Google e Meta anunciaram que, em 2024, o backup do WhatsApp em celulares Android passará a contar no espaço gasto na conta Google — no plano gratuito, de 15 GB. Imagino que muita gente vai ingressar no meu movimento de um digital mais efêmero sem ao menos saber. Via Central de ajuda do WhatsApp.

Guia simples e direto para usar (e curtir) o Mastodon

Para muita gente, o Mastodon foi uma promessa que não se realizou. Em novembro de 2022, quando o desmonte do Twitter começou, o Mastodon era a solução perfeita: estava pronto, era só pegar e usar.

Eu já usava o Mastodon havia três anos àquela altura. Fiquei empolgado com a perspectiva de uma migração em massa. Ela aconteceu, ainda que menor do que poderia ter sido e sem efeitos duradouros.

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O que muda (e para quem) com a novela da OpenAI?

Eu poderia apostar que, até o fim do ano, a Netflix ou algum outro streaming comprará os direitos da novela da demissão de Sam Altman da OpenAI (partes 1 e 2).

Nesta segunda (21), Ilya Sutskever, membro do conselho apontado como principal articulador do complô para derrubar Altman, disse estar arrependido e assinou uma carta aberta, junto a +90% dos ~700 funcionários da OpenAI, chamando o conselho de incompetente e dando um ultimato: ou restabelecem Altman e pulam fora, ou vão todos trabalhar na Microsoft.

Todo mundo erra, mas é raro ver alguém classificar o seu eu de três dias atrás de um completo idiota.

De seu lado, a situação de Altman e Greg Brockman, que parecia resolvida, ainda não está. A dupla não descarta voltar à OpenAI, ou seja, ainda não fecharam com a Microsoft.

Em meio a tudo isso, tentei mudar o foco e pensar nas consequências em vez de seguir mergulhado no drama. O que muda? E para quem?

  • Os maiores perdedores são a própria OpenAI (em especial se a demissão não for revertida) e toda empresa/startup (com exceção da Microsoft) que criou produtos ou novos recursos em cima da API da OpenAI. É uma velha máxima do mundo da tecnologia: não deixe seu negócio depender de um terceiro, em especial se esse terceiro é uma startup badalada;
  • A Microsoft está com a faca e o queijo na mão, e apontando a faca para a OpenAI. Difícil imaginar um cenário em que Satya Nadella, o habilidoso CEO da Microsoft, saia perdendo.
  • A facção de proponentes apocalípticos da inteligência artificial, que acha que a IA vai acabar com a humanidade, sofreu um duro golpe. O conselho da OpenAI é formado por essa galera esquisita, do altruísmo eficaz e outras ideias erradas de como consertar o mundo (que eles mesmos ajudaram a quebrar).
  • A outra ala, a dos que querem resolver o problema que criaram com mais do que desencadeou o problema (tecnologia resolvendo problemas de tecnologia), se livra das amarras ~éticas da OpenAI, da baboseira de usar a IA para o benefício da humanidade e limites no retorno aos investimentos. As coisas voltam a ser “business as usual”, termo em inglês para “dane-se todo o resto, passe o dinheiro pra cá”.
  • Por fim, nós. Se você usa alguma coisa relacionada à OpenAI, seja o ChatGPT, seja algum app feito em cima das APIs da startups, talvez algo mude a médio prazo. Por ora, dada a vantagem que a OpenAI tem frente aos concorrentes, tudo bem.
  • Para quem não usa IAs gerativas… bom, acho que não muda muita coisa, ao menos por agora.

Pasteboard

Ícone do Pasteboard para Windows.

Autointitulado “o melhor gerenciador de área de transferência para Windows”, o Pasteboard parece bem legal. (Se é o melhor, deixo em aberto.)

Um gerenciador de área de transferência salva e permite recuperar tudo que é copiado na memória com o famoso Ctrl + C.

Como o Windows 10/11 já traz esse recurso, o Pasteboard oferece alguns extras, como uma barra visual ao ser invocado (com Ctrl + Shift + V), pesquisa pelo conteúdo salvo, possibilidade de afixar itens recorrentes e até renomeá-los. Lembra o Paste, do macOS.

