Pelo que entendi, o ChatGPT é basicamente o que você consegue quando pede a um supercomputador que se torne realmente bom em mansplaining. Muita autoconfiança, pouca precisão.

— Eli Pariser, ativista e autor do conceito de “filtro bolha”.

O que é “mansplaining”.

Via @elipariser/Mastodon (em inglês).

Não acho que [a API de tópicos] seja a respeito dos cookies de terceiros — é sobre vigilância na web e rastreamento. Se removermos os cookies de terceiros e substitui-los com algo que tem os mesmos problemas, então não é ok.

— Amy Guy, do Grupo de Arquitetura Técnica do W3C.

A API de tópicos é a última aposta do Google para substituir os cookies de terceiros no Chrome como aparato de vigilância para o seu negócio de publicidade segmentada. O W3C, em reunião realizada em 10 de janeiro, analisou e rejeitou a proposta. O Google se pronunciou; disse que seguirá em frente mesmo com o revés.

Quando uma empresa de publicidade desenvolve um navegador web, não surpreende que a prioridade seja usá-lo para devassar a privacidade dos usuários. Felizmente o W3C e outros navegadores (WebKit/Safari, Firefox) estão combatendo com afinco essa aberração. Via Insider (em inglês).

A meu ver o esporte eletrônico é uma indústria de entretenimento, não é esporte. Então você se diverte jogando videogame, você se divertiu. O atleta de e-sports treina, mas a Ivete Sangalo também treina para dar show e ele não é atleta, ela é uma artista que trabalha com entretenimento. O jogo eletrônico não é imprevisível, ele é desenhado por uma programação digital, cibernética. É uma programação, ela é fechada, diferente do esporte.

— Ana Moser, ministra do Esporte.

A declaração da Ana Moser causou polêmica. É importante contextualizá-la: a definição dos e-sports como esporte teria implicações em políticas públicas e de fomento ao esporte, como leis de incentivo e bolsas.

Bons argumentos, dos dois lados, de gente do meio: este fio do Rique Sampaio e o comentário do Kaluan Bernardo.

Decidi reduzir o tamanho da nossa equipe em 13% e dispensar mais de 11 mil dos nossos talentosos funcionários. […] Quero assumir a responsabilidade por essas decisões e por como chegamos até aqui.

— Mark Zuckerberg, CEO da Meta, anunciando uma demissão em massa.

Via Meta (em inglês).

US$ 20 por mês para manter meu selo azul? Foda-se, eles é que deviam me pagar. Se isso for instituído, estou fora igual a Enron.

— Stephen King, comentando a ideia de Elon Musk de cobrar mensalidade pelo selo azul de verificação.

Musk respondeu King e propôs um valor menor, de US$ 8 por mês. Mais tarde, oficializou a ideia ruim com uns penduricalhos adicionais e, depois, fez chacota com os críticos.

O selo azul de verificação sinaliza que um perfil é de quem diz ser, e apenas isso. Não tem valor de autoridade, mas algumas pessoas (e Musk parece estar nesse grupo) o encaram assim.

Cobrar pelo selo de verificação não resolve nenhum problema do Twitter. Pelo contrário: cria um balcão para a venda de legitimidade na plataforma — e por uma mixaria.

Imagine o tanto de golpistas que não pagariam felizes US$ 8 para terem um endosso da plataforma? De propagadores de desinformação explorando essa noção torta de que o selo azul confere autoridade para bagunçar ainda mais o debate público? (Ainda mais agora, com as ferramentas de moderação do Twitter restritas.)

O sistema de verificação do Twitter é historicamente falho, mas botar um preço nele é, provavelmente, a pior “solução” em que alguém poderia pensar.

A ideia de que os poucos interessados em pagar para manter o selo azul faria alguma diferença nas contas do Twitter é ridícula. Não há escala para isso e, como Stephen King apontou, a verificação de perfis é um negócio mais vantajoso ao Twitter do que aos perfis verificados. No mínimo, é de interesse é mútuo.

Ao oficializar o plano no Twitter, Musk bradou que se trata de dar “poder ao povo”. “É a caricatura da democracia burguesa”, que tem a desprezível característica de colar uma etiqueta de preço a tudo, até à condição inerente a todos nós, que independe de dinheiro, de sermos “povo”.

Acreditamos que acrescentar armas a robôs operados à distância ou autônomos, amplamente disponíveis ao público e capazes de chegar a locais antes inacessíveis onde pessoas vivem e trabalham, traz novos riscos de danos e sérias questões éticas. O armamento desses robôs também abalará a confiança do público na tecnologia de forma a prejudicar os enormes benefícios que eles trarão à sociedade. Por esses motivos, não apoiamos o armamento de nossos robôs móveis de uso geral.

— Boston Dynamics e outras empresas do setor, em carta aberta.

As empresas estão preocupadas com pessoas que têm modificado robôs de prateleira, à venda para o grande público, a fim de transformá-los em armas. O que poderia dar errado, né? Via Axios (em inglês).

Comentários no mercado e o sentimento dos usuários em relação aos GIFs em redes sociais demonstram que eles caíram em desuso enquanto formato de conteúdo, com usuários jovens em especial descrevendo GIFs como “para boomers” e “cringe”.

— Giphy, startup norte-americana especializada em GIFs animados.

A Giphy foi comprada pela Meta em 2020, por US$ 400 milhões, mas o negócio foi bloqueado pelo órgão antitruste do Reino Unido. A frase acima é de um documento enviado ao órgão na tentativa de liberar a aquisição. Via The Guardian (em inglês).

