2024
StreetPass: encontre perfis verificados para seguir no Mastodon
No Mastodon, a verificação de perfis é feita com o auxílio de sites/domínios. Se você tem ou está ligado a algum site (da sua empresa, por exemplo), basta inserir uma linha de código no site referenciando seu perfil para que o link desse site fique verde e com um tique no Mastodon.
(Veja o meu, com os links do Manual, do meu site pessoal e do meu blog verificados.)
Aproveitando-se dessa dinâmica, o engenheiro de software Tyler Deitz criou uma extensão que ajuda a encontrar perfis para seguir no Mastodon, a StreetPass.
O uso é dos mais simples. Instale-a (tem versões para Chrome, Firefox e Safari) e navegue normalmente. Nos bastidores, a StreetPass detecta quando um site visitado tem um perfil correspondente verificado no Mastodon e salva esse perfil.
Depois de um tempo, clique no ícone da extensão para ver a lista dos perfis detectados e, se for do seu interesse, segui-los.
Um detalhe importante é que nenhum dado jamais escapa do seu computador. Toda a coleta e processamento dos dados é feita localmente, no navegador. Aos curiosos (e/ou desconfiados), o código-fonte é aberto.
StreetPass / Chrome, Firefox e Safari / Gratuita
Cedo ou tarde, qualquer pessoa que se interesse por tecnologia para seres humanos se dá conta de que o software proprietário é um beco sem saída. É por esse motivo que, apesar de ser um plano totalmente contraproducente, tenho flertado cada vez mais com a ideia de abandonar o ecossistema da Apple. Será que rola ainda em 2024?
Um bom lembrete do Brent Simmons, que tirou a poeira do seu blog após a Apple anunciar que vai cobrar 27% (!) de compras feitas na web a partir de links em apps do iOS que a Justiça estadunidense a obrigou a liberar.
É certo que estamos longe de sermos perfeitos, mas enquanto nossos concorrentes estão conectando pedófilos, alimentando insurreições e recomendando propaganda terrorista, sabemos que o Snapchat faz as pessoas felizes.
Evan Spiegel
CEO e co-fundador do Snapchat.
Trecho de um memorando de Evan a toda a empresa. (Parece que alguém não é muito fã da Meta 👀)
O executivo acredita que estamos em à beira de uma nova “revolução” de dispositivos vestíveis, com os Spectacles tendo um papel de destaque (?), que as redes sociais estão mortas e que o Snapchat não faz parte desse grupo, apesar de ter cara, focinho e cheiro de redes social. Via Business Insider (em inglês).
LibreWolf, um fork mais privado do Firefox configurado de fábrica
O LibreWolf é, nas palavras dos desenvolvedores, “uma versão customizada do Firefox, focada em privacidade, segurança e liberdade”.
Isso talvez confunda algumas pessoas. O Firefox já não é “focado em privacidade, segurança e liberdade”? Sim, mas sendo um produto de alcance maior, é preciso encontrar o equilíbrio entre proteções e facilidade de uso.
Sem essa amarra, o LibreWolf se posiciona como um fork do Firefox configurado de fábrica com as melhores opções de privacidade e segurança. O que é um adianto para quem compartilha das preocupações do projeto.
Parte do seu apelo é esse mesmo: um punhado de configurações alteradas do padrão do Firefox. Não só, porém. Outras vantagens do LibreWolf são a remoção de alguns incômodos (Pocket, estou olhando para você), uBlock Origin instalado por padrão e recursos de conveniência que ferem a natureza livre do software, como DRM para vídeos, desativados.
Algo não mencionado, mas que me agrada bastante no LibreWolf, é o visual e recursos espartanos dele. É algo mais direto ao ponto. E se algum recurso fizer falta (para mim, por exemplo, é o Firefox Sync), é bem provável que dê para reativá-lo com alguns cliques.
LibreWolf / Linux, macOS e Windows / Gratuito
Notei que os cinco sites de tecnologia brasileiros que analisei expõem listas de “mais lidas”, o que ajuda a validar as conclusões a que cheguei. As maiores estranhezas (horários de jogos de futebol, tutoriais caça-cliques e “cultura nerd”) dominam as listas.
Prints tirados na manhã desta quarta (17): Canaltech, Olhar Digital, Giz Brasil, Tecmundo, Tecnoblog. A título de curiosidade, as mais lidas deste Manual nos últimos sete dias (10–16/1).