O Pasteboard é gratuito e sempre será. Quando os aplicativos para celulares chegarem, porém, é bem provável que haja uma cobrança para a sincronia sem fios entre computadores e celulares.

Pasteboard / Windows 10/11 / Gratuito. Download (Microsoft) », Download (Gumroad) ».

O Dicionário de Cambridge elegeu o verbo “alucinar” a palavra do ano. No caso, a nova definição usada no contexto da inteligência artificial: “Quando uma inteligência artificial alucina, ela produz informações falsas.” Via Universidade de Cambridge (2) (em inglês).

O fim de semana pareceu um episódio de Succession na OpenAI, com tentativas de restabelecer Sam Altman como CEO, de derrubar o conselho que o demitiu na sexta (17) e uma interferência forte da Microsoft, maior financiadora da startup e dona de quase 50% do braço comercial da OpenAI, pega de surpresa pela demissão do executivo.

No fim, o conselho prevaleceu e apontou um novo CEO (Emmett Shear, co-fundador e ex-CEO da Twitch), e a Microsoft levou Altman, Greg Brockman (co-fundador e ex-presidente da OpenAI) e “colegas”, para “liderarem uma nova equipe de pesquisa em IA avançada” dentro da empresa. Satya Nadella, CEO da Microsoft, disse ainda que sua empresa segue comprometida com a OpenAI. Via @satyanadella/LinkedIn, The Verge (em inglês).

Atualização (11h): A versão original desta nota afirmava que a Microsoft detém quase 50% da OpenAI. Na real, ela detém quase 50% do braço comercial, com intuito de lucro, da OpenAI. (A estrutura corporativa da OpenAI é uma salada.) Perdão pelo deslize!

Apple, Comcast, Disney, IBM, Lionsgate, Oracle, Paramount Global, União Europeia, Warner Bros Discovery suspenderam a veiculação de anúncios no Twitter (ou X) porque o dono, Elon Musk, demonstrou (no mínimo) simpatia ao antissemitismo e ao supremacismo branco em interações na plataforma.

Quando empresas desse calibre acham que um lugar é radioativo a ponto de quererem distância, talvez seja o momento de você, de nós procurarmos outro canto para passar o tempo na internet… Via Axios, Associated Press, New York Times, CNBC (em inglês).

Conselho da OpenAI demite Sam Altman do cargo de CEO

O conselho administrativo do braço sem fins lucrativos (e controlador) da OpenAI demitiu Sam Altman, CEO da empresa, nesta sexta (17).

O movimento chocou a indústria. Na véspera, Sam participou de eventos públicos e até a manhã da sexta trabalhou normalmente.

No comunicado da decisão, o conselho justificou a demissão dizendo que:

[…] concluiu que ele [Sam] não estava sendo consistentemente sincero em sua comunicação com o conselho, dificultando sua capacidade de exercer suas responsabilidades. O conselho não tem mais confiança em sua capacidade de continuar liderando o OpenAI.

Enigmático, para dizer o mínimo. Desde o momento do anúncio, publicações norte-americanas e insiders tentam decifrar o motivo da saída.

A Bloomberg falou com fontes internas anônimas que disseram que conflitos entre a missão original da OpenAI (avançar a IA para benefício da humanidade) e a postura pró-lucros de Sam no lado comercial da empresa.

Ainda segundo a publicação, Sam estava negociando com fundos soberanos do Oriente Médio para levantar financiamento para uma nova empresa de hardware baseado em IA, o que desagradava o conselho.

Além do próprio (agora) ex-CEO, todos, dentro e fora da OpenAI, foram pegos de surpresa. Greg Brockman, até então presidente da OpenAI, anunciou sua saída. Satya Nadella, CEO da Microsoft, que detém 49% da OpenAI e é sua maior investidora, publicou uma declaração afirmando que nada muda no relacionamento das duas empresas. Nos bastidores, Nadella teria ficado furioso com a notícia e por não ter sido avisado de antemão.