Eu anuncio que sou um hacker e a Uber sofreu um vazamento de dados.

— Hacker de 18 anos que invadiu sistemas internos da Uber e fez uma devassa.

A boa e velha engenharia social vitimou a Uber. Sistemas internos foram invadidos e dados sensíveis, como e-mails e códigos-fonte, levados. Parece algo grande e sério.

O anúncio acima foi feito pelo hacker no Slack da Uber. Funcionários acharam, a princípio, que era uma piada.

Não era. Via New York Times (em inglês).

Eu estou exercendo a minha liberdade de expressão e fazendo uso da minha propriedade privada.

— Gabriel Baggio Thomaz, o filósofo de Curitiba que registrou o domínio bolsonaro.com.br e o transformou em uma peça artístico-jornalística anti-bolsonarista.

Gênio. Via Veja.

O site não está entrando mais, deve ter sido derrubado. A Wayback Machine salvou cópias dele, porém.

É um leiaute tão básico que é difícil imaginar uma única pessoa levando mais do que um dia para criá-lo no Squarespace, Wix, Webflow ou em um dos page builderes do WordPress.

— Matt Mullenweg, co-criador do WordPress e CEO da Automattic.

A mensagem acima foi publicada por Matt no debate da reformulação das páginas inicial e de download do WordPress.org.

Voluntários pagos decidiram usar o sistema de blocos do WordPress para criar as novas versões e demoraram 33 dias para concluir a tarefa. A menção a rivais diretos do WordPress e seu sistema de blocos, aludindo a serem mais fáceis de usar, é a cereja no pudim.

A respeito dos blocos e do futuro do WordPress (o Manual do Usuário usa esse sistema), leia isto. Via Search Engine Journal (em inglês).

Se o Telegram, um dos dez aplicativos mais populares do mundo, está recebendo este tratamento [da Apple], imagine as dificuldades enfrentadas por desenvolvedores de aplicativos menores.

— Pavel Durov, CEO do Telegram.

O desabafo de Durov diz respeito a uma atualização do Telegram presa há duas semanas no processo de revisão da App Store, da Apple.

Segundo o executivo, é uma atualização que vai “revolucionar a maneira como as pessoas se expressam em aplicativos de mensagens”. É de se duvidar, mas seguimos atentos. Via @durov/Telegram (em inglês).

Faça o Instagram ser o Instagram de novo. (Pare de tentar ser o TikTok, eu só quero ver fotos fofas dos meus amigos.) Atenciosamente, todo mundo. Por favorrrrrrrr

— Kylie Jenner, em story a seus 360,9 milhões de seguidores no Instagram.

Não adianta reclamar da tiktokzação do Instagram — a menos que você seja uma Kardashian e a segunda pessoa com mais seguidores do mundo na plataforma.

Foi o que fez Kylie Jenner nesta segunda (25), o que motivou um constrangedor “mea culpa” de Adam Mosseri, diretor responsável pelo Instagram, na manhã desta terça (26).

No vídeo, Mosseri tenta explicar por que o Instagram está mostrando vídeos que ocupam a tela toda, dando ênfase a vídeos em detrimento das fotos e mostrando conteúdo de perfis que o usuário não segue. Em outras palavras, explica (sem explicar na real) por que o Instagram está copiando desesperadamente o TikTok. Via @mosseri/Twitter, The Verge (ambos em inglês).

Talvez seja tarde [para dizer isto], mas colocar seu dinheiro em criptomoedas é [como] apostar em jogos de azar.

— Aaron Davis, co-fundador do MetaMask.

A MetaMask é uma “hot wallet” de criptoativos que interage com a blockchain Ethereum, bastante usada por detentores de NFTs para guardar e transacionar seus “ativos”.

A declaração foi dada numa entrevista inédita que ele e seu sócio e co-fundador, Dan Finlay, deram à Vice.

Em outro trecho, Finlay admitiu que “não conseguimos impedir as pessoas de montar esquemas de pirâmide/Ponzi nas blockchains”. Até ontem (ou até antes da quebradeira do setor), a imutabilidade e o caráter “zero confiança” das blockchains e criptomoedas eram virtudes; agora, são uma inevitabilidade que propicia golpes. Que coisa. Via Vice (em inglês).

[Elon] Musk aparentemente acredita que é livre para mudar de ideia, detonar a empresa, bagunçar suas operações, destruir valor dos acionistas e sair impune.

— Advogados do Twitter.

O argumento do Twitter na Justiça nos Estados Unidos para obrigar Elon Musk a cumprir sua palavra e comprar a empresa por US$ 44 bilhões é pesada.

A empresa afirma que não há base para a alegação de Musk de que o acordo foi violado, o que lhe daria uma saída do negócio que, a essa altura, está evidente ele não quer mais. Via Reuters, Bloomberg (ambos em inglês).

Quando aquilo [a Uber] se revelou não ser o caso — que, na real, nós vendemos às pessoas uma mentira —, como você pode ter a consciência limpa se você não se levantar e se responsabilizar pela sua contribuição a como as pessoas estão sendo tratadas hoje?

— Mark MacGann, ex-lobista da Uber e delator dos “Uber files”.

Um dia depois de revelar os “Uber files”, o The Guardian trouxe uma entrevista com o responsável por vazar os 124 mil documentos que embasaram a reportagem original — e que, certamente, fará emergir outras revelações em breve. Via The Guardian (em inglês).