100% em 36 minutos, com fio ou sem fio — o tempo de recarga é o mesmo. Na Europa, custa € 1.199 (~R$ 8 mil). Ainda sem previsão de chegar ao Brasil. Via Xiaomi (em inglês).