Curioso o novo modelo de negócio do Evernote: extorquir os usuários (os que sobraram) que têm +50 notas armazenadas e não pagam mensalidade. Talvez funcione no curto prazo, mas suspeito que muita gente vai trocar o app por um dos zilhões de outros parecidos ou iguais sem esse tipo de limitação no plano gratuito. Via TechCrunch (em inglês).
Vemos isso todos os dias: o Twitter dificulta o debate, a busca pela verdade e o diálogo sereno e construtivo necessário entre seres humanos. Com suas milhares de contas anônimas e suas fazendas de trolls, a vida no Twitter é exatamente o oposto da vida democrática. Eu me recuso a endossar esse esquema maligno.
— Anne Hidalgo, prefeita de Paris, ao anunciar sua saída do Twitter.
Fornecedores da Apple, Apple Watch “carbono neutro” e os créditos de carbono
Interessante este relatório do Greenpeace detalhando os esforços de descarbonização de 11 dos maiores fornecedores das empresas de tecnologia.
As principais descobertas:
- “A mediana reportada da taxa de aquisição de energia renovável para os 11 fornecedores de eletrônicos no ranking foi de 20% em 2022, em comparação com 10% para as mesmas 11 empresas em 2021.”
- Apenas 4 das 11 se comprometeram com a meta de descarbonizar suas redes de fornecedores até 2050. Para 2030, somente a Intel fez a promessa.
- A Foxconn tem as maiores taxas reportadas de emissões e consumo energético na fabricação final do ranking. Em 2022, as emissões da empresa superaram às da Islândia — e com apenas 8% da energia vinda de fontes renováveis.
- A Samsung Electronics recebeu a pior nota entre as fabricantes de semicondutores (D+). Nenhuma fabricante teve nota superior a C+.
O relatório completo (em inglês) pode ser lido aqui (PDF).
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Um detalhe curioso é que a Apple é cliente de todas as 11 fornecedoras analisadas pelo Greenpeace.
Em outubro, a Apple chamou a atenção ao anunciar seu primeiro produto “carbono neutro”, um modelo específico de Apple Watch combinado com uma ou outra pulseira.
A alegação foi contestada pelo Instituto de Assuntos Públicos e Ambientais (IPE, na sigla em inglês), uma instituição sem fins lucrativos da China que, um ano antes, recebera elogios da Apple. O IPE acusou a empresa de faltar com transparência acerca da cadeia de fornecedores dos seus produtos.
Não é o único problema da alegação da Apple e de outras empresas poluidoras que clamam serem ou estarem se tornando neutras em emissões de carbono.
Infelizmente, não é como se a Apple tivesse descoberto uma maneira de fazer seu relógio esperto sugar CO2 da atmosfera. A neutralidade foi atingida, como era de se esperar, com a compra de créditos de carbono — o equivalente a 7–12 kg por relógio, de acordo com o Financial Times.
Esses créditos, segundo a própria Apple, são de projetos na América Latina e usam “padrões internacionais” de certificação do chamado mercado voluntário (ou não regulado), incluindo os da norte-americana Verra, que uma investigação do The Guardian descobriu que ~90% dos créditos não representavam redução alguma na emissão dos gases do efeito estufa.
O funcionamento de créditos no mercado voluntário é bizarro. Sem regulação (e sem surpresa), os incentivos se voltam à maximização do lucro — mais uma vez, o rabo do capitalismo abana o cachorro, ou o meio-ambiente.
A história da floresta de Lake Kariba, no Zimbábue, contada na New Yorker, é um bom exemplo desses incentivos erráticos no mercado de créditos de carbono. (Se achar o texto longo, Matt Levine fez um bom e divertido resumo em sua coluna.)
O Brasil representa outro problema crônico do mercado voluntário, com o loteamento de terras públicas pelos chamados “caubóis do carbono” na Amazônia, como mostrado pela Sumaúma.
Créditos de carbono são vendidos como a solução ao paradoxo de sustentar o crescimento da economia sem piorar a catástrofe climática. Se parece bom demais para ser verdade, é porque não é.
