Os smartphones dos entregadores

Os smartphones dos entregadores, por Bruno Romani e Tiago Queiroz no Estadão:

Esqueça o iPhone ou o Galaxy S: sob essa perspectiva, o negócio bilionário das plataformas de delivery está escorado num mar de modelos básicos, e quase nunca novos, de Motorola e Samsung — é um retrato mais fiel também do mercado brasileiro de smartphones. Isso significa que a bateria seca mais rápido, o GPS não entende direito a localização e os aplicativos engasgam. Tudo isso, claro, interfere diretamente no trabalho.

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Ainda que fosse mais barato, o smartphone da Apple [iPhone] não seria muito útil no trabalho. Os trabalhadores lembram que os apps para entregadores do iFood e da Rappi só funcionam com Android, sistema operacional do Google. O iFood largou o iPhone em dezembro de 2020. Assim, apenas o Uber Eats é compatível com o celular da Apple.

Dispositivos “livres de distrações” podem alterar a maneira como escrevemos?

Dispositivos “livres de distrações” podem alterar a maneira como escrevemos? (em inglês), por Julian Lucas na The New Yorker:

Mas o modo focado em um dispositivo generalista é uma sala de meditação dentro de um cassino. De que adianta separar a escrita da edição, formatação e interfaces atulhadas se você não consegue separá-la da internet? Mesmo um computador desconectado oferece muitas oportunidades de distração […]. E assim como os empresários experientes ressuscitaram o “dumb phone” [celular simples] como um dispositivo de comunicação monotarefa premium, talvez fosse inevitável que alguém revivesse o processador de texto dedicado.

PF ainda investiga ataques hacker e “megavazamento” de dados um ano depois

PF ainda investiga ataques hacker e “megavazamento” de dados um ano depois, por Paula Soprana na Folha de S.Paulo:

O balanço das investigações de ciberataques decepciona. Os principais ataques hacker a órgãos do governo durante a pandemia e a investigação sobre o caso do “megavazamento” — a venda de dados pessoais de 223 milhões de brasileiros na internet—, ocorrido há cerca de um ano, ainda estão sem resposta.

Danilo Doneda, membro do conselho nacional de proteção de dados da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), à reportagem:

“São tragédias anunciadas. Ao rapidamente culpar hackers, lavamos as mãos sobre a própria responsabilidade do setor público. Os sistemas são invadidos, mas não deveriam ser.”

Sua atenção não colapsou. Ela foi roubada

Sua atenção não colapsou. Ela foi roubada (em inglês), por Johann Hari no The Guardian:

Em Moscou, o ex-engenheiro do Google James Williams — que se tornou o mais importante filósofo da atenção do Ocidente — me disse que eu havia cometido um erro crucial. A abstinência individual “não é a solução, pela mesma razão que usar uma máscara de gás durante dois dias por semana fora de casa não é a resposta para a poluição. Ela pode, por um curto período de tempo, evitar certos efeitos, mas não é sustentável e não aborda os problemas sistêmicos”. Ele disse que nossa atenção está sendo profundamente alterada por enormes forças invasivas na sociedade como um todo. Dizer que a solução é apenas corrigir seus próprios hábitos — prometer não usar tanto o celular, por exemplo — é apenas “empurrá-la de volta ao indivíduo”, disse, quando “são mudanças ambientais que realmente farão a diferença”.

Vai acabar a “febre” dos unicórnios brasileiros em 2022?

Vai acabar a “febre” dos unicórnios brasileiros em 2022?, por Ralphe Manzoni Jr. no Neofeed:

O resultado é um recorde. Desde que o aplicativo de transporte 99 se tornou o primeiro unicórnio brasileiro, em 2018, nunca surgiram tantos em apenas um ano no Brasil. Até então, o melhor ano havia sido em 2019, quando Gympass, Loggi, QuintoAndar, Wildlife Studios e Ebanx atingiram avaliações bilionárias.

Não se trata de um fenômeno brasileiro. No mundo, 338 startups se tornaram unicórnios no ano passado, segundo dados da consultoria Pitchbook. Em 2020, foram 100. Em 2016, o fenômeno era raro: apenas 21 startups atingiram tal feito. Mas será que essa febre de unicórnios, que nasceram da enorme liquidez do mercado de venture capital no Brasil e no mundo, vai durar em 2022?

Do arquivo do Manual: A matemática dos unicórnios (fev/2020).

Este post é exemplo de um novo formato/categoria que estreia em 2022, a de indicações. Em vez de concentrar links de boas reportagens, artigos e colunas de opinião de outros sites na newsletter da quinta-feira, eles agora aparecem no site.

Mozilla prepara ferramenta que avisa sobre vazamento de contas

A Mozilla está testando o Firefox Monitor, uma nova ferramenta de segurança. Ela verifica e alerta o usuário de vazamentos de credenciais de sites e apps, com base no banco de dados do Have I Been Pwned?, do pesquisador Troy Hunt, com mais de três bilhões de dados vazados publicamente.

No comunicado, a Mozilla detalha alguns cuidados com privacidade e diz que iniciará os testes semana que vem, com 25 mil usuários. Ainda não há data para a liberação pública. Nesse meio tempo, você pode usar o próprio HIBP para verificar se seu e-mail está em algum vazamento.

