Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

A versão final do Fedora 35, popular distribuição Linux, foi lançada nesta terça (2). Ela traz o Gnome 41, que tem como destaques a loja de apps reformulada, suporte a modos de energia e um novo app para conexões remotas, o Conexões; melhorias no servidor de áudio e vídeo PipeWire, no suporte a GPUs da Nvidia e outras novidades menores. Baixe a versão Workstation aqui. Via Fedora Magazine (2) (em inglês).

A Meta anunciou que desativará o sistema de reconhecimento facial automático do Facebook. O recurso era um dos epítomes do mote “move fast, break things”: anunciado em 2010, foi ativado automaticamente aos (à época) milhões de usuários da rede social, que passaram a ter suas fotos identificadas e etiquetadas.

A justificativa dada pelo Facebook é a mesma que ativistas e especialistas dão desde o começo: o emprego dessa tecnologia pode ter consequências imprevistas desastrosas.

O Facebook removeu todos os “templates” de rostos em seu banco de dados e não etiquetará mais os rostos automaticamente. Em vez disso, estimula os usuários que marquem seus amigos e familiares em fotos de modo manual.

Fora o comunicado oficial, há outros motivos e detalhes relevantes em torno da decisão. Em fevereiro deste ano, o Facebook concordou em pagar US$ 650 milhões para encerrar uma ação civil pública nos Estados Unidos que acusava a empresa de usar a tecnologia de reconhecimento facial sem o consentimento dos usuários. Ao Gizmodo, a Meta confirmou que a decisão só afeta, a princípio, o Facebook, ou seja, o reconhecimeno facial no Instagram e Spark AR, sem falar na inteligência artificial DeepFace, criada especificamente para esse fim, continuam existindo. Não deixa de ser uma boa notícia, ainda que tardia e parcial. Típico do Facebook. Via Meta (em inglês), Associated Press (em inglês), Gizmodo (em inglês).

A partir desta quarta (3), o aplicativo da Netflix para Android passa a oferecer jogos. São apenas cinco títulos, todos sem publicidade, compras in-app ou pagamentos extras, mas o acesso está condicionado à assinatura do streaming. Para iOS, os jogos chegam “em breve”.

A corrida para dominar a nossa atenção se intensifica. Via Netflix (em inglês).

Foto de um notebook com uma página do Loop aberta, muito parecida com o Notion.
Imagem: Microsoft/Divulgação.

A Microsoft anunciou o Loop na Ignite, sua conferência de tecnologias para o trabalho. Baseado no conceito de componentes Fluid, anunciado há um tempo, o resultado tem uma semelhança chocante com o Notion, o novo queridinho da produtividade. Chega aos assinantes do Microsoft 365 nos próximos meses.

Além do Loop, a empresa revelou sua versão de metaverso corporativo (um metainferno?) e uma série de outras novidades para o Microsoft 365. Veja tudo no blog corporativo, no link ao lado. Via Microsoft (em inglês).

Algo muito estranho aconteceu no iFood nesta terça (2). Milhares de restaurantes, em várias cidades do Brasil, foram vandalizados e tiveram seus nomes trocados por ataques ao PT e à esquerda, propaganda anti-vacina e ovações a Jair Bolsonaro (sem partido).

Pelo Twitter, o iFood disse que “o incidente foi causado por meio da conta de um funcionário de uma empresa prestadora de serviço de atendimento que tinha permissão para ajustar informações cadastrais dos restaurantes na plataforma, e que o fez de forma indevida.” A empresa afirma que seus sistemas não foram invadidos indevidamente e que não houve vazamento de dados dos clientes.

A história está mal contada. Em nota à Folha de S.Paulo, o iFood informou que o problema afetou 6% da sua base de restaurantes. Considerando que, segundo a própria empresa, ela tem 270 mil restaurantes parceiros, estamos falando de pouco mais de 16 mil restaurantes vandalizados num espaço curto de tempo. Como isso é possível? Via @iFood/Twitter, Folha de S.Paulo.

Os impactos da Transparência no Rastreamento em Apps (ATT, na sigla em inglês), recurso do iOS 14.5 que obriga aplicativos a obterem o consentimento expresso do usuário para rastrear suas atividades no celular, têm sido grande. Segundo a empresa de publicidade digital Lotame, o ATT custou US$ 9,85 bilhões a Facebook, Snap, Twitter e YouTube no terceiro e quarto trimestres, uma baixa de 12% no faturamento esperado. Via Financial Times (em inglês, com paywall).

Esse episódio joga duas verdades nas nossas caras:

  1. As pessoas se importam com privacidade. Diversas análises apontam que uma ampla maioria, ao ser apresentada ao pedido do ATT, nega que aplicativos rastreiem suas atividades. Pode não ser a maior preocupação de muitos, mas quando a opção é dada às claras, sem pegadinhas, a preferência quase unânime é por privacidade.
  2. Os “esforços” em privacidade que Google, Facebook e outras empresas de publicidade segmentada fazem são, se muito, maquiagens — ou, como argumentei nesta coluna, uma espécie de “greenwashing” da privacidade. Se fizessem diferença significativa, esta seria refletida nos relatórios financeiros trimestrais, coisa que jamais ocorreu.

Eu não tenho nada a ver com o que quer que o FB [Facebook] esteja fazendo relacionado ao metaverso, além do fato óbvio de que eles estão usando um termo que eu cunhei em Snow Crash. Não houve qualquer comunicação entre mim e o FB e nenhuma relação comercial.

— Neal Stephenson, autor de Snow Crash e criador do termo “metaverso”.

Em 1992, Neal Stephenson cunhou o termo “metaverso” em seu romance Snow Crash. Quase três décadas depois, a palavra virou a nova obsessão do Facebook, o que obrigou o escritor a se posicionar.

O metaverso de Snow Crash é um ambiente viciante, violento, que libera os piores impulsos das pessoas, mas ao mesmo tempo é um entretenimento barato e a base da economia de um país devastado pela pobreza e violência, controlado por empresas. (Tipo o filme Ready Player One, de Steven Spilberg.) Não é à toa que o Facebook não procurou Neal para promover o seu metaverso. Via @nealstephenson/Twitter (em inglês).