Copy SMS Code
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Um dos recursos mais legais do iOS é o preenchimento automático de senhas temporárias de segundo fator de autenticação (OTP, ou “one-time password”) que chegam por SMS ou e-mail.
O aplicativo de código aberto Copy SMS Code traz um recurso semelhante ao Android. (Apesar do nome, ele lida também com e-mails e outros apps que enviam notificações.)
Ao receber um SMS ou e-mail contendo uma senha temporária, o Copy SMS Code dispara uma notificação com um botão para copiar o código contido na mensagem para a área de transferência.
Por que isso não existe no sistema, nativo? Boa pergunta para o Google.
Ah, o Copy SMS Code funciona completamente offline. É uma boa garantia de que ele não faz coisas erradas com os códigos interceptados no próprio aparelho. (Obrigado pela dica, Will!)
Copy SMS Code / Android / Gratuito.
Curioso que para veicular anúncios, a Meta consegue ler nossos pensamentos, mas quando é para detectar crianças usando o Instagram, o negócio fica “complexo”. Via New York Times (em inglês).
Vendo navios em tempo real no mapa e outros links legais
Manja o FlightRadar, de acompanhar aviões em tempo real? O MarineTraffic usa a mesma lógica, mas para embarcações marítimas. (O link leva direto à visualização dos portos de Santos e Paranaguá.) Quanto barco!
Notepad++ 8.6
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Quando o Notepad++ foi lançado, Don Ho se cadastrava em vários fóruns para postar que “o Notepad++ é massa!”. Hoje, o pequeno editor para Windows não precisa mais dessa ~estratégia.
Na última quinta (23), o Notepad++ completou 20 anos. É daqueles raros aplicativos que mudam pouco e sempre para melhor, mantendo a agilidade enquanto cresce em funcionalidades, fruto de carinho de Ho e dos voluntários que se juntaram ao projeto — que tem o código aberto.
Se você não o conhece, o Notepad++ é uma espécie de substituto do Bloco de notas (daí seu nome) capaz de lidar com várias linguagens de programação.
Para celebrar o aniversário, o Notepad++ 8.6 trouxe multi-edição, um recurso comum em outros editores e que fazia falta aqui.
Notepad++ / Windows / Gratuito.
Um dinossauro contempla o fim da web
Em 2023, por diversas vezes me peguei pensando na web, no site do Manual e no que o futuro nos reserva.
Hotlist
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Para listas temporárias e/ou diárias, o Hotlist é uma boa pedida.
O aplicativo cria uma lista na barra de menus do macOS, e ali fica toda a interface dele. É possível criar novas tarefas, riscá-las, tudo como manda o figurino. O ícone do app na barra é um contador de tarefas pendentes.
Outros detalhes legais do Hotlist é que ele é recheado de atalhos no teclado, se integra com apps de terceiros e tem um sistema de plugins baseado em JavaScript.
O app é gratuito. Na tela de “compra”, basta selecionar “0” para obtê-lo sem custos. Se quiser dar uns trocados ao Rik Schennink (desenvolvedor) em agradecimento, basta escolher o valor na mesma tela.
Hotlist / macOS / Gratuito.
As boas do Manual para a Black Friday
Seguindo uma tradição da última sexta-feira de novembro, em 2023 a assinatura do Manual do Usuário continua custando o mesmo de sempre — a partir de R$ 9/mês ou R$ 99/ano.
Não existe desconto de Black Friday para a assinatura porque ela não tem natureza de consumo. A assinatura é um ato de generosidade feito para manter o projeto no ar. Daí não faz sentido “desconto de Black Friday”, né?
Se, em vez de apoiar o projeto, você estiver na pira de gastar, ou quiser fazer os dois, continue lendo.
Produtos do Manual
Produtos com a marca do Manual estão com descontos para esta Black Friday. Aqui é desconto de verdade!
