O dia seguinte do Threads

Passada a euforia da estreia, é um bom momento para avaliar o impacto do Threads na confusão que virou a disputa pelo suposto vácuo deixado pela passagem do furacão Elon Musk pelo Twitter.

Os dados iniciais foram surpreendentes: 100 milhões de pessoas deram uma chance ao Threads nos primeiro cinco dias do app, lançado em 5 de julho. A taxa quebrou o recorde do ChatGPT, que havia demorado dois meses para chegar nove dígitos.

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Escrevi mais cedo, na newsletter, que a diminuição da base de usuários e tempo gasto no Threads é normal após a primeira onda de entusiasmo e curiosidade. Horas mais tarde, vejo que a Sensor Tower apontou um capote ainda maior: -70% de usuários ativos diários e 4 minutos de uso por dia. Será que já flopou? Via Wall Street Journal [sem paywall] (em inglês).

O notório hacker Kevin Mitnick morreu neste domingo (16) de complicações de um câncer no pâncreas. Mitnick fez fama nos anos 1990, quando hackeou sistemas telefônicos, de empresas, universidades e do governo nos EUA, levando consigo milhares de arquivos e dados de cartões de crédito. Em 2000, após cumprir uma sentença de 46 meses de prisão, converteu-se em um hacker “white hat” e fez carreira como escritor, palestrante e consultor. Mitnick tinha 59 anos e deixa a esposa, Kimberley, grávida do primeiro filho do casal. Via New York Times, Dignity Memorial (ambos em inglês).

Em agosto, o Medium expandirá seu programa de parcerias — que paga a escritores que publicam na plataforma — no Brasil. Além disso, vai reformular os critérios de divisão de receita a fim de incentivar a “escrita humana de alta qualidade” em contraponto a virais baratos e conteúdo gerado por IA.

Sempre tive muitas reservas com o Medium. Ainda as tenho, e talvez por isso, mas também por achar que desta vez possa funcionar, assinei o Medium para ver qual é que é a desse programa. (Ah sim: agora a assinatura, de US$ 5/mês, é pré-requisito para ingressar no programa.) Meu perfil lá, caso queira segui-lo. Via blog do Medium (em inglês).

Estelionatários já estão usando o Desenrola Brasil, programa de quitação de dívidas lançado pelo governo federal nesta segunda (17), para aplicar golpes. A Agência Lupa encontrou posts patrocinados no Facebook, com gastos de até R$ 7 mil, que levam a páginas fraudulentas.

Mais uma vez, a Meta (dona do Facebook) lucra com o uso das suas plataformas para a prática de crimes. A responsabilidade solidária das plataformas digitais, que estava prevista no PL das fake news, provavelmente cairá. Percebe-se que é algo necessário. Via Agência Lupa.

A Justiça do Distrito Federal decidiu que é ilegal às empresas financeiras “sequestrar” o celular de consumidores inadimplentes. A grande ideia — de fazer Orwell se revirar no túmulo, de inveja — consistia em obrigar o consumidor a instalar um app ao tomar um empréstimo que, em caso de não pagamento, bloqueia funcionalidades do aparelho.

A ação foi movida pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) e Idec. Ainda cabe recursos. Via Convergência Digital.

Dangerzone mitiga o risco de ataques via documentos ou imagens adulterados

Documentos e imagens podem ser vetores para a disseminação de vírus e outras pragas digitais. O aplicativo Dangerzone ajuda a mitigar esse risco.

Como? Com “sandboxes” isoladas do sistema operacional e uma ideia engenhosa de desconstrução e reconstrução dos arquivos suspeitos.

Transcrevo (e traduzo) a descrição do site oficial:

Você dá a ele um documento no qual não sabe se pode confiar (por exemplo, um anexo de e-mail). Dentro de uma “sandbox”, o Dangerzone converte o documento em um PDF (se ainda não for um) e, em seguida, converte o PDF em dados brutos de pixels: uma enorme lista de valores de cores RGB para cada página. Então, em uma “sandbox” separada, o Dangerzone pega esses dados de pixels e os converte de volta em um PDF.

O aplicativo lida com arquivos *.pdf, documentos do Microsoft Office e LibreOffice e alguns formatos de imagens.

Um projeto da Freedom of the Press Foundation, o Dangerzone é gratuito, tem o código aberto e versões para Linux, macOS e Windows. Baixe-o aqui.

