Jogos integrais

por Fabio Bracht

O mercado de jogos, em especial o de jogos para celular, foi dominado por “junk food”: jogos que enganam os nossos sentidos e parecem deliciosos na primeira mordida, mas que não passam de um amontoado de calorias vazias que não nutre, que só consome o nosso tempo de vida.

Eles são raros, mas jogos que oferecem uma experiência genuinamente positiva ainda existem. São títulos que você termina e não deixam um retrogosto de tempo desperdiçado. São jogos que valem a pena, que deveriam ser mais divulgados e recomendados.

Ao contrário do que eu comparei com “junk food”, acima, eu chamo esses jogos de integrais.

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Holedown: O prazer de quicar bolinhas até o centro do universo

por Fabio Bracht

Ícone do “Holedown” para Android: ponta de um cabo branco com um rosto, contra fundo rosa.

Você mira nos blocos na parte de baixo da tela. Você atira suas bolinhas quicantes e torce pra dar tudo certo.

Quanto mais as bolinhas quicarem pela tela, mais blocos são destruídos e mais você avança. Com os cristais que surgem pelo caminho, é possível comprar melhorias entre uma tentativa e outra rumo ao fim do jogo. Sim, acredita que este é um jogo de celular que tem fim?!

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Talvez seja melhor manter os apps de mensagens separados

Todos os dias, faço uma curta peregrinação digital: passo por cinco ou seis aplicativos de mensagens para saber das novidades e responder pessoas. Seria ótimo se fosse um só, não?

Eu achava que sim, e mais gente — que sabe programar e/ou tem recursos — também. Embora os principais aplicativos de mensagens do mercado não trabalhem com rivais, soluções como Beeper, Texts e Element One conseguem, ainda que na base da gambiarra, juntar as mensagens do WhatsApp, Signal, Telegram e outros, todos sob um único ícone na tela do celular.

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Links organizados e leituras em dia com o Linkding

Organizar as coisas que encontramos na internet nunca foi tarefa fácil. São infindáveis posts, artigos, vídeos legais, vídeos úteis, tutoriais, pendências… ufa. Com o Linkding consegui, enfim, centralizar, organizar e criar um fluxo estável para salvar links — e recuperá-los depois.

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StreetPass: encontre perfis verificados para seguir no Mastodon

Ícone do StreetPass: cubo roxo em visão isométrica com uma linha pontilhada branca no meio.

No Mastodon, a verificação de perfis é feita com o auxílio de sites/domínios. Se você tem ou está ligado a algum site (da sua empresa, por exemplo), basta inserir uma linha de código no site referenciando seu perfil para que o link desse site fique verde e com um tique no Mastodon.

(Veja o meu, com os links do Manual, do meu site pessoal e do meu blog verificados.)

Aproveitando-se dessa dinâmica, o engenheiro de software Tyler Deitz criou uma extensão que ajuda a encontrar perfis para seguir no Mastodon, a StreetPass.

O uso é dos mais simples. Instale-a (tem versões para Chrome, Firefox e Safari) e navegue normalmente. Nos bastidores, a StreetPass detecta quando um site visitado tem um perfil correspondente verificado no Mastodon e salva esse perfil.

Depois de um tempo, clique no ícone da extensão para ver a lista dos perfis detectados e, se for do seu interesse, segui-los.

Um detalhe importante é que nenhum dado jamais escapa do seu computador. Toda a coleta e processamento dos dados é feita localmente, no navegador. Aos curiosos (e/ou desconfiados), o código-fonte é aberto.

StreetPass / Chrome, Firefox e Safari / Gratuita

Cedo ou tarde, qualquer pessoa que se interesse por tecnologia para seres humanos se dá conta de que o software proprietário é um beco sem saída. É por esse motivo que, apesar de ser um plano totalmente contraproducente, tenho flertado cada vez mais com a ideia de abandonar o ecossistema da Apple. Será que rola ainda em 2024?

Um bom lembrete do Brent Simmons, que tirou a poeira do seu blog após a Apple anunciar que vai cobrar 27% (!) de compras feitas na web a partir de links em apps do iOS que a Justiça estadunidense a obrigou a liberar.

É certo que estamos longe de sermos perfeitos, mas enquanto nossos concorrentes estão conectando pedófilos, alimentando insurreições e recomendando propaganda terrorista, sabemos que o Snapchat faz as pessoas felizes.

Evan Spiegel
CEO e co-fundador do Snapchat.

Trecho de um memorando de Evan a toda a empresa. (Parece que alguém não é muito fã da Meta 👀)

O executivo acredita que estamos em à beira de uma nova “revolução” de dispositivos vestíveis, com os Spectacles tendo um papel de destaque (?), que as redes sociais estão mortas e que o Snapchat não faz parte desse grupo, apesar de ter cara, focinho e cheiro de redes social. Via Business Insider (em inglês).