- O belíssimo deskmat de lã merino da Kumori sai com 15% de desconto usando o cupom
8qb6cdt3. - O livrinho Outros jeitos de pensar a tecnologia, publicado pela Casatrês, também está com 15% de desconto. O site da editora está passando por reformas, por isso, caso interesse, envie um e-mail para contato@casatreseditora.art.br ou uma DM no Instagram (@casatres.editora) para pedir o seu. (Em breve sai o segundo volume, então aproveite para completar a ~coleção.)
O grande post colaborativo de ofertas
A interação no grande post colaborativo do Órbita está frenética, com a tendência de acelerar nas próximas horas.
Se você conhece uma boa promoção ou está em busca de bons achados desinteressados, é um dos melhores lugares para garimpar.
O LineageOS, uma “ROM” alternativa do Android, está instalado em apenas 1,5 milhão de dispositivos. É uma gota no oceano de (no mínimo) 2,5 bilhões de dispositivos com esse sistema no mundo.
O projeto dá uma sobrevida a celulares antigos, mantendo-os atualizados e seguros mesmo após perderem o suporte da fabricante. É o tipo de solução que talvez não seja simples dentro de uma empresa, mas muito mais eficaz no combate à catástrofe climática do que… sei lá, tirar cabos e carregadores da caixa de celulares novos.
O velho Moto G7 Play que uso para testes parou de receber atualizações da Motorola em fevereiro de 2021, com o Android 10. Graças ao LineageOS, rodo nele o Android 13 com atualizações regulares de segurança — a mais recente foi liberada nesta quarta (22). Via 9to5Google (em inglês).
Procreate Dreams
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Dos mesmos criadores do Procreate, foi lançado nesta quarta (22) o Procreate Dreams, um aplicativo de animação para iPadOS.
Segundo os desenvolvedores, o Dreams permite “criar animações envolventes desenhadas à mão, motion graphics e aprimorá-los com imagens, vídeos e som”.
A julgar pelo vídeo de apresentação, é como se o Procreate clássico tivesse ganho uma poderosa camada de edição de vídeo.
E para a alegria de quem se interessou, o Dreams também é uma compra única, sem assinatura.
Procreate Dreams / iPadOS / R$ 99,90.
Qual é a de Sam Altman?
Sam Altman está de volta ao comando da OpenAI. Seu retorno, anunciado na madrugada desta quarta (22), foi condicionado a mudanças no conselho (detalhes na Axios) e a uma investigação independente dos eventos ocorridos desde sexta (17).
Foi uma vitória do executivo de 38 anos, apesar dos mistérios que rondam o caso e do histórico controverso de Altman.
Na terça (21), o New York Times publicou um novo bastidor afirmando que a relação entre os diretores e Altman estava ruim havia um ano, e piorou com a popularidade do CEO.
Nesse intervalo, Altman teria tentado remover Helen Toner, da Universidade de Georgetown, por um paper crítico à OpenAI que ela publicou junto a outros pesquisadores.
É difícil tomar um lado nessa disputa, porque ambos parecem errados por motivos distintos. Altman representa o Vale do Silício, a ideologia californiana, o lucro acima de tudo e o culto à personalidade que, naquelas bandas, é invejado e desejado.
O (agora) antigo conselho, com suas conexões com o movimento do altruísmo eficaz e a abordagem fatalista da IA, não é muito melhor.
Dito isso, e para fugir um pouco da novela do fim de semana: qual é a do Altman?
O Washington Post jogou luz a um episódio grave de 2018 até então não reportado: a demissão de Altman da Y Combinator.
Em 2019, Paul Graham, fundador da incubadora, mentor de Altman e quem o colocou como CEO da Y Combinator em 2014, saiu de sua casa no Reino Unido e foi até São Francisco para demitir Altman pessoalmente.
Fontes familiares com o assunto disseram à reportagem do WaPo que Altman colocava seus interesses pessoais à frente dos da incubadora e tinha uma sede de poder insaciável.
Há rumores de que essa mesma questão apareceu na crise da OpenAI. Altman estaria capitalizando sua imagem para levantar investimentos no Oriente Médio e com o SoftBank/Masayoshi Son para criar uma nova startup de hardware com inteligência artificial.