Maior fabricante de PCs do mundo, Lenovo agora vende mais smartphones do que PCs

Tom Warren, no The Verge:

A maior fabricante de PCs do mundo, a Lenovo, agora vende mais smartphones do que PCs. Em um relatório de ganhos publicado hoje, a Lenovo revelou que inversão [de posição] dos smartphones ocorreu porque as vendas dobraram entre abril e junho. A Lenovo vendeu 15,8 milhões de smartphones no último trimestre, comparada a 14,5 milhões de PCs. A Lenovo disse que o aumento nas vendas de smartphones pode ser atribuída à mudança de foco, de aparelhos premium para modelos mainstream, e ao aumento da demanda em mercados  emergentes.

O salto dos smartphones no gráfico de vendas é expressivo e ainda não contabiliza as vendas de dispositivos da Motorola Mobility — a compra dessa ainda não foi finalizada.

Apesar do bom desempenho, na última quinta-feira Yang Yuanqing, CEO da Lenovo, disse que não quer depender apenas do mercado chinês e que não entrará no jogo “tóxico” de outras fabricantes chinesas, que custeiam um crescimento super rápido vendendo smartphone a preço de custo para atrair investidores. Como exemplos, citou os 300% e 500% de aumento em vendas no sudeste da Ásia e Europa oriental, respectivamente.

Em fevereiro, a Lenovo disse num evento realizado em sua fábrica em Itu que lançaria smartphones premium da marca no Brasil até o fim de 2014. A empresa já tem um portifólio local de aparelhos de entrada, mas usando a marca da CCE, adquirida há quase dois anos por R$ 300 milhões.

Difamados, brasileiros tentarão tirar app Secret do ar no país

Yuri Gonzaga, na Folha:

Um grupo de dez pessoas entrará nos próximos dias com pedidos extrajudiciais para que Apple e Google removam de suas lojas virtuais no Brasil o aplicativo Secret, uma rede social que mantém todo usuário anônimo e que vem ganhando popularidade no país nesta semana.

Segundo o responsável pela iniciativa, o consultor de marketing Bruno de Freitas Machado, 25, cada membro do grupo foi objeto de calúnia ou teve informações privadas divulgadas sem autorização.

Alguém tinha dúvida de que isso aconteceria?

Note-se que é um pedido extrajudicial, ou seja, esse pessoal apenas pedirá diretamente a Google e Apple para que remova o Secret das suas respectivas lojas de apps, sem o envolvimento do judiciário. Pelo histórico de ambas, porém, é bem provável que simplesmente ignorem o pedido.

O próximo passo é a via judicial e lá o caso deve se arrastar. Como o Secret não tem representação no Brasil, regras de Direito internacional deverão ser aplicadas e para que a startup se manifeste em juízo será preciso expedir cartas rogatórias, como explica o advogado Leandro Bissoli à reportagem da Folha.

Atualização (19h): Outro encontrado pela Folha. Este fez um boletim de ocorrência e quer que o Secret revele a identidade dos difamadores.

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Sobre a desvinculação dos posts que citei hoje mais cedo, ainda paira a dúvida se ela alcança as situações previstas na política de privacidade em que o Secret pode revelar a identidade de um usuário. Para dirimi-la, entrei em contato com a assessoria do serviço e o setor legal. O e-mail foi enviado hoje de manhã e até a data da publicação deste post não tive resposta.

Galaxy S5 Duos: finalmente um topo de linha dual SIM no Brasil

Paulo Higa, no Tecnoblog:

Há alguns anos, celulares com suporte a dois chips eram vendidos no Brasil somente por fabricantes chinesas desconhecidas. Depois, essa característica chegou aos aparelhos mais simples das principais fabricantes. Agora, nós também temos um smartphone topo de linha com entrada para dois SIM cards: é o Galaxy S5 Duos, que começou a ser vendido recentemente no varejo brasileiro por 2.599 reais.

Com exceção do slot extra para mais um SIM card e da inscrição “Duos” na tampa traseira, de resto é exatamente o mesmo Galaxy S5 lançado em abril. Até o preço sugerido é idêntico, e ele já pode ser comprado com desconto em algumas lojas — está R$ 2.339 no Shoptime, por exemplo.

Na China, a Samsung lança variantes dual SIM dos seus grandes smartphones faz algum tempo — os primeiros, até onde sei, foram o S3 e o Note II. A impressão que tenho é de que há público para essa combinação no Brasil; mais de uma vez ouvi lamentações de gente ansiosa por um dual SIM com configurações de ponta.

Agora só falta um topo de linha com dois chips e TV digital. O Xperia Z2 tem essa última característica, mas só está disponível em versão com um SIM card. Quem dará o próximo passo?

Sony desiste dos e-readers

Na BBC:

A Sony desistiu de vender sua linha de leitores para e-books após falhar na busca por um mercado grande o bastante.

“No momento não temos planos para desenvolver um sucessor do Reader”, disse a empresa japonesa à BBC.

O PRS-T3 foi a última versão fabricada e será vendido até o estoque esgotar na Europa.

O timing dessa notícia é de preocupar a Saraiva, que acabou de entrar na briga dos e-readers. Os da Sony chegaram ao mercado três anos antes do Kindle, mas nem essa vantagem, nem a abertura a publicações de outras lojas que não a da própria Sony foram suficientes para barrar a expansão massiva da Amazon.

Em alguns lugares a família Kindle detém mais de 90% do mercado, e isso em um nicho que atingiu seu pico em 2011 e desde então segue em queda pinta um futuro difícil para todos os concorrentes.

Como diz Matthew Sparkes, no Telegraph, talvez no futuro próximo Kindle seja um nome tão forte que será sinônimo da categoria — da mesma forma que aqui no Brasil chamamos esponja de aço de Bombril e água sanitária de Qboa.