O Google anunciou uma nova regra, válida para seu braço publicitário e para o YouTube, que corta o dinheiro de conteúdos que negam a mudança/emergência climática. “Isso inclui conteúdo que se refere às mudanças climáticas como uma farsa ou fraude, alegações que negam que as tendências de longo prazo mostram que o clima global está esquentando e alegações que negam que as emissões de gases de efeito estufa ou a atividade humana contribuem para as mudanças climáticas”, disse a empresa em comunicado.

De acordo com o Google, a nova regra, que passa a valer em novembro, foi criada a pedido de anunciantes e de criadores de conteúdo que não querem se ver associados a discursos negacionistas. Ela é uma via de mão dupla: proíbe criadores de conteúdo (que recebem dinheiro) e também os anunciantes (que pagam) de negarem a emergência climática.

O Google afirmou que usará uma combinação de ferramentas automatizadas e revisores humanos para aplicar a nova regra e que é capaz de diferenciar discursos negacionistas de debates acerca desses discursos: “Ao avaliar o conteúdo em relação a esta nova política, examinaremos cuidadosamente o contexto em que as reivindicações são feitas, diferenciando entre o conteúdo que faz uma afirmação falsa como fato e o conteúdo que relata ou discute essa afirmação.”

Será um desafio e tanto, dado o volume gigantesco de vídeos e anúncios que o Google processa e considerando o histórico, longe de ser perfeito, da empresa no combate a fraudes e a infrações às suas próprias regras.Via Axios (em inglês), YouTube.

No iOS 15, links AMP do Google estão abrindo como se fossem links normais. Danny Sullivan, espécie de rosto público do buscador do Google, confirmou que se trata de uma falha que será corrigida o quanto antes. Via Search Engine Land (em inglês), @dannysullivan/Twitter (em inglês).

No Windows 11, alguns usuários estão se deparando com a velha barra de tarefas do Windows 10. Ainda não há uma correção e a Microsoft não se manifestou sobre os casos. As gambiarras para consertar o problema vão de desfazer as últimas atualizações até criar um novo perfil no sistema. Via Bleeping Computer (em inglês).

Considerando a desgraça que é o AMP para a web e a perda de recursos da nova barra de tarefas do Windows 11, daria para considerarmos esses bugs como… bugs bem-vindos?

O Telegram não foi o único que capitalizou sobre a indisponibilidade do Facebook na segunda-feira (4), nem o maior beneficiado dependendo da métrica analisada.

Dados da consultoria Sensor Tower divulgados pela Bloomberg apontam que o Snapchat teve o maior salto no tempo gasto no app para Android, de 23% em relação à semana anterior. O Telegram apareceu em segundo lugar, com aumento de 18%, seguido por Signal (+15%), Twitter (+11%) e TikTok (+2%).Via Bloomberg (em inglês).

O Flickr lançou uma fundação a fim de preservar seu acervo de fotos públicas. “A Fundação Flickr representa o nosso compromisso em gerir este tesouro cultural e digital para garantir sua existência para as futuras gerações”, diz o texto no site da fundação. A ideia surgiu após a empresa reavaliar a iniciativa Flickr Commons, lançada em 2008, que cataloga e arquiva fotografias de fontes públicas diversas. Dica do leitor gabriel.

O Manual tem um grupo de fotografia no Flickr. Apareça!

Um país dependente do WhatsApp

Alguém inclinado a teorias da conspiração poderia dizer que a queda catastrófica dos serviços do Facebook nesta segunda-feira (3), que deixou o próprio Facebook, Instagram e WhatsApp fora do ar e os funcionários da empresa do lado de fora dos escritórios, foi puro diversionismo. Na véspera, Frances Haugen, ex-gerente de produtos do Facebook que se rebelou e está revelando segredos internos da empresa, veio a público na TV norte-americana e abriu (ou agravou) mais uma crise no Facebook.

Não é o caso, ou assim acredito. E nem é pelos milhões de dólares em receita que o Facebook deixou de ganhar ou pelo teor das revelações de Frances, que são de fato graves e devem ter consequências sérias.

(mais…)

Post livre #289

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha no domingo à noite.

A Receita Federal lançou um novo app (Android, iOS) que concentra diversos serviços até então espalhados em vários apps. Segundo a Receita, o novo app — batizado de Receita Federal — oferece serviços “de CPF, declaração do Imposto de Renda, acompanhamento de processos, eSocial, atividades econômicas, bem como realização de agendamento de atendimento e visualização das unidades da Receita”. A autenticação é feita por uma conta gov.br. Via Receita Federal.

A Twitch, plataforma de streaming da Amazon focada em games, sofreu um enorme vazamento na noite desta terça (5). Um arquivo de 125 GB foi disponibilizado no 4chan. Ele contém todo o código-fonte dos aplicativos da Twitch, o site inteiro twitch.tv, códigos relacionados a ferramentas e serviços internos ligados à AWS, um concorrente da Amazon ao Steam e três anos de dados de pagamentos a criadores de conteúdo.