A mesa de trabalho do Felipe Souza
Nota do editor: Sim, a seção de mesas está de volta! Nela, leitores do Manual mostram suas mesas (e o que tem em cima delas), explicam o que usam e como, e nessa todo mundo aprende alguma coisa nova. Veja outras mesas e, se puder, envie a sua. O texto abaixo é de autoria do Felipe.
TimeDeposit registra o tempo gasto em projetos em qualquer dispositivo Apple
Precisando registrar o tempo gasto em tarefas de projetos distintos? Se você usa sistemas da Apple, o TimeDeposit é uma boa pedida.
A característica mais legal é que tem aplicativo para tudo: iPadOS, iOS, macOS e watchOS. A sincronização dos dados é feita via iCloud e os apps se integram bem aos respectivos sistemas — ícone na barra de menus do macOS, Atividades Ao Vivo no iOS, widgets no watchOS.
O TimeDeposit funciona com tarefas e projetos. É possível fazer os registros em tempo real, iniciando um cronômetro no app, ou depois (em caso de esquecimento), com a criação de sessões completas.
O único contra é que esta solução não funciona para equipes. É somente para uso individual. Outro ponto negativo é a tradução da interface para o português, aparentemente feita por alguém que não fala português. Não se pode ter tudo…
Em dias normais, o TimeDeposit tem limitações e não sincroniza com calendários na versão gratuita. Para liberar esses recursos, é exigido um pagamento único. Nesta terça (16), porém, o app sai de graça, via Indie App Santa.
TimeDeposit / iPadOS, iOS, macOS e watchOS / Freemium
Onde estão os bons apps de e-mail?
Será que estou mal acostumado ao Apple Mail? Ou apenas acostumado a ele? Afinal, é quase uma década usando-o diariamente. Após passar por vários outros aplicativos de e-mail no último fim de semana, fiquei com a impressão de que não fazem mais bons apps de e-mail, ou comparáveis ao Apple Mail.
Tive essa revelação enquanto configurava o Fedora 39 em um desses “mini PCs”, para ficar mais próximo do sistema e usá-lo vez ou outra. E não é como se eu quisesse algo elaborado, certamente nada que envolva “IA” nem que processe meus e-mails em servidores alheios. (E que não custe US$ 30/mês, rs.) Tudo que peço é um app com interface e atalhos que fazem sentido e que converse com os protocolos IMAP e SMTP. É pedir muito?
Antes de enveredar pelo Linux, aproveitei que o Windows 11 veio pré-instalado no computador para dar uma olhada no “novo” Outlook, a rendição da Microsoft ao elefante na sala, o webmail.
Se você usa Windows e ainda não teve a infelicidade de topar com o novo Outlook, é apenas uma casca em torno do Outlook da web, aquele acessível pelo navegador. Bom para a Microsoft, para os 766 parceiros dela que recebem dados dos usuários, e só. Não, não é bom para você.
Windows superado, instalei o Fedora padrão, com o ambiente gráfico Gnome, e iniciei a minha via crucis pelos clientes de e-mail no Linux. Primeira parada: Thunderbird.
Mesmo com a repaginada visual em curso, o Thunderbird continua… esquisito. São muitos botões, atalhos estranhos ao sistema, visual fora do lugar. Vários desses problemas são comuns ao Firefox, mas, por motivos que não consigo articular, o Firefox não me passa essa sensação. Poderia usá-lo? Sim, meio a contragosto. Funciona. Vamos testar outros apps antes de bater o martelo.
O próximo da lista foi o Evolution, uma espécie de equivalente ao Thunderbird para o ambiente Gnome: lida com e-mail, calendário, listas de tarefas, notas. (Só faltou mensagens via Matrix, coisa que o Thunderbird incorporou não faz muito tempo.) Com um pouco de paciência dá para tirar os excessos de botões e barras e deixar o Evolution mais agradável, ou menos feio. Não num nível ideal, porque tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, mas ok, não é de todo ruim.
Continuei os testes. O aplicativo seguinte, Geary, é o que mais se parece com o Apple Mail. Simples, focado em e-mail, atalhos no teclado ok, funciona mais ou menos dentro do que se espera de um app moderno.
O problema é que o Geary padece de alguns defeitos injustificáveis a essa altura. O pior deles é o das colunas fixas.
Por motivos que talvez nem Deus explique, não é possível redimensionar as colunas de pastas/filtros, lista de mensagens e mensagem aberta. Para piorar, a coluna da lista de mensagens tem quase a mesma largura da da mensagem, mesmo em telas enormes.
