A tela infinita do Mi Mix 2, da Xiaomi.

Uma olhada nos melhores smartphones que não são vendidos no Brasil


8/12/17 às 17h00

Entre trambolhos com o novíssimo Snapdragon 845, protótipos feitos pela própria Qualcomm para apresentar os recursos do seu chip recém-anunciado, havia uma bancada em formato de prancha — pois Havaí — com alguns smartphones da geração passada, com Snapdragon 835. Foi uma boa oportunidade de ver alguns dos melhores aparelhos atualmente à venda e que não chegaram (nem chegarão) ao Brasil.

Dali, apenas o Galaxy Note 8 e o Xperia XZ1 são comercializados aqui. Os demais, não. O mais concorrido era o Razer Phone, um smartphone com ângulos retos, todo “quadradão”, que se destaca pela tela com taxa de atualização de 120 Hz, mesma frequência da do iPad Pro e, por ora, algo único em smartphones.

Detalhe da tela do Razer Phone.
Quadradão e enorme: este é o Razer Phone. Foto: Rodrigo Ghedin.

A imprensa especializada fez bastante barulho por conta desse recurso. Nas configurações, é possível alterar a taxa livremente, dos 90 Hz (padrão) para menos ou o máximo (120 Hz, que consome mais energia). É notável a diferença: a rolagem de tela não distorce os textos. Mas não é uma mudança tão grande quanto a leitura de análises do Razer Phone e do iPad Pro sugere.

Muitos desses textos dizem que é difícil voltar a um smartphone convencional, com taxa de atualização a 60 Hz. Talvez seja após um período maior que os poucos minutos que tive ali para usá-lo. Ou talvez não. Se não, é o tipo de tecnologia que é legal ter, mas que não justifica a compra de um novo.

Detalhe na parte superior da tela do Mi Mix 2, da Xiaomi.
A tela infinita do Mi Mix 2 é linda. Foto: Rodrigo Ghedin.

Outro que se destaca é o Mi Mix 2, da Xiaomi. Em 2016, o modelo anterior dessa linha inaugurou a onda de “telas infinitas”, ou seja, praticamente sem bordas frontais. Ele é, de fato, muito bonito. Essa beleza aparenta cobrar poucos comprometimentos, sendo o mais óbvio deles a câmera frontal na borda inferior, uma posição bem esquisita.

A tela infinita aparece também no Pixel 2 XL, do Google, e no OnePlus 5T, do conglomerado chinês BBK. Elas trazem pelo menos um benefício real, que é o de diminuir o tamanho físico dos smartphones mantendo as telas enormes. E são lindas.

Detalhe do OnePlus 5T.
A OnePlus faz smartphones potentes, discretos e funcionais. Foto: Rodrigo Ghedin.

A outra vantagem é competitiva e de percepção. Quase toda a indústria se mexeu para lançar celulares do tipo em 2017; as fabricantes que não acompanharam, caso da HMD Global e seu Nokia 8 (também exposto ali), ficaram com produtos com cara de “antigo”.

De qualquer forma, seu Galaxy S7 ou iPhone 7 não precisa ser trocado porque o ganho que as telas infinitas trazem é marginal. Quando chegar a hora de trocar de aparelho por outros motivos, é bem provável que o mercado já esteja inundado de modelos com telas infinitas e isso deixará de ser um fator de decisão.

Estar em contato com tantos aparelhos de ponta ao mesmo tempo reforçou a sensação de que nunca estivemos tão bem servidos pelas empresas e que a escolha entre um e outro passa aspectos mais subjetivos do que objetivos. O maior risco que se corre é o de acabar com uma unidade defeituosa, um cenário anormalmente comum com o Pixel 2 XL.

Pixel 2 XL com a tela ligada.
Esta unidade, pelo menos, aparentemente estava sem problemas. Foto: Rodrigo Ghedin.
Detalhe da câmera do Pixel 2 Xl.
Mesmo com uma câmera, o Pixel 2 XL faz bonito em fotografia. Foto: Rodrigo Ghedin.

Gosta de iOS? Qualquer iPhone à venda te satisfará. Quer uma câmera sensacional? Pelo menos quatro smartphones oferecem câmeras incríveis com diferenças em pós-processamento — ou seja, gosto pessoal. Por fim, você confia na tradição das empresas veteranas do ramo como Apple e Samsung; nas novatas, caso da Razer; ou está disposto a apostar no desconhecido e aproveitar o custo-benefício imbatível de chinesas como a Xiaomi?

Rodrigo Ghedin viajou a Maui, Havaí, a convite da Qualcomm e segurou seu celular por quase 10 minutos apontando para o horizonte a fim de registrar um timelapse do pôr do Sol no Pacífico.

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