Pelo Twitter, a Twitch confirmou o vazamento e disse estar “trabalhando com urgência para entender a dimensão disso”.

A forma como o vazamento foi divulgado, com um “parte 1” atrelado, sugere que mais dados sigilosos poderão vir a tona. A pessoa ou grupo que divulgou o vazamento justificou-se, dizendo que a atitude visa “fomentar mais disrupção e competição no espaço do streaming de video game online”.

O vazamento já está rolando por aí. À BBC News, o streamer BBG Calc confirmou que seus dados de faturamento na Twitch batem com os do vazamento. No Brasil, o perfil do Twitter @beescoitu compilou os rendimentos dos 100 streamers da língua portuguesa mais populares. Via Video Games Chronicle (em inglês), BBC News (em inglês), @twitch/Twitter (em inglês), @beescoitu/Twitter.

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

Duas coisas legais do novo Firefox 93 — uma consta nas notas da versão, a outra não. A primeira é a descarga automática do conteúdo de abas quando houver pouca memória disponível no sistema. Funciona igual em celulares: quando o sistema está sem memória, uma aba em segundo plano fica “oca”, ou vazia, e só é recarregada novamente quando o usuário a traz ao primeiro plano, preservando a posição da rolagem e dados preenchidos em formulários. Por ora, só no Windows — em Linux e macOS o recurso chega em breve. No link ao lado há uma explicação mais técnica/detalhada. Via Mozilla Hacks (em inglês).

A outra novidade diz respeito aos temas claro e escuro. Uma nova opção no about:config, a layout.css.prefers-color-scheme.content-override, permite destacar as duas coisas — usar o sistema em modo escuro, mas carregar os sites nas versões claras. Os códigos são os seguintes: escuro (0), claro (1) ou sistema (2). Via Hacker News (em inglês).

Outras novidades dignas de nota são o suporte padrão ao formato de imagens AVIF, um sistema de proteção contra downloades potencialmente inseguros e melhorias nos recursos de proteção à privacidade nativos. Via Mozilla (em inglês).

O Telegram registrou um salto gigantesco em novos usuários na segunda-feira (4), em decorrência da queda catastrófica do Facebook que deixou o WhatsApp indisponível por cerca de 7 horas. Segundo Pavel Durov, fundador e CEO do Telegram, o serviço ganhou 70 milhões de novos usuários. O aumento no fluxo motivou alguma instabilidade para usuários nas Américas (fator Brasil?). Pavel deu boas-vindas aos novos usuários e cutucou o rival: “Não falharemos com vocês quando outros falharem”. Via @durov/Telegram (em inglês).

Durante três horas, Frances Haugen, ex-gerente de produtos da divisão de integridade cívica do Facebook, respondeu perguntas de uma comissão do Congresso dos Estados Unidos nesta terça-feira (5.out) e manifestou sua visão sobre os problemas da empresa e possíveis caminhos para consertá-los. (Vídeo na íntegra, no YouTube.)

Ela repetiu alguns dos argumentos apresentados no 60 Minutes, no domingo (3), quando veio a público, como a alegação de o Facebook priorizar o lucro em detrimento da segurança e bem-estar dos usuários, e de manter informações vitais fora do alcance do público.

Os congressistas norte-americanos deram bastante ênfase à pesquisa interna do Facebook, vazada por Frances, que relaciona problemas psicológicos em meninas adolescentes ao uso do Instagram. Em sua defesa, após a publicação de reportagem do Wall Street Journal baseada nos materiais cedidos por Frances, o Facebook havia dito que a pesquisa indicava que uma minoria desse público era prejudicada pelo Instagram. Em dado momento, Frances contestou essa defesa usando uma analogia popular na sessão — com o tabagismo: “No caso dos cigarros, ‘apenas’ cerca de 10% das pessoas que fumam desenvolvem câncer de pulmão. Então a ideia de que 20% dos seus usuários podem confrontar problemas psicológicos sérios e que isso não seria um problema é chocante.”

Outros tópicos abordados:

  • Frances criticou o poder desmedido de Zuckerberg, CEO e detentor de 58% das ações com direito a voto do Facebook. “Não existem outras empresas tão poderosas que são controladas unilateralmente dessa forma.”
  • Ela criticou a falta de transparência, reforçada nos últimos meses por atitudes hostis do Facebook a pesquisadores externos. “O cerne do problema é que ninguém entende as escolhas destrutivas do Facebook melhor que o próprio Facebook, porque só o Facebook consegue olhar suas entranhas.”
  • A respeito da Seção 230, lei norte-americana que isenta as plataformas virtuais de responsabilidade pelo conteúdo publicado por usuários, Frances acredita que seja possível e necessário responsabilizá-las pelo algoritmo e, no caso dos feeds, revertê-los à distribuição cronológica.