A situação é essa desde abril de 2021. O histórico do Geary é acidentado, com longas lacunas de baixa ou nenhuma manutenção. Esse defeito, porém, é uma regressão. Não era assim e não poderia ter ficado assim, jamais.
Cheguei ao extremo de testar o Claws antes de dar por encerrado meu giro por apps de e-mail. Gosto e só escrevo e-mails em texto puro (text/plain), logo, por que não? Talvez eu me adaptasse com dedicação e paciência para arrumar a configuração padrão, um tempo que não quero gastar com isso.
Será que a maioria já migrou para o webmail em computadores, aplicativo só no celular? Para quem usa app de e-mail no computador: qual? Esqueci de testar algum? Sou todo ouvidos.
O site da Wikipédia é bom. O aplicativo para celulares é melhor
O site da Wikipédia funciona super bem em telas pequenas. Apesar disso, existem bons motivos para instalar o aplicativo oficial.
Na verdade, o principal motivo — ao menos para mim — são os widgets maravilhosos da versão para iOS. São três: foto do dia, o que aconteceu neste dia no passado e os itens mais lidos.
(Aliás, alguém sabe por que o verbete do filme xXx, com Vin Diesel, passou dias como mais lido na Wikipédia em português?)
Infelizmente a versão para Android carece de widgets legais.
Fora isso, o app permite baixar verbetes para lê-los sem conexão à internet, mostrar assuntos geograficamente próximos (é preciso dar permissão de geolocalização) e personalizar a experiência de leitura.
E é, antes de qualquer coisa, um bom aplicativo: leve, rápido, gostoso de usar. Como todo app deveria ser.
Atualização (17h20): O fato do aniversário da Wikipédia ser nesta segunda (15) é, acredite, uma total coincidência. (Só soube agora.)
Wikipédia / Android, iOS / Gratuito
Breve análise dos sites de tecnologia brasileiros
Se tivesse que justificar a razão de existir do Manual do Usuário, diria que é publicar coisas diferentes do que outros sites de tecnologia publicam. O que nos leva à pergunta inevitável: o que os outros sites de tecnologia publicam?
Tenho uma boa ideia, é claro. Uns acompanho de perto, outros de longe, sempre dou uma passadinha em todos para… digamos, “monitorar a concorrência”.
Durante seis dias em 2023 (31/8 a 5/9), porém, fiz uma incursão que se pretendia metódica em cinco dos maiores sites especializados em tecnologia do Brasil. Com a ajuda de um agregador de feeds, capturei, rotulei e categorizei tudo que eles publicaram naquele intervalo.
Surpreso que apenas 12 milhões de números de telefone estão cadastrados no Não Me Perturbe. O site e os apps (Android, iOS) são esquisitaços, mas é um serviço legítimo que, se não resolve, ameniza o assédio de operadoras e consignado de bancos. Cadastre-se lá, se ainda não o fez. Via Convergência Digital.
Boicote ao Substack ganha força
Na segunda (8), via Platformer, a popular newsletter de Casey Newton, os fundadores do Substack disseram ter banido cinco newsletters nazistas apontadas por Casey e que estão desenvolvendo ferramentas de denúncia para que os leitores sinalizem outras publicações infratoras.
Resposta tardia e fraca, nem o próprio Casey, que havia dado um ultimato ao Substack prometendo migrar para outro canto se a política “nazi-friendly” não fosse revista, se convenceu.
Atualização (12/1, às 6h50): Casey anunciou que a Platformer deixará o Substack em poucos dias.
Há quem argumente que “eram só cinco newsletters”. O problema é que… bem, o Substack continua sendo um lugar receptivo a nazistas (literalmente nazistas), e isso não pega bem com quem não é nazista porque, para nós, “incitação à violência física” — a diretriz que enseja banimentos no Substack — é inerente à ideologia nazista.
Essa conexão não existe para os fundadores do Substack. O que causa estranheza. É meio zoado você dizer abertamente que não se incomoda com nazistas no seu quintal, promovendo e lucrando em cima do seu serviço (e você mesmo lucrando em cima deles), ainda que seja o caso.
Nem Elon Musk, ele próprio cada vez mais embriagado de ideias erradas, ousou cruzar essa linha. (Ainda. Dia desses o assunto na pocilga dele era imigrantes ilegais tendo filhos nos EUA, o que talvez esteja a um passo de, sei lá, controle de natalidade para pobres? Eugenia?)