LibreWolf, um fork mais privado do Firefox configurado de fábrica

Silhueta branca de um lobo dentro de um círculo azul.

O LibreWolf é, nas palavras dos desenvolvedores, “uma versão customizada do Firefox, focada em privacidade, segurança e liberdade”.

Isso talvez confunda algumas pessoas. O Firefox já não é “focado em privacidade, segurança e liberdade”? Sim, mas sendo um produto de alcance maior, é preciso encontrar o equilíbrio entre proteções e facilidade de uso.

Sem essa amarra, o LibreWolf se posiciona como um fork do Firefox configurado de fábrica com as melhores opções de privacidade e segurança. O que é um adianto para quem compartilha das preocupações do projeto.

Parte do seu apelo é esse mesmo: um punhado de configurações alteradas do padrão do Firefox. Não só, porém. Outras vantagens do LibreWolf são a remoção de alguns incômodos (Pocket, estou olhando para você), uBlock Origin instalado por padrão e recursos de conveniência que ferem a natureza livre do software, como DRM para vídeos, desativados.

Algo não mencionado, mas que me agrada bastante no LibreWolf, é o visual e recursos espartanos dele. É algo mais direto ao ponto. E se algum recurso fizer falta (para mim, por exemplo, é o Firefox Sync), é bem provável que dê para reativá-lo com alguns cliques.

LibreWolf / Linux, macOS e Windows / Gratuito

Download (site oficial) »

Notei que os cinco sites de tecnologia brasileiros que analisei expõem listas de “mais lidas”, o que ajuda a validar as conclusões a que cheguei. As maiores estranhezas (horários de jogos de futebol, tutoriais caça-cliques e “cultura nerd”) dominam as listas.

Prints tirados na manhã desta quarta (17): Canaltech, Olhar Digital, Giz Brasil, Tecmundo, Tecnoblog. A título de curiosidade, as mais lidas deste Manual nos últimos sete dias (10–16/1).

A mesa de trabalho do Felipe Souza

Nota do editor: Sim, a seção de mesas está de volta! Nela, leitores do Manual mostram suas mesas (e o que tem em cima delas), explicam o que usam e como, e nessa todo mundo aprende alguma coisa nova. Veja outras mesas e, se puder, envie a sua. O texto abaixo é de autoria do Felipe.

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TimeDeposit registra o tempo gasto em projetos em qualquer dispositivo Apple

Ícone de uma ampulheta com rosto contra fundo rosa.

Precisando registrar o tempo gasto em tarefas de projetos distintos? Se você usa sistemas da Apple, o TimeDeposit é uma boa pedida.

A característica mais legal é que tem aplicativo para tudo: iPadOS, iOS, macOS e watchOS. A sincronização dos dados é feita via iCloud e os apps se integram bem aos respectivos sistemas — ícone na barra de menus do macOS, Atividades Ao Vivo no iOS, widgets no watchOS.

O TimeDeposit funciona com tarefas e projetos. É possível fazer os registros em tempo real, iniciando um cronômetro no app, ou depois (em caso de esquecimento), com a criação de sessões completas.

O único contra é que esta solução não funciona para equipes. É somente para uso individual. Outro ponto negativo é a tradução da interface para o português, aparentemente feita por alguém que não fala português. Não se pode ter tudo…

Em dias normais, o TimeDeposit tem limitações e não sincroniza com calendários na versão gratuita. Para liberar esses recursos, é exigido um pagamento único. Nesta terça (16), porém, o app sai de graça, via Indie App Santa.

TimeDeposit / iPadOS, iOS, macOS e watchOS / Freemium

Download (app universal) »

Onde estão os bons apps de e-mail?

Será que estou mal acostumado ao Apple Mail? Ou apenas acostumado a ele? Afinal, é quase uma década usando-o diariamente. Após passar por vários outros aplicativos de e-mail no último fim de semana, fiquei com a impressão de que não fazem mais bons apps de e-mail, ou comparáveis ao Apple Mail.

Tive essa revelação enquanto configurava o Fedora 39 em um desses “mini PCs”, para ficar mais próximo do sistema e usá-lo vez ou outra. E não é como se eu quisesse algo elaborado, certamente nada que envolva “IA” nem que processe meus e-mails em servidores alheios. (E que não custe US$ 30/mês, rs.) Tudo que peço é um app com interface e atalhos que fazem sentido e que converse com os protocolos IMAP e SMTP. É pedir muito?

Antes de enveredar pelo Linux, aproveitei que o Windows 11 veio pré-instalado no computador para dar uma olhada no “novo” Outlook, a rendição da Microsoft ao elefante na sala, o webmail.