Altman parece ser bom de conversa, capaz de vender gelo para esquimó, aquele tipo, que todo mundo conhece, que fala muito e fala bem.
Um pequeno perfil publicado pelo Financial Times na terça (21) tenta explicar a gênese do executivo-estrela.
Uma das fontes (anônima) da matéria resumiu assim:
“Seu super poder é trazer as pessoas para o seu lado, moldar narrativas, empurrar situações de modo que elas trabalhem a seu favor. Isso faz com que seja impossível supervisioná-lo.”
Quase todos os ~770 funcionários da OpenAI, incluindo o co-fundador e membro do conselho que articulou sua demissão, Ilya Sutskever, assinaram uma carta aberta pressionando o conselho para restabelecer Altman como CEO.
Uma das fontes do WaPo, que trabalhou junto a Altman, resumiu assim a personalidade dele:
“Sam vive no limite do que as outras pessoas são capazes de aceitar. Às vezes, ele vai longe demais.”
Via Washington Post, Financial Times, New York Times (em inglês).
YouTube coloca atraso de 5 segundos a quem usa Firefox e o apocalipse de bloqueadores de anúncios no Chrome
Diversos relatos no Reddit acusam o Google de acrescentar um atraso artificial, de 5 segundos, ao site do YouTube quando aberto pelo Firefox.
Mudando o user-agent para o Chrome, ou seja, “enganando” o YouTube para que o site pense que o acesso é via Chrome, o atraso some.
Questionado pelo site 404 Media, o Google não negou o atraso, mas disse tratar-se de parte da investida contra bloqueadores de anúncios: “Usuários que têm bloqueadores de anúncios instalados podem experimentar um acesso aquém do ótimo, independentemente do navegador que estejam usando.”
Deve ser coincidência que apenas um navegador rival esteja apresentando o “acesso aquém do ótimo”.
Note que não é um problema generalizado, tal qual a blitz anti-bloqueadores de anúncios do Google. Eu tentei reproduzir o problema aqui, sem sucesso. A 404 Media e publicações especializadas em Android, como o Android Authority, também não.
Em nota relacionada, o Google retomou o cronograma do novo formato para extensões do Chrome, chamado Manifest V3, que deve enfraquecer as que bloqueiam anúncios.
A partir de junho de 2024, versões de testes do Chrome trarão a novidade. Nos meses seguintes, a depender dos “dados” obtidos nas versões de testes, o Manifest V3 chegará à versão estável.
Quem usa bloqueadores de anúncios no Chrome terá suas extensões desativadas, caso elas não tenham sido adaptadas, ou convertidas para versões mais simples, adequadas ao Manifest V3.
Talvez seja um bom momento para dar outra/uma nova chance ao Firefox. Ele já é o navegador recomendado pelo uBlock Origin, a melhor extensão de bloqueio de anúncios, e, em breve, essa distinção ficará ainda maior.
(O Firefox adotará o Manifest V3 para fins de compatibilidade, só que sem os limites arbitrários que limitam bloqueadores de anúncios que o Google adotou.) Via 404 Media, Ars Technica (em inglês).
Clay
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Alguns anos atrás, foi moda a categoria de aplicativos “CRM pessoal”, que pega a ideia do CRM corporativo (gerenciador de relacionamentos) e a adapta às nossas relações pessoais.
O app Clay é um que surgiu naquela onda. Nessa semana, o app chegou à versão 2.0 com uma nova-velha abordagem: o mundo corporativo, com uma versão para equipes. De quebra, ganhou um banho de loja e tornou o plano pessoal gratuito (limitado a 1 mil contatos).
Com o Clay, é possível puxar interações do e-mail e de redes sociais, registrar detalhes, eventos (como aniversários) e encontros com contatos e definir lembretes para não passar muito tempo sem dar um alô às pessoas que importam em sua vida.
A empresa garante que dados de conexões e outras informações do usuário são criptografadas de ponta a ponta (política de privacidade, em inglês).
Clay / iOS, macOS, web e Windows / Gratuito (uso pessoal).
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