Quando abordei o assunto pela primeira vez neste Manual, disse que:
Para quem está estabelecido e tem muitos inscritos, é um caminho válido. Para o resto de nós, é complicado.
Essa frase gerou alguns ruídos. Por “estabelecido”, referi-me a donos(as) de newsletters com muitos inscritos e uma base de assinantes estável e grande o suficiente para se viver disso. Para eles é, de fato, mais fácil sair: há dinheiro e estrutura para uma migração complexa.
Já vemos essa previsão se materializar.
Molly White, do hilário Web 3 Is Going Great, pulou fora: migrou sua newsletter, a Citation Needed, para um servidor próprio usando o Ghost.
A Garbage Day, de Ryan Broderick, também vai zarpar do Substack.
A gratuidade do Substack dificulta a saída de quem tem uma newsletter apenas por hobby ou não faz grana o bastante para bancar alternativas (todas pagas), ou seja, é difícil para “o resto de nós”. Não julgo quem permanece lá.
No dia em que Hamish McKenzie, um dos fundadores do Substack, publicou aquela nota patética sobre como lidam com nazistas usando seu serviço, fiquei meio puto e cancelei todas as newsletters em que estava inscrito no Substack, umas 20 ou 30.
Em vez de receber os textos delas por e-mail, peguei os endereços dos feeds RSS e cadastrei todas no meu agregador (Miniflux dos assinantes do Manual).
Foi o ponto de equilíbrio que encontrei para ler pessoas interessantes e queridas e, ao mesmo tempo, dar distanciar-me do Substack. Pelo feed RSS, as pessoas perdem um inscrito, mas o mais importante é que o Substack perde um “usuário” e outras métricas que serão úteis na próxima vez que tiverem que mendigar dinheiro de investidores para manter aberto o bar de nazis que construíram.
Little File Explorer, para Android, é um app funcional de apenas 40 KB
Quão compacto um aplicativo moderno pode ser? O Little File Explorer (LFE) leva esse questionamento a sério: o pequeno explorador de arquivos para Android tem menos de 40 KB.
A descrição oficial, ou o slogan do LFE, é “um pequeno e simples explorador de arquivos, projetado com a compatibilidade em mente”. Faz sentido.
Instalei o LFE para ver qual é a dele. Sem surpresa, o visual é bem espartano, mas as funcionalidades são as esperadas em um aplicativo básico do tipo.
É possível copiar, colar, mover, renomear e excluir arquivos; filtrar arquivos por nome; ordená-los por nome ou última modificação; acessar cartões SD; compartilhar arquivos.
Uma função meio avançada é o gerador e verificador de checksum md5, que garante a fidelidade de um arquivo compartilhado.
Ademais, o Little File Explorer tem o código aberto, exige o mínimo de permissões (só uma, a óbvia, de acesso aos arquivos) e, talvez o feito mais curioso, é compatível com o Android 1.0 (!) e superiores. Ah, e é um projeto ativo — a atualização mais recente saiu no final de novembro de 2023.
Little File Explorer / Android / Gratuito
Um guia para prevenir um naufrágio algorítmico
Nota do editor: Tive a felicidade de ter o prefácio do livrinho Outros jeitos de pensar a tecnologia, Volume II escrito pela Yasmin Curzi. Suas palavras gentis captam bem o espírito dos textos — ou a minha intenção ao escrevê-los. Ainda há cópias da primeira tiragem disponíveis, para envio imediato. Para comprar o seu, envie um e-mail ou uma DM no Instagram ao Felipe Moreno, da editora Casatrês. O preço é R$ 40 e o frete é grátis para todo o Brasil.
A sobrecarga de informação, a economia da atenção e a ascensão do marketing predatório são sintomas de uma era definida pela lógica algorítmica embutida na plataformização da web. Este é um tempo onde a informação não apenas flui, mas nos inunda, desafiando a nossa capacidade de discernir o essencial do supérfluo. Ninguém quer ficar de fora das redes do momento. Há pressão social para que se saiba tudo o que acontece, o tempo todo. Ainda, se a promessa do início de vida das plataformas de redes sociais era que todos seriam “broadcasters”, isto é, todos produziriam conteúdo e teriam capacidade de serem ouvidos por outras pessoas, a promessa do período mais recente era de que todas as pessoas poderiam ser influenciadores — de moda ou da opinião pública. Muitos conteúdos, muitas vezes superficiais, mas cujo ruído agregado causa um barulho imenso.