Após a sessão, o Facebook contra-atacou. Mark Zuckerberg e o departamento de relações públicas divulgaram notas criticando a caracterização feita por Frances e desqualificando-a como fonte confiável porque seu cargo no Facebook era de baixo nível, sem poder de tomada de decisão.

O único ponto em que Frances e Facebook convergiram foi na necessidade de regulação. Sobre isso, chamou a atenção a fala da senadora democrata Amy Klobuchar: “Não temos feito nada para modernizar nossas leis de privacidade neste país. Por quê? Porque há lobistas em cada canto deste prédio contratados pela indústria de tecnologia.”

Posteriormente, ao site Politico, ela repetiu a crítica: “É como aquele jogo de whack-a-mole. Toda vez que acho que fiz alguma coisa, outro lobista aparece. [O Facebook] literalmente contratou muita gente nesta cidade.”

“O Facebook quer que acreditemos que os problemas que enfrentamos são impossíveis de serem resolvidos. Que acreditemos em falsas escolhas. Eles querem que você acredite que precisa escolher entre um Facebook cheio de conteúdo extremista e polarizador ou perder os valores mais importantes sobre os quais nosso país foi fundado, a liberdade de expressão.”
— Frances Haugen.

Em paralelo à sessão no Congresso norte-americano e à participação no programa de TV 60 Minutes, Frances enviou à SEC (equivalente à CVM no Brasil) denúncias de que o Facebook enganou investidores em relação aos esforços para conter abusos na plataforma e à publicidade, e afirmou que tem mais documentos internos ainda não divulgados. Via Politico (em inglês), Wall Street Journal (em inglês, com paywall), CNBC (em inglês), @zuck/Facebook (em inglês).

O Facebook anunciou nesta terça-feira (5) o fim da marca IGTV. A partir de agora, os vídeos do feed do Instagram e os vídeos longos do IGTV ficam sob um novo guarda-chuva chamado Instagram Video.

Junto à mudança de posicionamento e fim da marca, o Instagram anunciou também uma nova aba de vídeos nos perfis dos usuários, estatísticas unificadas (posts e vídeos) e uma experiência de envio aperfeiçoada, com novos recursos simples de edição e marcação de contas e locais.

O app à parte do IGTV foi rebatizado de Instagram Video e continuará disponível; o mesmo aconteceu com os anúncios para vídeos longos, que passam a ser chamados de anúncios In-Stream.

Lançado em meados de 2018, o IGTV foi uma ambiciosa investida do Facebook/Instagram contra o YouTube. A hipótese por trás do produto era de que havia espaço para vídeos longos apresentados em formato retrato, ou seja, com o celular de pé. Apesar do barulho no lançamento e da alta expectativa da direção do Facebook, o IGTV nunca emplacou.

As mudanças recém-anunciadas não afetam, porém, o Reels, porção da experiência do Instagram oposta à do finado IGTV, ou seja, em vídeos curtos. Via Facebook (em inglês), TechCrunch (em inglês).

Numa segunda-feira em que não se falou de outra coisa que não a queda do Facebook, a Microsoft antecipou em um dia o lançamento do Windows 11 e o Google colocou na praça a versão final AOSP do Android 12 — e só ela; a atualização para os celulares da linha Pixel virá “nas próximas semanas”. Via Microsoft (em inglês) e Android Developers Blog (em inglês).

Os serviços do Facebook — a rede homônima, o Instagram e o WhatsApp — estão há quase 10 horas fora do ar nesta segunda-feira (4). Já se sabe o que causou a queda: uma atualização malfadada que varreu os registros do Border Gateway Protocol (BGP), o que impossibilita o acesso de qualquer sistema/computador aos serviços.

“Em algum momento nesta manhã, o Facebook removeu o mapa que diz aos computadores do mundo como encontrar suas várias propriedades online. Como resultado, quando alguém digita facebook.com em um navegador, este não tem ideia de onde encontrar o facebook.com e, por isso, retorna um erro”, resumiu Brian Krebs, especialista em segurança digital. Via Krebs on Security (em inglês) e Núcleo.

O estrago é tão profundo que, segundo a imprensa norte-americana, os funcionários do Facebook não conseguem acessar ferramentas internas e sequer entrar nos prédios da empresa, porque toda a operação está vinculada a domínios afetados. Segundo Mike Isaac, repórter de tecnologia do New York Times, no fim da tarde o Facebook enviou uma pequena equipe a data centers espalhados pela Califórnia para resetar manualmente os servidores da empresa. Via @RMac18/Twitter (em inglês), @MikeIsaac/Twitter (em inglês).

Embora a causa seja conhecida, ninguém sabe o que a causou. Pelo Twitter (!), o Facebook informou estar ciente do problema, desculpou-se pela inconveniência e afirmou que trabalhava para que as coisas “voltassem ao normal o mais rápido possível”. O tuíte foi publicado às 13h22, horário de Brasília. Via @Facebook/Twitter.