Se você usa Windows e ainda não teve a infelicidade de topar com o novo Outlook, é apenas uma casca em torno do Outlook da web, aquele acessível pelo navegador. Bom para a Microsoft, para os 766 parceiros dela que recebem dados dos usuários, e só. Não, não é bom para você.

Windows superado, instalei o Fedora padrão, com o ambiente gráfico Gnome, e iniciei a minha via crucis pelos clientes de e-mail no Linux. Primeira parada: Thunderbird.

Mesmo com a repaginada visual em curso, o Thunderbird continua… esquisito. São muitos botões, atalhos estranhos ao sistema, visual fora do lugar. Vários desses problemas são comuns ao Firefox, mas, por motivos que não consigo articular, o Firefox não me passa essa sensação. Poderia usá-lo? Sim, meio a contragosto. Funciona. Vamos testar outros apps antes de bater o martelo.

O próximo da lista foi o Evolution, uma espécie de equivalente ao Thunderbird para o ambiente Gnome: lida com e-mail, calendário, listas de tarefas, notas. (Só faltou mensagens via Matrix, coisa que o Thunderbird incorporou não faz muito tempo.) Com um pouco de paciência dá para tirar os excessos de botões e barras e deixar o Evolution mais agradável, ou menos feio. Não num nível ideal, porque tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, mas ok, não é de todo ruim.

Continuei os testes. O aplicativo seguinte, Geary, é o que mais se parece com o Apple Mail. Simples, focado em e-mail, atalhos no teclado ok, funciona mais ou menos dentro do que se espera de um app moderno.

O problema é que o Geary padece de alguns defeitos injustificáveis a essa altura. O pior deles é o das colunas fixas.

Por motivos que talvez nem Deus explique, não é possível redimensionar as colunas de pastas/filtros, lista de mensagens e mensagem aberta. Para piorar, a coluna da lista de mensagens tem quase a mesma largura da da mensagem, mesmo em telas enormes.

A situação é essa desde abril de 2021. O histórico do Geary é acidentado, com longas lacunas de baixa ou nenhuma manutenção. Esse defeito, porém, é uma regressão. Não era assim e não poderia ter ficado assim, jamais.

Cheguei ao extremo de testar o Claws antes de dar por encerrado meu giro por apps de e-mail. Gosto e só escrevo e-mails em texto puro (text/plain), logo, por que não? Talvez eu me adaptasse com dedicação e paciência para arrumar a configuração padrão, um tempo que não quero gastar com isso.

Será que a maioria já migrou para o webmail em computadores, aplicativo só no celular? Para quem usa app de e-mail no computador: qual? Esqueci de testar algum? Sou todo ouvidos.

O site da Wikipédia é bom. O aplicativo para celulares é melhor

Logo da Wikipédia, um grande “W” em fonte serifada.

O site da Wikipédia funciona super bem em telas pequenas. Apesar disso, existem bons motivos para instalar o aplicativo oficial.

Na verdade, o principal motivo — ao menos para mim — são os widgets maravilhosos da versão para iOS. São três: foto do dia, o que aconteceu neste dia no passado e os itens mais lidos.

(Aliás, alguém sabe por que o verbete do filme xXx, com Vin Diesel, passou dias como mais lido na Wikipédia em português?)

Infelizmente a versão para Android carece de widgets legais.

Fora isso, o app permite baixar verbetes para lê-los sem conexão à internet, mostrar assuntos geograficamente próximos (é preciso dar permissão de geolocalização) e personalizar a experiência de leitura.

E é, antes de qualquer coisa, um bom aplicativo: leve, rápido, gostoso de usar. Como todo app deveria ser.

Atualização (17h20): O fato do aniversário da Wikipédia ser nesta segunda (15) é, acredite, uma total coincidência. (Só soube agora.)

Wikipédia / Android, iOS / Gratuito

Breve análise dos sites de tecnologia brasileiros

Se tivesse que justificar a razão de existir do Manual do Usuário, diria que é publicar coisas diferentes do que outros sites de tecnologia publicam. O que nos leva à pergunta inevitável: o que os outros sites de tecnologia publicam?

Tenho uma boa ideia, é claro. Uns acompanho de perto, outros de longe, sempre dou uma passadinha em todos para… digamos, “monitorar a concorrência”.

Durante seis dias em 2023 (31/8 a 5/9), porém, fiz uma incursão que se pretendia metódica em cinco dos maiores sites especializados em tecnologia do Brasil. Com a ajuda de um agregador de feeds, capturei, rotulei e categorizei tudo que eles publicaram naquele intervalo.

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Surpreso que apenas 12 milhões de números de telefone estão cadastrados no Não Me Perturbe. O site e os apps (Android, iOS) são esquisitaços, mas é um serviço legítimo que, se não resolve, ameniza o assédio de operadoras e consignado de bancos. Cadastre-se lá, se ainda não o fez. Via Convergência Digital.