Não é a primeira vez que Sam sai de maneira abrupta do comando de uma empresa quente no Vale do Silício. Em junho de 2021, ele saiu (ou foi saído) sem muitas explicações da Y Combinator, uma popular incubadora de startups do Vale.

Desde o lançamento do ChatGPT, no final de 2022, Sam tornou-se uma espécie de rosto e porta-voz da inteligência artificial gerativa. Ao longo de 2023, ele promoveu a tecnologia nos EUA e em outros países, participou de debates acerca da regulação e ajudou a catapultar o valor de mercado da OpenAI e a desencadear uma nova corrida do ouro em torno da IA.

Sam não detém participação na OpenAI. Em seu lugar, assumiu como CEO interina Mira Murati, até então diretora de tecnologia. No Twitter, Sam comentou a demissão, mas não detalhes do que a motivou. Ainda há muito mais por vir nessa história. Via OpenAI, New York Times, Bloomberg (em inglês).

Hoje descobri que a rede de anúncios programáticos do Spotify, aqueles que são inseridos automaticamente em podcasts insuspeitos, chegou ao Brasil e que se chama Spotify Audience Network, ou… SPAN. Nome bem apropriado, apesar de terem colocando um “n” no lugar do “m” no final. Via Spotify Advertising.

Só nesta semana, a Apple finalmente cedeu e confirmou que dará suporte ao RCS (sucessor do SMS) em 2024 e a Microsoft iniciou testes de adequação do Windows 11 — remoção de apps nativos, incluindo Bing e Edge, e outras quinquilharias da empresa.

Li várias manchetes classificando movimentos do tipo como “surpreendentes”, “chocantes”, “inesperados”… como se essas empresas tivessem sido acometidas por uma crise de consciência abrupta. Não é o caso, óbvio. O motivo de tanta abertura é a entrada em vigor iminente do Digital Markets Act (DMA) da União Europeia, que começa a valer em março de 2024. Via 9to5Mac, Microsoft (em inglês).

O que vem depois do celular?

Após anos de promessas grandiosas, um TED que mais pareceu comercial de TV e US$ 240 milhões em investimentos, a Humane, startup fundada por um casal de ex-executivos da Apple, revelou seu primeiro produto: o AI Pin, uma espécie de broche inteligente.

Seria apenas um produto curioso, inovador, não fossem as tais promessas grandiosas. Com o AI Pin, a Humane quer substituir o celular.

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Buckwheat

Ícone do aplicativo Buckwheat.

O Buckwheat é um aplicativo de controle financeiro dos mais simples. Ao abri-lo pela primeira vez, ele pergunta qual é o seu orçamento, a moeda usada e quantos dias precisa passar com essa grana.

Dali em diante, basta lançar os gastos para que o app lhe informe se o orçamento estourou ou não.

A abordagem mais simples pode ser interessante para quem está colocando o pezinho nas águas do controle financeiro ou precisa apenas de uma ferramenta para segurar os gastos do dia a dia.

Buckwheat / Android / Gratuito. Download »

Muito boa a “prestação de contas” do Signal, a primeira que a fundação sem fins lucrativos faz. O custo operacional em 2023, até agora (novembro), é de ~US$ 33 milhões, e estima-se que em 2025 será de US$ 50 milhões/ano. O que é pouquíssimo comparado a aplicativos similares, também gratuitos, que não têm nem de longe o mesmo cuidado com a privacidade do Signal. Via Signal (em inglês).

Fiz dois adendos às regras de convivência nos comentários do Manual. A primeira (#8), bem a tempo da Black Friday, proíbe a veiculação de links de afiliados/comissionados a fim de manter as nossas recomendações desinteressadas. A segunda (#9) é referente ao uso de inteligência artificial gerativa. Peço a todos para que leiam.

Dica: vasculhar e pegar livros emprestados de uma biblioteca satisfaz a parte da terapia de consumo do seu cérebro sem custar um centavo.