Um juiz de Santa Adélia (SP) condenou a Meta a indenizar um advogado em R$ 5 mil e excluir perfil falso no WhatsApp que usava a foto dele para tentar aplicar golpes. O expediente usado pelos estelionatários virou uma epidemia por aqui — eu mesmo já fui usado de “isca” em uma tentativa de golpe do tipo. Se a moda pega… Via Migalhas.

Manual é objeto de monografia na UFRGS

O Manual do Usuário foi objeto de análise de uma monografia do curso de jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Matheus da Rocha Leite, orientado pelo professor Marcelo Träsel, analisou o Manual à luz dos conceitos do Slow Journalism, um movimento que prega outra forma de fazer jornalismo, com menos celeridade e maior preocupação com aspectos como transparência e a relação entre veículo e audiência.

Na monografia, Matheus faz contextualiza a crise do jornalismo, conceitua e apresenta as oportunidades que o Slow Journalism oferece, e faz uma análise de como o Manual implementa (ou não) as características do movimento.

Fiquei lisonjeado em ter meu trabalho escolhido como objeto de pesquisa e muito contente com o resultado. A monografia já está disponível, na íntegra, no site da UFRGS.

O aplicativo Remini anda em alta, e por um motivo meio… esquisito: ele gera fotos de bebês — que não existem — da pessoa que o utiliza. Gosto duvidoso à parte, a política de privacidade do Remini, sem surpresa, é aquela padrão de apps do tipo: dados podem ser compartilhados com terceiros para fins de segmentação de anúncios e podem ficar retidos por até uma década.

A empresa por trás do Remini é a Bending Spoons, a mesma que comprou o Evernote e, no início de julho, demitiu em massa e fechou escritórios nos EUA e Chile. Via Estadão [sem paywall].

Cerca de 3,5 milhões de pessoas assinaram a Netflix nos Estados Unidos em junho, segundo a consultoria Antenna. Foi o melhor mês da empresa nessa métrica em muito tempo, com o dobro da média de cadastros mensais. O número é absoluto, ou seja, não leva em conta os cancelamentos no mesmo período.

No Brasil, segundo o Kantar Ibope (via Na Telinha), a Netflix perdeu audiência no primeiro semestre, caindo de 4,9% em janeiro para 4,1% em junho.

São dados preliminares e de terceiros. Nesta quarta (19), a Netflix divulgará seus resultados financeiros do segundo trimestre de 2023 e, aí sim, teremos uma visão mais ampla da estratégia de acabar com o compartilhamento de senhas. Via Bloomberg (em inglês), Na Telinha.

Inteligência artificial no banco dos réus

Um escritório de advocacia da Califórnia, processou a OpenAI e o Google por infringirem direitos autorais e a privacidade no treinamento dos seus chatbots, ChatGPT e Bard.

Em outra ação, a comediante e escritora Sarah Silverman e outros escritores processaram a OpenAI e a Meta pelo mesmo motivo. Aqui, a alegação é de que as empresas usaram cópias piratas de seus livros, de repositórios como Z-Library e Biblotik, para treinarem os algoritmos do ChatGPT e LLaMA.

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O Linux Mint 21.2 “Victoria” foi lançado no domingo (16). É uma versão de suporte estendido, até 2027. As principais novidades são suporte a gestos, aos formatos de imagens HEIF e AVIF e pequenas mudanças estéticas. Baixe aqui. Via OMG! Ubuntu (em inglês).

Neste sábado (15), o Manual do Usuário será migrado para um novo servidor, da Automattic/WordPress.com.

Faremos um esforço para que a migração aconteça da maneira mais tranquila possível. Mesmo assim, comentários e posts no Órbita publicados durante o processo poderão ser perdidos.

Quando tudo estiver finalizado, aviso por aqui mesmo. Obrigado pela compreensão!

Atualização (16/7, às 8h30): Se você estiver lendo isto, significa que a migração foi concluída com sucesso e seu acesso já está sendo feito a partir do novo servidor. Caso encontre algo quebrado, por favor, avise nos comentários ou por e-mail. Valeu!

O que aprendi com cursos do Threads lançados menos de 24 horas depois do próprio Threads

Não fazia 24 horas que o Threads estava no ar, na quinta-feira (6), quando li alguém zombando que já tinha gente vendendo curso para bombar na nova rede social da Meta/Instagram.

Incrédulo, abri o marketplace do Hotmart e pesquisei por “threads”. Não havia um, mas sim uma dúzia de cursos do tipo nos resultados, com promessas absurdas de revelar supostos segredos do Threads para os negócios, para viralizar, para vender… enfim, para se dar bem no puxadinho recém-inaugurado do Zuckerberg.

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